God drawer

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A MORTE DE RAYMOND CHOW (POSTAGEM EXTRA!!!)


Raymond Chow, produtor da Golden Harvest e sócio de Bruce Lee, morreu!
08/10/1927 - 02/11/2018
Foi anunciada a morte por causas ainda desconhecidas do produtor Raymond Chow Man-Wai, da Golden Harvest Studios de Hong Kong, no último dia 02 de novembro (sexta-feira),  aos 91 anos.
Chow foi chefe de publicidade e produção da produtora Shaw Brothers, do lendário Run Run Shaw, entre 1958 a 1970. Em seguida Chow saiu para fundar a sua própria produtora, a Golden Harvest.
Aprendendo com os erros e limitações da Shaw Brothers, o produtor Raymond Chow conseguiu atrair o interesse de Bruce Lee para trabalhar com ele e passou a encarar a concorrente. O que resultou nos clássicos: O Dragão Chinês (The Big Boss - 1971); A Fúria do Dragão (Fists of Fury - 1972); O Voo do Dragão (The Way of the Dragon - 1972); e Operação Dragão (Enter the Dragon - 1973).

Bruce Lee e Raymond Chow comemoram o sucesso do filme
Voo do Dragão e o término das filmagens de Operação Dragão, em abril de 1973.
Sendo que as duas últimas realizações, The Way of the Dragon e Enter the Dragon (este em parceria com a Warner Brothers) foram produzidos pela Concord Production, uma produtora independente da Golden Harvest, onde Bruce Lee e Raymond Chow dividiam meio a meio as ações e lucros. Bruce cuidava das decisões artísticas na Concord Production Inc., enquanto Chow tratava das questões administrativas.

Lee e Chow, amigos pero no muy...

O Jogo da Morte (The Game of Death) seria a grande realização pela Concord Production, mas a morte repentina de Lee em 20/07/1973, lhe roubou tal triunfo. O filme foi montado posteriormente com cenas de outros filmes, dublês e sósias de Bruce Lee e lançado de forma oportunista pela Golden Harvest, em 1978.
Com a morte de Bruce Lee em 1973, Linda Lee vendeu a parte das ações da Concord Production de seu marido para o próprio Raymond Chow.

Bruce Lee e Raymond Chow, promessas de bons frutos na Concord Production.
Raymond se aposentou oficialmente da produção de filmes de artes marciais que o consagraram, em  2007. A Golden Harvest passou então a ser chamada de Orange Sky Golden Harvest. 
Muito se falou da famosa discussão entre Bruce Lee e o diretor Lo Wei em 1973, que dizem ter pertencido à máfia Triads de Hong Kong e que dirigiu os dois primeiros filmes de Bruce Lee, The Big Boss e Fists of Fury. Lee e Wei se tornaram grandes desafetos.
Mas em relação à Chow, muitos ignoram, mas as relações entre Bruce e Raymond não eram tão amigáveis conforme muito se divulgou. Nos últimos dois anos de vida de Bruce Lee os conflitos começaram a se tornar evidentes. Quando Bruce Lee teria decidido a abandonar a Golden Harvest e fundar a Concord Production, foi o indício de que as coisas já não estavam bem. E quando Bruce Lee anunciou que deixaria Hong Kong definitivamente, após as filmagens de O Jogo da Morte levando uma equipe de dublês consigo para continuar a filmar e produzir nos EUA, as coisas afloraram. 

Divergências entre Lee e Chow aconteceram, mas foram suficientes
para acabar resultando na misteriosa morte de Bruce Lee?
Daí veio os boatos sobre a intervenção da máfia chinesa Triads em relação à morte misteriosa de Bruce Lee, sob o consentimento ou omissão de Raymond Chow, que se sentia traído. Muitos esperavam a morte de Chow com a expectativa que ele deixasse algum documento que revelasse de vez as verdadeiras circunstâncias acerca da morte do Pequeno Dragão. Vamos aguardar então as cenas dos próximos capítulos...

Por Eumário J. Teixeira.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

BRUCE LEE E A MALDIÇÃO DA CASA DE KOWLOON TONG



Em 18 de julho de 1973, um defletor de Feng Shui usado para afastar os “maus espíritos” e a má sorte que estava no telhado da casa de Bruce Lee, voa para longe atirado por fortes ventos que antecederam uma tempestade. O objeto havia sido colocado para proteger a família Lee, já que os proprietários anteriores da casa tinham sido atormentados por insucessos financeiros devido, segundo a superstição chinesa, ao posicionamento e construção incorretos da casa. 

Um exemplo de amuleto Feng Shui para afastar a má sorte de um lar chinês.
Esse incidente seria um mau agouro que anunciaria a tragédia que estaria por acontecer dois dias depois? Bruce mudou para essa casa localizada no bairro de Kowloon, parte nobre em Hong Kong, por volta do mês junho de 1971 com sua esposa Linda Lee e seus dois filhos pequenos, Brandon e Shannon. 

Os muros e o portão dourado da casa de Bruce Lee por volta de 1973.

O garoto Brandon Lee no vasto jardim em frente à sua casa. Ao fundo nota-se
o portão dourado que dava acesso à propriedade.


A fachada da casa de dois andares que abrigava a família Lee.
A casa de dois andares era espaçosa e tinha vários quartos e, no mesmo ano, Wu Ngan um amigo de infância do Pequeno Dragão, que até então morava em Londres, passa a morar na casa da família Lee com sua esposa e filho, à convite do próprio Bruce Lee. E com a misteriosa e repentina morte do Pequeno Dragão naquela dolorosa noite de sexta-feira, precisamente em 20 de julho de 1973, a lenda sobre a casa amaldiçoada se fortaleceu. Bruce Lee teria sido mais uma vítima do imóvel tomado por maus espíritos e demônios invejosos?

Bruce posa com Linda no interior de sua propriedade na 41 Cumberland Road,
antes de sair para um compromisso. Nota-se ao fundo os tijolos vermelhos
do muro próximo à garagem.
Linda Lee e seus dois filhos (Brandon com 8 anos e Shannon com 4 anos) deixariam a casa de número 41 na rua Cumberland, em Kowloon Tong, poucos dias após a morte de seu marido, retornando definitivamente para os Estados Unidos. Mas qual foi o destino da casa da família Lee? Foi vendida, alugada, doada, ou simplesmente esquecida e condenada às ações do tempo? É o que proponho tratar nesta postagem.

A mudança radical e de mau gosto na fachada da mansão que pertenceu à
Bruce Lee. À esquerda, a casa por volta de 1973; e à direita, totalmente
descaracterizada nos anos 2.000.
O “Rei dos Motéis” e descaso vergonhoso por parte do governo chinês de Hong Kong - As últimas imagens feitas por “investigadores urbanos” da casa onde Bruce Lee residiu em Kowloon Tong são desoladoras. A antiga propriedade está se deteriorando e precisando de reforma interna e externa com urgência. Os entulhos largados e o mato que cresce em volta da mansão denuncia que a  propriedade parece estar realmente abandonada e destinada a se tornar ruínas.
Antes de chegar à este estado lamentável, a casa de dois pavimentos que pertenceu ao Rei do Kung Fu em meados da década de 1970, se tornaria décadas depois um motel barato para encontros amorosos rápidos, ainda que fosse localizada num bairro conceituado como Kowloon Tong.

Vista do alto da antiga mansão de Bruce Lee.

Vista do alto da antiga mansão de Bruce Lee.

A mansão vista de frente e com os portões abertos.

A mansão vista de lado e a entrada da garagem coberta.

A mansão vista de lado e a outra entrada lateral que levava aos fundos
da casa.

Vista da área lateral do lado esquerdo da casa que leva aos fundos,
em ruínas.

Espaço decorativo do antigo jardim japonês e lago artificial totalmente abandonados.
É sabido que o governo de Hong Kong tinha cancelado definitivamente os planos para transformar a propriedade numa espécie de museu em homenagem ao ícone dos filmes de artes marciais por razões não muito claras, em 2011.
O bilionário e empresário filantropo da China Continental, Yu Pang-lin,  teria comprado a casa de Bruce Lee em 1974 em negociação direta com Raymond Chow, produtor da Golden Harvest e sócio de Bruce Lee, pela quantia de 1 milhão de dólares de Hong Kong, segundo as más línguas. A propriedade de 5.699 metros quadrados foi posta a venda posteriormente pelo novo proprietário, mas Yu Pang-lin desistiu da ideia e permitiu que fizessem da casa de dois andares um motel barato onde se alugava os vários quartos por hora.

Um dos muitos aventureiros urbanos subiu pelo muro lateral e alcançou o
terraço da mansão por onde adentrou na propriedade através de uma porta aberta.

As camas, móveis, utensílios, cobertas e lençóis foram abandonados pelo antigo
 inquilino, antes responsável pelo motel.

O cenário da antiga mansão de Bruce Lee é desolador.

O investigador urbano aprecia do terraço um trem de metrô passar velozmente
por uma linha suspensa ao lado da antiga mansão. É o mesmo terraço
em que Bruce Lee exibia a privilegiada visão panorâmica da península nos anos de 1970.

A atual e desanimadora visão de um espaço que outrora foi um vistoso jardim florido
no estilo japonês com um lago artificial sob uma ponte arqueada  vermelha
e outras peças decorativas.
Apesar dos pedidos dos fãs, o governo nada fez em relação à precária condição da antiga casa no intuito da preservação do legado de Bruce Lee; a não ser, permitir a instalação da famosa estátua de bronze de Bruce Lee na calçada da fama, na orla de Hong Kong, em 27 de novembro 2005, comemorando por ocasião os 65 anos do nascimento do Pequeno Dragão.
O fã-clube de Bruce Lee arrecadou 100.000 dólares de Hong Kong para a estátua de 2,5 m de altura e 600 kg, fixada na Star Avenue próximo ao porto em Tsim Shai Tsui, ao sul do bairro de Kowloon, uma magnífica obra do escultor chinês, Cao Chong-en.

A belíssima estátua de Bruce Lee na orla de Hong Kong. Obra do artista Cao Chong-en.
Yu Pang-lin, o novo proprietário da mansão localizada na 41 Cumberland Road, teve uma subida vertiginosa na vida, de limpador de banheiros para filantropo bilionário. Nativo da província de Honan, mudou-se para Hong Kong em 1958 onde se tornou presidente da Foo Tak Development Company e do Shenzhen Pan-lin Hotel e ainda presidente da Yu’s Charitable Fundation. Muitas das suas propriedades foram alugadas por empresários de motéis que levou a Yu a ganhar o apelido que mais detestava: “rei dos motéis”.
Assim, não é muito para se estranhar que a famosa casa do rei do kung fu se tornasse fatalmente mais uma dessas casas de amor em meados da primeira década de 2000.

A fachada original da casa do Pequeno Dragão já fechada após a sua morte.
A mansão original do Rei do Kung Fu - Filmagens preservadas feitas no início da década de 1970 revelam algumas imagens internas e externas da famosa casa do Pequeno Dragão. Pode-se notar as paredes brancas e o mobiliário moderno (para a época) de vidro, aço e madeira escura. Nota-se também a preferência pelos tons fortes de vermelho  nos sofás,  estantes tomadas por livros, um escritório estilizado, cadeiras em torno de uma mesa de jantar, detalhes de peças orientais como decoração, e muito mais.

Poster de Bruce Lee na parede, móveis com tons vermelhos predominando
e Brandon, Shannon e amigos, se divertindo na sala.

Bruce Lee no espaço reservado para o seu escritório no segundo andar
da sua mansão. Destacam-se o cartaz do tigre, o som estéril, e algumas
fotos no mural relacionadas ao roteiro de O Jogo da Morte.

O escritório: livros, a poltrona cor de caramelo, o tigre, mãos budistas,
o som estéril e as moças nuas no painel.

Livros, lutadores e um Buda. 

Parte dos equipamentos de treino de Bruce Lee. Uma área da casa era
reservada para os aparelhos ergométricos, pesos, etc. Numa área exterior
coberta havia espaço para pendurar os sacos de pancada.

Aparelhos de musculação de Bruce Lee originais. No registro já tinham
sido removidos da mansão de Hong Kong. Brandon se diverte com um deles.
Percebia-se também cartazes com concepções modernas de figuras femininas e um grande poster do próprio Bruce Lee chutando em o “Voo do Dragão” de 1972; além de um aparelho de toca-discos estéril e fones de ouvido, e uma parede inteira, próximo à área reservada para seu escritório, coberta com papel de parede com figuras artísticas de mulheres nuas.
A casa tinha também uma sala destinada à sua academia particular com vários aparelhos e halteres com pesos para se exercitar.  Além da academia havia um pequeno pátio coberto na área externa onde eram sustentados sacos de pancadas.

O portão dourado, a linda fachada da mansão e o Mercedes-Benz na garagem, o vasto
e verde jardim, detalhes da grade da varanda do segundo andar e o belíssimo
jardim japonês. Bons tempos!

O lendário Mercedes-Benz, Brandon e Shannon e amigos da família,
parte da fachada da casa, o jardim, e Bruce e Linda posando para a foto.

A ponte arqueada vermelha sob o lago artificial. Ao lado, o registro da visita
de amigos em 1972. O primeiro e o segundo, da esquerda para a direita,
são o discípulo de Bruce Lee, Ted Wong; e o  mestre de Taekwondo, Jhoon Rhee. 

O quarto, com bigode, outro discípulo, Herb Jackson.

O cachorra pastor alemão e filhotes, amigos inseparáveis de Brandon e Shannon.

A casa de Bruce Lee vista por dentro, já sem os móveis; e por fora, pouco depois de sua morte.
Ainda na área externa, na lateral direita da casa havia uma garagem estreita e arborizada para abrigar o lendário Mercedes-Benz 350 SL vermelho; em frente à mansão havia também um espaçoso jardim de estilo japonês com uma pequena ponte vermelha arqueada sobre um lago artificial e um espaço verde grande o suficiente para Brandon e Shannon se divertirem e correrem atrás dos cachorros.
Este jardim agradável foi desfeito e cimentado, se transformando num estacionamento para os carros dos amantes anônimos, e o vistoso portão amarelo da entrada foi substituído por outro de metal forjado, agora enferrujado.

A morte de Yu Pang-lin e a intervenção do Fã Clube de Hong Kong e Shannon Lee - Segundo algumas fontes, Yu Pang-lin planejou vender a casa para arrecadar fundos para as vítimas do terremoto de Si Chuan em 2008, na China Continental, mas ele teria desistido quando os fãs de Bruce Lee o pressionaram novamente para que ele restaurasse a propriedade em memória do ídolo. Yu procurou então negociar com o governo de Hong Kong, comprometendo-se a doar a propriedade se a mesma fosse transformada num museu cultural dedicado à memória de Bruce Lee com direito a cinema, biblioteca e o ensino de artes marciais, exigindo ainda que o espaço fosse aumentado para 30 mil pés quadrados e fosse construído mais um andar no prédio.

Um dos projetos que concorreu ao concurso de design de arquitetura visando
a restauração da mansão de Bruce Lee.

A ideia entusiasmou os fãs de Bruce Lee e foi promovido um concurso de design de arquitetura para a restauração da propriedade em 2009, com a filha de Bruce Lee, Shannon, como juíza. O projeto vencedor foi de um arquiteto de Hong Kong e exibia uma estrutura em forma de Dragão.

Bruce Lee, por volta de 1973, em frente ao portão da sua casa na 41 Cumberland Road.

Bruce lee, Brandon, Shannon e um amigo em frente à sua casa em Hong Kong
por volta de 1972.

Bruce Lee exibe o tapete de tigre ao amigo no interior de sua mansão de Hong Kong.

Bruce Lee chegando de um compromisso à noite, em frente à sua
casa na 41 Cumberland Road, por volta de 1971.
Mas os planos nunca saíram do papel. O empresário Yu e o governo de Hong Kong não chegaram num acordo sobre o alcance,  desenvolvimento e o tamanho da obra. Assim a ideia do museu finalmente veio à baixo em 2011. Yu tentou vender a casa de imediato após o fracasso nas negociações por 23 milhões de dólares de Hong Kong,  já que o inquilino e responsável pelo motel tinha se tornado inadimplente com os aluguéis que deveriam ser pagos pontualmente à Yu, alegando que o fluxo de clientes diminuíra e que a propriedade precisava de reformas urgentes para o seu pleno funcionamento.
Para compensar o insucesso das negociações, o Museu do Patrimônio de Hong Kong  promoveu no mesmo ano uma exposição sobre Bruce Lee para o consolo dos fãs. 

A fachada atual da casa do pequeno Dragão. Os muros pintados
escondem a real e precária situação da mansão.

41 Cumberland Road, Kowloon Tong, Hong Kong via Google maps.

Mapa da exata localização da casa de Bruce Lee no bairro de Kowloon.
Em maio de 2015, Yu Pang-lin falece aos 92 anos, de causas não reveladas, deixando o destino da propriedade avaliada hoje em mais  de 100 milhões de dólares de Hong Kong,  incerto.
Um neto de Yu, Peng Zhi-bin, passou a lutar judicialmente pela posse da propriedade e após a resolução das questões legais, ele teria prometido decidir sobre o destino da famosa mansão de Bruce Lee em Kowloon Tong.
A casa que pertenceu a Bruce Lee está localizada em Kowloon Tong  e  ainda nos anos de 1970, o bairro era considerado um dos mais agradáveis para se morar da península de Kowloon.  Na época em que Bruce adquiriu a propriedade,  esta era considerada modesta em comparação aos padrões internacionais, mas na Hong Kong densamente povoada, onde o lote de terra era supervalorizado, a casa de dois andares era considerada um palácio reservadamente bem localizado e numa área bem conceituada da península.  Podemos afirmar que a mansão de Bruce Lee tem a mesma importância para os seus fãs de Hong Kong, como Graceland ainda é hoje para os devotos de Elvis Presley no Sul dos EUA.
Os fãs incondicionais do Bruce Lee Club de Hong Kong até hoje esperam por parte do novo dono e do governo chinês que o impasse seja resolvido satisfatoriamente.

Linda Lee chegou a ter esperanças num possível entendimento entre o atual proprietário
da sua antiga casa e o governo de Hong Kong.
Shannon Lee, filha de Bruce Lee, chegou a emitir sua opinião sobre o assunto, apoiando o desejo popular pela restauração e preservação da casa onde morou parte de sua infância concordando na transformação da propriedade num memorial em homenagem ao seu falecido pai, embora ela não pudesse participar legalmente das negociações imobiliárias. Ela chegou a postar seu anseio em rede social: “Eu queria ter a resposta positiva para preservação da casa. Talvez com o sucesso da exposição (ocorrida sobre Bruce Lee em 2011) no Museu do Patrimônio, o governo (de Hong Kong) e um indivíduo (ou empresário) com mentalidade cívica, volte a reabrir as discussões com a família. Espero que sim, pois terão todo o nosso apoio.”

Por Eumário J. Teixeira

domingo, 9 de setembro de 2018

BRUCE LEE, O USO DO EMS (ESTIMULADOR MUSCULAR ELÉTRICO) E OUTROS EXPERIMENTOS CIENTÍFICOS.



Bruce Lee era conhecido pelos seus talentos marciais e também pelo seu método de treinamento físico revolucionário, inovador e muitas vezes polêmico para a época. Desde quando retornou à Hong Kong em meados de 1971 para iniciar sua carreira vencedora, ainda que breve, como o astro maior dos filmes de Kung Fu, ele percebeu que o tempo destinado ao treinamento pessoal para a manutenção de sua excelente condição física e técnica, seria drasticamente reduzido em razão dos seus compromissos com as filmagens, ensaios, estudo de roteiros, compromissos sociais, profissionais, promocionais e diversos outros fatores que incluíam, inclusive, penalidades como a perda de privacidade e do anonimato. Apesar dele ser rigoroso e pontual em seus treinamentos na sua casa em Kowloon, onde montou uma pequena academia com aparelhos dos mais variados e sofisticados para a época, Bruce Lee procurava compensar  sua ausência eventual da sala de treinamento com uma alternativa revolucionária e assustadora (para muitos) em meados dos anos de 1970. Bruce passou a utilizar o método EMS (Eletrical Muscular Stimulation) ou Estimulação Muscular Elétrica. Seu objetivo era manter ou mesmo aumentar sua força muscular e velocidade nos golpes com o método inovador.

No filme "Dragão - A História de Bruce Lee, Jason Scott Lee (Bruce Lee) utiliza um
aparelho de EMS enquanto trabalha no roteiro de O Jogo Da Morte.
No filme, “Dragão – A História de Bruce Lee” (1994),  Bruce Lee (Jason Scott Lee) é surpreendido por seu amigo (fictício), Bill Krieger (Robert Wagner), enquanto trabalhava no roteiro de “O Jogo da Morte” em seu escritório na Golden Harvest, ao mesmo tempo em que recebia estimulação muscular elétrica através de eletrodos conectados num aparelho. Então, Bruce Lee (Jason Scott Lee) faz uma observação: “Três minutos disso (EMS) equivale a 200 flexões”. A seguir pergunta ao amigo se ele quer experimentar. O fato encenado se deu no final de 1972, após as filmagens de O Voo do Dragão.

O clone mais famoso de Bruce Lee, conhecido como Bruce Li utiliza algumas
máquinas bizarras para aumentar a potência de seus golpes.
Num dos vários filmes com algum conteúdo biográfico sobre Bruce Lee,
em "Bruce Lee - O Homem, o Mito", o clone Bruce Li busca dolorosamente
seus limites no uso do aparelho EMS.
Alguns filmes biográficos, de qualidade duvidosa, feitos em Hong Kong expuseram a nova obsessão de Bruce com o aparelho de EMS. No filme “Bruce Lee - o Homem, o Mito” (Bruce Lee – The Man, The Mith - 1976),  com “Bruce Li” (Ho Chung-Tao), algumas cenas mostram Bruce (Bruce Li) se submetendo a um treinamento doloroso e desgastante com o EMS. Outras máquinas bizarras foram exibidos em diferentes filmes com conteúdo biográfico com o mesmo Bruce Li. Mas, certamente, a maioria de tais engenhocas eram frutos da imaginação fértil de algum roteirista.

Bruce Lee atuando em O Voo do Dragão em 1972. Apesar de ter perdido muito peso
desde as filmagens de O Dragão Chinês em 1971, Bruce exibia um físico invejável.
Segundo consta nesta época ele já era adepto do EMS.
É sabido que, em 1972, o fundador da Flextone, James Garvey, vendeu a Bruce Lee o seu primeiro aparelho de EMS profissional. Vinte e um anos depois, a Flextone vendeu outros aparelhos para a Valencia Studios, da Califórnia, em 1993, para a produção do filme Dragão – A História de Bruce Lee, com Jason Scott Lee. Especialistas afirmam que o EMS usado regularmente por Bruce Lee nos últimos dois anos de sua vida contribuíram para sua magnífica estrutura e definição muscular, como também  para o aumento da potência e velocidade de seus golpes.
Então não é exagero dizer que Bruce Lee foi também o “pai” da tendência moderna do EMS.
Mas o que é precisamente o EMS, sua finalidade e seus riscos para a saúde humana?

Aparelhos modernos de EMS. Utilizados inclusive pelo jogador de futebol português,
Cristiano Ronaldo.
EMS (Estimulação Muscular Elétrica), o que é? – O EMS é uma tecnologia essencialmente simples. Impulsos elétricos que são gerados por uma unidade EMS são distribuídos através de eletrodos, que aplicados diretamente sobre o grupo de músculos escolhidos para trabalhar, podem aumentar o seu tônus e contribuir para a sua melhor definição muscular. Esses impulsos elétricos são semelhantes aos impulsos nervosos e têm potencial de ação semelhantes aos que são gerados pelo nosso sistema nervoso central. Nossos músculos reagem a esses impulsos por meio de contrações ou espasmos. O método EMS já foi conhecido como “ginástica passiva”. Os impulsos elétricos geram contrações musculares de baixa frequência, capazes de atingir fibras musculares mais profundas e difíceis de serem estimuladas nos treinos físicos convencionais.

O EMS produz impulsos elétricos semelhantes aos impulsos nervosos gerados
pelo nosso sistema nervoso central.
Desde quando a medicina utiliza o estímulo elétrico no homem? – A eletroterapia ou Faradização, teve seu “aperfeiçoamento” apenas nas últimas cinco décadas. Mas desde a antiguidade seu uso era empregado para produzir choques elétricos em pacientes para obter analgesia local. Registros de 500 a. C. revelam a utilização de peixes elétricos para essa finalidade e há 2.000 anos pelos egípcios para o tratamento da dor e doenças. Posteriormente, a mesma técnica teria sido utilizada pelos gregos e romanos.

Peixes elétricos já eram utilizados na antiguidade para produzir efeitos
terapêuticos e analgésicos em pacientes.
Consta que em 1745, o médico alemão, Altus Kratzstein, escreveu o primeiro livro sobre a Terapia Elétrica. Seus experimentos científicos na época serviram de inspiração para a escritora Mary Shelley lançar o clássico literário Frankenstein”, apesar de algumas fontes citarem que Shelley se inspirou numa “visão” ou sonho. O reavivamento da musculatura do corpo através da corrente elétrica gerou a polêmica sobre o limite do conhecimento humano, sua interferência na criação divina e a soberania de Deus no que diz respeito ao espírito, alma e corpo humanos.

A famosa escritora Mary Shelley se baseou nas experiências do médico
alemão Altus Kratztein para escrever Frankenstein, segundo algumas fontes.
Mary Shelley, o monstro de Frankenstein e Altus Kratzstein.
No século XVIII, o físico e biólogo italiano Luigi Galvani experimentou conduzir passar uma corrente elétrica pela espinha de um sapo, o que resultou na contração dos músculos das pernas do animal e na conclusão de que as contrações musculares poderiam ser controladas por meio de estimulação elétrica.

Luigi Galvani e a famosa experiência com a condução de corrente elétrica em sapos.
Em 1831, o físico e químico inglês, Michael Faraday, estudioso do eletromagnestismo, desenvolveu a técnica de Faradização, um tratamento eficaz para a paralisia motora. A aceitação plena deste tratamento se deu por volta de 1840, quando foi usada a estimulação elétrica de forma rotineira no Guy’s Hospital, em Londres.

Michael Faraday, desenvolveu a Faradização contra a paralisia motora.
Em 1860, já se anunciava nos jornais, um Ab Belt, muito semelhante aos cintos modernos de hoje.

Cintos para estimulação elétrica terapêutica em humanos nos anos de 1860.


Em 1902, Ludec da França, projetou uma unidade de corrente contínua intermitente, que se tornou base para a terapia moderna de corrente contínua de baixa frequência. A unidade de Ludec era volumosa e difícil de transportar e, além disso, produzia uma forte e desconfortável estimulação. Mas sua eficácia era reconhecia e seu uso tornou-se habitual para o tratamento de uma variedade de doenças agudas e crônicas entre 1920 e 1940, período em que não havia alternativas eficientes disponíveis.


Com o avanço da indústria farmacêutica e da farmocoterapia, por volta de 1945, a estimulação elétrica começou a perder força.

EMS como fisioterapia por volta da década de 1940.
No ano de 1965, os pesquisadores Melzak e Wall revelaram num conceituado artigo, os benefícios do uso da eletricidade na terapia moderna.

Melzak e Wall, divulgaram em famoso artigo, o benefício da eletricidade na terapia moderna.
Nos anos de 1970, salões com aparelhos EMS se tornaram populares. Ainda não havia regulamentações para o uso desses aparelhos. Muitas pessoas foram lesionadas por queimaduras, até que o órgão competente (FDA) entrou em cena para controlar o setor. Um dispositivo muito popular na época, chamado de Relaxacizor, que vinha num estojo com cintos, faixas  e eletrodos, teve várias de suas unidades confiscadas pelo governo norte-americano. Atletas campeões famosos já faziam o uso regular dos aparelhos de EMS na década de 1970, como o boxeador Muhammad Ali e o jogador de futebol Franz Beckembauer. Bruce Lee foi um dos primeiros a adquirir uma unidade, em Hong Kong, por volta de 1972.

O invejável físico de Bruce Lee. Graças aos trabalhos físicos convencionais
e o uso do EMS.

O lendário boxeador Muhammad Ali e o alemão, jogador de futebol, Franz Beckembauer.
Ambos campeões eram adeptos do EMS já na década de 1970.

Alguns artigos e propagandas do Relaxcizor, uma febre sem controle
e regulamentação em meados dos anos de 1970
Em 1976, durante os jogos olímpicos de Montreal, o russo Dr. Yahov Kots, divulgou seus estudos sobre o uso da eletroestimulação para treinamento dos atletas da URSS. A corrente elétrica utilizada é conhecida até hoje como “corrente russa” ou “corrente kots”. Seus estudos comprovaram  que a corrente elétrica era eficaz na construção de massa muscular e aumentava consideravelmente a resposta de contração rápida no desenvolvimento da velocidade. Os ganhos de força dos atletas soviéticos eram de até 40%. Kots usava uma frequência específica de 2.500 Hz (25KHz), que ficou conhecida como “Russian Stim”.

A "Corrente Rússia" estourou mundialmente a partir de 1976.
Os atuais equipamentos empregam diferentes tipos de correntes onde o aparelho emite a energia eletromagnética que é então conduzida através de cabos condutores até os eletrodos que são aderidos à pele do paciente. Existem formas variadas como a utilização de agulhas no lugar dos eletrodos, estes mais destinados para terapia estética ou métodos diagnósticos. Em psiquiatria a eletroestimulação da região front-orbital com frequências específicas é uma das técnicas utilizadas para indução do sono terapêutico e relaxamento muscular.

Agulhas elétricas no lugar de eletrodos, também utilizados como terapia estética.
O aparelho de aplicação de Estimulação Nervosa Transcutânea, por exemplo, utiliza uma corrente de baixa frequência com efeitos analgésicos que contribuem para controle da dor aguda e crônica; redução de edema; redução de espasmo muscular; minimização  de atrofia por desuso; facilitação da reeducação muscular; facilitação da cicatrização tecidual; facilitação da consolidação de fraturas; fortalecimento muscular e realização da substituição ortésica.

O EMS pode ser usado para perder peso, adquirir massa muscular ou substituir os exercícios físicos? - O EMS não é uma ferramenta ideal para a perda de peso ou um substituto adequado para o treinamento com pesos ou exercícios físicos tradicionais.

O objetivo original do EMS - O EMS essencialmente é indicado para a estimulação de músculos que têm dificuldade para se contrair. Sendo principalmente destinado à pessoas que tiveram acidente vascular cerebral e sofreram sequelas, ou numa recuperação após uma cirurgia ortopédica. Muitos destes pacientes têm dificuldades para fazer mover um músculo ou articulação. Assim, quando o impulso elétrico  é enviado para o tecido muscular pela unidade EMS, o músculo se contrai sem a ajuda do paciente. Se o paciente conseguir a ativar o músculo lesionado enquanto está sendo estimulado eletricamente, o cérebro pode  reaprender a estimulá-lo sozinho.   
                                                         
O EMS e seu uso para o alívio da dor – Alguns defendem que o EMS pode ser utilizado para aliviar dores. A teoria do “Controle do Portão” defende que os sinais de dor são transmitidos para o cérebro através dos nervos ao passarem pelo “portão”. Alguns defendem que a estimulação elétrica atravessa o portão e bloqueia os nervos que transmitem essa sensação de dor. Outra teoria é que a estimulação muscular elétrica faz com que o cérebro libere substâncias analgésicas naturais do organismo (endorfina e encefalinas), amenizando as dores.

O EMS destinado ao treinamento atlético – Seja na musculação ou no treinamento esportivo, o EMS pode ser utilizado como fisioterapia para recuperação da musculatura, redução de edemas, aumentar o tônus muscular,  uma maior definição muscular e ainda melhorar o tempo de reação senso-motora. A estimulação muscular elétrica pode também proporcionar uma maior contração muscular em até 30% em comparação a uma contração voluntária normal.

Os riscos no uso do EMS – Em meados dos anos de 1970 a utilização do EMS causava polêmicas e desconfiança entre os profissionais de saúde. Muitos cientistas ainda hoje, defendem que o EMS tem  em seu uso benefícios limitados, enquanto os riscos parecem ser bem mais consideráveis.
A desculpa da “falta de tempo” para fazer atividades físicas pode estimular o uso indiscriminado do EMS. E não há nada mais saudável do que a atividade física regular que previnem o surgimento de vários tipos de cânceres, doenças cardíacas, derrames ou diabetes tipo 2.
O uso do EMS é muito defendido atualmente com a alegação de que esse método oferece, em apenas 20 minutos, o equivalente a uma hora ou pouco mais de atividade física. Entretanto,  foi comprovado que não basta usar apenas  os eletrodos em músculos específicos ou mesmo o traje de forma mais abrangente. Para obter melhores resultados é necessário fazer os exercícios convencionais como o agachamento, flexões de braços, abdominais, corrida, etc., enquanto os eletrodos aplicam pequenos choques. Ademais é aconselhável apenas duas sessões semanais usando o traje com eletrodos, não passando de 12 minutos cada aplicação, pois querendo ou não, é um método agressivo ao corpo humano.
Mas os choques tornam os exercícios simultâneos ainda mais dolorosos.  Ainda que acreditem que o esforço e a dor  podem fazer o exercício mais eficaz.
O estimulo elétrico tem como objetivo primordial a reabilitação satisfatória de músculos lesionados e atrofiados por falta de estimulação de nervos danificados. Mas a questão é: uma pessoa saudável deve se expor aos choques elétricos sem necessidade? Talvez em músculos específicos (do abdômen, cochas, braços, etc.) e de forma moderada seja razoável, mas usando os trajes com eletrodos por todo o corpo seria mesmo seguro?
Há casos registrados de pacientes reclamando de dores musculares fortes após uma longa sessão de exercícios físicos com EMS, mesmo supervisionada por profissionais de fitness. Num destes casos, um jovem abusou das sessões de EMS e desenvolveu a rabdomiólise, uma patologia responsável pela destruição generalizada das fibras musculares, devido à liberação da mioglobina no sangue. Essa proteína também pode causar graves problemas aos rins.
Em relação ao tonificador muscular, já regulamentado pela ANVISA no Brasil, foi comprovado pelo órgão através de testes específicos, que não ocorre alterações da pressão arterial e da frequência cardíaca em decorrência das estimulações do aparelho em pessoas saudáveis, sejam atletas ou pessoas sedentárias. Mas há controvérsias, alguns especialistas defendem que só atletas e pessoas com um bom preparo físico deveriam fazer o uso do EMS. O risco pode estar simplesmente na qualidade do aparelho. Mas há contraindicações para quem usa marco-passo (estimulador cardíaco); utilizar o aparelho na região do coração; mulheres grávidas; epilépticos; colocação dos eletrodos nas partes frontais e laterais do pescoço; na estimulação da parte inferior da perna em casos de trombose venosa ou de isquemia (obstrução arterial); portadores de hérnia abdominal ou inguinal, pessoas que sofrem de artrite, diabetes, circulação, problemas neurológicos, etc.
Em resumo, os aparelhos de EMS só deveriam ser usados sob orientação de profissionais de saúde qualificados, sejam médicos e fisioterapeutas, com o objetivo de diagnóstico e reabilitação.  Tais aparelhos não deveriam ser usados em academias e muito menos em casa de forma indiscriminada sem o acompanhamento de um cinesiólogo, pois podem causar sérios riscos à saúde.


Yang Sze (Bolo Yeung) flagra Bruce Lee durante experimento científico – Por volta do final de 1972, após a divulgação e exibição de O Voo do Dragão (The Way of the Dragon) por toda a Ásia, Yang Sze e Bruce Lee se conheceram e se tornaram amigos; o que levou à participação do ator, campeão fisiculturista e também faixa preta de Karate, a participar de Operação Dragão (Enter the Dragon – 1973) encarnando o musculoso e implacável lutador, “Bolo”. Durante os intervalos de gravações de Enter the Dragon, no início de 1973, Yang Sze visitou Bruce na sua casa em Kowloon. Com a palavra, Bolo Yeung:
“Eu costumava ir a casa de Bruce Lee com frequência. Lá conversávamos sobre muitas coisas relacionadas às artes marciais. Em algumas oportunidades, eu era sua única audiência em muitos de seus treinamentos solitários de sua casa em Kowloon. Notei que ele tinha aparelhos destinados ao treinamento de boxe que eram muitos diferentes dos tradicionais. Os speedballs, por exemplo variavam de tamanhos, de pequenos (como uma bola de ping pong) aos grandes. Estes se encontravam também na sala de estudos ou biblioteca particular. Um dia, quando eu me aproximava da porta de sua sala de estudos, o vi usando um fone de ouvidos conectado a uma máquina contendo vários botões e mostradores. Notei que Bruce também estava suando copiosamente.


Yang Sze: "... o vi usando um fone de ouvidos conectado a uma máquina contendo
vários botões e mostradores."
Esperei por 5 minutos e lhe pedi uma explicação de tudo aquilo. Ele me disse que estava treinando a velocidade de entrega do sistema nervoso com o objetivo de melhorar a agilidade dos membros e a velocidade dos reflexos. Ele completou: ‘E em outras palavras, quando seus olhos veem o movimento da pessoa, os nervos de seus olhos dirigem o sistema nervoso central de seu cérebro, que por sua vez, direciona suas mãos, pernas para interceptar, desviar, chutar ou socar.Tudo isso leva tempo, suas respostas ou reflexos condicionados, podem se tornar mais rápidas através do treinamento. É abstrato, assim como o ar, ou praticando o “ki” na região púbica  do corpo. Como treinar o sistema de transporte nervoso para ser o mais rápido possível? É realmente abstrato. Para coisas abstratas, precisamos usar métodos muito práticos, econômicos e científicos para treinar.’ ”

Yang Sze e Bruce Lee se aquecendo para as filmagens de Operação Dragão, em 1973.
Continua Yang Sze: “Ele disse que pensou nisso por um longo tempo e deu como exemplo os atletas competindo em uma corrida. Ao ouvir o tiro inicial ecoando no ar, todos os atletas disparam a correr, alguns respondem mais rapidamente ao ouvir o estímulo sonoro e outros de forma mais lenta. Por que é assim? É por causa do transporte do sistema nervoso. Como a velocista Chi Cheng (Ji Zheng), que ganhou a primeira medalha olímpica de bronze por Taiwan em 1968. Foi o primeiro recorde de uma atleta asiática. Sua reação ao tiro de partida era extremamente rápido em comparação aos demais competidores, simplesmente 0.00 segundos. Mas Bruce disse: ‘Eu sou mais rápido que ela, eu treinei para ser mais rápido do que ela.’ ”

Bruce Lee disse a Yang Sze que ele era mais rápido do que a velocista Chi Cheng
no que diz respeito à reação muscular a um estímulo sonoro.

Segundo Bruce Lee, quando o lutador conseguir atingir um estado de relaxamento
semelhante a um estado de hipnose, sua velocidade de reação será bem maior.
Yang Sze: “Ele disse que passou por muitos testes e experimentos e descobriu que os reflexos do homem seriam os mais rápidos em certas circunstâncias. Isso é, como durante o sono. Quanto mais rápido você quiser ser, mais você terá que relaxar.Quando o homem consegue relaxar interna e externamente sua condição de transporte nervoso é a mais rápida. Quando o homem se sente tenso, a velocidade da entrega se torna mais lenta. Quando você entende este ponto, então você tem que criar o estado de relaxamento. Esse estado de relaxamento também é chamado de estado de hipnose. Como criar esse estado? Sinta-se como se estivesse dormindo, depois adormeça, apenas treine dessa maneira.”
Yang Sze: “Bruce me mostrou um aparelho e me disse: ‘Esta é a chave para ligar o som. Ligo um dos alto-falantes que gera ruídos como o som de buzinas de carros, de turbinas de aviões, de percussão, sons pesados e barulhentos. Desligando o interruptor deste, ligo o outro alto falante que reproduz um som regular, com o batimento de um  metrônomo, gotas de chuva caindo num lago, um som hipnótico ritmado que, em seguida, desligo também. Agora, ligo os dois alto-falantes ao mesmo tempo, com o som barulhento e o de hipnose juntos. Sintonizando o volume de ambos, aumento o som barulhento cada vez mais e o som hipnótico cada vez mais baixo. Se você continuar ouvindo apenas o som de hipnose apesar do som barulhento, mesmo com o som de hipnose desligado, você conseguiu o objetivo. Ou seja, mesmo sob alta tensão você conseguiu se hipnotizar. Você pode ouvir apenas o som da hipnose, tick...tick...tick... Esse é o estado em que a velocidade da entrega nervosa é a mais rápida.’ “

"...Mas na rua, posso ser atacado por quatro ou mais pessoas, então eu quero
ter os meus sentidos aumentados para ser receptivo ao menor som." - Bruce Lee
Yang Sze: “Ele me disse que a luta é principalmente praticada com a atenção em um oponente. Mas na rua, posso ser atacado por quatro ou mais pessoas, então eu quero ter os meus sentidos aumentados para ser receptivo ao menor som.”
Alguns estudiosos sobre a vida de Bruce Lee não descartam a possibilidade de que a combinação do uso exagerado do EMS, de outros métodos exóticos de treinamento, com os exercícios convencionais exaustivos, drogas poderosas para amenizar sua dor crônica nas costas, mais alguns hábitos não muito saudáveis como dormir pouco, não se alimentar corretamente, consumir algumas ervas como haxixe ou maconha para relaxar, alto nível de stress e certa paranoia, nos últimos três anos de sua vida, podem ter contribuído como uma bomba relógio para por fim à vida de Bruce Lee. Mas qual seria a verdade?


Bruce Lee teria ido além dos seus limites para alcançar a perfeição física e técnica?
Concluindo, Bruce provavelmente teria chegado quase ao limite de suas habilidades nas artes marciais e condição física. Quando dispunha de tempo adequado para os treinos, se dedicava de tal forma que parecia estar esperando por um combate feroz e mortal contra um poderoso inimigo a qualquer momento. Ele não queria ser surpreendido por ninguém e em tempo algum. Mas todos que o conheciam e sabiam de suas habilidades como lutador pareciam ter certeza que dificilmente alguém poderia superá-lo num combate corpo a corpo. O maior inimigo de Bruce Lee certamente era ele mesmo, talvez ele tenha drenado sua própria vida e energia vital nesta busca incessante pela invencibilidade e superação como lutador e atleta.

Por Eumário J. Teixeira.