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domingo, 17 de junho de 2018

O JOGO DA MORTE – O PROJETO ORIGINAL E VERDADEIRO DE BRUCE LEE – PARTE II



Continuação de O Roteiro Original – Após todos os guardas serem eliminados ou incapacitados, a equipe de invasores  prossegue em direção à área externa do pagode. Ao se aproximarem do pagode, a equipe depara-se com uma equipe de 10 karatecas faixas-pretas do estilo Shotokan e seu líder, que já os estavam esperando.  A batalha estava apenas começando.

A equipe de Hai Tien se depara com 10 karatecas na área externa do pagode.
- Imagem do Documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
que mostra as ideias originais de Bruce Lee para The Game of Death.

Bruce Lee coreografando a luta com alguns dublês que fariam parte da guarda
composta de 10 karatecas em frente ao templo do tesouro.

A batalha contra os karatecas se dá início. Hai Tien e seus quatro comandados enfrentam os 10 lutadores de karate Shotokan em campo aberto e os vencem.
Hai Tien ainda elimina o líder dos guardiões da área externa, mestre de karate Shotokan, numa disputa feroz. O sexto invasor, o arrombador e chaveiro, de posse da sua garrafa de whisky, assiste em segurança toda a batalha.

O chaveiro bêbado seria o detalhe cômico na aventura. 
- Imagem do Documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
que mostra as ideias originais de Bruce Lee para The Game of Death.



Em seguida, a equipe de invasores liderada por Hai Tien (Bruce Lee) adentra no que seria o andar térreo que era protegido pelo guardião  do “Portal de Iluminação”, especialista em chutes e mestre em Taekwondo. 

O mestre dos chutes estaria no andar térreo esperando pelos invasores.

O segundo lutador da equipe invasora, o mais emotivo dos cinco, toma a iniciativa e ataca o guardião.  O especialista em chutes vence o lutador da equipe de Tien com certa facilidade, matando-o na luta. Hai Tien toma a frente e enfrenta o guardião em seguida, lhe deixando fora de combate de forma rápida e eficiente.

No primeiro andar estaria um mestre de Praying Mantis (Louva-a-Deus) e Wing Chun Kung Fu

Agora só restam quatro lutadores na equipe invasora. O próximo passo é o primeiro andar guardado pelo guardião do “Templo do Leopardo”, mestre nos estilos Praying Mantis e Wing Chun Kung Fu. O primeiro lutador, o mercenário e prático,  junto com o terceiro, o forte e simplório, atacam o guardião especialista em Kung Fu. O lutador mercenário é derrotado e morto pelo estilo mesclado de Kung Fu do guardião, que em seguida parte para cima do lutador simplório. Hai Tien intervém e entra em combate com o mestre de Praying Mantis e Wing Chun. Tien  passa a explorar as limitações do estilo de luta de seu adversário para derrotá-lo.
Agora a equipe de invasores consiste apenas de 3 lutadores mais o chaveiro bêbado, sendo que havia mais três andares a serem conquistados.

No segundo andar, o lutador simplório é facilmente detido pelo guardião do Templo do Tigre.
Enquanto Tien se ocupava com o guardião do primeiro andar, os dois homens restantes da equipe antecipam ao seu líder e sobem apressadamente a escada invadindo o segundo andar que acessava ao “Templo do Tigre”, guardado por um mestre de eskrima filipina e armas brancas. O terceiro lutador, o simplório, toma a iniciativa com um tronco e parte para cima do guardião que o desarma facilmente usando um bastão de madeira. O forte lutador da equipe de Tien insiste e tenta enfrentá-lo de mãos limpas, mas é derrotado de forma fulminante pelo guardião, deixando o lutador simplório fora de combate utilizando socos e pisões. O quarto lutador, o arrogante campeão asiático, ataca o guardião do segundo andar com um bastão de madeira. Mas é desarmado com facilidade pelo guardião, munido agora de dois bastões vermelhos. 

O lutador arrogante e o lutador simplório não são páreo para o mestre de Eskrima.
Era a vez de Hai Tien mostrar suas habilidades.
Neste momento, Tien acaba de subir a escada de acesso ao segundo andar  e interrompe o ataque do guardião. Tien está de posse de uma vara de bambu (bako chinês) e um nunchaku. Ele solicita ao guardião que o lutador arrogante resgate ao lutador simplório desacordado para que eles possam se enfrentar com liberdade. O guardião permite e assim que Tien entrega o nunchaku ao lutador arrogante, o duelo entre Tien e o guardião do segundo andar se inicia.

"Você sabe, baby, este bambu é mais comprido, mais flexível, e está bem vivo!"

Tien esta de posse do bako chinês e o guardião confiante com seus dois bastões vermelhos. Ao que Tien lhe adverte:
“Você sabe, baby, este bambu é mais comprido, mais flexível, e está bem vivo! E quando a sua dança não acompanhar a velocidade e a ilusão disto aqui, tudo o que posso dizer é que você estará encrencado! Eu estou te dizendo, é difícil fazer um movimento ensaiado se adaptar ao ritmo quebrado. Viu? O movimento ensaiado não tem flexibilidade para se adaptar”

Hai Tien provoca o descontrole emocional do mestre de Eskrima.

Após tantas provocações por parte do invasor, o guardião perde o controle emocional e é desarmando de um dos bastões por Tien. Em seguida, ele apela para um par de nunchaku vermelhos e faz um exibição para Tien que, por sua vez, recebe de seu parceiro simplório o seus nunchaku amarelos. 

Na batalha dos nunchaku, Hai Tien leva a melhor.

Os dois travam uma batalha de nunchaku em seguida, mas Tien continua usando estratégias para descontrolar e tirar a concentração de seu adversário que não conseguia acreditar na incrível habilidade de Tien. Surpreendendo mais uma vez, Tien usa uma combinação de chutes que derruba o guardião exausto. Quando este se ergue novamente, Tien avança golpeando e o estrangula com o nunchaku, numa investida rápida.

Os dois parceiros de Tien também não fazem frente ao guardião do Templo do Dragão
no terceiro andar, que os derrota com um sorriso no rosto.

Enquanto tenta recuperar o fôlego, Tien e seus dois companheiros sobem a escada para o terceiro andar do pagode.  Ao chegar lá, se deparam com o guardião do terceiro andar no “Templo do Dragão” deitado tranquilamente. De imediato o mestre de faixa dourada de Hapkidô se levanta e adverte aos três invasores. O lutador simplório ataca o guardião primeiro, mas é facilmente interceptado. O campeão arrogante intervém também mas não muda em nada a situação desfavorável diante do guardião sorridente. Mesmo num ataque simultâneo, os lutadores simplório e arrogante são facilmente dominados por técnicas de apresamento de mãos, projeções e chutes. Exaustos, os dois passam a vez para Tien. Tien tenta reconhecer o estilo do adversário enquanto finta, ataca e se defende. 

O lutador simplório é convencido a subir para o quarto andar enquanto
Hai Tien se ocupa do mestre de Hapkidô. Mas logo é atirado lá de cima,
já morto. 

Neste ínterim, o lutador simplório acha uma brecha e sobe para o quarto andar incentivado pelo lutador arrogante. Em menos de um minuto ele é atirado de cima do quarto andar, caindo já morto. Ao se distrair como o corpo sem vida do lutador simplório, Tien se desconcentra e é pego pelo guardião que o projeta ao chão seguidas vezes em suas vãs tentativas de ataque. 

O lutador arrogante resolve encarar o desconhecido no quarto andar e
é surpreendido pela bizarra figura que o aguardava.

Com a escada livre, o lutador arrogante sobe às pressas para o quarto andar. Enquanto isso, Tien passa reconhecer o estilo do mestre de Hapkidô, e passa prever seus movimentos, passando a quebrar o seu ritmo e por fim derrotá-lo, projetando-o contra seu joelho e partindo-lhe a coluna. Entretanto, Tien ouve os gritos de pavor do lutador arrogante que acaba por conhecer, da pior forma, seu inimigo do quarto andar.  Após suas investidas de ataque serem anuladas facilmente pelo guardião do quarto andar, o lutador arrogante tentar escapar para o quinto andar aonde estava o tesouro. 

Apavorado, o lutador arrogante grita por Tien enquanto este deixa o guardião
do terceiro andar fora de combate. Mas a morte do atual campeão asiático
é eminente.

Mas mesmo no alto da escada é surpreendido pelo gigantesco guardião que o puxa para baixo num salto e acaba por eliminá-lo. Agora, da equipe de invasores, só restam a Hai Tien e o chaveiro bêbado que espera o chamado de Tien na entrada do pagode.
Hai Tien sobe às pressas a escada para o quarto andar, que o levaria ao “Templo do Desconhecido”. Ao chegar lá, quase é atingido pelo corpo sem vida do lutador arrogante que é lançado diante dele.  O guardião com mais de 2 metros de altura senta-se em sua cadeira de balanço olhando fixamente através de seus óculos escuros para um Tien incrédulo. O estilo do guardião do quarto andar era desconhecido ou não definido. Mas certamente ele estava diante de quem o seu ex-aluno enlouquecido dizia ter “incrível poder e agilidade”.  

Hai Tien se depara com o gigante guardião do Templo do Desconhecido e é
surpreendido de cara.

Ao tentar se aproximar para atacar, Tien recebe um potente chute no peito do guardião misterioso ainda sentado.  A seguir trava-se um feroz e estratégico combate entre “Davi” e “Golias”. Tien usa todas as opções possíveis e  não ortodoxas de briga de rua, como pisão, cabeçada, chutes baixos, ataques à virilha e chaves de perna contra o guardião gigante. Todas as tentativas de Tien não surtem o efeito desejado até que o guardião o lança contra as janelas do templo. As pequenas janelas revestidas de papel são rompidas com o impacto dos braços de Tien, a luz solar penetra no aposento e cega momentaneamente o gigante que parece sofrer de fotofobia. Ao perceber sua fraqueza, Tien perfura mais algumas janelas permitindo mais entrada de luz solar e ataca intensamente o guardião misterioso. 

Tien usa todos os recursos possíveis para superar o gigante. Golpes baixos, pisão
e cabeçada. Até que descobre que a luz incomodava o guardião do quarto andar.

Num salto espetacular, Hai Tien chuta o rosto do guardião gigante
tirando-lhe os óculos protetores. Os olhos do guardião são revelados como
se fossem de lagarto e não humanos.

Num salto espetacular, Tien chuta-lhe o rosto tirando-lhe os óculos protetores, deixando-o ainda mais fragilizado. O que é revelado então é assustador, os olhos do gigante não eram humanos, pareciam olhos de réptil. Talvez ele não fosse totalmente humano. Ferido e exausto, o gigante não cede o acesso ao quinto andar. Tien ainda solicita ao guardião que encerrasse a luta e que o permitisse subir a escada. Com a resposta negativa Tien ataca definitivamente gigante levando-o ao chão e consegue assim estrangulá-lo até a morte.  

Percebendo a fragilidade do guardião do quarto andar, Tien pede para subir ao
quinto andar. O gigante se recusa a ceder, então Tien é obrigado a eliminá-lo.

Concluída sua missão, Tien avisa aos mafiosos que poderiam subir para
resgatar o tesouro.

Levantando quase sem forças, debaixo do corpo do guardião gigante, Tien, vai até as janelas do quarto andar e avisa que estava feito. O Chaveiro esperava o chamado para subir para abrir as trancas que guardavam o tesouro no quinto andar, acima do “Templo do Desconhecido”. Os homens da máfia já estavam na área externa do pagode esperando seu aviso. Eles gritam a Tien que seu serviço estava concluído e que ele deveria descer.

Os mafiosos estavam à espera de Tien para liquidá-lo na área externa do templo.
Mas não contavam que o amigo ocidental de Tien aparecesse armado para evitar a emboscada.

Tien desce as escadas, mas os homens da máfia o estavam esperando para matá-lo à tiros na área externa do pagode. Mas surge de forma inesperada o mentor e amigo de Tien, um perito em armas de fogo de origem ocidental e ex-combatente da Guerra da Coréia que teria vindo em seu auxílio, liquidando com todos os gangsters que estavam de emboscada.
Mas e o tesouro? Hai Tien reúne forças e sobe com arrombador ao quinto andar para abrir as fechaduras que o guardavam. Uma vez lá, Tien segura e firma a mão do arrombador embriagado para ajudá-lo  a destravar a porta que dava acesso à sala do quinto andar que supostamente escondia o tesouro. Ao abrirem a porta se depararam com uma cortina suspensa no centro da sala. Certamente o objetivo de sua jornada estaria por trás daquela cortina. O chaveiro se detém na porta e Tien se aproxima com cautela. Mas ao abrir a cortina para os lados, Hai Tien vê, surpreso, o próprio reflexo num grande espelho* à sua frente. E a grande descoberta se faz; o verdadeiro e valioso tesouro a conquistar está no interior de cada um, na capacidade individual de superação, adaptabilidade e autocontrole nas situações adversas e conflituosas que normalmente tendem a gerar o caos e a desordem mental em um indivíduo despreparado, mas que não atingem àquele que alcança o estado de “não mente”, de desapego e de negação do próprio eu.

(*)Obs.: O reflexo do buscador (Cord) no espelho seria o verdadeiro conteúdo do Livro Sagrado que supostamente guardava toda a sabedoria do mundo, na história escrita por Bruce Lee, James Coburn e Stirling Shilliphant para o filme “A Flauta Silenciosa”, que teve uma versão sofrível em 1978, com David Carradine encarnando os personagens que seriam originariamente interpretados por Bruce Lee. 
A incrível revelação sobre o tesouro: Surpreendido, Tien vê sua imagem refletida
num único espelho guardado no quinto andar. Sua capacidade de se adaptar às
circunstâncias e sua perseverança fizeram dele o próprio tesouro. 

Essa revelação, verdade ou iluminação oculta no quinto andar do pagode só poderia ser alcançada por um lutador de livre expressão, desapegado às regras e tradições das escolas sistemáticas.
Ao descer novamente para a entrada do pagode, Tien, exausto, se depara com um sobrevivente dos 10 karatecas que tentaram interceptar sua equipe. Tien o espanta apenas com um olhar ameaçador. O ex-campeão mantendo o senso de humor, ainda pergunta ironicamente ao amigo pistoleiro e salvador: “Agora posso me lavar e trocar de roupas?”
O chaveiro bêbado que durante todo tempo foi um observador para os mafiosos, foi poupado e deixado em liberdade. Na sequência, a casa do chefão é invadida pela polícia coreana e os irmãos de Tien são libertados. Recuperados da aventura inesperada, os três retornam ao aeroporto de Seul, onde pegam outro voo e se vão, sãos e salvos, da Coréia do Sul.
É o fim!

The game is over, baby!

Nota: Esse roteiro seria o que mais se aproxima da história original, segundo alguns envolvidos no projeto do filme e que cederam tais informações à pesquisadores e estudiosos sobre a vida do Pequeno Dragão, como os historiadores George Tan e Dan Tadman. Este post foi baseado também em relatos e depoimentos dos atores (e ou lutadores) Tony Liu, Carter Wong, Chieh Yuan, Whang In Sik, Sammo Hung, Li Kun, Robert Chan e George Lazenby; os amigos (e alunos ou mestres) Taky Kimura, Wong Shun Leung, Kareen Abdul Jabbar, Danny Inosanto, Bob Baker e Unicorn Chan; e o diretor Ricky Chik. É bom frisar que o próprio Bruce Lee ainda tinha muitas dúvidas sobre o roteiro e seu final, principalmente sobre a questão do tesouro e do espelho. Quando foi filmar Enter the Dragon ele se sentiu aliviado, já que só retornaria para The Game of Death, seis meses depois.

Em O JOGO DA MORTE – O PROJETO ORIGINAL E VERDADEIRO DE BRUCE LEE – Parte III, citarei os atores e lutadores que foram escalados e que não chegaram a atuar no filme e os que concluíram parte de suas participações.

Por Eumário J. Teixeira.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O JOGO DA MORTE – O PROJETO ORIGINAL E VERDADEIRO DE BRUCE LEE – PARTE I



Bruce Lee foi menosprezado como ator por Hollywood no final dos anos 1960 por ser “demasiadamente” chinês, lhe sendo vetado papéis como protagonista em filmes e ainda lhe sendo negado ou dificultado a realização de projetos pessoais como a série de TV “The Warrior” (que se tornaria “Kung Fu”, em 1973, com David Carradine) e o filme “The Silent Flute” (realizado em 1978 sob o título “Iron Circle”, também com Carradine). Frustado e decepcionado, Bruce Lee decide tentar a sorte em Hong Kong no início de 1971 e logo implaca dois sucessos no cinema asiático, “The Big Boss” (O Dragão Chinês – 1971) e Fists of Fury (A Fúria do Dragão – 1972) pela Golden Harvest do produtor Raymond Chow.

The Silent Flute, um projeto que não vingou mas serviria
de inspiração para The Game of Death.

The Big Boss e Fist of Fury explodiram, principalmente,
 graças à atuação de Bruce Lee.

Suas duas primeiras realizações cinematográficas em Hong Kong, apesar do estrondoso sucesso por toda Ásia, não lhe trouxe apenas dinheiro, reconhecimento,  alegrias e satisfação. Bruce Lee não se entendia perfeitamente com o diretor dos seus dois primeiros filmes, o bonachão, Lo Wei. É certo que as duas películas foram bem sucedidas de uma forma surpreendente, apesar da direção de Lo Wei e da baixa produção, principalmente de O Dragão Chinês. Mas o que o próprio Lo Wei reconheceu e era fato, que Bruce Lee com sua atuação impecável, carismática e explosiva, era o principal responsável pelo sucesso de ambos os filmes. Bruce percebeu o seu valor, dispensou Lo Wei sem muita resistência do produtor Raymond Chow e começou a rascunhar o roteiro de sua próxima obra, “The Way of the Dragon” (O Vôo do Dragão). Desta vez ele próprio coproduziu, dirigiu, escreveu o roteiro, coreografou e, é claro, atuou como protagonista do próprio filme.

Bruce Lee protagonizou, dirigiu e produziu The Way of The Dragon.
O sucesso do filme lhe encorajou a elaborar projetos mais audaciosos.

O sucesso de público de O Voo do Dragão lhe deu segurança e perspectiva para a realização de projetos mais ambiciosos, com coreografias mais sofisticadas e roteiros com conteúdo mais profundo e filosófico. Fundando sua própria produtora, a Concord Productions, em parceria com Raymond Chow, ele pensou em fazer uma continuação de o Vôo do Dragão, como era de praxe do cinema mundial na época, como a sequência dos filmes de bang bang spaghetti, dois grandes sucessos de Clint Eastwood, “Por um Punhado de Dólares” e “Por um Punhado de Dólares a Mais”. Sem contar que o roteiro filosófico de The Silent Flute,  ignorado inicialmente por Hollywood, ainda não havia lhe saído da cabeça. Assim lhe veio à mente uma adaptação do mesmo roteiro com modificações que geraram a ideia de “The Game of Death” (O Jogo da Morte).

Bruce Lee no set de The Game of Death rascunhando novas idéias.

O roteiro de O Jogo da Morte combinava seus pensamentos sobre filosofia, a exposição dos pontos negativos e positivos dos principais estilos de arte marcial conhecidos e o conceito do Jeet Kune Do (Caminho do Punho Interceptador), um estilo de luta desenvolvido por ele que não tinha formas pré-estabelecidas e que se adaptava de acordo com as situações de uma forma incessante e criativa.

O diretor assistente, Ricky Chik, sugeriu à Bruce que mudasse o título
do filme para The Game of Death (O Jogo da Morte).

Vale lembrar que o título original para o terceiro filme de Bruce Lee seria inicialmente, “Yellow Faced Tiger”, mas graças à uma discussão com Lo Wei que reivindicou a autoria do título, Bruce abriu mão do mesmo e aceitou a sugestão de seu diretor assistente Ricky Chik, mudando para “The Game of Death”.

Lo Wei dirigiu Yellow Faced Tiger, com Chuck Norris como vilão, um
ano depois da morte de Bruce Lee.

Um filme com o título com “Yellow Faced Tiger” foi realizado por Lo Wei, tendo como protagonista o desconhecido Don Wong e Chuck Norris como vilão. Este filme, feito em 1974 (após a morte de Bruce Lee), ironicamente teve três títulos diferentes, inclusive deram mais publicidade ao papel de Chuck Norris (Slaughter) do que a do próprio protagonista, numa estratégia de marketing para atraírem mais bilheteria. Um dos títulos alternativos era “Slaughter in San Francisco”.

The Game of Death seria um "espelho" da filosofia do Jeet Kune Do
 e do próprio Bruce Lee.

Retornando ao O Jogo da Morte, no final de 1972, após o lançamento de O Voo do Dragão, Bruce Lee já estava se voltando totalmente para o que seria a sua maior realização pessoal no cinema. O filme seria um espelho de seu próprio eu e resumiria num roteiro filosófico recheado de ação, todo o seu conceito sobre a difícil arte de se expressar honestamente no combate e em todas as áreas da vida. O roteiro de The Game of Death começava a tomar forma.

Desenho de Bruce Lee para um cenário de The Game of Death.


Desenho de Bruce Lee sobre a idéia do pagode e seus guardiões, que ainda não
estavam totalmente definidos. A inspiração veio de um templo budista
do parque nacional na Coréia do Sul.

O Pagode Budista – Bruce Lee não estava com suas ideias definidas para o roteiro de The Game of Death (O Jogo Da Morte) em meados de 1973. Ele ainda tinha muitas dúvidas sobre alguns personagens, sobre os atores que atuariam, o roteiro, cenários e, sobretudo, sobre a mensagem filosófica que tinha em mente e que lhe importava, em muito, transmitir ao seu público. Um dos principais impasses era sobre o pagode budista a ser invadido pela equipe de seu personagem, Hai Tien.  Teria cinco andares e um sótão (como o tesouro) ou teria um andar térreo mais cinco andares? O tesouro estaria no quinto andar ou no sótão do quinto andar? Essas dúvidas não foram esclarecidas porque ele teve que interromper o projeto para filmar Enter the Dragon (Operação Dragão) e quando acabou as filmagens, não teve tempo hábil para finalizar o roteiro de The Game of Death. O pagode coreano no parque que inspirou Bruce Lee tem cinco pavimentos, o térreo mais quatro andares e, provavelmente, não há espaço para um sótão no quarto e último andar. Mas isso não quer dizer que este pagode coreano seria o modelo adequado para o script do filme.

Minha concepção do que seria o esquema final para o pagode com sua área
externa, o andar térreo e mais cinco pavimentos com seus respectivos guardiões
que deveriam ser abatidos pela equipe invasora de Hai Tien (Bruce Lee).

O esquema que mostro nesta postagem pode não ser o definitivo, mas seria o mais provável, ou seja, o pagode teria a área externa guardada por 10 karatecas; o andar térreo guardada pelo mestre de Taekwondo e chutes; o primeiro andar guardado pelo mestre de Wing Chun e Praying Mantis Kung Fu; o segundo andar pelo mestre de Eskrima Filipina e Armas Brancas; o terceiro andar pelo mestre de Hapkidô; o quarto andar pelo mestre do estilo desconhecido; e o quinto e último andar, a sala do tesouro. E mais uma dúvida crucial, o que seria este tesouro? Essa revelação seria o mais impactante no final do filme. E Bruce Lee estava com indeciso sobre essa revelação, pois talvez temesse que sua mensagem final não fosse entendida ou bem aceita.  Ao meu ver, se ele pudesse assim ter finalizado, seria simplesmente genial. Acompanhem então a sequência dessa postagem para descobrir o que Bruce Lee poderia ter filmado para The Game of Death.


"...então a câmara se fecha em um monte de árvores, enquanto os sons de um forte vendaval
enchem a tela. Há uma árvore enorme no centro da tela e ela está toda coberta de neve espessa.
De repente, ouve-se um sinistro estalo e um grande galho se quebra e cai no chão."
"...a câmara se move até enquadrar um bambu que se curva ao vento, mas não tomba."

A mensagem do filme – Bruce Lee já tinha uma ideia sobre a abertura do filme The Game of Death e confidenciou a um repórter em agosto de 1972:
“Atualmente estou trabalhando em um roteiro para o meu próximo filme. Eu ainda não decidi o título, mas o que eu quero é mostrar a necessidade de se adaptar às circunstâncias. A incapacidade de se adaptar traz a destruição. Eu já tenho a cena em minha mente. Quando o filme se inicia, o público vê uma grande extensão de neve. Então a câmara se fecha em um monte de árvores, enquanto os sons de um forte vendaval enchem a tela. Há uma árvore enorme no centro da tela e ela está toda coberta de neve espessa. De repente, ouve-se um sinistro estalo e um grande galho se quebra e cai no chão. O galho não foi forte o bastante para resistir ao peso da neve e se partiu. Então, a câmera se move até enquadrar um bambu que se curva ao vento, mas não tomba. Por conseguir se adaptar ao meio ambiente, o bambu não se quebra.”

Bruce com o produtor Sy Weintraub que veio lhe convidar para filmar
Enter the Dragon pela Warner Bros. Raymond Chow era uma
figura sempre presente no set de The Game of Death.

Bruce em plena atividade no set de The Game of  Death.

O Roteiro Original – Bruce Lee é Hai Tien, um ex-campeão de artes marciais invicto e atualmente aposentado. Hai Tien está embarcando no voo para uma turnê turística pela Ásia com sua irmã e seu irmão mais novo.
No avião, Hai Tien é reconhecido por um fã que o questiona sobre as circunstâncias  de sua última luta contra um japonês em que ele (Tien) abandona a disputa bem próximo de chegar às finais. Nesse momento, as lembranças vêm à mente de Hai Tien que se lembraria do ocorrido durante o torneio. Seu estilo peculiar, selvagem e implacável de lutar, entraria em contraste com a forma  surpreendente e serena com que desistiu da luta naquela ocasião.
O irmão mais novo de Hai Tien toma as dores do irmão mais velho, questionando ao fã se ele estaria acusando à Tien de ter se acovardado.

O fã de Hai Tien lhe pede um autógrafo no aeroporto de Seul.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

A discussão iniciada é interrompida com o anúncio vindo da cabine do comissário de bordo que ocorreria uma breve escala em Seul, na Coréia do Sul. No aeroporto, Hai Tien e o fã amigavelmente concordam em continuar a conversa no próximo voo.
Hai Tien e seus irmãos passam a explorar o aeroporto enquanto esperam o horário da próxima decolagem. O irmão de Tien pede para beber algum refrigerante e sua irmã se afasta com ele enquanto Hai Tien os espera pacientemente.


Hai Tien recebe um telefonema misterioso no aeroporto de Seul e
descobre que seus irmãos foram sequestrados.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
 
Depois de um tempo sem retornarem, Hai Tien é chamado para atender uma ligação num telefone público. Uma voz misteriosa lhe informa que seus irmãos foram sequestrados e que ele deve seguir as ordens, se quiser vê-los novamente.
Hai Tien é obrigado a entrar num carro e seguir com três homens desconhecidos vestidos com ternos escuros.

Hai Tien é obrigado a seguir de carro com os sequestradores para a mansão do chefão.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


O carro com Hai Tien  e os sequestradores chegam à uma mansão.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

Logo o carro com Tien e os homens desconhecidos chegam a uma grande e luxuosa propriedade, onde rapidamente adentram. Lá, Tien fica aliviado ao perceber que seus irmãos estão sãos e salvos. Sua irmã percebeu que algo está errado, mas o seu irmão menor está distraído com alguns brinquedos. Eles acreditam estar sob os cuidados de um tio distante e não conhecido.

Hai Tien se tranquiliza ao encontrar seus dois irmãos sãos e salvos na mansão do chefão.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
 
Hai Tien observa que na sala há outros cinco homens misteriosos mais afastados. Um deles se mostra mais arrogante e falante que os demais. Este questiona sobre o estilo de roupa de Hai Tien e se ele realmente era o homem certo.

Hai Tien é apresentado aos outros cinco membros da equipe que
invadiriam o pagode que escondia o valioso e misterioso tesouro. 
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


Um homem velho e de aparência sinistra adentra à sala e confirma que sim. E antes de explicar a razão daquela reunião, Hai Tien diz que gostaria de estar com seus irmãos em particular, e ao serem dirigidos para um quarto, pede que um chá caseiro fosse servido aos dois, para a insatisfação dos demais que o esperavam na sala. Neste ínterim, no quarto, Tien confirma que seus irmãos não sabem nada sobre o que está acontecendo. Tien, em seguida, retorna à sala para a reunião.
O velho e, supostamente, chefão do grupo, agora já impaciente, adverte a Tien que não seria bom que ele passasse mais tempo com os irmãos, pois eles poderiam desconfiar da razão daquele encontro e teriam que ser eliminados. A seguir, o chefão apresenta Tien aos outros convocados para o “trabalho” a ser feito, que ainda não tinha sido revelado.
Eram cinco homens que junto a Tien formariam uma equipe de lutadores especialistas. O primeiro, era um lutador prático, insensível e calculista, tipíco mercenário que faz qualquer coisa por dinheiro.
O segundo, também lutador, mas emotivo, precisaria de uma soma considerável de dinheiro para custear uma intervenção cirúrgica em sua mãe, com grave doença.
O terceiro lutador, mais simplório e ingênuo, é muito forte e adora demonstrar isso. Mas é pouco valorizado pelo chefão e receberá bem abaixo em relação aos demais.
O quarto lutador, era o mais caro dos quatro e o mais orgulhoso e arrogante. Também o atual campeão asiático da artes marciais. Quando Tien estende sua mão para cumprimentá-lo, o lutador o lembra de sua condição de lutador aposentado, antes de lhe revelar que foi ele anunciou o sequestro dos irmãos de Tien ao telefone. Hai Tien então faz uma observação irônica lhe dizendo que ele aparentava ser menos ameaçador do que tentava demonstrar.
O quinto membro, não era lutador, mas um chaveiro arrombador e ladrão; também alcoólatra, mas especialista em abrir quaisquer tipo de fechaduras.
O chefão aborda Hai Tien e revela quanto ele receberia para participar da missão. Tien recusa a proposta, mas o chefão lembra que ele não teria escolha se quisesse que seus irmãos permanecessem vivos. Em seguida, os seis homens especialistas são convocados para se dirigir a uma outra sala onde foram exibidas filmagens do local que teriam que invadir e roubar um tesouro desconhecido, além de discutirem os detalhes da missão. O chefão projeta na tela grande as imagens de um pagode de cinco andares no centro de uma aldeia, localizada numa ilha costeira.

Na sala de projeção, o chefão exibe à equipe invasora as imagens da aldeia e do templo
a ser invadido.


O último e quinto andar do pagode contém um misterioso e valioso tesouro que é ambicionado por muitos, mas ninguém, até aquela data, tinha sido capaz de superar os muitos perigos para chegar até ele.  E para dificultar ainda mais, para que ninguém adentrasse à ilha com armas de fogo, foi instalado detectores de metal por toda a parte e que acionariam os alarmes antes de uma provável aproximação e invasão ao pagode.
Era sabido que cada andar tinha o seu guardião perito em uma determinada arte marcial.
Em frente à entrada do pagode eles teriam que enfrentar uma barreira com 10 karatecas faixas pretas, provavelmente do estilo Shotokan, liderado por um mestre especialista do estilo.
Passando pelos karatecas, eles adentrariam no térreo guardado por um especialista em Taekwondo e mestre em chutes.
No primeiro andar, eles enfrentariam um especialista em Kung Fu, que combinava os estilos Praying Mantis e Wing Chun.
No segundo andar, eles dariam de frente com um especialista em armas brancas e mestre em Eskrima Filipina.
No terceiro andar, teriam que passar por um mestre de Hapkidô.
No quarto andar, eles enfrentariam um mestre misterioso e desconhecido de estilo indefinido, que nunca deixa o templo. Segundo as informações levantadas, este personagem misterioso só se alimenta de carne crua que é deixada à noite em sua sala e que apenas os ossos são devolvidos no dia seguinte.
O chefão menciona que uma equipe anterior haveria invadido o pagode, mas houve apenas um sobrevivente que, por coincidência, tinha sido aluno de Hai Tien. O sobrevivente, chamado Huang, teria utilizado técnicas de chutes ensinado por Tien para alcançar o nível do lutador desconhecido. Entretanto, ao se deparar com o guardião misterioso, Huang teria perdido o auto-controle e entrado num estado traumático catatônico não reversível. Não se sabe o que teria acontecido, mas ele foi poupado ou teria conseguido escapar com vida do pagode. A única coisa que ele consegue falar são as palavras “incrível poder e agilidade”, repetidas vezes. Huang estaria desde então confinado num asilo.


Tien visita seu ex-aluno, Huang, no manicômio mas não é reconhecido por ele.
Huang apenas repetia a frase: "Incrível poder e agilidade".
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

Depois da reunião com o chefão e a equipe à noite, Tien pede autorização para ir visitar seu ex-aluno enlouquecido, no asilo. O chefão permite a saída de Tien, mas o alerta para voltar em seguida para outra reunião ainda pela manhã.


O lutador campeão e arrogante se incomodava com o modo extravagante
de Hai Tien (Bruce Lee) se vestir.

Bem cedo ao sair, Tien se depara com o quarto membro da equipe, o arrogante campeão asiático, que novamente o provoca dizendo que seu modo de vestir é impróprio para uma artista marcial. Tien rebate dizendo que uma artista marcial não pode ser medido pelas roupas ou uniformes que usam, mas sim pela sua real capacidade física e técnica. Em seguida, Tien segue para o asilo.
Uma vez no asilo, Tien é levado à cela acolchoada de Huang. Lá ele constata que seu ex-aluno repete sem cessar a frase “incrível poder e agilidade”, e não reconhece a Hai Tien.


O ex-aluno de Hai Tien participou da equipe invasora anterior que fracassou em sua missão
de resgatar o tesouro do templo. Ele foi o único sobrevivente que enfrentou o guardião
desconhecido do quarto andar, um lutador de "incrível agilidade e poder".

De volta à mansão do chefão, Hai Tien chega atrasado para a outra reunião. O chefão garante a ele que seus irmãos estão bem e que nada sabem sobre a missão. Hai Tien lembra ao chefe que ele é necessário para a equipe e que nada deveria acontecer aos seus irmãos. O chefão confirma que eles estão bem e que Tien pode vê-los quando quiser. Mas a partir daquele momento Tien não poderia mais sair da propriedade, pois eles partiriam em breve.
No dia seguinte a equipe passa a treinar no jardim da propriedade do chefão. Os irmãos de Tien estão presentes, assistindo. A irmã de Tien demonstra estar emocionalmente instável com todo aquele mistério.


A equipe invasora treina no jardim da mansão do chefão. O membro arrogante e atual campeão
asiático tenta liderar a equipe e provoca a Hai Tien.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
 
Durante o intervalo dos treinos é discutido algo sobre o pagamento. Hai conversa com seu irmão menor, pedindo que ele não se esqueça dele. O menino confuso, não entende, e responde que ele o vê todo dia. A irmã de Hai Tien volta a chorar.


Hai Tien pede ao seu pequeno irmão que se lembre dele.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
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O treino recomeça e é questionado se Han Tien estaria tentando controlar a todos os membros da equipe. O campeão asiático instiga o terceiro membro, o simplório lutador, contra Tien. Hai acata o desafio e derrota o forte lutador, facilmente.
Na noite anterior ao ataque, Hai está no quarto de sua irmã, tentando consolá-la. Em seguida ele sai para tomar ar e todos parecem estar confusos com sua aparente atitude despreocupada.

Hai Tien se alimenta tranquilamente na noite anterior à invasão, para
a surpresa de outros membros da equipe.
Imagem do filme O Dragão Chinês - The Big Boss

O primeiro membro, o lutador pratico e mercenário, vê Tien se alimentando de forma despreocupada e se aproxima dele, questionando o seu calmo comportamento. Tien, então, lhe explica o conceito do filme, ou seja, da necessidade de se adaptar às circunstâncias e saber tirar proveito daquela situação desfavorável da melhor forma possível.
Na manhã seguinte, madrugada do ataque invasor ao pagode, um pequeno ônibus de excursão estava à disposição da equipe em frente à mansão do chefão.

Hai Tien se apresenta para partir com a equipe, vestido com um
vistoso macacão de malha amarelo.

Todos os membros lutadores, mais o arrombador saem e esperam por Hai Tien, que finalmente aparece em seu macacão  de malha amarelo com listras pretas. E ouve-se um sonoro “bom dia, pessoal!”, por parte de Tien. A equipe embarcada se dirige para o seu destino, finalmente.
Eles chegam à ilha e se aproximam das imediações do vale onde se situa a aldeia onde estaria localizado o pagode que guardava o ambicionado tesouro. Mas antes teriam que passar por uma ponte suspensa, que seria o primeiro obstáculo para a equipe de Tien. Superado esse obstáculo. Durante a aproximação da aldeia, o quarto e arrogante lutador, tenta tomar o comando da equipe de Tien, instruindo seus companheiros como proceder para atacar os vigias que circundavam espalhados em volta do local. Após todos os vigias serem eliminados ou incapacitados, a equipe de invasores vão em direção à área externa do pagode. 

A equipe invasora está prestes a invadir o templo.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


A equipe de Hai Tien logo enfrentaria os primeiros guardiões do pagode.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


Bruce Lee com quatro dos atores/lutadores que fariam parte da equipe de 10 karatecas
 que guardariam a área externa do templo a ser invadido.


Ao se aproximarem do pagode, a equipe depara-se com uma equipe de 10 karatecas faixas-pretas do estilo Shotokan e seu mestre e líder, que já os estavam esperando.  A batalha estava apenas começando.


Ao chegarem à área externa do templo, a equipe de Hai Tien se depara com
10 karatecas pronto para interceptá-los.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

Em O JOGO DA MORTE – O PROJETO ORIGINAL E VERDADEIRO DE BRUCE LEE – Parte II, a conclusão de O Roteiro Original.

Por Eumário J. Teixeira.