Os bons amigos maus de Bruce Lee...
Continuando com a série iniciada em dezembro de 2024, venho aqui expor mais alguns personagens que fizeram parte do universo de Bruce Lee. De uma forma ou de outra, cada um dos citados aqui foi decisivo ou contribuiu (ou até mesmo atrapalhou), em algum momento, para o desenvolvimento da carreira e fama do Pequeno Dragão.
Alguns foram contemporâneos e parceiros nos seus primeiros passos nas artes marciais chinesas; outros surgiram como supostos adversários ou rivais que desafiaram suas habilidades reais de luta; destacando-se também os responsáveis diretos por sua trajetória inicial e explosiva como ator de filmes de Kung Fu em Hong Kong; e finalmente alguns amigos mais próximos que vivenciaram suas dificuldades e temores durante sua trajetória meteórica e principalmente nos últimos três anos de sua vida.
Como costumo lembrar, Bruce Lee era uma pessoa real, dinâmica,
ambiciosa e determinada a conquistar seus propósitos pessoais, mas que enfrentava
pressões extremas, ameaças e traições de pessoas próximas e oportunistas que
queriam abocanhar uma bela fatia dos proventos de seu sucesso; o que certamente
superava de forma dramática todos os personagens fictícios que o próprio Lee
encarnou nas telas dos cinemas por todo o globo.
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| Lee Jun-fan (Bruce Lee) e seu instrutor direto de Wing Chun, o aluno mais adiantado de Ip Man, o jovem Wong Shun Leung. |
Segundo consta, Bruce Lee foi matriculado pelo pai na escola de Ip Man
aos 14 anos (em 1954) e permaneceu no treinamento sob a supervisão de Ip Man,
mas seu instrutor direto foi na verdade Wong Shun Leung. Bruce Lee recebeu
instruções diretas de Wong até 1959, quando finalmente partiu para os Estados
Unidos para reivindicar sua cidadania americana.
Já famoso, Bruce Lee, em preparação para as filmagens de Operação
Dragão (Enter the Dragon – 1973), convidou Wong Shun Leung (36 anos) para uma
participação especial, chegaram até fazer testes de tela no set do filme, mas
Wong se recusou a participar de Operação Dragão. Dizem alguns, que Wong apenas sugeriu algumas técnicas para as cenas de luta de Bruce Lee. Certamente arrependeu-se posteriormente por não ter tido uma participação mais efeitva na produção, devido ao sucesso mundial deste clássico das artes
marciais.
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| Bruce Lee no set de Operação Dragão fazendo testes de câmera com Wong Shun Leung e aluno, em 1973. |
A ironia é que três anos após a morte de Lee, em 1976, mestre Wong
participou de um filme intitulado “Bruce’s Deadly Fingers” de baixo orçamento e
de qualidade duvidosa ao lado de um dos inúmeros clones de Bruce, o tal de
“Bruce Le”. Wong representou a si mesmo no filme e a versão de Bruce Lee é
caricatural, beirando ao ridículo, graças a uma performance depreciativa de
“Bruce Le”, endossada pelo próprio Wong Shun Leung.
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| A lamentável participação de Wong Shun Leung no fraquíssimo, satírico e debochado "Bruce's Deadly Fingers", com o clone "Bruce Le". |
Wong Shun Leung teria relatado em livro seu último encontro com Bruce Lee, meses antes de o Pequeno Dragão falecer, por volta de Maio de 1973. As narrativas sobre o encontro privado na casa Lee, no bairro de Kowloon Tong, não teve testemunhas, a não ser o próprio Wong e Bruce Lee. Nessa reunião Wong teria percebido que Lee tinha uma obsessão por manter sua forma física e temia ser superado por outro lutador, caso não se cuidasse. Wong se lembrou de ter lamentado por Bruce ter esse tipo de pensamento.
Enquanto as esposas dos dois amigos estavam em outro lugar, ambos se dirigiram a outro cômodo mais reservado e se propuseram a para discutir sobre pesquisas e estudos sobre diversos estilos de artes marciais e a medir e testar algumas técnicas de socos e chutes. Wong recordou que Bruce Lee perguntou sobre sua idade. Wong era mais ou menos cinco anos mais velho que Lee.
Bruce Lee começou a testar os socos, mas Wong não descreveu como foram
tais testes. Mas observou que ele estava com golpes muito poderosos. Quando
testaram os chutes, Wong percebeu que tinham “muitas coisas em comum”, mas
houve algum desacordo entre eles. E ainda frisou que Bruce “não era tão bom
quanto antes”. Difícil saber a que se referia Wong, alguém poderia imaginar vê-lo
chutando tal como Bruce Lee o fez em Operação Dragão ou em O Voo do Dragão (The
Way of The Dragon – 1972)? Talvez se referisse aos chutes abaixo da cintura
característicos do Wing Chun, quem sabe...
Após testar em seguida mais socos no puching ball ou um saco-teto-chão adaptado, Wong chegou à conclusão que a diferença entre dois era mínima em termos de precisão e potência. Wong continua relatando que Bruce demonstrou seu famoso chute lateral contra ele enquanto segurava um almofadão de ar para absorver o golpe. Bruce tentou por três vezes, nas quais Wong sempre dava um passo atrás para amenizar ainda mais o poder do chute de Bruce.
Finalmente tentaram fazer um sparring sem contato real e após algumas
tentativas de socos no rosto e estocadas com dedos na garganta ambos acharam
que tinha sido mais rápidos ou eficientes do que o outro, segundo Wong.
Mais tarde, Bruce Lee insistiu em convidar Wong para outro filme após Operação
Dragão, que seria O Jogo da Morte (Game of Death), no qual Wong atuaria como um
guardião e mestre de Wing Chun & Praying Mantis. Com nova recusa de Wong, o
melhor amigo de Bruce Lee e também seu discípulo, Taky Kimura, seria escalado
para o papel. Mas sabemos que não houve tempo hábil para filmar Kimura em ação,
pois Bruce morreria antes disso.
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| Wong Shun Leung, o rei das mãos falantes. Ele sustentou a fama de lutador de rua invencível na sua juventude em Hong Kong. |
Na noite de 20 de julho de 1973, Wong diz ter comparecido ao hospital
assim que soube da morte anunciada de Bruce Lee. Wong disse: “No final, eles
tiraram seu cadáver, havia este cobertor branco cobrindo-o, então eu abaixei o
cobertor até na altura da cintura, seus braços estavam cruzados e colocados na
altura do peito, e eu descobri seus pés, os dedos estavam contraídos e juntos,
com se todo o seu corpo estivesse retesado, seus músculos pareciam inchados. Suspeito
que ele sofreu um ataque de epilepsia quando morreu; tanto quanto eu sei, ele
sofria desta doença. Quando ele era criança, ele tinha essa doença”. O estranho
é que não consta nenhum relato oficial de parentes próximos de Lee, seja mãe,
irmãos, esposa ou amigos próximos que confirmasse essa afirmação de Wong sobre
Lee ter sofrido crises de epilepsia quando criança, adolescente ou adulto.
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| Wong Shun Leung ainda jovem nos anos 1970. |
É certo que sem o surgimento de Bruce Lee, talvez o mundo não conhecesse como hoje, o Wing Chun Kung Fu do lendário Ip Man e muito menos ouviríamos falar das “mãos falantes” de Wong Shun Leung e dos demais que pegaram carona em sua fama.
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| Wong Shun Leung não era adepto da cultura física. Notava-se pela barriga saliente já na meia-idade. |
Nos anos 1980, Wong já exibia uma barriga proeminente, já que dizia
não ser adepto às dietas e ao condicionamento físico, mas ainda se sustentava
instruindo Wing Chun, participando regularmente de seminários internacionais sobre
Ip Man e seu estilo, nos quais também relatava curiosidades sobre seu convívio
com Bruce Lee no final da década de 1950 até os encontros posteriores ocorridos
em meados dos anos de 1970.
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| Wong Shun Leung aplicando técnicas de bloqueio no boneco de madeira ou mudjong. |
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| O filho de Wong Shun Leung, o então jovem instrutor de Wing Chun, John Wong Hong Chung. |
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| Wong Shun Leung foi capa de revista especializada em Wing Chun. |
Wong Shun Leung faleceu vítima de um acidente vascular cerebral (AVC)
em 1997 aos 61 anos. Seu filho, John Wong Hong Chung, seguiu o caminho do pai
como instrutor na Ving Tsun (Wing Chun) Association em Hong Kong.
Lo Wei – (12/12/1918 –
20/01/1996) – Lo Wei foi ator e um diretor de cinema de Hong Kong que ficou
conhecido por dirigir inicialmente as carreiras de Bruce Lee com os filmes O
Dragão Chinês (The Big Boss – 1971) e A Fúria do Dragão (Fist of Fury – 1972).
Com a morte de Bruce Lee em 1973, Lo Wei tentou revelar outras estrelas
de filmes de Kung Fu pela Golden Harvest do produtor Raymond Chow, assim
apostou no jovem dublê e ator Jackie Chan. Apesar de Wei buscar por um
substituto à altura de Bruce Lee, ficou claro que o irreverente Jackie Chan
tinha um estilo de atuação próprio e totalmente contrário à do Pequeno Dragão,
pois explorava mais o lado cômico e abusava das acrobacias, sem se preocupar
muito com a precisão técnica dos golpes em suas coreografias de luta.
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| O diretor Wu Chia-hsiang de cara não se entendeu com Bruce Lee no set de O Dragão Chinês, em 1971, na Tailândia. Logo foi demitido... |
A história conta que Lo Wei foi convocado para substituir o primeiro diretor escalado para O Dragão Chinês que estava sendo filmado na Tailândia. O diretor Wu Chia-hsiang foi demitido por Raymond Chow por constantemente entrar em conflito com Bruce Lee em relação à coreografia das lutas. Wu Chia-hsiang insistia no velho estilo padrão vigente para os filmes pastelão de Kung Fu de Hong Kong, com aquelas lutas enfadonhas e intermináveis. Bruce Lee já estava disposto a impor suas ideias inovadoras implantando uma nova forma de coreografar com lutas mais realistas e dinâmicas. Se basearmos nas fotos já vistas com Bruce Lee e Lo Wei lado a lado, geralmente feitas durante os bastidores de filmagens e divulgações dos dois primeiros filmes de Lee, sendo Wei o diretor, poderíamos até concluir que a relação profissional entre os dois era pacífica e harmoniosa, mas não era bem assim.
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| Quem observa as fotos de Lee e Lo Wei juntos no set poderia até achar que as coisas estavam muito bem entre eles... |
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| Talvez, até que inicialmente, o relacionamento entre Lee e Wei teria sido cooperativo entre ambas as partes. |
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| As imagens não batiam com a realidade do dia a dia de Bruce Lee e Lo Wei. |
Ambos tinham um temperamento difícil, Lo Wei, era conhecido como um
fanfarrão e queria total controle das filmagens, mas dava certa liberdade a
Bruce Lee para as coreografias de luta, apesar de a produção ter escalado o
experiente coreógrafo e ator Han Ying-chieh, que também fez o vilão do filme, o
Chefão (The Big Boss). Mas o problema de Lee não era com Han Ying-chieh, os
dois se davam bem, mas a inquietude da criatividade de Lee faria com que ele insistisse
com sugestões em outras áreas das filmagens, o que não agradava Wei.
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| Bruce Lee não tinha nada contra o coreógrafo de lutas contratado Han Ying-chieh em O Dragão Chinês. Os dois se davam muito bem. Bruce até aventura cortar o seu cabelo... |
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| Bruce e Han Ying-chieh, a amizade e respeito mútuo sobreviveu ao O Dragão Chinês e a Fúria do Dragão, apesar de Lo Wei. |
No segundo filme, A Fúria do Dragão de 1972, no qual o próprio Lo Wei
participou com ator, mesmo com o estrondoso sucesso na Ásia e quebra de
recordes de bilheteria, a relação entre Lee e Wei tinha alcançado o limite
máximo.
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| Bruce Lee sendo dirigido por Lo Wei em A Fúria do Dragão, 1972. |
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| Lo Wei teve a oportunidade de descontar algumas mágoas em Bruce Lee (?!?) ao demonstrar ao outro ator como lhe bater no rosto nesta cena de A Fúria do Dragão, 1972... |
Bruce a essa altura, Já tinha planos para seu terceiro filme que
chamaria de O Voo do Dragão (The Way of the Dragon) para o segundo semestre de
1972. Desta vez Bruce Lee queria total controle na criação, direção, elenco e a
parceria na produção com o próprio Raymond Chow. Dai a criação da Concord
Production Corporation, em sociedade com Chow. Assim sob a pressão de Bruce
Lee, o diretor Lo Wei foi obrigado a dispensar o diretor Lo Wei.
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| A meiga Maria Yi Yi, o fanfarrão Lo Wei e o inconformado Bruce Lee em raro momento de descontração em O Dragão Chinês, em 1971. |
Os motivos principais que levou Bruce Lee a se desentender com Lo Wei entre 1971 a 1972 durante as filmagens de O Dragão Chinês e A Fúria do Dragão foram questões técnicas de filmagens, o modo indiferente de direção de Wei, os roteiros mal escritos e as locações que geralmente eram sofríveis. Alguns apontam também, as cobranças de pagamento de “seguro” e “favores” para a máfia local, prontamente recusado por Lee. Posteriormente se apurou que Lo Wei era membro veterano da Máfia Tríade de Hong Kong.
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| Bruce testando um chute na cabeça de Lo Wei. As coisas já poderiam estar esquentando entre os dois... |
Em 10 de julho de 1973, dez dias antes da morte de Bruce Lee (apesar de alguns apontarem para 05 de julho), houve um grave incidente nos estúdios da Golden Harvest. Bruce Lee andava pelos corredores da produtora quando surpreendeu Lo Wei falando mal dele numa sala. Bruce entrou e começou a confrontar Wei, que inicialmente ficou petrificado e sem reação ou expressão no rosto, quando finalmente esboçou um leve sorriso de canto, Bruce Lee explodiu com ofensas e foi em sua direção sacando do seu cinto uma pequena adaga. Bruce teria sido contido por Raymond Chow e outras pessoas presentes. Lo Wei se retirou às pressas em busca de um telefone. Pouco depois retornou com policiais acusando Bruce Lee de tê-lo ameaçado com uma faca. Alguns dizem que na verdade, Bruce teria sacado uma pequena lâmina ou ponta (spike) que carregava encaixada na fivela de seu cinto. De qualquer forma a suposta “ponta” não foi encontrada. Estudiosos do assunto dizem que Bruce Lee teria passado a lâmina à Linda Lee que estava presente no momento do incidente ou ao próprio Raymond Chow.
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| Bruce Lee em 1973 usando o famoso cinto que esconderia, em sua fivela, uma ponta ou spike, que podia ser sacada em uma situação de emergência. |
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| Um modelo de spike que Bruce poderia ter usado contra Lo Wei. Na verdade não foi uma faca ou adaga. Esse tipo de lâmina seria mais provável. |
Lo Wei exigiu que Bruce Lee assinasse uma declaração de que não mais o ameaçaria e Bruce acabou cedendo, com a garantia da polícia de que a ocorrência não seria registrada. Na mesma noite, Bruce é convidado a participar do Show de TV “Enjoy Yourself” apresentado por Ho Sho Shin. Bruce menciona diferença com um diretor, sem citar detalhes da discussão ou o nome de Lo Wei. Ainda durante o show, Bruce faz uma demonstração que gerou polêmica. Ele demonstra o poder do seu soco contra o apresentador desavisado que é atirado para fora do palco, segundo testemunhas presentes. A imprensa marrom não perdoou e acusou Lee de tentar intimidar o apresentador. Esta seria a última aparição de Bruce Lee, com vida, na TV.
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| Lo Wei aparentemente bastante comovido, lamenta a morte de Lee na TV em julho de 1973. Acreditem quem quiser... |
Lo Wei compareceu ao funeral de Bruce Lee em Hong Kong, poucos dias depois. Ele parecia estar muito abalado e comovido. Mas é bom lembrar que além de diretor, Lo Wei também era ator. Deu uma breve entrevista a jornalistas presentes no funeral, que foi exibida mais tarde na TV, mencionando o incidente que teve com Bruce Lee poucos dias antes, mas frisando que apesar de tudo, realmente lamentava sua morte. Lo Wei trabalhou na Shaw Brotehres entre 1964 e 1970, com quase vinte filmes como diretor e ou ator. Em seguida mudou-se para a rival Golden Harvest de Raymond Chow onde dirigiu os dois primeiros filmes de Bruce Lee.
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| O astuto ator, diretor, produtor, além de integrante da máfia Tríade, morreu de velhice, assim é a vida! |
Em 1974 fundou a Lo Wei Film Company e dirigiu meia dúzia de filmes
com Jackie Chan (a maioria sofríveis) entre 1976 a 1979. Na década de 1980 sua
produção diminuiu consideravelmente, mas o velho diretor, produtor e mafioso
continuou envolvido com o cinema até sua morte em 1996, aos 77 anos.
Raymond Chow – (08/10/1927 – 02/11/2018) – Produtor de filmes de Hong Kong que entre 1958 e 1970 iniciou sua carreira no cinema como chefe de publicidade e de produção da Shaw Brothers. Em 1970, Chow saiu da Shaw Brothers e fundou a Golden Harvest em parceria com Leonard Ho. Experiente com as deficiências da agora rival Shaw Brothers, principalmente na rigidez da criação artística, apostou na chegada de Bruce Lee como uma oportunidade de renovação para os filmes de ação já um pouco estagnados em Hong Kong. Raymond Chow foi certeiro em se adiantar à Shaw Brothers e bancar a carreira promissora de Bruce Lee que voltava para Hong Kong em meados de 1971 com a intenção de se tornar ator de sucesso na Ásia para então retornar aos EUA com o reconhecimento devido de Hollywood para então conquistar o mercado norte-americano e o mundo.
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| O diretor Raymond Chow aproveitou o vacilo da Shaw Brothers e apostou em Bruce Lee. Acabou se dando bem. |
Sob a liderança de Raymond Chow, a Golden Harvest se tornou a
principal empresa da indústria cinematográfica de Hong Kong nas décadas de 1970
e 1980. Mesmo após a morte do seu grande trunfo, Bruce Lee, Raymond Chow
revelou e investiu em novas estrelas como Jackie Chan, Sammo Hung, Jet Li e
Chow Yun-fat, embora nenhum desses tivesse alcançado o brilho de Bruce Lee que
se tornou uma lenda com apenas quatro filmes concluídos e um inacabado pela
Golden Harvest e pela Concord Incorporation (produtora criada por Lee e Chow).
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| Na Golden Harvest de Chow, mesmo com os problemas iniciais na produção, com locações sofríveis, roteiros fracos e elencos limitados, Bruce Lee provou seu talento e conquistou a Ásia. |
Com a Golden Harvest Bruce Lee protagonizou O Dragão Chinês (The Big
Boss – 1971) e A Fúria do Dragão (Fist of Fury – 1972), que obtiveram um
sucesso estrondoso e crescente na Ásia. Com a produtora Concord criada em 1972,
em parceria com Chow, Bruce estrelou O Voo do Dragão (The Way of the Dragon –
1972) e Operação Dragão (Enter the Dragon – 1973). Foram sucessos de bilheteria
seguidos, Bruce Lee era uma mina de ouro para indústria cinematográfica de Hong
Kong. Ainda pela Concord, se iniciou filmagens e testes para O Jogo da Morte
(Game of Death), em 1972; que foram interrompidos para a realização de Operação
Dragão pela Warner Bros e Concord Production. Mas O Jogo da Morte foi concluído
cinco anos após a morte de Lee, com sósias, cenas de outros filmes, colagens
grosseiras e roteiro adulterado, fugindo do original concebido por Bruce Lee.
Raymond Chow não perdeu a oportunidade de faturar em cima da memória e perda ainda
recente do Pequeno Dragão.
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| Tudo ia bem com o produtor e o astro, até que Bruce Lee demonstrou que não podiam controlá-lo. |
A verdade é que após realizar o seu terceiro filme O Voo do Dragão
(1972), este pela produtora Concord, no qual se responsabilizou pela direção,
roteiro, coreografia de lutas e atuando como o ator principal e já aguardando a
finalização de Operação Dragão (1973), Bruce Lee estaria planejando voltar
definitivamente para os EUA. Ele já estava desgastado com a pressão sofrida em
Hong Kong e queria controlar seus próprios projetos.
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| De repente a sociedade promissora entre Lee e Chow mesmo com a criação da Concord Production, estava abalada... |
Entretanto, a possibilidade de perder “a galinha dos ovos de ouro” não teria agradado à indústria de cinema de Hong Kong, particularmente a Raymond Chow e, dizem, à máfia Tríades que exigia pagamento de “seguro” a toda atividade comercial lícita ou ilícita da ilha. Daí muitas teorias sobre os responsáveis pela morte misteriosa de Lee, que envolveria a ganância do produtor Raymond Chow, a vingança do diretor rejeitado Lo Wei e retaliação da máfia Tríades.
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| Lee e Raymond Chow no aeroporto em Roma, agora sócios, durante gravações para O Voo do Dragão, o primeiro filme da Concord Production, em 1972. |
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| Lee e Raymond Chow festejando o provável sucesso de Operação Dragão que já estava para ser lançado em 1973. |
Para agravar mais ainda a tensão entre Lee e Chow, houve uma visita de Bruce Lee aos estúdios da Shaw Brothers, em 1973, pouco antes de sua morte. Segundo consta, Bruce Lee teria acertado um contrato de três meses com a produtora de Run Run Shaw. Bruce Lee queria assim deixar claro que era independente e dono do próprio nariz. Na sexta feira, dia 20 de julho de 1973, Bruce marcou um compromisso em sua casa com Raymond Chow as 14:00. Sua esposa Linda e seus filhos Shannon e Brandon tinham saído. Por incrível que pareça, a casa em Kowloon Tong, que sempre estava cheia de pessoas, neste dia em particular estava vazia com apenas as presenças de Bruce Lee e Raymond Chow. Nem mesmo o fiel escudeiro, mordomo e até segurança de Lee, Wu Ngan, estava por lá.
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| Lee e Chow no set de O Jogo da Morte, em 1972. |
Às 16:00, Lee e Chow teriam deixado a casa para irem ao apartamento da atriz Betty Ting-pei, para acertos de sua provável participação no filme O Jogo da Morte. Pouco minutos depois da saída de ambos, Linda e as crianças teriam chegado. Na agenda de Lee e Chow havia um encontro marcado com o ator George Lazenby (ex-007) no hotel Miramar mais tarde à noite, para também acertos de sua atuação em O Jogo da Morte.
Às 19:30, no apartamento de Betty Ting-pei, Bruce queixa-se de forte dor de cabeça (segundo as memórias de Chow) e ingere um comprimido de Equagesic dado por sua suposta amante, indo se deitar em seguida no quarto da atriz. As 19:40 Raymond Chow deixa o apartamento e vai ao encontro com Lazenby sem a companhia de Lee e Betty.
Às 21:00, Chow telefona do hotel Miramar cobrando a presença de Lee e Betty para a reunião com Lazenby. Betty responde preocupada dizendo que tentou acordar Bruce sem sucesso e pede que Chow retornasse ao apartamento com urgência. Na realidade, naquela hora, Bruce Lee já estava morto na cama de Betty Ting-pei, o resto é história...
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| George Lazenby, ex-007, tenta entender o inexplicável na versão de Chow, no velório de Bruce Lee em Hong Kong. |
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| Raymond Chow dando entrevista à TV, depois do anúncio da morte de Bruce Lee. Algumas contradições foram expostas... |
Em entrevista a jornalistas logo após a confirmação da morte de Bruce
Lee, o produtor Raymond Chow esconde o fato que Bruce Lee teria morrido no
apartamento de Betty Ting-pei, supostamente para não dar margem às especulações
maldosas da imprensa marrom de Hong Kong e proteger Linda Lee. Mas foi
desmentido em seguida pela própria imprensa e as teorias conspiratórias
afloraram.
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| Linda Lee no aeroporto de Hong Kong ao lado de Raymond Chow. O corpo do marido voltava para Seattle. |
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| Linda Lee fez um breve e frio pronunciamento antes do voo de volta para os EUA. Surpreendentemente conformada disse que a morte de Bruce Lee foi uma fatalidade e não culpava ou suspeitava de ninguém. |
Com a morte de Lee, sua esposa Linda vendeu a parte das ações da Concord Production de seu marido para o próprio Raymond Chow. O Produtor sobreviveu ao tumulto e desconfianças decorrentes da morte repentina de Bruce Lee e continuou produzindo filmes pela Golden Harvest com certo sucesso até a década de1980. Oficialmente Chow se aposentou em 2007 e a Golden Harvest passou a ser chamada de Orange Sky Golden Harvest.
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| O velho produtor e fundador da Golden Harvest se foi em silêncio. Não deixou nada, nem mesmo uma nota que desvendasse de vez a misteriosa morte de Bruce Lee. |
Com a ameaça de Bruce Lee deixar Hong Kong após as filmagens do
inacabado O Jogo da Morte e com o agravante dele ainda dizer que levaria
consigo uma equipe de dublês experientes para filmar e produzir nos EUA, as
relações ficaram ainda mais tensas entre Chow e Lee. Daí veio os boatos sobre a
possível intervenção da máfia Tríades com o consentimento ou omissão de Raymond
Chow, que se sentia traído por Bruce Lee.
Unicorn Chan – (01/08/1938 – 31/03/1987) – Seu nome verdadeiro é Chan Yuen-chung, mas era conhecido também como Little Unicorn ou Siu Kee-Lun. Ele era mais conhecido não por ser um notório ator ou exímio lutador de filmes de Kung Fu, mas por ter sido um grande amigo de Bruce Lee. Eles se conheceram na infância e cresceram cultivando uma sólida amizade até Bruce Lee deixar Hong Kong para emigrar para os EUA, aos 19 anos. Mesmo distantes, mantiveram contato por cartas, mantendo-se a par da vida um do outro.
Desde crianças os dois amigos eram regularmente escalados para
interpretar garotos delinquentes em filmes produzidos em Hong Kong. No filme
Little Cheung (1950) e Blame It On Father (1951) eles atuaram juntos representando
crianças delinquentes, Bruce Lee tinha apenas 10 anos e Unicorn Chan, um pouco
mais velho, com 12 anos.
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Bruce Lee e Unicorn Chan, amigos de infância e adolescência em encontro no aeroporto de Hong Kong. |
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| Unicorn Chan mostra ao amigo um álbum dedicado ao novo ídolo das artes marciais de toda a Ásia, Bruce Lee! |
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| Bruce Lee, Unicorn Chan e Chi Kun. |
Quando Bruce retornou a Hong Kong, em 1971, para se transformar no
maior ícone dos filmes de artes marciais de toda a Ásia, procurou o amigo Unicorn
Chan e o convidou para participar como coadjuvante em dois de seus três
primeiros filmes; no caso, A Fúria do Dragão (1º semestre de 1972) e O Voo do
Dragão (1972). Chan seria escalado também para O Jogo da Morte, mas com a
interrupção momentânea desse projeto para as filmagens de Operação Dragão e a
inesperada morte de Bruce Lee em 1973, não houve tempo para algum registro de
Unicorn Chan nas primeiras cenas filmadas de O Jogo da Morte.
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| No set de O Voo do Dragão, em 1972, Unicorn Chan arrisca um chute lateral circular contra Bruce Lee. |
Outra coisa em comum entre Bruce e Unicorn era que os seus pais eram atores reconhecidos de ópera cantonesa em Hong Kong. Choi Fai-Lam (pai de Chan) e Lee Hoi Chuen (pai de Bruce) chegaram até atuar juntos também em filmes, sendo que ambas as famílias tinham um relacionamento muito próximo. O pai de Chan faleceu ainda na meia idade em decorrência de grave doença. Na década de 1960, Unicorn Chan continuou sua luta em busca de reconhecimento profissional como ator lutador, coreógrafo e acrobata. Na época, a produtora Shaw Brothers dominava a indústria cinematográfica com os filmes de ação na Ásia, mas Unicorn Chan recebeu sua oportunidade trabalhando na rival Cathay Organisation (de Singapura), principalmente como coreógrafo, e às vezes como ator secundário. Unicorn constantemente era escalado para cenas que exigissem acrobacias e “saltos mortais” dos atores. Consta que foi Unicorn Chan que ensinou a Bruce Lee alguns truques para estes saltos ainda quando eram adolescentes.
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| Amigos para sempre. |
Outro ponto em comum com Bruce Lee era que Unicorn Chan descobriu,
durante excursão na Malásia na década de 1960, que tinha o temido “Feng Shui”, a
má sorte ou um destino ruim em sua vida.
Isso se deu ao conhecer um monge que supostamente lidava com espíritos,
conhecido como “rei dos fantasmas” ou Mestre Tek. Analisando as linhas das mãos
e as relacionando com a data e hora do nascimento de Chan, o tal mestre
concluiu que ele morreria precocemente, tal como seu irmão mais velho Cham
Yuen-Lun, ator de ópera e artista marcial, morto em acidente aos 28 anos. O
adivinho o aconselhou a largar sua carreira artística e se tornar monge
budista. Chan se recusou educadamente a orientação, justificando que tinha a
mãe para cuidar e ainda pretendia se casar para ter um filho e assegurar a
linhagem da família Chan.
Com o declínio da Cathay Organisation devido à morte do chefe e líder da companhia, Unicorn deixou a produtora em 1970 e ingressou na Shaw Brothers. Em maio de 1971, Bruce Lee teria escrito uma carta a Unicorn Chan dos EUA, expressando seu desejo de voltar a Hong Kong e trabalhar na Shaw Brothers. Unicorn foi uma espécie de agente de Lee para iniciar as negociações junto à esposa de Run Run Shaw, a “1ª dama” da Shaw Bros, Mona Fong.
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| Mona Fong e Bruce Lee, por volta de 1973. A primeira dama da Shaw Brothers se arrependeu por ter desvalorizado Bruce Lee em 1971. |
“Bruce Lee? Quem é ele? Nunca ouvi esse nome antes!”, disse Mona Fong
antes de examinar o histórico da carreira cinematográfica de Bruce Lee em Hong
Kong. Na época Bruce Lee exigia o valor de 10 mil dólares americanos por
produção. Mona zombou e disse: “Bruce Lee não é ninguém e ele quer 10.000 dólares
americanos? Ele perdeu o juízo? Nosso maior astro de filmes de ação, Jimmy Wang
Yu, recebe 50 mil dólares de Hong Kong. Não vai me dizer que o Bruce Lee é
melhor que Jimmy Wang Yu, vai? Hahaha... Vá dizer a ele que a Shaw só pagaria
25.000 dólares de Hong Kong por filme; e isso se incluir a passagem aérea. Ele
que pague a própria passagem; a Shaw não vai desembolsar um centavo sequer por
ele”.
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| A jovem atriz, cantora e 1ª dama da Shaw Brothers ao lado do poderoso Run Run Shaw, seu marido, na década de 1960. |
Quando soube da resposta da Lady Shaw, Bruce ficou furioso. Eis então que entra Raymond Chow da Golden Harvest na história. Ao saber do fracasso da negociação entre Bruce e a Shaw Brothers, Raymond Chow faz uma contraproposta a Lee de 20.000 dólares americanos por filme. Ainda que não muito satisfeito, Bruce se viu obrigado a aceitar o convite de Chow. No entanto, Bruce Lee se sentiu muito grato pelo esforço de Unicorn Chan na tentativa de agilizar seu contrato com a Shaw Brothers. A participação de Unicorn Chan em dois de seus filmes pela Golden Harvest não foi por acaso.
Em 1972, Bruce Lee se deparou com uma oportunidade única para que seu amigo conseguisse seu primeiro papel como protagonista em um filme. Conta-se que os chefes da Si Hui Film Company teriam convidado Bruce Lee para protagonizar uma produção, mas ele se recusou de forma gentil alegando que seu contrato exclusivo com a Golden Harvest o impedia de aceitar. Assim ele recomendou Unicorn Chan para seu lugar, se comprometendo a fornecer um bom roteiro para o filme e ainda a coreografar as lutas principais.
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| Bruce Lee e Unicorn tratando do roteiro de Fist of Unicorn. |
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| Bruce Lee e Betty Ting-pei (atriz e amante de Lee) cuidam do visual de Unicorn Chan. |
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| Um dia de visita e apoio no set de Fist of Unicorn. Unicorn Chan não estava desamparado pelo amigo. |
Inicialmente o título do filme seria The Unrivalled King Boxer,
posteriormente Bruce Lee sugeriu que mudasse o título para The Unicorn Palm, em
referência ao próprio nome de Unicorn Chan.
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| Dia de festa, o filme de Unicorn Chan é aprovado e anunciado o início da produção à imprensa de Hong Kong. O amigo famoso, Bruce Lee, estava lá para apoiá-lo. |
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| Na festa da produção de Fist of Unicorn, encontros curiosos. Bruce Lee e Michael Chan Wai-man, ator, lutador e chefe da máfia Tríade em Kowloon, bairro onde Bruce lee Morava. |
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| Unicorn Chan parece promover a interação entre seu amigo Bruce Lee e o mafioso Michael Chan Wai-man. |
Em 16 de junho de 1972, Bruce e várias estrelas de Hong Kong
compareceram à conferência de imprensa para o anúncio da produção do filme The
Unicorn Palm, estrelado por Unicorn Chan. Bruce Lee, é claro, rouba a cena e
todas as atenções. Compareceram Shih Kien, (Han, de Enter the Dragon), Michael
Chan Wai-man (ator, lutador e chefe da Tríades em Kowloon Tong), o produtor
Raymond Chow, dentre outros.
Bruce Lee também compareceu ao dia da gravação da cena de abertura do
filme. Na ocasião foram feitas fotografias de Lee com Unicorn Chan e parte do elenco
no set de filmagem. Estas imagens foram usadas indevidamente no corte final do
filme, além das filmagens clandestinas em que Bruce Lee trabalhava como
coreógrafo nas cenas de luta com Chan.
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| Amigos inseparáveis o set de gravação da abertura de Fist of Unicorn, em 1972. |
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| Algumas poses entre Unicorn e Lee foram registradas para publicidade, mas também foram usadas sem o consentimento de Lee no corte final do filme. |
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| Os registros fotográficos de Unicorn Chan e Bruce Lee no set de Fist of Unicorn foram usados de forma desonesta pela produção do filme. |
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| Bruce Lee e Yasuaki Kurata, o vilão de Fist of Unicorn, ladeando a bela atriz do filme. |
Isso gerou um mal-estar entre os dois amigos de longa data. Bruce Lee
chega a fazer uma declaração pública negando seu endosso ao filme. Em campanha
de divulgação, o nome de Bruce Lee chegou aparecer como ator no filme, o que o
deixou muito irritado. Más línguas diziam que Unicorn Chan teria sido
convencido a aprovar o nome do amigo acrescido ao filme para obter uma chance
maior de sucesso. De imediato Bruce Lee iniciou uma ação judicial contra a Si
Hui Film Co. O processo foi retirado por Linda Lee após a morte de Bruce Lee,
já que ela não esperaria por sua conclusão, pois estava voltando para os EUA.
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| Até o trabalho de coreografia de Bruce Lee no filme de Unicorn Chan foi filmado de forma clandestina. |
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| Alguns dizem que Unicorn Chan foi induzido a aceitar o uso destas imagens no corte final do filme sem o conhecimento do amigo Bruce Lee. |
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| A amizade entre Lee e Chan teria se abalado com esse incidente? Alguns dizem que não. Mas Bruce Lee ficou furioso. |
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| Bruce Lee coreografando Unicorn Chan sem saber que estavam filmando. |
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| Bruce Lee se empenhou para apoiar o amigo no seu primeiro filme como protagonista. Mas a decepção foi grande... |
Ao saber da morte de Bruce Lee em 20 de julho de 1973, Unicorn Chan estava filmando nas Filipinas. Ele interrompeu as filmagens e pegou um voo para Hong Kong, onde compareceu ao velório do grande amigo para lhe prestar as últimas homenagens. Apesar do incidente com as imagens de Lee exploradas de forma desonesta no filme Fist of Unicorn, ambos supostamente desfrutavam de uma confiança inabalável um no outro.
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| Cartazes alternativos do filme Fist of Unicorn da época e os mais recentes, mas sempre explorando a imagem e o nome de Bruce Lee. Um golpe baixo... |
De qualquer forma, Fist of Unicorn, de
produção e direção fracas, foi um fracasso de bilheteria, apesar das
participações de atores e lutadores conceituados como os mestres de Hapkido Ji
Han Jae e Wong In Sik e do carateca japonês Yasuaki Kurata. Mas a partir dessa
produção conturbada, a carreira de Unicorn Chan entrou em profundo declínio.
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| Unicorn Chan lamentando a morte de Bruce Lee na TV, em 1973. |
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| Chan desmentindo boatos e mal entendidos sobre a saúde de Bruce Lee... |
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| Unicorn Chan ao lado de Wu Ngan no velório de Bruce Lee em Hong Kong. Os dois supostos melhores amigos de Lee, lado a lado... |
Unicorn Chan conheceu sua esposa em 1975, enquanto insistia com sua carreira cinematográfica. Jenny Kwong (sino-filipina), uma mulher virtuosa, que passou a se chamar Jenny Chan assim que se casaram pouco tempo depois de se conhecerem. Embora Jenny fosse católica e Unicorn, budista, viviam em harmonia, apesar das diferenças religiosas. A partir de 1983, Unicorn se ocupou principalmente com trabalhos para séries de televisão em Hong Kong. Em 1987 foi convidado a retornar para a Malásia para uma nova produção, o que poderia revitalizar sua carreira cinematográfica.
No entanto, antes mesmo das filmagens iniciarem, Unicorn faleceu aos 49 anos em um acidente automobilístico enquanto viajava de Kuala Lumpur para Penang, em 31 de março de 1987. Seu corpo foi cremado na Malásia, conforme tradição budista, e suas cinzas foram trazidas para Hong Kong por sua esposa. Unicorn e esposa não tiveram filhos mesmo após tantos anos casados. Segundo consta, Jackie Chan e diversos dublês de Hong Kong arrecadaram fundos para o funeral de Unicorn Chan, entregando o montante restante à sua esposa e à sua mãe, esta já com 75 anos.
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| Amigos inseparáveis, mas pintou uma traição por ciúmes, inveja ou ganância? |
O melhor amigo de Bruce Lee deixou saudades para os que o consideravam
e que o reconheciam como uma pessoa extremamente amigável e prestativa, que
jamais se meteu em escândalos ou brigas, que não tinha vícios (não bebia ou
fumava), e nunca se envolveu com jogos de azar ou prostituição. Unicorn Chan Levava
sua vida de forma pacífica e saudável, praticando Qigong (ou Chi Kung), além de
recitar e meditar sobre as escrituras budistas diariamente.
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| Bruce Lee e Unicorn Chan nos bons tempos... |
Robert Clouse, diretor de Operação Dragão, descreveu assim Unicorn
Chan em seu livro The Making of Enter the Dragon: “De muitas maneiras, ele era
mais próximo de Bruce do que qualquer um dos garotos, o que tornou sua traição
a Bruce, anos depois, ainda mais decepcionante. Unicorn era como um escravo de
Bruce, fazendo recados, atendendo às suas necessidades e idolatrando-o. Sua
carreira, por algum tempo, correu paralela à de Bruce – conseguindo pequenos
papeis em filmes e trabalhando como dublê. Essa poderia ter sido a vida de
Bruce Lee se ele não tivesse deixado Hong Kong rumo aos EUA (em 1959) e
quebrado um padrão seguido por muitos aspirantes a atores chineses. Deixado
para trás, Unicorn decidiu que não era de forma alguma inferior a Bruce. As
pessoas em Hong Kong contam sobre a amargura que cresceu com o sucesso de Bruce
na América e como Unicorn sentiu que lhe foi negada a chance de florescer por
mérito próprio”.
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| Mais algumas fotos no set de Fist of Unicorn. |
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| Era para ser apenas um registro festivo... |
Sobre Bruce Lee, Robert Clouse ainda observa: “Ele nunca se imaginou
ficando em Hong Kong por muito
tempo, nem mesmo com o sucesso se
sucedendo. Mesmo depois de Enter the Dragon, ele planejava se mudar para os
Estados Unidos”.
Wu Ngan – (1936 – 13/05/2016) – Wu Ngan era um amigo de infância de Bruce Lee e praticamente foram criados juntos como irmãos. Sua mãe trabalhava como empregada doméstica para a família Lee e também morava na residência. Wu Ngan era tratado pelo pai de Bruce, Lee Hoi Chuen, como um filho. Os dois amigos gostavam muito de aprontar, principalmente nas ruas de Hong Kong, em companhia de outros parceiros como Unicorn Chan. Bruce Lee e Wu Ngan se separaram em 1959, quando Bruce Lee partiu para os EUA.
Por volta de março de 1970, Bruce Lee voltava da Suíça, quando em visita ao ator, diretor e produtor Roman Polanski. Em escala rápida a Londres, também se hospeda na casa de Polanski e aproveita para procurar seu amigo e irmão de criação, Wu Ngan, em Londres. Não se sabe quando, mas Wu Ngan emigrou para a Inglaterra, indo morar em Londres, onde permaneceu até meados de 1971. Wu Ngan foi convidado por Bruce Lee a retornar para Hong Kong, para ajudá-lo e assessorá-lo na sua readaptação na ilha até então governada pelo Reino Unido. Bruce Lee pretendia tentar a sorte no cinema de Hong Kong e precisava de alguém de confiança ao seu lado, nessa nova etapa de sua vida, já que ele tentaria o estrelato agora contratado pela produtora Golden Harvest.
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| A primeira residência da família Lee, um apartamento na 2 Man Wan Road, em Kowloon. |
Em meados de 1971, Bruce Lee com Linda e as crianças passam a residir
num apartamento pequeno e mobiliado em 2 Man Wan road, no bairro de Kowloon, em
Hong Kong; mas Wu Ngan, ainda solteiro, passa a morar com eles, também. O
apartamento foi locado pelo produtor Raymond Chow provisoriamente. Mais tarde,
já em 1972, Lee compra a lendária mansão na Cumberland road, também em Kowloon
Tong, onde além da família Lee, morou também Wu Ngan, agora com a esposa Leung
Sui King e filhos.
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| A lendária mansão que abrigou a família Lee e também a família de Wu Ngan em Cumberland Road, em Kowloon Tong. |
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| O portão dourado da residência da família Lee em Kowloon Tong. |
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| Bruce Lee e Nora Miao, prestigiando o casamento do amigo Wu Ngan com Leung Sui King, em 1972. |
De volta a Hong Kong e morando com a família Lee, o amigo de infância Wu Ngan passou a servir como mordomo, secretário, motorista e até guarda-costas, dizem alguns. Em 1972, Bruce Lee fez uma série de fotos promocionais no Ocean Terminal Car Park de Tsim Sha Tsui, em Hong Kong, tendo seu assistente Wu Ngan como alvo para seus famosos chutes-voadores e chutes laterais na altura da cabeça.
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| Wu Ngan, sendo alvo dos chutes voadores de Lee no Ocean Terminal Car Park. |
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| Lindo chute voador de Bruce Lee em Wu Ngan. |
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| Wu Ngan simulando receber um chute lateral circular no rosto de Bruce Lee. |
Wu Ngan também participou de várias demonstrações de Bruce Lee para a
TV de Hong Kong, em 1972, principalmente no programa Enjoy Yourself Tonight.
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| Bruce Lee fazia demosntrações regulares no programa de TV Enjoy Yourself Tonight com Wu Ngan. |
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| Bruce Lee e um dos seus sacos de pancadas favoritos, o amigo Wu Ngan. |
Wu Ngan participou como figurante e dublê em dois dos filmes de Bruce
Lee, que foram O Voo do Dragão (The Way of the Dragon – 1972) e Operação Dragão
(Enter the Dragon – 1973). No Voo do Dragão, fez o papel de um dos garçons do
restaurante em Roma, sendo ele a vítima do chute lateral explosivo de Bruce Lee
nos fundos do restaurante, quando foi lançado pelo impacto contra caixas de
papelão. Em Operação Dragão, Wu Ngan foi figurante e ou dublê, sem papel
definido, a não ser como um dos inúmeros guardas do vilão Han (Shin Kien).
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| Wu Ngan e parte do elenco de O Voo do Dragão, 1972. |
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| O chute lateral épico de Bruce Lee em O Voo do Dragão. Quem se oferecia como cobaia? Ele, Wu Ngan! |
Há também alguns registros fotográficos em que Wu Ngan (com um kimono amarelo) faz algumas sessões de fotos com Bruce Lee no set de Enter the Dragon.
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| Lee e Ngan em fotos promocionais nos intervalos das filmagens de Operação Dragão, 1973. |
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| Wu Ngan em ensaio com Lee para cenas de O Jogo da Morte, 1972. |
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| Wu Ngan, Lee e resto da "gang", nos Novos Territórios, em Hong Kong, 1972. Mais ensaios, estudos e possibilidades para o Jogo da Morte. |
No dia fatídico de 20 de Julho de 1973 quando naquela tarde Bruce Lee se dirigiu à sua mansão com Raymond Chow para discutirem sobre o projeto O Jogo da Morte, Linda e os meninos já teriam saído e não havia ninguém na casa. Nem mesmo Wu Ngan e família. O fiel escudeiro de Lee estaria ausente misteriosamente, como também Bob Baker, que naquela época sempre vinha a Hong Kong. Logo depois Lee e Chow se dirigem ao apartamento de Betty Ting-pei e o resto é história. Pelo menos é a história oficial!
Wu Ngan aparece nas imagens do Funeral de Bruce Lee em julho de 1973. Ele está próximo da Família Lee. Jornais chegaram a noticiar que Wu Ngan havia desaparecido após a morte de Lee, mas não foi bem assim. Alguns biógrafos de Bruce Lee afirmam que Wu Ngan recebeu cerca de 55.000 dólares americanos por seus serviços prestados à Lee e família, num suposto acerto de contas às pressas antes dele deixar Hong Kong.
Outra coisa que observaram, é que se Wu Ngan prezava tanto a família Lee, por que deixaria a desamparada Linda Lee numa situação tão delicada e sozinha nesta triste incumbência de levar o corpo de seu marido para o sepultamento em Seattle, nos EUA. Questionou-se o mesmo comportamento duvidoso por parte de Bob Baker, outro que era considerado como “fiel escudeiro” de Bruce Lee. De qualquer forma, o produtor e sócio de Bruce Lee, Raymond Chow teria “adiantado” os valores para os acertos com Ngan e Baker. Linda Lee os teria dispensado simplesmente, recusando o suporte e apoio de amigos tão próximos nessa dolorosa viagem de volta para Seattle? Quem saberá o que está por trás disso...
Outro mistério envolvendo Wu Ngan e a família Lee foi levantado pela
imprensa de Hong Kong através de jornais que alegavam que Wu Ngan era o atual
dono da mansão em Cumberland road comprada por Bruce Lee em 1972 no valor de 1
milhão de dólares de Hong Kong, o equivalente a 500.000 dólares americanos.
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| A imprensa de Hong Kong descobriu que Bruce Lee tinha transferido boa parte de suas ações e bens para Wu Ngan, tentando burlar o fisco americano. |
Wu Ngan também já detinha na época da morte do amigo, a maioria das ações de Concord Production de propriedade conjunta de Bruce Lee e Raymond Chow. Sendo que Bruce Lee teria transferido ainda em vida, dos 49.900 doláres de Hong Kong em ações, a quantia de 40.000 dólares para Wu Ngan. Ficando apenas com os 9.900 dólares de Hong Kong em ações restantes.
Um dos jornais, The Star, afirmou que a casa de Lee estava hipotecada
como garantia a um Banco de reservas por um ano por 500.000 dólares de Hong
Kong ou 250.000 dólares americanos. Mas a casa passou a pertencer a uma empresa
chamada Lo Yuen Enterprise Ltda., dos quais Wu Ngan seria um dos dois
diretores. A empresa pagou 450.000 dólares de Hong Kong pela casa.
Mas segundo o jornal China Mail, Bruce Lee havia elaborado um plano meticuloso para evitar pagar impostos pesados como cidadão americano. Por isso teria transferido suas ações da Concord à Wu Ngan. Era certo que um cidadão americano pagaria muito mais impostos do que um cidadão de Hong Kong. Wu Ngan teria ficado triste por se envolver nesse plano para driblar os problemas fiscais de seu amigo. E teria dito que “não é de se surpreender que um homem realmente rico não possua absolutamente nada, oficialmente”.
Não há como confirmar a data em que Wu Ngan finalmente deixou Hong Kong após a morte de Bruce Lee. Alguns afirmam que permaneceu na casa em Cumberland road por algum tempo até que tudo fosse acertado. Jornalistas costumavam importuná-lo enquanto ele e esposa permaneceram por lá. Algumas fontes afirmam recebeu pagamentos pelos serviços prestados à família Lee em 1975, ainda estando em Hong Kong. Mas é certo que Wu Ngan por lá permaneceu, já que ele participou com figurante no filme When Taekwondo Strikes (lançado em setembro de 1973), três meses depois da morte de Lee, protagonizado por Jhoon Rhee e Angela Mao; e também participou como figurante do filme Stoner (lançado em agosto de 1974), no ano seguinte, estrelado pelo ex-007, George Lazenby, e Angela Mao. Muitos especulam que Wu Ngan e família teriam voltado à Londres em 1976, mas não se sabe com certeza.
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| Cartaz do filme When Taekwondo Strikes, de 1973, com Angela Mao e Jhoon Rhee. Wu Ngan fez um ponta ano filme. |
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| Wu Ngan, não saiu de Hong Kong logo após a morte de Lee. Ele também participou do filme Stoner, com George Lazenby e Angela Mao, em 1974. |
Voltando a Londres, Wu Ngan administrou um restaurante chinês na chinatown londrina. Dando entrevistas pontuais sobre sua convivência de infância e trabalho com Bruce Lee. Nos últimos anos Wu Ngan, que certamente já falava inglês fluentemente, quando indagado por jornalistas sobre o seu passado com Bruce Lee, se esquivava das questões pedindo às filhas para as traduzirem para posteriormente respondê-las. O que geralmente não ocorria.
Wu Ngan permaneceu em Londres por cerca de 40 anos, onde teria morrido de causas não divulgadas em 2016, próximo de completar 80 anos. A ironia é que com os boatos e múltiplas teorias de conspiração surgidas logo após a repentina, misteriosa e inesperada morte de Bruce Lee em julho de 1973, apontavam Wu Ngan, amigo e irmão de criação do Pequeno Dragão, como um dos prováveis agentes do assassinato planejado de Bruce Lee por envenenamento gradual, já que ele tinha total acesso e confiança da família Lee. Ou seja, incluíram Ngan na mesma turma suspeita composta por Betty Ting-pei, Lo Wei, Raymond Chow e Michael Chan Wai-man.
Espero que tenham apreciado mais esse trabalho de pesquisa sobre os “bons amigos maus” de Bruce Lee. Até a próxima!
Por Eumário J. Teixeira



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