Os Heróis nunca morrem!

Os Heróis nunca morrem!
Heroes never die!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

BRUCE LEE E ELVIS PRESLEY - O ENCONTRO DOS DOIS REIS REALMENTE ACONTECEU?


Isso já estava me incomodando há algum tempo, uma foto circulando pela  internet que mostrava Bruce Lee e Elvis Presley lado a lado em algum evento de artes marciais no final da década de 1960. Elvis Presley o "rei do rock" estava com um kimono negro e Bruce Lee, o "rei do kung fu" apenas com um traje esportivo comum para a época. Pela aparência de Elvis, que ainda estava magro; e de Bruce Lee, que aparentava estar em plena forma, o encontro teria ocorrido por volta de 1968 ou 1969, já que Bruce ainda estava nos Estados Unidos, considerando também que Elvis nunca mais teria saído do país após servir o exército numa base da Alemanha Ocidental, de 1958 a 1960.
Mas a foto é uma bela de uma montagem, sim, é isso mesmo. 


Ed Parker recebendo um chute lateral (desajeitado) de Elvis

Ed Parker com o jovem Bruce Lee, por volta de 1964
Os dois poderiam ter ser conhecido já que tinham amigos em comum. Bruce Lee era amigo de Ed Parker (considerado o "pai do karate americano") e Elvis chegou a treinar com o mesmo Parker. Outro amigo famoso de Lee foi o mestre Jhoon Rhee (introdutor do Taekwondo nos EUA) com quem Bruce trocou algumas técnicas de combate em algumas ocasiões.  Não conheço registros, no entanto, de um encontro entre Jhoon Rhee e Elvis Presley.


Mestre Jhoon Rhee trocando chutes com o amigo Bruce Lee


Jhoon Rhee desferindo um chute lateral alto em Muhammad Ali
Jhoon Rhee tinha outro amigo não menos conhecido, ninguém menos que Muhammad Ali, o maior boxeador de todos os tempos. É sabido que Bruce Lee o admirava e foi muito influenciado pelo estilo de boxear de Ali e este, em contrapartida, o respeitava como artista marcial e lamentou muito sua morte em 1973.  


Elvis Presley não se encontrou com Bruce Lee, mas encarou Muhammad Ali, que por sua vez
e provavelmente, também não conheceu o Rei do Kung Fu pessoalmente
Mas não se sabe de algum encontro entre o "rei do kung fu" e o "rei do boxe". Porém, ocorreu outro encontro épico em 1973,  entre Muhammad Ali e o próprio Elvis Presley. 

Joseph Haynes posa ao lado de Bruce Lee, em 1969 - Foto verdadeira
A foto original em questão (acima), esta sim a verdadeira usada para a montagem, foi realizada em 1969, em Washington D.C., por ocasião de um campeonato de Taekwondo, onde o atleta negro Joseph Haynes se destacou na sua categoria. Bruce parabenizou Haynes na ocasião e posou ao seu lado para a posteridade.    


Joseph Haynes, aposentado, exibindo a foto histórica foto com Bruce Lee, acima do seu ombro esquerdo.
Haynes manteve a foto histórica por muitos anos na parede de seu escritório ao lado de diversos diplomas e outros registros fotográficos de suas conquistas.


As duas fotos para comparação: com Haynes e Elvis Presley
Comparem as duas fotos e observem o corte feito na montagem de Elvis e Bruce.  Será que ambos realmente nunca se conheceram, apesar das amizades em comum? Um dia saberemos.


Por Eumario José Teixeira

sábado, 11 de julho de 2015

OS CARROS PREFERIDOS DE BRUCE LEE

 
Nessa postagem quero falar um pouco sobre uma paixão de Bruce Lee, os carros! Mais precisamente pelas marcas Mercedes Benz e Rolls Royce. Sim, Bruce adorava carros e motos também, talvez influenciado desde criança pelos filmes norte-americanos que assistia na infância em Hong Kong, como também pela influência cultural britânica na ilha no pós guerra. É certo um dos seus modelos prediletos era o Rolls Royce, o mesmo usado tradicionalmente pela família real inglesa para os grandes desfiles públicos.

Bruce Lee (à direita) e seu irmão Peter ainda crianças, em Hong Kong, sentados num Rolls Royce modelo parecido com o Phantom IV, de 1950. Na foto, à direita, um legítimo Rolls Royce Phantom IV da década de 1950.

Para comprovar, foi divulgado nas redes uma foto em que Bruce Lee e seu irmão Peter, ainda meninos, estão sentados em cima do modelo clássico de Rolls Royce, provavelmente um Rolls Royce Phantom IV, de 1950.

O Jovem adolescente Lee Jun Fan (Bruce Lee) encostado num
Chevrolet 1948, em Hong Kong. Ele sempre gostou dos carrões americanos.

O jovem Bruce Lee em meados da década de 1960,
na América, em frente a um modelo Desoto de 1958.

Bruce Lee aprecia uma grande foto de um Rolls Royce conversível.  Na foto à direita vemos 
um modelo Silver Cloud III, 1965, semelhante ao da foto nas mãos de Lee.

Há outra fotografia, que muitos dizem se tratar de uma das últimas imagens de Bruce Lee ainda vivo, em que alguém lhe mostra um poster de um Rolls Royce, modelo parecido ao conversível Silver Shadow, de 1965. Bruce estaria próximo de encomendar um, pois era um grande sonho de consumo para ele e o sucesso de seu último filme, Enter the Dragon (Operação Dragão – 1973), provavelmente lhe daria condições para isso.

Bruce Lee em frente ao seu Mercedes-Benz no final 
de 1972 ou início de 1973.



Bruce Lee posa com o seu Mercedes Benz vermelho conversível.

Estilo era com ele mesmo.

Bruce Lee orgulhoso de seu Mercedes Benz, nos estúdios da
Golden Harvest, por volta de 1972.

Bruce Lee posando encostado na traseira de seu Mercedes Benz, em abril de 1972. Ao fundo,
o Hotel Marco Polo no Ocean Terminal, em Hong Kong

Outras fotos mais conhecidas, mostram Bruce Lee em 1972, exibindo com orgulho seu modelo de Mercedes Benz de cor vermelha, placa AX 6521, fruto de seu árduo trabalho. Em algumas fotos ele aparece com sua Mercedes ao lado de uma de suas atrizes preferidas, Nora Miao, no Ocean Terminal em Hong Kong; em outras ao lado de sua esposa Linda Lee; mas na maioria delas, apenas ele sozinho e sorridente.

Bruce Lee e Linda próximos à garagem onde ficava o Mercedes Benz, na área externa
de sua residência na 41 Cumberland Road, em Kowloon Tong, Hong Kong.


Bruce Lee e seu orgulho, o belíssimo Mercedes Benz modelo 1972, placa de Hong Kong, AX 6521


Bruce Lee e Nora Miao encostados no lendário Mercedes Benz vermelho, no Ocean Terminal,
Hong Kong, por volta de 1972.


Nora Miao tirando uma "casquinha" do Mercedes Benz de Bruce Lee.

Os carros foram de certa forma marcantes na vida de Bruce Lee, não há como esquecer do Black Beauty (Beleza Negra), na verdade um Chrysler Imperial 1966 (modificado pelo especialista Dean Jeffries), o carrão preto de motor V-8 que ele dirigia ao interpretar o personagem Kato na série de TV, O Besouro Verde, na década de 1960. Foram fabricados apenas dois Black Beauty para suprir as filmagens da série O Besouro Verde. O Black Beauty juntamente com o Mercedes Benz vermelho, foram adquiridos e expostos no Imperial Palace  em Las Vegas, California, para o deleite dos fãs mais privilegiados do Pequeno Dragão.

Bruce Lee, como Kato, posando na frente do Black Beauty


O impressionante Beleza Negra (Black Beauty), dirigido por Bruce Lee na série
O Besouro Verde (The Green Hornet)


O modelo (à esquerda) que originou o Black Beauty (à direita): um Chrysler Imperial, 1966.

O engraçado de tudo isso é que, segundo consta, Bruce Lee era um motorista ruim. Isso mesmo, o grande atleta e mestre das artes marciais, não tinha habilidade satisfatória com o volante. Isso veio à tona graças ao seu “amigo linguarudo” Bob Wall, campeão norte-americano de Tang Soo Do (Karate coreano) que interpretou o vilão, O’Hara, em Operação Dragão. 

Segundo Bob Wall, Bruce Lee,  o rei do kung fu, era um péssimo motorista, seria mesmo?

Numa entrevista concedida há alguns anos, Bob Wall teria dito que soube da morte de Bruce Lee, em 20 de julho de 1973, por um telefonema de Linda Lee  no momento em que ele e o produtor Fred Weintraub estavam cuidando da produção de um novo filme de artes marciais. Bob teria ficado chocado e se perguntado como poderia ter ocorrido isso, pois Bruce era tão cheio de energia e vitalidade, parecendo que iria passar dos cem anos com facilidade, pois se cuidava com dietas especiais e estava em grande forma física. Assim, perplexo, a primeira coisa que veio à sua mente era perguntar a Linda se ele teria morrido num acidente de trânsito, pois ele considerava Bruce como o pior motorista do planeta. Segundo ele, Bruce era totalmente disperso enquanto dirigia, sua mente vagava a vários quilômetros por hora, sempre pensando em novas idéias para seus filmes ou em inovações práticas para as artes marciais e, é claro, ele tentava acompanhar tais pensamentos dirigindo distraidamente sua Mercedes.

Modelo de Mercedes Benz conversível 1972, semelhante ao de Bruce Lee

Pois é, quem diria...verdade ou mentira sobre sua inabilidade para guiar, é certo que Bruce Lee, o “pequeno dragão”, tinha um gosto sofisticado para carros e não os pode desfrutar satisfatoriamente em virtude de sua precoce e misteriosa morte.

Por Eumário J. Teixeira

quarta-feira, 3 de junho de 2015

BRUCE LEE E SUA ROTINA DIÁRIA DE TREINAMENTO - Parte IV


Para concluir a série “Bruce Lee e sua Rotina Diária de Treinamento”, vou tentar descrever aqui o que ele pensava sobre a importância da luta real ou sparring. Bruce Lee defendia com veemência o preparo físico, a força muscular e era famoso por suas proezas físicas, nas demonstrações de quebramentos, flexões com apenas um dedo, poder nos golpes, etc. E embora muitos praticantes de artes marciais, antes ou depois da era Bruce Lee, tivessem conseguido equipara-lo ou até mesmo superá-lo nessas exibições de força física ou muscular, ele sempre dizia: “Lembrem-se, só porque você consegue sair-se muito bem num treino suplementar, não ponha na cabeça que você é um expert. Lembre-se bem que qualquer espécie de treino é somente um meio em direção a uma meta posterior; sparring é o objetivo final, todo treinamento anterior é apenas um meio em direção a ele”.

O "segredo" é fazer da sua arte uma forma livre, viva e contínua de auto-expressão
Bruce afirmava que cada indivíduo deveria ter seu treino técnico individualizado, ou seja, conforme suas aptidões naturais. O praticante deveria procurar se aprimorar nas técnicas com as quais mais naturalmente se adaptasse.  Ele defendia a ideia que o lutador só alcançaria um nível satisfatório para a defesa pessoal, se pudesse encontrar  sua habilidade natural em determinadas técnicas, aproximando-se assim de sua própria realidade e personalidade numa forma autêntica de autoexpressão.


No final da década de 1960 e início dos anos de 1970, Bruce Lee disseminava suas ideias revolucionárias sobre sparring, inspirado no que absorvia do boxe, wrestling, jiu-jitsu, judô e rotinas de outras disciplinas marciais que visavam o contato direto ou corpo-a-corpo. Assim, o estilo livre de sparring com equipamento protetor era prioridade para Bruce Lee, que declarava: “Não há nada melhor do que estilo livre de sparring na prática de qualquer arte combativa. Em sparring, vista proteção adequada e vá em frente com tudo. Então você poderá aprender verdadeiramente o “timing” correto e distância apropriada para desferir chutes e socos.” 

O conceito, treinamento e técnicas do boxe ocidental influenciaram definitivamente a Bruce Lee
na concepção do Jeet Kune Do


“É uma boa ideia treinar com toda a espécie de indivíduos: altos, baixos, rápidos, desajeitados...sim, as vezes companheiros desajeitados podem surpreender um lutador mais capacitado, porque a aparente inaptidão deles funciona como uma espécie  de ‘quebra de ritmo’. Embora o melhor parceiro de sparring é o lutador louco que vem atropelando, arranhando, agarrando, socando, chutando, etc.” - Bruce lee

Bruce Lee assimilou em seu "sistema de luta" os principais golpes do  boxe ocidental, como o gancho e o direto



“Para mim, totalidade é muito importante em sparring. Muitos estilos clamam que podem competir com todos os tipos de escolas marciais que suas estruturas cobrem toda espécie de ataque e também podem revidar em todas as linhas e ângulos possíveis. Se isso fosse verdade, então de onde vêm todos esses diferentes estilos? Ainda, se estão em totalidade, por que alguns usam somente linhas retas, outros linhas circulares, outros apenas chutes e outros ainda querem ser diferentes apenas nos movimentos de mãos?” - Bruce Lee

Bruce Lee interceptando a investida do adversário com o seu famoso chute lateral direto



“Um sistema que adere a apenas um determinado aspecto de combate está delimitado e restringido. Um artista marcial que se exercita, exclusivamente numa forma fixa de combate está perdendo sua liberdade, está em realidade se tornando escravo de um sistema escolhido e acha esse sistema é a realidade. Isso leva ao engano, porque o modo de combate nunca é baseado em escolha pessoal ou em fantasias. Ao contrário, muda constantemente de momento a momento e o então desapontado lutador logo descobre que sua ‘escolhida rotina’  carece de maleabilidade.” - Bruce Lee

Bruce aplicando o chute lateral circular com o peito do pé no rosto do adversário



“Deve haver um ‘ser’ em vez de um ‘fazer’, em treinamento. O indivíduo precisa ser livre. Em vez de complexidades de forma, deve haver simplicidade de expressão. O indivíduo deve estar ‘vivo’ em sparring, desferindo socos e chutes de todos os ângulos e não sendo um mero robô cooperativo. Como a água, deve ser ‘sem forma’ e tomar a forma necessária no momento certo, mudando-a de acordo com a circunstância. Coloque a água numa xícara, ela se moldará à xícara. Tente socá-la ou chutá-la e ela se torna elástica. Agarre-a e ela cederá imediatamente. De fato, escapará conforme for sendo aplicada pressão sobre ela. A verdade é que o ‘nada’ não pode ser confinado e que a substância mais suave não pode ser quebrada!” - Bruce Lee

Bruce Lee interceptando o adversário com um chute frontal no peito

Bruce Lee contra-golpeando com um chute lateral circular nas costelas do adversário
“Ser eficiente no sparring ou na luta real não depende de uma forma correta, clássica ou tradicional. Eficiência é tudo que é positivo e funcione. Praticar formas fantasiosas e adotar posições clássicas, avançar sob uma norma fixa aprendida por repetição substituindo a liberdade do sparring é como tentar armazenar água num saco de papel. Para algo que é estático, fixo, morto, pode haver um caminho ou percurso definitivo, mas não para algo que está em constante movimento e bem vivo.” - Bruce Lee

Bruce Lee, à curta distância, desferindo um chute circular (de fora para dentro) com a parte
lateral interna do pé na cabeça do adversário

Bruce Lee, à média distância, desferindo um chute circular (de dentro para fora) com
a faca do pé na cabeça do adversário
“Na luta real não pode haver percurso exato, pré-definido ou um método inflexível. Mas, em vez disso, um estado de alerta e prontidão, uma condição de estar ciente sem pré-escolha, de um jeito perceptível e maleável. Sparring vive de momento a momento e muda de momento a momento. A ideia do ‘duro’ versus ‘suave’ e do ‘externo’ versus ‘interno’ deixa de ser importante. O yin e o yang são, em verdade duas metades de um todo. Cada metade é igualmente importante e cada uma é interdependente da outra. Se há uma rejeição de uma ou outra, pender-se-á num extremo. Os que aderem ao extremo são conhecidos como fisicamente limitados ou intelectualmente limitados. Mas os primeiros são mais toleráveis, pelo menos em combate eles se esforçam.” - Bruce Lee

Bruce Lee usando técnicas de wrestling num treinamento 
Da parte de um depoimento de Linda Lee, esposa de Bruce Lee, extraído do livro, Bruce Lee: The Man Only I Knew: "No seu tempo, o estilo das artes marciais de Bruce evoluíram tanto que ele teve que dar um nome próprio para seu estilo – Jeet Kune Do. Ele explicou que ‘jeet’ significa ‘parar ou interceptar’; ‘kune’, punho e ‘do’, ‘caminho ou a última realidade’. Bruce explicou: ‘É a direta expressão dos sentimentos de alguém. Com o mínimo de movimentos e energia. Não há mistério. Meus movimentos são simples, diretos e não clássicos.’ Não havia jogos de regras ou formas clássicas no Jeet Kune Do porque eles costumam ser rítmicos. Quando Bruce fazia ‘sparring’ usava ‘ritmos quebrados’, acrescentando: ‘Formas clássicas são tentativas fúteis para aprisionar e fixar os movimentos sempre mutantes em combate e analisá-los e dissecá-los como um cadáver. Mas quando você está em combate real, você não está lutando com um cadáver. Seu adversário é um objeto vivo e em movimento, que não está numa posição fixa, mas fluído e vivo.'


'Trate-o realisticamente. Não como se você fosse um robô em luta.’ De suas próprias observações, ele há muito tempo verificou que a maioria das formas de Kung Fu, Karatê, Taekwondo e outras artes marciais eram baseadas em estilos, que são basicamente incompletos. Cada um tinha suas próprias formas, movimentos e assim por diante e cada praticante ia para a luta acreditando que ele tinha todas as respostas. Por essa razão Bruce recusou chamar ‘Jeet Kune Do’ de ‘estilo’, porque ele sentia que iria limitá-lo. Como resultado, JKD não possuía regras, formas, nem um conjunto de movimentos e técnicas com os quais pudesse opor-se à outras técnicas. Sua própria essência era autoexpressão, que por sua vez demandava grande autoconhecimento. Não era, por isso, um modo de luta que podia ser facilmente ensinado. Muitas dessas constatações surgiram de sua leitura e subsequente compreensão de forças da natureza, enquanto outras foram produto de suas próprias experiências."



Atualmente, Bruce Lee é considerado por muitos como sendo o "pai do M. M. A. (Mix Martial Arts)", graças
às suas ideias revolucionárias sobre o verdadeiro objetivo das artes marciais. A primeira cena de luta do filme Operação Dragão, na qual Lee enfrenta Sammo Hung, ilustra bem essa ideia.  Mas ainda assim, o M. M. A.,  com sua proximidade de luta real, limita o conceito inovador de Bruce Lee de como se expressar naturalmente num combate, pois não passa de uma competição controlada por regras e regulamentos que castram a  livre criação.
Bruce Lee costumava dizer: “Nenhuma natação simulada em terra os preparará para a água. O melhor exercício para a natação é nadar. O melhor exercício para o Jeet Kune Do é a luta real”.

Bruce Lee incentivava seus alunos treinar sparring com material de proteção adequado, para
assim exercerem o pleno contato em total liberdade


Dan Inosanto, um dos primeiros parceiros de Bruce Lee, descreveu assim a prática de JKD: “Os alunos de Bruce praticavam uma espécie de luta de rua, agressiva mas polida. Usavam equipamento de sparring e desferiam-se mutuamente golpes parecidos  com o boxe (ocidental) e com a luta-livre (wrestling) e às vezes até com o boxe tailandês. Praticavam com luvas de 12 ou 16 onças e eram encorajados a bater e a chutar abaixo da cintura, especialmente nas canelas, joelhos e testículos.”



Bruce Lee aplicando um chute lateral circular em Bolo Yeung (Yang Sze)
Para finalizar, mais algumas citações de Bruce Lee sobre a filosofia do JKD, que ele mesmo gostava de considerar como ‘Método Científico de Briga de Rua’: “Ao fazer uma estátua o escultor não adiciona massa ao seu trabalho. Na verdade, ele retira todo o desnecessário até que se revele a verdade, sem obstruções. Assim, ao contrário do ensinamento dos estilos organizados, ser bom em Jeet Kune Do não significa adicionar mais. Significa minimizar. Em outras palavras, excluir o desnecessário. Não é um acréscimo diário e sim um decréscimo diário.”

Bruce Lee "brincando" com Bob Wall no intervalo das filmagens de Enter the Dragon (Operação Dragão - 1973)
“A arte é a expressão real do ser. Quanto mais complexo e restrito for o método, menos oportunidades haverão para a expressão do sentido original de liberdade. Lembrem-se, estão expressando as técnicas e não fazendo as técnicas.  Se alguém os atacar, sua reação não é a técnica nº 1, posição nº 2, seção 4, parágrafo 5. Ao invés disso, mova-se simplesmente – como o som e o eco – sem qualquer deliberação.” - Bruce Lee


Aqui encerro a série sobre o Treinamento Diário de Bruce Lee; quero agradecer a todos que responderam positivamente ao meu trabalho, deixando claro que minha intenção desde o princípio foi o de informar e agregar conhecimento sobre o Pequeno Dragão. A todos os que postaram comentários ou somente acessaram aos posts, meu sincero agradecimento e continuem participando. Muito Obrigado mesmo!

Por Eumário J. Teixeira.