Os Heróis nunca morrem!

Os Heróis nunca morrem!
Heroes never die!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

BRUCE LEE E SUA ROTINA DIÁRIA DE TREINAMENTO – Parte I


A partir desta postagem vou procurar detalhar de uma forma simples e objetiva a rotina de treinamento de Bruce Lee, um programa que ele seguia ainda quando morava nos EUA e não era tão famoso e reconhecido pelo público e mídia, desfrutando ainda de certa liberdade e privacidade; o que viria ser impossível após seu sucesso estrondoso com o primeiro filme, O Dragão Chinês (The Big Boss) lançado em Hong Kong, em 1971. Apesar da pouca popularidade na época, Bruce Lee já era respeitado nos EUA por muitos artistas marciais de diversos estilos ou escolas, como Jhoon Rhee do Taekwondo, Ed Parker do Kempo Japonês, Mike Stone e Chuck Norris do Tang Soo Do coreano e Gene LeBell do Judô. Bruce era também admirado por vários artistas ou estrelas de filmes de ação como James Coburn, James Franciscus (Longstreet), Van Williams (Green Hornet) e o inesquecível Steve McQueen; sem esquecer de esportistas famosos como Kareen Abdul Jabbar, do basquete  norte-americano (NBA).
Bruce Lee sempre observou que a maioria dos artistas marciais da época se descuidavam do condicionamento físico e só aprimoravam a parte técnica para um possível combate com regras e limitações. Ele pensava diferente da maioria defendendo o bom condicionamento físico para um lutador marcial se sair bem num treinamento puxado e numa competição de luta com regras ou mesmo num vale-tudo ou situação real de auto defesa que lhe poderia custar sérias lesões e até a própria vida. Bruce Lee enxergava as coisas de forma realista e prática, o que não fosse útil para o seu desenvolvimento físico ou progresso como artista marcial  ele simplesmente descartava. Em contrapartida, ele pesquisava e procurava aproveitar tudo o que tinha de bom e prático nas mais diversas atividades esportivas e marciais que ele pudesse incorporar em sua rotina de treinamento.

A excelente forma física de Bruce lee
Bruce já estava desenvolvendo seu conceito sobre o Caminho do Punho Interceptador ou Jeet Kune Do e afirmava que a boa forma física era um dos principais elementos a ser considerado dentro de sua concepção sobre artes marciais até então revolucionária. A verdade era que Bruce Lee não parava de se exercitar um minuto sequer, seja comendo, lendo, vendo televisão, etc., o que deveria causar muito incômodo para seus familiares ou amigos que estivessem por perto. Ele era obcecado pela boa forma física e técnica e esperava estar pronto para alguma situação inesperada que pudesse colocar à prova seu condicionamento físico ou técnico.
Para se preparar de forma satisfatória ele desenvolveu e incorporou exercícios específicos para o seu tipo físico, já que media por volta de 1,68 e 1,70 m e seu peso variava entre 58 a 62 kg. Um dos fatores que mais contribuiu para seu desenvolvimento físico e técnico foram os equipamentos projetados por ele mesmo e confeccionados por seus amigos e alunos, George Lee (mecânico) e James Yimm Lee (soldador e ex-fisiculturista).

Bruce Lee e John Saxon fazendo exercícios de alongamentos no intervalo das filmagens de Enter the Dragon
Bruce Lee e Bob Wall alongando as pernas no intervalo das filmagens de The Way of  the Dragon



Bruce se aquecendo e demonstrando sua flexibilidade antes do combate 
A rotina diária de treinamento de Bruce Lee começava bem cedo com uma série de exercícios de aquecimento e flexibilidade. Os exercícios iniciais de aquecimento eram leves e fáceis para “soltar” os músculos e prepará-los para uma carga mais pesada para evitar lesões musculares. No inverno Bruce “esticava” mais o tempo para o aquecimento muscular, por razões óbvias.
Os exercícios de flexão, giro total da cintura, exercícios para o estômago e abdômen, elevações e estiramentos de pernas, para ele eram importantes para criar músculos elásticos e flexíveis, que no seu ponto de vista, são mais importantes do que músculos volumosos que comprometem a rapidez dos movimentos e reflexos. Para testar se sua musculatura é flexível, basta fazer o “body-stretch” (estiramento de corpo), ou seja, estando em pé e com as pernas juntas, dobre o corpo para trás o quanto puder, a seguir curve-se para a frente até que a cabeça   toque os joelhos. Para exercitar a área da cintura, Bruce segurava um bastão sobre os ombros e por trás da cabeça para alinhar os ombros e girava o corpo para os lados até 180 graus, sem mover os pés do lugar. Esse exercício é excelente para manter a flexibilidade da cintura.

A corrida para Bruce Lee seria indispensável para qualquer esportista ou artista marcial
A corrida ao ar livre de 3 a 5 km em média era indispensável para Bruce Lee. Ele afirmava que a corrida era o meio ideal para manter um nível constante de excelência física e uma garantia básica de aptidão para explorações progressivas em outras atividades esportivas. Ele dizia: “Para mim, um dos melhores exercícios para se desenvolver boa forma física é correr. Correr é tão importante que se deve praticá-lo durante toda a vida. A que horas você corre não importa. No início, você deve correr naturalmente, como num cômodo “trotar”. Depois, gradualmente aumentar a distância e o ritmo e finalmente incluir arranques para desenvolver seu fôlego.” Bruce Lee corria 6 dias por semana, sob sol ou chuva, verão ou inverno, por seis a nove quilômetros fazendo um tempo que variava entre 20 a 30 minutos. Corria subindo ou descendo encostas íngremes, variando o ritmo, passando de passos compassados a passos largos e a violentos piques, retornando, a seguir, ao ritmo inicial. Corria em zigue-zague, saltava, simulava esquivas, para desenvolver o “jogo de pernas” (foot-work), como geralmente fazem os boxeadores ocidentais e thai-boxers.

Bruce praticando na bicicleta estacionária em sua casa
De volta ao ginásio montado em sua casa, ele praticava na bicicleta estacionária, por 45 a 60 minutos. A bicicleta é um bom exercício para dar potência nas pernas, para o fortalecimento das coxas e a musculatura em volta do joelho, além de desenvolver a resistência cardiovascular.

Pular corda é imprescindível para manter o "jogo de pernas"
Após um intervalo para relaxar e almoçar retornava para a segunda parte do treino.
De volta à carga, costumava  pular Corda. Um excelente exercício para desenvolver o “jogo de pernas”, resistência e agilidade nos deslocamentos, sempre nas pontas dos pés. Como usualmente fazia Muhammad Ali, em seus treinos.

Bruce Lee praticando estiramento, alongamento e elevação de pernas

Exercícios de torção de cintura para manter a flexibilidade e a elasticidade dos músculos
A seguir Praticava exercícios de flexão, torção total da cintura, exercícios para o abdômen e elevações de pernas para deixar os músculos elásticos. Apesar de Bruce Lee dizer que não acreditava em chutes altos e plásticos numa luta real, ele tinha capacidade para executá-los, se precisasse, com eficiência e velocidade quase imperceptível. A elasticidade é outro atributo que tem ser desenvolvido dentro da capacidade e conveniência de cada artista marcial.

Bruce recebendo o impacto da medicine-ball no abdômen lançada por Ted Wong
Exercícios com a medicine-ball são habitualmente praticados pelos boxeadores profissionais
Passava então para os abdominais. Um dos exercícios preferidos de Bruce para desenvolver seu famoso abdômen, era a prática de impacto com a “medicine-ball”. Um companheiro de treino lançava uma bola de couro e com certo peso contra seu abdômen estando ele deitado ou em pé. A bola era agarrada somente após o impacto, que era considerável. Geralmente praticava 20 minutos com a medicine-ball. O condicionamento do abdômen não pode ser desprezado, suas paredes devem estar ao mesmo tempo fortes e flexíveis, pois são a ponte de conexão entre os membros superiores e inferiores que devem trabalhar em uníssono, seja para desferir socos e chutes potentes como também para absorver os golpes desferidos pelo adversário. Bruce Lee costumava dizer: “Uma das fases mais importantes do combate é a prática de sparring (treino livre de combate) e para praticar sparring, você tem que ser capaz de suportar socos na sua parede abdominal. Os músculos da cintura, estômago e  abdômen são um ponto chave para a execução de outras atividades.”
Outros tipos de exercícios abdominais praticados por Bruce Lee, eram os “sit-ups”; abdominais usando a barra;  o “leg raises”;  o famoso “weight lifting bench”; usando o impacto do saco pesado; e as flexões de corpo para frente e para trás, dentre outros.

Variação pra o sit-up
Sit-ups Numa prancha inclinada, seguros os pés, curva-se os joelhos e depois coloca-se as mãos atrás da cabeça, levantando o corpo em direção aos pés. Bruce Lee fazia no mínimo 100 repetições. Em seguida coloca-se um haltere ou outro tipo de peso atrás do pescoço e faz-se mais 100 repetições. Outra variação seria o “sit-up with twist”, onde se levanta o corpo com as mãos atrás da cabeça em direção aos pés e gira-se para esquerda e para a direita antes de reclinar-se.
Abdominal com barra – Pendurado na Barra com ambas as mãos, Bruce Lee levantava lentamente as pernas até que ficavam horizontalmente estendidas e as mantinham nessa posição o maior tempo possível, sempre tentando bater o tempo de permanência anterior.

Hanging leg raises no intervalo das filmagens de The Game of  Death
Hanging  leg raises Bruce deitava-se ao nível do chão ou numa prancha e puxava lentamente  pela região abdominal levantando a cabeça levemente até poder ver os pés. Com as pernas retas e unidas, levantava-as lentamente o mais alto possível e abaixava-as lentamente a uma polegada do chão ou da prancha, repetindo o processo até atingir o seu limite de resistência.

Bruce praticando dragon flag em sua casa
Weight lifting bench ou Dragon flag Num banco longo com dois suportes ou empunhaduras que ficam logo atrás da cabeça, Bruce dobrava os braços para trás, erguia todo o corpo em ponte elevadiça (pés, pernas, quadris, cintura, costas e cabeça ficavam no ar). A única parte do seu corpo que se apoiava no banco eram as pontas dos omoplatas. Esse exercício é ótimo para a parte inferior das costas.

O saco de pancadas pode auxiliar no condicionamento do abdômen
Impacto do saco pesado Ao golpear o saco com força, deixe que ele volte e atinja seu abdômen que deve estar enrijecido. Pode-se simplesmente empurrar o saco com as mãos e esperar sua volta numa postura equilibrada para absorver todo o impacto sem desequilibrar-se. Simultaneamente ao receber o golpe, enrijeça o abdômen e solte bruscamente o ar, como fazem os boxeadores quando atingidos no tronco.

Flexões de corpo no banco
Flexões do Corpo para frente e para trás Sentado numa barra ou num banco, tendo os tornozelos presos ou seguros por alguém, Bruce dobrava seu corpo para trás em direção ao chão, esticando a região abdominal o mais possível, depois voltava para a posição inicial e repetia o movimento.

Elevação de pernas em V no intervalo das filmagens de The Game of  Death
Elevando as pernas em V Bruce foi flagrado diversas vezes demonstrando esse exercício nos intervalos de suas filmagens. Sentado no chão com as pernas juntas e esticadas e com os braços e mãos paralelos ao corpo, ele suspendia levemente seu corpo com as duas mãos apoiadas ao chão elevando simultaneamente e lentamente as suas pernas (ainda juntas e esticadas) quase paralelamente ao seu tronco, formando um “V”. Ele podia permanecer na posição suspensa por até 30 minutos (segundo testemunhas).

Os exercícios isométricos eram essenciais na rotina de treino de Bruce Lee
Os exercícios isométricos eram também apreciados por Bruce Lee, pois poderiam ser praticados em qualquer lugar e a a qualquer hora, já que não requerem equipamento ou técnica especial. A prática consiste em fazer oposição muscular contra um objeto imóvel, como uma parede ou uma grade. Bruce Lee podia ficar empurrando um quadril de ferro em sua casa, com o máximo de sua força, por até uma hora. Ao tentar empurrar uma parede, por exemplo, você poderá sentir a pressão muscular gerada por todo o corpo em apenas alguns minutos. Bruce teve a ideia de desenvolver uma “barra isométrica” para treinar em casa. 

Bruce Lee na barra isométrica que ele mesmo projetou
Era uma barra de metal acolchoada no meio que podia ser adaptada a qualquer altura que quisesse entre duas peças verticais de sua armação. Ele ajustava a barra na altura dos seus ombros e a travava, assim ele ficava sob ela, tendo os ombros e o dorso do pescoço contra a para acolchoada e a empurrava para cima, elevando os calcanhares. Só nesse processo ele trabalhava os músculos dos ombros, das panturrilhas, das coxas e do estômago. E ainda segurando nas partes laterais  não acolchoadas da barra, Bruce pressionava os músculos dos braços para forçá-la para cima.

Bruce lutando contra a resistência da barra presa a uma corrente
Outro exercício isométrico feito por Bruce Lee, consistia em puxar para cima uma barra presa ao chão por uma corrente. Desta forma, com todas essas variações de exercícios isométricos, ele mantinha os chamados “instrumentos de ofício” (mãos, braços, pés e pernas) dentro do melhor condicionamento possível. Para ele não havia desculpas para não se exercitar, independentemente do lugar em que estivesse.

Bruce não praticava levantamento de pesos, mas trabalhava com pesos
Quanto aos pesos, Bruce Lee não acreditava na utilidade do levantamento de pesos, mas no “trabalho com pesos”. Ele, como muitos artistas marciais, acreditava que o excesso de trabalho com pesos poderia prejudicar a velocidade ao desferir ou reagir a golpes.  Bruce Lee teria desenvolvido assim um programa pessoal para trabalhar diferentes grupos de músculos. Nada de trabalhar peitorais, por exemplo, pois considerava antiestéticos e não necessários para um bom soco. Preferia trabalhar com os antebraços, músculos dos ombros, tríceps, abdômen, os músculos da “asa” e das coxas, que eram músculos necessários para um soco potente.  O trabalho com pesos para Bruce Lee deveria incluir exercícios de velocidade e flexibilidade, como correr e chutar com pesos nos tornozelos, desferir socos com pesos nos pulsos, saltar com halteres de 5 a 15 kg nas mãos.


Saltando no trampolim com pesos nas mãos

Salto no trampolim para desenvolver a agilidade e flexibilidade das pernas


Ao saltar com o uso de trampolim e utilizando os pesos nas mãos, ele ainda desenvolvia a elasticidade, flexibilidade, equilíbrio, molejo nas pernas e controle corporal. Ele saltava praticando separação de pernas, como num chute duplo com as pontas dos pés, que o capacitava ainda mais para desferir os seus famosos chutes voadores (frontal ou lateral).
Para trabalhar os ombros e parte superior das costas, Bruce não utilizava cargas máximas, apesar de usar cargas consideráveis em séries com velocidade e praticamente sem pausa. 

O exercício com pesos para os ombros
Para os músculos dos ombros, ele usualmente levantava um haltere longo (de 42 kg) com um braço de cada vez. Uma prática difícil para se efetuar, pois requer equilíbrio, precisando distribuir corretamente o peso do haltere.

Bruce praticando exercício para os pulsos 
Para os pulsos, ele utilizava um haltere curto sem o peso numa extremidade que servia de cabo e no outro era mantido, então girava o haltere para frente e para trás e de um lado para o outro sem mover o braço, torcendo apenas os pulsos.

No exercício para o fortalecimento do antebraço (estendido) o haltere de 20 kg rolava para cima e para baixo. Na foto uma variação de exercício isométrico
Para condicionar os braços e obter o enrijecimento ideal, Bruce fazia rolar um haltere de 20 kg para cima e para baixo em seus antebraços estendidos, enquanto “fechava” os omoplatas. Bruce entendia que os músculos dos antebraços eram essenciais para o soco, além dos próprios abdominais. Outro exercício para o antebraço era o “reverse curl”, que consistia em segurar a barra com pesos nas pontas (haltere médio) com ambas as mãos e palmas voltadas para cima na altura da cintura. Em seguida ele levava a barra até o peito e voltava à posição original. Para dificultar a pegada e forçar os músculos dos antebraços, ele  envolvia  a barra com uma espécie de esponja, que o fazia perder o poder de agarre conforme prosseguia no exercício, que o fazia depender cada vez mais da musculatura dos antebraços. Uma alternativa desse exercício é manter os braços  estendidos e retos em frente ao corpo na altura do peito, suportando os pesos por maior tempo possível.


Flexões de um só braço com dois dedos

Flexões com os dois braços com um só dedo
As flexões de braço também eram o forte de Bruce Lee. Foi no Torneio de Long Beach, em 1964, que além da demonstração de sparring e do “soco de uma polegada”, que ele demonstrou a flexão com um só braço apoiado apenas em 2 dedos. Ele costumava praticar as flexões de dois braços com os punhos fechados (na posição de punho vertical de Wing Chun) apoiados nos “calos” dos dedos médio, anelar e mínimo. Ele também fazia flexões com os dois braços apoiados apenas nos polegares. Tais exercícios fortaleciam os ombros, braços, antebraços, pulsos e dedos.


Numa próxima postagem (a Parte II) falarei um pouco sobre equipamentos específicos para o condicionamento das "armas" (mãos e pés) de Bruce Lee.

Por Eumário J. Teixeira

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

BRUCE LEE, A MORTE REPENTINA E OS PROJETOS NÃO REALIZADOS


Após a misteriosa e suspeita morte de Bruce Lee em 20 de julho de 1973, muitos boatos sobre suas verdadeiras condições físicas e mentais ecoavam por Hong Kong: “ele estava doente”; “mentalmente abalado”; “depressivo e ou agressivo”; “abusava das amantes, das drogas e do álcool”; etc. Os jornais sensacionalistas publicavam teses variadas para justificar o inesperado, ou seja, a morte prematura de um jovem atleta de 32 anos, que segundo o laudo de médicos especialistas norte-americanos que o examinaram semanas antes de sua morte, comprovava que Bruce Lee tinha uma saúde física comparável a um jovem atleta de 18 anos de idade. 

Bruce Lee, em plena forma, de frente a sua casa em Kowloon , Hong Kong, em 1973
Ora, apesar de muitas negativas por parte dos familiares e amigos mais próximos, boatos sobre a causa de sua morte proliferaram: “Lee teria sido assassinado na rua a pancadas por uma gang”; "foi morto por mestres chineses que não aceitavam suas idéias liberais sobre artes marciais e sua cruzada para desmistificar o Kung Fu chinês”; “foi assassinado por se recusar a negociar com a máfia Triad”; “morreu devido ao abuso de esteroides anabolizantes”; e ainda foi cogitado como possíveis causas, "uma overdose de haxixe ou maconha", ou "uma alergia aos componentes existentes dessas plantas”. Mas, se Lee já consumia tais ervas regularmente desde 1969, nos EUA, segundo alguns “amigos” (como James Coburn e Bob Wall) denunciaram ou insinuaram, podemos de imediato descartar uma possível reação alérgica como causa de sua morte, já que nunca houve registro de alguma reação como essa anteriormente; e, pelo que se sabe, jamais na história, foi registrado algum caso de overdose de haxixe ou maconha. O que alguns mais íntimos de Bruce lee admitiram (como sua ex-esposa, Linda Lee), é que ele não fumava as ervas, mas as mastigava em forma de pequenos bolos, o efeito seria como de um remédio natural para suas dores crônicas nas costas e agiria também como um calmante ou relaxante, pois nos últimos meses da conclusão de Operação Dragão (Enter the Dragon), sua agenda estava lotada (compromissos sociais, profissionais, etc.) e ele mal dormia, pois ansiava pelo lançamento e repercussão internacional do filme, além de ter ainda na gaveta outros projetos para finalizar e em fase de criação. 

Bruce Lee convidou o mestre de hapkido coreano, Ji Han Jae, para participar do projeto "O Jogo da Morte"


Esboço feito pelo próprio Bruce Lee que revela parte do roteiro de "O Jogo da Morte". O pagode a ser invadido teria um subnível ou andar térreo, e mais cinco a ser conquistados: o andar térreo  seria defendido por Bolo Yeung (ou Yang Sze), como um mestre de Karate Shotokan e alguns discípulos; o primeiro andar por Hwang In-Shik (na verdade mestre de Hapkido), como expert de um estilo caracterizado pelos chutes; o segundo andar por Taky Kimura (um dos primeiros alunos de Bruce Lee), como mestre do estilo Louva-a-Deus (Praying Mantis) de Kung Fu; o  terceiro andar por Dan Inosanto, como mestre de nunchaku e bastões; o quarto andar por Ji Han Jae, como (ele é mesmo) mestre de Hapkido; e finalmente o quinto e último andar por Kareen Abdul Jabbar, como mestre do "estilo desconhecido" ou do "estilo sem estilo" (uma referência ao Jeet Kune Do).
Um projeto inacabado foi “O Jogo da Morte” (The Game of Death), que seria realizado pela companhia que Lee criou em parceria com Raymond Chow, a Concord Productions Company, a mesma pela qual teriam finalizado "O Vôo do Dragão" (The Way of the Dragon, de 1972).  O script original de "O Jogo da Morte" pouco tem a ver com a famigerada montagem lançada como filme em 1978, mas podemos ter uma ideia do que seria na sua essência assistindo o documentário, “A Jornada de um Guerreiro” (A Warrior’s Journey) de 2000, que foi dirigido e co-produzido por John Little. Na minha opinião, "O Jogo da Morte" iria superar Operação Dragão (Enter the Dragon), em todos os sentidos, sejam nos aspectos filosóficos ou nas lutas demonstradas, porque Lee iria se expressar livremente nesse seu novo projeto, demonstrando suas reais capacidades físicas e técnicas como também a sua concepção pessoal do principal objetivo a ser conquistado por um verdadeiro artista marcial: "A capacidade de se adaptar às circunstâncias."

Bruce Lee em ensaios para o projeto de um filme sobre o herói chinês Nien Kan Yao
Outro projeto que ainda estava em fase embrionária, era sua versão para o cinema dos feitos de um lendário herói chinês chamado Nin Gung-Yao (ou Nien Kan Yao), que segundo consta, era um líder militar e talentoso artista marcial responsável por grandes atos de bravura e justiça no passado. 


Bruce Lee e o diretor Chu Yuan na Shaw Brothers, amigos de muito tempo


Na visita à Shaw Brothers, Bruce Lee posa ao lado do diretor Chang Cheh e dos atores Chen Kuan-Tai e David Chiang
Bruce Queria que Chu Yuan, seu amigo de infância, que na época era diretor da Shaw Brothers (empresa cinematográfica concorrente da Golden Harvest de Raymond Chow), dirigisse esse filme (que ainda não tinha um título definido). Run Run Shaw, o chefão da Shaw Bros, teria feito opção pelo experiente Chang Cheh para a direção, a quem Bruce Lee inicialmente teria vetado. Mas as coisas ainda estavam em início de negociação. Os roteiristas Ni Kuang e Chang Chieh também fariam parte do projeto. De qualquer forma, o poderoso Run Run Shaw, que havia desprezado Lee em 1971, já estava se dobrando às exigências do maior astro do cinema de Hong Kong, pois percebeu que tudo agora girava em torno do "Pequeno Dragão".  

Bruce Lee à vontade, durante os ensaios, com uma espada e um leque
Bruce Lee, já famoso em toda a Ásia, teria feito alguns testes fotográficos com alguns trajes de época (para o personagem Nien Kan Yao) por volta de 1972. Meses depois, já em 1973, após as filmagens de Operação Dragão (Enter the Dragon), Bruce Lee escreve uma carta breve a Run  Run Shaw, onde dizia:

“Caro Run Run,"

"A partir de agora, considere setembro, outubro e novembro (de 1973), um período de três meses, reservado para a Shaw Bros. Os termos específicos iremos discutir na minha chegada."

"Bruce Lee”

Bruce Lee com Run Run Shaw (de óculos) e o ator Lo Lieh, ambos à sua esquerda

Bruce Lee e mais ensaios para um possível projeto pela Shaw Bros.
Lee estava demonstrando a todos que era independente e poderia negociar com quem bem entendesse. No ano de sua morte, em 1973, visitou os estúdios da Shaw Brothers regularmente, inclusive foi registrado sua presença quando da produção do filme The Blood Brothers (Irmãos de Sangue) estrelados pelos astros de “filmes de Shaolin”, Chen Kuan-Tai, David Chiang e Ti Lung. Noutra oportunidade Bruce deixou-se fotografar ao lado de Run Run Shaw e o ator Lo Lieh. Dias após a trágica morte de Lee em Julho de 1973, o próprio Raymond Chow, produtor dos seus três primeiros filmes, que não estava nada satisfeito com a aproximação de Lee e Shaw, surpreendentemente chega a declarar para a imprensa que “Bruce Lee era um homem doente”. 

Bruce Lee nas filmagens do filme "The Blood Brothers", lançado em 1973, ao lado do amigo Little Unicorn e com as estrelas do filme, Chen Kuan-Tai e David Chiang, da esquerda para a direita

Bruce Lee e Little Unicorn em frente à sede da Shaw Brothers
Como um "homem doente", poucos dias antes de sua morte, poderia demonstrar tanto vigor e energia (mesmo considerando os dois colapsos - de causa indefinida - que sofreu em julho) e ainda estar tão ansioso para cumprir tais projetos pendentes? É certo que um "homem doente" não faria nenhum plano para o futuro ou teria qualquer nível de ambição e, sobretudo, não esbanjaria a energia e carisma tão inerentes ao “Pequeno Dragão”. Bruce Lee, sendo tão famoso e valioso para os chefões gananciosos da indústria do cinema de Hong Kong, certamente não escaparia ileso das armadilhas atreladas aos interesses escusos do showbusiness, entretanto, ele procurou se impor e administrar a situação da melhor forma possível. Lee se sentia pressionado, mas estava consciente de seu valor e capacidade de realização e, ainda creio, que sob nenhuma circunstância ele se entregaria ao vício, à depressão ou à indolência, pelo contrário, pois era extremamente espirituoso, dinâmico e criativo; convenhamos, um perfil nada comum para um “homem doente”.

Raymond Chow (o 'muy amigo' de Lee em foto das mais recentes), chefão da Golden Harvest, apostou inicialmente no talento do "Pequeno Dragão", mas não gostou da aproximação de Bruce Lee e Run Run Shaw
Ele  poderia estressar-se, esgotar-se momentaneamente, mas render-se às pressões com aquele seu “espírito de guerreiro”?...Jamais!!! Por isso, posso até considerar a versão oficial de “morte por infortúnio” ou “mal congênito” e, quem sabe, até a fantasiosa teoria da “reação alérgica aos componentes do comprimido Equagesic", que ingeriu para aliviar a sua dor de cabeça; mas, à medida que o assunto é revisto, debatido e explorado, a tese de assassinato por envenenamento lento e gradual, com a devida cumplicidade de algumas pessoas próximas a ele, sempre me vem à cabeça, pois Bruce Lee estava amadurecendo como pessoa, como artista marcial e também como cineasta, ou seja, como ator, diretor e produtor (tinha apenas 32 anos); e sua capacidade de criação parecia inesgotável. Ele, sem dúvidas, foi o principal responsável pela renovação e abertura dos horizontes para os filmes de artes marciais em todo o mundo e, é claro, os chefões manipuladores da indústria do cinema de Hong Kong e mesmo a máfia chinesa, que exigia sua parte nos lucros, sabiam que ele não se deixaria controlar, pois Lee era auto-suficiente, prezava muito sua liberdade para criar, atuar, dirigir e produzir e, naquele momento, não dependia de ninguém, a não ser de si mesmo e de seu talento natural. E isso, “eles” não poderiam aceitar. Após a misteriosa morte de Bruce Lee, tudo voltou a ser como antes, estagnação total e a reutilização das velhas fórmulas que uma vez deram certo no passado.

Por Eumário J. Teixeira.

domingo, 7 de dezembro de 2014

TAKY KIMURA, O FIEL GUARDIÃO DO LEGADO DE BRUCE LEE


Mesmo após 41 anos após a morte de Bruce Lee, seu nome ainda gera muita polêmica, discussões, debates e estudos sobre sua controvertida personalidade. Mas se você tem alguma dúvida sobre quem realmente foi o verdadeiro Bruce Lee, basta recorrer à opinião de um homem com inquestionável caráter, um norte-americano de descendência japonesa que atende pelo nome de Taky Kimura. Ele foi um dos primeiros a apoiar Bruce Lee em seus projetos ambiciosos sobre artes marciais  assim que ele (Bruce) pisou em  solo norte-americano aos 19 anos de idade. Kimura está atualmente com 90 anos e um homem com tamanha longevidade, não permanece fiel à memória de alguém que se foi há mais de 40 anos se essa pessoa realmente não merecer tal dedicação e ter sido tão importante em sua vida. Assim presto através deste pequeno texto uma homenagem a este homem dedicado e perseverante que ainda está entre nós e que nos oferece um belo exemplo de fidelidade a uma amizade, um sentimento que hoje em dia está cada vez mais raro e desvalorizado.


Taky Kimura – Nascido em 1924 é considerado um dos dois alunos mais antigos de Bruce Lee, o outro seria Jesse Glover (falecido recentemente). Kimura foi realmente um dos amigos mais próximos de Bruce Lee desde o início da década de 1960 e um dos únicos a receber um certificado de instrutor do Instituto Jun Fan Gung Fu (que hoje tratam como Jeet Kune Do) diretamente de Lee. A vida de Taky Kimura não foi fácil, quando estava com 18 anos, os EUA haviam entrado na Segunda Guerra Mundial e por ser filho de Japoneses, Kimura foi confinado a um campo de concentração apesar de ser legalmente cidadão norte-americano. O confinamento impediu que Kimura concluísse sua formatura no ensino médio. Ao encerrar o conflito mundial em 1945, ele foi finalmente libertado no seguinte, mas se sentia humilhado, discriminado e não tinha mais nenhuma motivação. Sua situação em relação aos estudos era ainda mais grave porque sua família não tinha mais condições de custear sua educação universitária mesmo se ele resolvesse voltar a estudar. Mas com todas dificuldades a família abriu uma mercearia na cidade de Seattle, Washington.

Famílias nipo-americanas chegando ao campo de concentração na California

Campo de realocação de Tule Lake na California

Em Tule Lake, Kimura e família permaneceram confinados por 4 anos
As coisas começaram a mudar para Taky Kimura aos 35 anos (em 1959) quando conheceu um jovem chinês de 19 anos recém chegado de Hong Kong que se dizia chamar Bruce Lee. Kimura logo atraído pelo carisma e auto-determinação do jovem Bruce Lee se juntou a ele na primeira versão do Instituto Jun Fan Gung Fu (ou Instituto de Kung Fu Lee Jun Fan – nome chinês de Bruce Lee). A escola lecionava o “estilo interno” do sul da China conhecido como Wing Chun, que essencialmente tinha 70 % de técnicas com as mãos e 30% com os pés, sendo que os poucos golpes de pés eram da altura da cintura para baixo. Mas isso foi se modificando aos poucos à medida que Bruce Lee se relacionava com lutadores de outros estilos dentro e fora da comunidade chinesa de Seattle, levando-o a incorporar técnicas de outros estilos de kung fu e passando a utilizar também os chutes altos mais vistosos, mas isso é assunto para outro artigo.

Taky Kimura e o jovem Bruce Lee em meados da década de 1960
Taky Kimura viu no jovem Bruce Lee uma segunda chance em sua vida, assim passou a ser seu assistente direto e amigo íntimo. Kimura cedeu o porão da mercearia do família para ser a primeira sede do Instituto Jun Fan Gung Fu e entregou-se totalmente aos ensinamentos técnicos e filosóficos do jovem Bruce Lee que lhe valeram por toda vida, fazendo com que recuperasse a auto-estima e tivesse um objetivo em sua vida.


Taky Kimura praticando técnicas Wing Chun Kung Fu  com Bruce Lee
Kimura participou de diversas demonstrações de Bruce Lee no início da década de 1960 por algumas cidades da costa da California como San Francisco, Oakland, Los Angeles e principalmente em  Long Beach, onde fez sparring com Lee e foi demonstrado o famoso soco de uma polegada.

Taky Kimura faz sparring com Bruce Lee no torneio de Long Beach, na California
Taky Kimura foi padrinho no casamento de Bruce Lee e Linda Emery em  1965 e foi também um dos três únicos a receber o certificado de instrutor qualificado de Jun Fan Gung Fu, os outros dois foram James Yimm Lee e Dan Inosanto. Kimura teria sido autorizado a ensinar o Jun Fan Gung Fu sob o lema de “manter os números baixos e a qualidade alta.” Até hoje, a única pessoa que recebeu um certificado de instrução de Taky Kimura foi seu filho Andy Kimura, que atualmente está à frente nas instruções técnicas da escola Jun Fan Gung Fu de Seattle auxiliado por Abe Santos. Taky Kimura teve a honrosa incumbência, ainda que dolorosa, de carregar o caixão de Bruce Lee no funeral em Seattle em julho de 1973. Os outros foram Dan Inosanto, Steve McQueen, James Coburn, Ray Chin e Robert Lee, irmão de Bruce.

Taky Kimura e seu filho Andrew (Andy) Kimura
Bruce Lee tinha projetos para Kimura no cinema, que era uma forma de mostrar sua gratidão ao velho parceiro de tantos anos. Bruce já estava morando em Hong Kong e já era famoso em toda a Ásia quando telefonou para Kimura em Seattle confirmando sua participação no seu próximo filme que seria “The Game of Death” (O Jogo da Morte) depois de ter feito “The Way of the Dragon” (O Vôo do Dragão) em 1972. Kimura ficou relutante com o convite se dizendo desajeitado demais para participar de um filme, mas Bruce não lhe deu ouvidos, exigiu sua participação e prometeu lhe enviou as passagens. Kimura iria representar o guardião do segundo andar do templo no filme o Jogo da Morte (no projeto original). Ele seria mestre do estilo Louva-a-Deus (Praying Mantis). As cenas chegaram a ser filmadas, mas não foram localizadas e assim não foram usadas na versão de “The Game of Death” de 1978, ou no documentário de John Little, “A Warrior’s Journey” de 1999.


Taky Kimura recuperou sua dignidade ao conhecer e treinar com Bruce Lee
Mas Taky Kimura aparece em diversos outros documentários sobre Bruce Lee, como em “How Bruce Lee Changed the World” de 2009; “Bruce Lee in G. O. D.” De 2000; “The Path of the Dragon” de 1998; “The Life of Bruce Lee” de 1994; “The Curse of the Dragon” de 1993; e “Bruce Lee The Legend” de 1977.

Taky Kimura com seu filho Andy e neto, durante sua formatura em 2009
Finalmente em 2009, aos 85 aos de idade, Taky Kimura recebeu o diploma de conclusão do Ensino Médio na Clallam Bay High School, em Clallam Bay, Washington. Na cerimônia Kimura se lembrou que em junho de 1942, ele havia recebido uma bolsa de estudos para cursar medicina na Washington State University e de repente, no mesmo dia, ele, sua família e mais algumas pessoas foram postos em um vagão de um trem antigo e foram transportados  para o Campo de Internamento de Tule Lake, destinados aos nipo-americanos da California, próximo da fronteira com o estado de Oregon. Tule Lake foi o maior dos dez campos de realocação de guerra autorizado por uma ordem executiva do governo norte-americano, emitida em 19 de fevereiro de 1942, para deter pessoas de descendência japonesa em resposta ao ataque japonês de Pearl Harbour em 7 de dezembro de 1941. Tule Lake foi aberto em 26 de maio de 1942, chegou a confinar 18.700 pessoas e foi desativada em 28 de março de 1946. A família Kimura ficou detida por quatro anos e quando saíram não eram mais do que “sem teto” sem saber o que fazer ou para onde ir. Segundo o próprio Taky Kimura disse: “Ninguém nos daria um emprego ou alugaria um lugar para nós.” Ele e sua família foram para Seattle tentar a sorte onde finalmente abriram uma mercearia onde cujo porão se tornaria a primeira sede do Instituto Jun Fan de Kung Fu.

Taky Kimura com Bruce Lee e discípulos do Jun Fan Gung Fu
Taky Kimura estava psicologicamente e mentalmente quebrado quando conheceu Bruce Lee casualmente no campo de Beisebol da Universidade de Washington, ele tinha 36 anos e Bruce apenas 18 anos. Como observou Kimura: “Eu estava com a idade para ser seu pai, mas foi ele que se tornou uma espécie de pai substituto para mim. Quando comecei a aprender com ele, me olhei no espelho e passei a acreditar que eu também era um ser humano, então reconstruí todo o meu pensamento.”

Reunião de antigos parceiros do Jun Fan Gung Fu, Taky Kimura ao lado de Ted Wong (falecido),
Shannon Lee e Linda Lee Cadwell. Na fila de trás, Jesse Glover (falecido, de boné e óculos) e mais acima no centro Richard Bustillo e outros...
Há um consenso que dentre todas as pessoas que se relacionaram com Bruce Lee, Taky Kimura é considerado a melhor de todas elas. Não porque era o melhor artista marcial, mas porque além de ser o mais antigo aluno e parceiro, foi realmente amigo de Bruce Lee e porque tinha (e tem) um excelente caráter. Desde 1964 Kimura assumiu seu papel de instrutor de Jun Fan Gung Fu (hoje, considerado Jeet Kune Do) em Seattle, permanecendo fiel ao seu trabalho até hoje com a assistência do seu filho Andy Kimura. Taky Kimura jamais aceitou receber alguma compensação por seu trabalho em nome de Bruce Lee e fielmente permaneceu zelador, para não dizer guardião, da sepultura de Bruce Lee por 30 anos e, é claro, cuidou também do túmulo de Brandon Lee desde 1993.


Foto à esquerda: Taky Kimura na frente à direita, Steve McQueen (terceiro à direita),
James Coburn (à esquerda do lado de McQueen) e pode se ver Jim Kelly ao fundo. Foto à direita: Taky Kimura, no detalhe.

Taky Kimura zeloso com os túmulos de Bruce e Brandon por mais de 30 anos
ao lado do discípulo Abe Santos
Em uma das várias cartas dirigidas ao amigo Taky Kimura por Bruce Lee na época em que era bastante assediado devido à sua fama crescente em Hong Kong e em toda Ásia, Bruce Lee declarava: “Você é o único em que posso confiar, você é o meu melhor amigo.”
Taky Kimura é um homem respeitado no círculo de admiradores e seguidores de Bruce, e ele é considerado um exemplo vivo de impacto positivo do que a filosofia de Bruce Lee produziu na vida das pessoas que o acompanharam ainda em vida ou após sua morte.


Taky Kimura quer saber: "Do You Know Bruce Lee?"

Por Eumário J. Teixeira.