Os Heróis nunca morrem!

Os Heróis nunca morrem!
Heroes never die!

sábado, 8 de novembro de 2014

OS PAIS E IRMÃOS DE BRUCE LEE


Lee Hoi-Chuen (ou Li Hoi-chuen), o pai de Bruce Lee, nascido em 04 de fevereiro de 1901, era um bem sucedido ator e cantor de ópera cantonesa. Por ocasião do nascimento de Bruce, ele estava em turnê pelos EUA e estava se apresentando em Nova York enquanto Bruce nascia na Chinatown (bairro chinês) de San Francisco, na Califórnia, em 27 de novembro de 1940. Por isso Lee Jun Fan (Bruce Lee) teve direito de reivindicar a cidadania norte-americana ao completar 18 anos. 

Lee Hoi-chuen e seu filho Lee Jun Fan (Bruce Lee).
Lee Hoi-Chuen era de classe média alta, morava no centro de Hong Kong e era muito respeitado pela sociedade chinesa. Como era de tradicão entre os grandes artistas de ópera chinesa, ele consumia moderadamente ópio, como forma de terapia e combate ao estress gerado pelas inúmeras e desgastantes apresentações. Seu “hábito” até então era permitido ou tolerado pelo governo chinês por ele ser um ator chinês renomado. Lee Hoi-Chuen era praticante regular de Tai-Chi-Chuan, pois a suave arte marcial chinesa o capacitava para desempenhar as cenas de lutas durante suas apresentações. Ele teria passado algum conhecimento técnico a Bruce, ainda adolescente, que não tinha paciência ou entendia aqueles movimentos lentos com respiração (Lee se arrependeria mais tarde). Durante a Segunda Grande Guerra  Mundial e a invasão japonesa na China e consequentemente de Hong Kong (por três anos e oito meses), a família Lee perdeu o status de classe média alta. Após o término da guerra, Lee Hoi-Chuen voltou a exercer a profissão de dentista e ser ainda mais famoso durante a reconstrução de Hong Kong ao retornar para a ópera chinesa e, além disso, as coisas melhoraram ainda mais pelo fato de sua esposa Grace Ho ser sobrinha de um importante empresário eurasiano de Hong Kong que os sustentava nas dificuldades. Lee Hoi-Chuen faleceu durante o sono uma semana após o nascimento de Brandon Lee em 1965, aos 64 aos de idade.

Família reunida: Phoebe, Bruce Lee, Grace Ho, Lee Hoi Chuen, Robert, Peter e Agnes.

Lee Hoi-chuen com os filhos, Bruce Lee, Peter Lee e o pequeno Robert Lee.



Ele ficou orgulhoso com o nascimento de Brandon pois seria seu primeiro neto, o que significa muito na tradição para a perpetuação de uma família chinesa. Bruce tinha ido a Hong Kong para apresentar Brandon ao avô uma semana antes, assim teve que voltar às pressas da Califórnia para o funeral. Phoebe, irmã de Bruce, disse que ele ficou devastado por não poder estar ao lado do seu pai no momento de sua morte e chorou compulsivamente  no altar.


A jovem Grace Ho, esposa de Lee Hoi-chuen e mãe de Bruce Lee.

Grace Oi Yu Lee (Ho) (nascida em 1907 em Panyu, Guangdong, na China), mãe de Bruce Lee, era filha de uma eurasiana (chinesa com descendência alemã)  de nome incerto, que  foi amante (mas não aceita como concubina oficialmente) de um próspero negociante chinês de Shangai, de nome Ho Kom-Tong. Grace Ho foi criada em Hong Kong por uma parente de sua mãe. Grace na juventude se interessou por ópera chinesa e se apaixonou pelo ator Lee Hoi-chuen, com quem se casou (aos 24 anos, em 1931) sob os protestos de seu pai. Em 23 de outubro de 1939, teve seu primeiro filho, Peter Lee, em Hong Kong, aos 32 anos de idade. Em novembro de 1939, muda-se provisoriamente para San Francisco, na Califórnia, para acompanhar de perto seu marido que atuava numa turnê pelos EUA com a Ópera Chinesa. Neste período Grace trabalhou no Mandarim Theater em San Francisco. Em 27 de novembro de 1940, praticamente um ano após o nascimento de Peter, nasce Bruce Lee ou Lee Jun Fan. Após a turnê da Ópera Chinesa e do nascimento de Bruce Lee, Grace e a família retornam para Hong Kong. Grace passou a morar nos Estados Unidos no início de 1970 quando Bruce Lee pôde  ajudá-la a entrar no país por ele ter cidadania americana. Nessa época ela vivia por um período na casa de sua outra filha Phoebe em San Francisco, ou na casa de Bruce Lee, que residia em Los Angeles, nesse tempo. Em 1971, Bruce muda-se para Hong Kong rumo ao estrelato mundial e Grace com seu filho caçula, Robert mudam-se para San Gabriel Valley, na Califórnia. Grace estava com 66 anos em 1973, quando da morte de seu filho mais famoso em Hong Kong. 



O recém nascido Lee Jun Fan (Bruce Lee) e sua mãe Grace Lee, ou Grace Ho.

Grace Ho com o filho famoso e o neto, Brandon Lee.

Grace Ho, amparada no sepultamento de seu filho, Bruce Lee.
Ela estava totalmente desconsolada no funeral de Lee em Seattle, EUA. Grace Ho morreu em 24 de junho de 1996 em Los Angeles, na Califórnia, aos 89 anos (três anos depois da morte “acidental” de seu neto, Brandon Lee). Ela estava com sua saúde fragilizada nos últimos meses que antecederam sua morte. Robert Lee, o irmão caçula de Bruce Lee, lamentou profundamente a ausência de Linda Lee  (ex-nora de Grace) e Shannon (neta de Grace, com 27 anos na época) nos meses de sua doença e no seu funeral em Hong Kong.


Peter Lee ao lado do irmão famoso Bruce Lee, em meados dos anos de 1970.
Peter Lee, (Lee Jung Sum) Irmão mais velho de Bruce Lee, nasceu em 23 de outubro de 1939, em Kowloon, Hong Kong. Com ele Bruce teria aprendido técnicas de esgrima ocidental, pois Peter Lee era campeão de esgrima de Hong Kong. Bruce tinha muita afinidade e um respeito diferenciado por ele. Peter Lee chegou a visitar Bruce Lee na América em meados da década de 1960, quando Bruce trabalhava no restaurante Ruby Chow, na chinatown em Seattle. Peter frequentou a universidade de Minnesota, onde se destacou em física. Quando da morte de seu pai em 1964, voltou para Hong Kong em 1965 onde manteve uma posição proeminente no Royal Observatory  de Hong Kong. Bruce e Linda o vistava regularmente quando moraram em Hong Kong de 1971 a 1973.


Bruce Lee, já consagrado como "rei do Kung Fu", cumprimenta Peter Lee, 
seu irmão mais velho e campeão de esgrima, por volta de 1971 em Hong Kong.
Peter Lee, Ruby Chow (Dona do famoso restaurante chinês de Seattle)
e Bruce Lee, no início dos anos de 1960.

Bruce Lee vestido adequadamente para algumas aulas de esgrima
com seu irmão campeão, Peter Lee, no final da década de 1950.


No que se refere à esgrima, muitos dos conceitos e estratégias de combate do esporte olímpico praticado por Peter foram assimilados por Bruce que mais tarde os usariam para formular sua idéias sobre o Jeet Kune Do (Caminho do Punho - ou pé - Interceptador). Peter Lee faleceu em 15 de agosto de 2008, em Melbourne na Austrália, de causas não divulgadas, aos 68 anos.


Robert Lee, irmão caçula de BruceLee, foi um cantor e guitarrista 
membro de uma banda de pop rock, estilo britânico, que fez relativo sucesso
 no final dos anos de 1960 e em meados de 1970, em Hong Kong.
Robert Lee (Lee Zan-Fai) nascido em 16 de dezembro de 1948 em Hong Kong, é o irmão caçula de Bruce Lee e  está atualmente com 66 anos de idade. Ainda criança participou de um concurso de Cha-Cha-cha, no final da década de 1950 fazendo par com seu irmão adolescente, Bruce Lee, que foi um campeão do gênero em Hong Kong antes que se entregasse à prática quase que integral de Wing Chun Kung Fu. 


Bruce Lee, o campeão de cha-cha-cha de Hong Kong em parceria com irmão caçula, Robert Lee.

Phoebe e Robert se reconhecem na antiga foto de família.
Robert Chegou a morar na casa de Bruce Lee em Los Angeles, no princípio de 1970, com sua mãe Grace antes de Bruce retornar à Hong Kong. Anteriormente, na década de 1960, seguiu uma carreira de relativo sucesso como cantor e guitarrista de pop rock britânico em Hong Kong e, após a morte repentina de seu irmão famoso, lançou o hit e disco denominado “The Ballad of Bruce Lee”, em 1974. Atualmente zela pelos interesses da família Lee e de suas irmãs Phoebe e Agnes. Robert Lee produziu o bom filme “Bruce Lee, My Brother”, lançado em 2010, que contra através de sua narrativa, a vida de Bruce Lee até completar a maior idade em Hong Kong, até este partir para exercer sua cidadania norte-americana, em 1959. Robert prosperou em Los Angeles onde teve sociedade num restaurante e clube noturno.



Robert Lee produziu o bom filme biográfico "Bruce Lee My Brother", em 2010.


Robert Lee e sua irmã Phoebe.
Phoebe Lee – A Irmã mais velha dos irmãos Lee, trabalhou como bibliotecária em San Francisco, Califórnia, e casou-se com um sino-americano. Atualmente  reside em Hong Kong. Phoebe é considerada como a maior autoridade sobre a origem e história da família Lee. De personalidade muito forte e orgulhosa do sobrenome Lee mas, ainda assim generosa, ela aprendeu a discernir a quem dar ou não entrevistas através dos anos.

Robert Lee ao centro, ladeado pelas irmãs Phoebe (a sua direita) e Agnes (a sua esquerda).
Agnes Lee – Agnes, irmã de Bruce Lee, frequentou uma escola próxima à San Francisco Bay quando Bruce e família viviam ainda em Oakland no final dos anos de 1960. Ela teria auxiliado a Linda Lee quando do nascimento de Brandon. Agnes viveu com o marido em Long Island, Nova York, onde trabalhou como técnica em laboratório hospitalar e teve três filhos. Formou-se em Medicina, viveu alguns anos na Pensilvânia, nos EUA, mas retornou para Hong Kong.


Por Eumário J. Teixeira

sábado, 1 de novembro de 2014

BOB BAKER – O PARCEIRO DESCONHECIDO DE BRUCE LEE


Muitos podem não saber quem é Robert “Bob” Baker, mas se eu me referir ao lutador russo de karate que enfrenta Chen Zhen (Bruce Lee) nas cenas finais de Fists of Fury (A Fúria do Dragão), certamente se lembrarão daquele sujeito de poucas palavras, mal encarado, de bigode e cabelos crespos ruivos, dotado de uma força descomunal, chamado Petrov. 

Petrov (Bob Baker) exibe sua força descomunal em Fists of Fury (1972).
O duelo de Petrov com Chen Zhen foi muito interessante, pois Bruce pôde demonstrar um pouco de sua versatilidade para luta, usando técnicas de boxe ocidental e Jeet Kune Do, chegando até apelar para uma mordida salvadora na perna do adversário. Chen acaba com a luta quando acerta um chute lateral direto no rosto de Petrov que se ajoelha quase sem sentidos. Mas sem deixá-lo se recobrar, Chen avança e agarra o russo pelos cabelos desferindo em seguida uma cutilada mortal no seu pescoço.

Imobilizado por uma chave de braço aplicada por Petrov (Baker), só resta a Chen (Bruce Lee) usar os dentes.
O desfecho do combate: Chute lateral no rosto e uma cutilada mortal.
Depois dessa participação de Bob Baker na Fúria do Dragão, nunca mais se ouviu falar dele em filmes (pelo menos relevantes) ou em algum tipo de evento representativo de artes marciais. 
Ao contrário dos lutadores profissionais, campeões de Karate e mestres de artes marciais convidados por Bruce lee para participarem de seus filmes como Bob Wall, Chuck Norris, Jim Kelly, Whang In-Shik, Ji Han Jae, Shih Kien e Bolo Yeung, aparentemente o misterioso Bob Baker não tinha “carta de apresentação” que justificasse sua presença naquele filme. Será que ele teria sido aleatoriamente escolhido por Bruce Lee simplesmente pelo seu visual caucasiano carrancudo?


Todo o elenco de A Fúria do Dragão reunido para a foto comemorativa
pelo término das filmagens. No destaque, Bruce Lee e Bob Baker.

Bob Baker em frente ao teatro chinês na Chinatown de San Francisco,
na estréia de A Fúria do Dragão, em 1972.

Bob Baker vs. Bruce Lee, discípulo e mestre num combate imaginário.
O que se sabe de Bob Baker e que no geral todos concordam é que ele era norte-americano, nascido no estado da Califórnia em 18 de maio de 1940. Portanto, era apenas 7 meses mais jovem que Bruce Lee. Antes de conhecer  Bruce, ele teria treinado com o famoso professor havaiano de Kempo, Al Dacascos (praticante do sistema de luta Kajukenbo). Logo em seguida começou a treinar Jeet Kune Do sob a supervisão do próprio Bruce Lee e seu amigo James Yimm Lee, em Oakland, na Califórnia, ainda na segunda metade da década de 1960.

Bob Baker foi uma das cobaias de Bruce Lee na demonstração do "soco de uma polegada"
 na edição de 1967 do Torneio de Long Beach, na California. Na foto Bruce executa o
famoso soco em uma de suas vítimas voluntárias.
No torneio de Karate em 1967 na cidade de Long Beach, na Califórnia (campeonato tradicional em que Bruce Lee já havia participado em 1964, demonstrando suas extraordinárias condições físicas e técnicas), Bob Baker foi uma das "cobaias" para a exibição do lendário “soco de uma polegada”. Antes de Bruce desferir o soco em seu peito, Bob teria recusado o colchim como protetor para amortecer a pancada. Lee estava em pé de frente a Baker, com os joelhos ligeiramente dobrados, pé direito à frente e punho direito cerca de uma polegada de distância de seu peito. Sem recuar seu braço, Lee socou Bob com tamanho impacto que o fez cair sentado sobre uma cadeira que tinha sido colocado atrás dele. O resultado foi como Bob descreveu: "Eu disse a Bruce não fazer esse tipo de demonstração novamente, porque depois que levei aquele soco, eu tive que ficar em casa sem ter condições de trabalhar por algum tempo... a dor em meu peito era insuportável! "

Bob Baker (primeiro agachado da esquerda para a direita) em frente a garagem da casa de James Yim Lee, local pioneiro do desenvolvimento do Jeet Kune Do em Oakland,  na California, no final dos anos de 1960.
Não sei ao certo se Bob Baker já estudava Jeet Kune Do em 1967 ou se começou a a praticar a partir desta demonstração em Long Beach. De qualquer maneira ele teria sido considerado (não se sabe por quem) o aluno mais veterano dos tempos de Oakland, só perdendo para James Yim Lee (co-fundador da academia de Oakland com Bruce). Porém, já foi dito que a maioria dos alunos de Lee parecia desconhecer Bob Baker até sua aparição em A Fúria do Dragão de 1972. O que era uma inverdade, pois há registros fotográficos no final dos anos de 1960, de Bob Baker junto a outros alunos de Bruce Lee, como Howard Williams e o próprio James Yimm Lee. Sem dúvida, Bob Baker era um dos mais antigos.

Bob Baker e Bruce Lee em exibições para uma TV de Hong Kong, em meados da década de 1970
Além de participar de  Fists of Fury, Baker apareceu também em diversas convenções servindo de sparring para Bruce Lee em demonstrações para a TV em Hong Kong.
Foi justamente nessa fase da carreira de Bruce Lee, eles desenvolveram uma forte amizade, com Baker se hospedando por alguns meses na casa da família Lee em Kowloon. Bruce na época costumava apresentá-lo como seu “guarda-costas” para a imprensa de Hong Kong. E já que Bruce costumava sofrer muitas provocações de lutadores clássicos ou de de rua que queriam testar suas habilidades quando aparecia em público, Baker até que “quebraria um galho” como guarda-costas, se precisasse.

James Yimm Lee (à esquerda) foi importante para Bruce Lee se desenvolver como um artista marcial. James o acolheu em sua própria casa em Oakland, na California, durante o período em que Lee amadurecia seus conceitos revolucionários de Jeet Kune Do. James Lee desenvolveu alguns aparelhos específicos para as necessidades técnicas e físicas de Bruce Lee.
James Yimm Lee, grande amigo e sócio de Lee, que também foi um grande amigo de Baker, tinha falecido de Câncer em 1972 aos 52 anos e, se não bastasse, Bruce viria a falecer em 1973 de forma ainda não totalmente esclarecida aos 32 anos, o que deixou Baker ainda mais arrasado. Após a morte de Lee, Baker teria deixado Hong Kong rapidamente (a imprensa “marrom” dizia que o motivo seria por temer represálias da máfia Triads que estaria supostamente envolvida na morte de Bruce Lee). Boatos afirmavam que Baker seria um “atravessador”, dos EUA para Hong Kong, de substâncias ilegais (como esteróides e haxixe) regularmente consumidos por Bruce Lee. Armas de fogo para auto-proteção de Bruce estariam também incluídas e seriam as principais razões porque Baker tinha sido convocado para participar de Fists of Fury. Mas nada disso foi comprovado ou confirmado pelo próprio Baker, se é que alguém teve coragem para perguntá-lo.

Bob Baker, além de amigo, era também o "guarda-costas" do Pequeno Dragão?!?
Bruce Lee e seu inseparável guarda-costas, Bob Baker, em Hong Kong, numa cerimônia
para entrega de prêmios esportivos no Colégio São Francisco Xaxier, em
fevereiro de 1973, cinco meses antes da morte do Pequeno Dragão.


Ao contrário de discípulos mais famosos de Bruce Lee como Dan Inosanto, James Yimm Lee, Ted Wong, Richard Bustillo, Taky Kimura, Jesse Glover, Jerry Poteet, Bob Bremer e Tim Tackett, não se ouvia quase nada sobre as atividades de Bob Baker após a morte de Bruce Lee em 1973.

Bob Baker (falando ao microfone) na Dragon Convention em 1990, acompanhado do parceiro de Jeet Kune Do, Howard Williams e George Tam (historiador sobre a vida de Bruce Lee), sentados à direita
De volta aos EUA, Baker não ousou abrir uma escola comercial de Jeet Kune Do aproveitando a “onda” causada pela morte prematura de seu mestre e amigo. Durante as décadas de 1980 e 1990 ele ensinou apenas para um grupo restrito de pessoas, já que entendia que seus ensinamentos, frutos do aprendizado adquirido ao trabalhar com Bruce e James Lee não se adequariam a uma academia de artes marciais convencional. Para ele a fidelidade aos princípios do Jeet Kune Do era primordial e ele não enxergava com bons olhos as duvidosas variações  que estavam ocorrendo nos anos de 1980. Baker posteriormente participou de alguns documentários sobre Bruce Lee.

Bob Baker vs. Bruce Lee, em fotos promocionais de Fists of Fury (A Fúria do Dragão, de 1972)
Howard Williams, da pioneira turma de Oakland na década de 1960, morto em abril de 2012, foi um dos poucos companheiros de Jeet Kune Do mais próximos de Bob,  enquanto ainda ensinavam de forma discreta na região de Oakland. Também foram seus discípulos, George Tan (historiador expert sobre a vida de Bruce lee) e o instrutor Roy Cullen. Bob Baker trabalhou também com Greglon Lee, o filho de James Yimm Lee.


Há uma divergência sobre a causa e o ano da morte de Robert Baker, especulou-se entre ataque cardíaco, câncer, derrame cerebral ou cirrose hepática como as causas de sua morte; e entre 1992 e 1994, o ano de seu falecimento. Mas a data e causa da morte mais provável seria em 14 de abril de 1993, na cidade de Los Angeles, estado da Califórnia, EUA, vítima de um ataque cardíaco, aos 53 anos incompletos. Assim, o mais discreto e calado, porém respeitado discípulo de Bruce Lee, partiu sem quase ser notado.

Por Eumário J. Teixeira. 

sábado, 18 de outubro de 2014

O MISTÉRIO NAS MORTES DE BRANDON & BRUCE LEE


Coincidências macabras na vida e na ficção podem ocorrer e assim foi com Bruce Lee, morto em 20 de julho de 1973, aos 32 anos, vítima de edema cerebral ou inchaço do cérebro devido a uma reação alérgica ao componentes do comprimido de Equagesic que tomou no apartamento da atriz chinesa Betty Ting-Pei que, soube-se mais tarde, era membro da máfia chinesa Triad e teria se casado com um dos chefões mafiosos (Charles Heung) com quem, inclusive, teve um filho (dizem, para se manter viva), algum tempo depois da misteriosa morte de Lee.  

Bruce Lee e Betty Ting Pei, um relacionamento amoroso que se tornou mortal?
Betty teria se separado de Heung anos depois e se tornado monja budista. Alguns afirmaram que por saber demais, Betty continuava em risco de morte, tornando-se monja ela assegurou a sua vida, pois mafiosos asiáticos, por superstição, não assassinam religiosos budistas. Algumas fontes sugeriram que Bruce Lee teria sofrido um possível envenenamento por arsênico no estilo antigo das máfias chinesas sem deixar vestígios para posteriores investigações e Betty Ting Pei teria sido usada como isca, estreitando seu relacionamento íntimo com Bruce ao usar seu charme sedutor e inteligência para finalmente atraí-lo para a morte, se assim fosse decidido pela Triad. 

Charles Heung, ex-ator e hoje um conhecido chefe da máfia Triad de Hong Kong, foi casado com Betty Ting Pei
A hipótese de envenamento foi reforçada quando vazaram depoimentos de pessoas que auxiliaram os legistas que fizeram a autópsia do corpo de Bruce Lee, que perceberam suas mãos e pés enegrecidos, uma característica do envenenamento por arsênico, e que a têmpora esquerda estava inchada como se tivesse levado uma forte pancada. Antes do sono mortal no apartamento de Betty Ting Pei, Bruce teria sofrido um colapso meses antes durante uma passagem de som de Enter The Dragon (Operação Dragão – 1973) nos estúdios da Golden Harvest. Raymond Chow estava lá quando Bruce teve convulsões, fez vômito e, quase em coma, foi levado ao hospital rapidamente. Mas se recuperou, fez exames e foi comprovado que estava em perfeita forma física ainda que fosse prescritos medicamentos para reduzir o volume anormal de seu cérebro e algum tranquilizante.
No filme Fists of Fury (A Fúria do Dragão – 1972) dirigido por Lo Wei, o mestre do herói chinês Chen Zhen (Bruce Lee) é assassinado por envenamento por pessoas ligadas à sua escola de artes marciais a mando das autoridades invasoras japonesas. Chen logo desconfia da morte misteriosa do mestre, que tinha boa saúde e se cuidava apesar da idade já avançada. Ao investigar descobre vestígios e pistas que o levam a ter certeza do atentado contra o mestre. Chen se vinga dos usurpadores japoneses e, no final, é convencido pelos companheiros de escola a se entregar às autoridades policiais. No entanto, é assassinado por um grupo de “justiceiros” estrangeiros à bala quando era guiado pela autoridade policial na saída da escola. O filme foi baseado numa história real que aconteceu no início do século XX, mais precisamente em 1910, quando o famoso e imbatível mestre chinês, Huo Yuanjia, morreu misteriosamente no leito de sua cama sob suspeita de ter sido envenenado por agentes japoneses. Um de seus discípulos teria se revoltado contra as autoridades japonesas ocupantes e teria sido morto ou dado como morto.

Final de Fists of Fury onde Chen Zhen é fuzilado ao saltar contra a multidão armada. A cena que foi incluída no Jogo da Morte de 1978, teria inspirado os assassinos de Brandon Lee?
A cena do fuzilamento de Chen Zhen foi usada na montagem (caça-níqueis) de The Game Of Death (O Jogo da Morte – 1978) onde o personagem Billy Lo (Bruce Lee), uma ator famoso de artes marciais em Hong Kong, que era assediado constantemente pela máfia, sofre um atentado no set de filmagem com balas de verdade ao invés de serem de festim. Billy Lo teria recebido um tiro no rosto, mas se recupera, e após uma cirurgia plástica parte para a vingança bem sucedida.

Stick, agachado, espera o momento certo para atirar em Billy Lo no Jogo da Morte (1978)
Billy Lo é atingido no rosto, mas sobrevive para a vingança na ficção


Voltando à realidade, 15 anos depois, mais precisamente em 31 de março de 1993, durante a gravação no set de filmagem do filme The Crow (O Corvo), Brandon Lee foi atingido mortalmente por um tiro no abdomem que perfurou diversos orgãos, causando hemorragia interna e cujo projetíl fraturou sua coluna. Novamente a máfia chinesa estava por trás dessa tragédia? Brandon foi vítima de um tiro certeiro de uma magnum 44, no set de filmagens. A munição da arma usada deveria ser de festim, mas por uma falha inexplicável e certamente suspeita, não houve uma conferência adequada da arma em questão a ser utilizada na cena fatal não só para o personagem, mas também para o próprio Brandon. O ator responsabilizado pelo tiro fatal, Michael Massee, foi inocentado posteriormente e somente acusado de negligência, mas ficou quase um ano afastado da mídia e do cinema, deprimido, reconhecendo que foi indiretamente responsável pela morte de Brandon.

Michael Massee, responsável e ao mesmo tempo vítima na morte de Brandon Lee em 1993
Tal como aconteceu na cena de A Fúria do Dragão (1972) em que Cheng é assassinado e que também foi utilizada para ilustrar o atentado a Billy Lo em O Jogo da Morte (1978), Brandon foi ferido mortalmente numa cena para O Corvo (lançado em 1994) em que seu personagem, Eric Draven, seria abatido a tiros. Uma mescla macabra de ficção e realidade.

Encenação do "acidente" com Brandon Lee no set de O Corvo (1993)
Quando ocorreu o “acidente” com Brandon, as filmagens de O Corvo não haviam sido concluídas totalmente, mas com os recursos modernos de computação, as cenas não filmadas por Brandon foram feitas por um dublê com o rosto de Brandon insertado digitalmente ao seu corpo  graças às técnicas modernas de computação e assim, o filme foi concluído e lançado no ano seguinte.
Já as filmagens originais de O Jogo da Morte foram interrompidas por Bruce Lee para fazer Enter the Dragon (Operação Dragão – 1973), mas foram reiniciadas logo após a conclusão deste. E quando Bruce  volta a filmar as cenas de The Game of Death, não pôde concluí-las, porque lhe sobreveio a morte repentinamente. O filme foi concluído cinco anos depois com sósias, colagens e cenas de outros filmes com imagens de Bruce Lee, inclusive com cenas do seu próprio funeral em Hong Kong. O que  foi de muito mal gosto por parte dos cineastas responsáveis.

Lo Wei, o diretor fanfarrão e membro de Triad (morto em 1996) e que causou muitas dores de cabeça para Bruce lee é suspeito de estar envolvido na morte do Rei das Artes Marciais. 
É sabido que Bruce Lee teve muitas desavenças com o diretor fanfarrão Lo Wei durante as filmagens de The Big Boss (Dragão Chinês – 1971) e Fists Of Fury (A Fúria do Dragão – 1972). A rixa continuou mesmo quando não mais trabalhavam juntos e em certa ocasião quase chegaram às vias de fato, sendo preciso a intervenção da polícia no escritório da Golden Harvest, em Hong Kong. Lo Wei teria até acusado Bruce de ter lhe ameaçado com uma faca. Lo Wei, morto em 1996 aos 77 anos, foi outro membro comprovado da máfia Triad de Hong Kong. O motivo das discussões poderia ter sido as questões técnicas de filmagens, a direção indiferente de Wei, os roteiros mal escritos e as locações sofríveis, como também a cobrança do pagamento do “seguro” ou de “favores” pela máfia, prontamente recusados por Lee. Mas de qualquer forma, o fato é que Lee morreria dias depois dessa discussão.
Bruce Lee após realizar o seu terceiro filme The Way of The Dragon (O Vôo do Dragão – 1972) pela sua recém formada Produtora Concord, em parceria com Raymond Chow, se responsabilizando também pela direção, roteiro, coreografia de lutas e  atuando como ator principal, já estaria pensando em voltar definitivamente para os EUA. Desgastado com a pressão sofrida em Hong Kong, ele queria tocar sozinho seus próprios projetos, na esperança de uma boa recepção de público e crítica para o filme que se tornaria o clássico dos filmes de artes marciais, Enter the Dragon (Operação Dragão – 1973), que lhe traria a consagração internacional. 

Raymond Chow, deu apoio a Bruce Lee na confusão com Lo Wei, mas não ficou satisfeito com o provável retorno de Lee para os EUA, é outro suspeito de estar envolvido na morte do astro do Kung Fu
Entretanto, a possibilidade de perder “a galinha de ovos de ouro” não teria agradado aos produtores chineses (principalmente Chow) e à máfia. Assim juntou-se a ganância de Chow, o rancor de Lo Wei e a vingança da Triad para conspirarem contra a vida de Bruce Lee. Para agravar ainda mais a tensão entre Lee e Raymond Chow, houve uma visita de Bruce Lee à Shaw Brothers em 1973 (pouco antes de sua morte), companhia cinematográfica rival da Golden Harvest e de onde Raymond Chow saiu para formar seu próprio estúdio. Bruce Lee teria acertado um contrato de exclusividade por três meses (para o final de 1973) com a Shaw Brothers de Run Run Shaw (o chefão do cinema de Hong Kong), o mesmo que não teria reconhecido o talento de Bruce Lee assim que ele voltou para Hong Kong em 1971 em busca da sua consolidação com ator. Bruce estava deixando claro que era independente e dono do próprio nariz.


Bruce Lee em visita à Shaw Brothers, em 1973, enquanto ainda filmava Operação Dragão, posa junto aos astros dos "filmes de Shaolin" Chen Kuan-Tai e David Chiang (ao centro) e ao lado do amigo Unicorn. Na foto à direita, Bruce e Unicorn posam em frente à Shaw Brothers.
E no fatídico 20 de julho de 1973, durante o intervalo de um suposto encontro entre Bruce, Raymond Chow, Betty Ting Pei e o ator George Lazenby (ex-007) que seria num restaurante para tratar dos detalhes do filme The Game Of Death (O Jogo da Morte), Bruce se deita com dor de cabeça após tomar um comprimido de equagesic dado por Betty e nunca mais acordou. Diferentemente do primeiro colapso, meses atrás, o atendimento demorou, primeiro Betty chama por Raymond Chow após inúmeras tentativas inúteis de reanimá-lo sozinha, depois  solicita seu médico particular que também não é bem sucedido na reanimação, e quando resolvem chamar a ambulância, descobriu-se provavelmente que era tarde demais. Em depoimento posterior ao acontecimento, Raymond Chow teria declarado que Bruce Lee “sentiu-se mal” no jardim de sua casa, depois se corrigiu  apontando o local para o apartamento de Betty Ting Pei. Qual seria a verdade? Lee foi envenenado e depois de espancado, foi removido do local original? Muitas dúvidas perduram até hoje.
Linda a última a saber, chegou primeiro que o próprio Lee no hospital Queen Elizabeth.
Causa mortis oficial: morte por infortúnio, reação alérgica aos componentes do comprimido que ingeriu que provocou um edema cerebral. Simples assim!

O tumulto gerado em Hong Kong no velório de Bruce Lee em 1973


O corpo de Bruce Lee sendo embarcado para Seattle, nos EUA, para ser sepultado
Na despedida de Hong Kong, após o velório e rumo a cidade de Seattle, nos EUA, para sepultar o corpo de Bruce Lee, Linda Lee (esposa de Bruce), visivelmente chocada e assustada, faz um depoimento conformado sobre a morte inesperada do marido, preservando a si mesma e aos pequenos Brandon e Shannon das especulações polêmicas.

Tom Bleecker, ex-esposo de Linda Lee Cadwell (agora casada pela terceira vez), revela suas teorias polêmicas sobre a vida e morte de Bruce Lee
Foi denunciado por Tom Bleecker, um escritor e roteirista do cinema e TV, conhecido também como o segundo marido de Linda Lee Cadwell entre 1988-1990, através de um livro polêmico (The Life and Death of Bruce Lee) que desagradou muito a Linda e a Shannon, que uma possível razão da morte de Lee seria sua dependência aos esteróides anabolizantes que além de miná-lo fisicamente, o deixavam depressivo, paranóico e agressivo. Linda escreveu em 1975 o livro, Bruce Lee: The Man Only I Knewn, no qual ela conta sua vida ao lado de Lee (do namoro na faculdade até a morte do marido). Esse livro teria sido a base para o roteiro do filme Dragon: The Bruce Lee Story (Dragão – A História de Bruce Lee - 1993) com Jason Scott Lee (que não agradou muito aos fãs no papel de Bruce Lee). Em 1989, com o auxílio de Bleecker, 

Os livros escritos por Linda: Bruce Lee: The Man Only I Knew, de 1975 e The Bruce Lee Story, de 1986, em parceria com o então segundo esposo, Tom Bleecker
Linda escreveu outro livro intitulado The Bruce Lee Story, o mesmo título do filme biográfico que viria a ser feito sobre Bruce Lee. O filme Dragão – A História de Bruce Lee, em outra trágica coincidência, foi lançado em maio de 1993, dois meses depois da morte de Brandon Lee e foi dedicado a ele e a seu pai. 

Dragon, The Bruce Lee Story (Dragão, a História de Bruce Lee - 1993) lançado no mesmo ano em que Brandon Lee morreu. O filme, apesar de bem produzido, não agradou aos fãs e foge um pouco da realidade da vida de Bruce Lee com algumas fantasias contestadas por Tom Bleecker.
Sobre esse filme Bleecker questiona certas passagens (que tiveram o aval de Linda para o filme) como fictícias, como a lesão grave que Lee teve nas costas (na verdade, devido a um exercício mal feito com pesos) que o deixou praticamente imobilizado por seis meses, sendo apresentada no filme como resultado de um golpe traiçoeiro de um mestre chinês num desafio em Seattle nos anos de 1960 (luta que realmente ocorreu contra Wong Jack Man e que Bruce teria vencido sem maiores problemas); a suposta luta que Bruce Lee teve um tailandês nas filmagens de The Big Boss (O Dragão Chinês – 1971), o que não ocorreu; e, pasmem, a causa de sua morte foi apresentada como uma consequência de uma maldição e perseguição de demônios hereditários.

Brandon lee caracterizado como Eric Draven em O Corvo. Sua morte "acidental" cheira a um sarcástico assassinato. Brandon esperava poder investigar a verdade sobre a morte de seu pai após as filmagens.
Outra bomba que Bleecker soltou foi que durante as filmagens de O Corvo, Brandon teria comentado que uma da coisas que mais o pertubavam era o mistério da morte de seu pai,  e que ele (Brandon), após examinar algumas anotações antigas dos arquivos de Bruce Lee, estaria decidido reabrir o caso e fazer uma investigação mais apurada após a concluir as filmagens de O Corvo. Ora, se o próprio Brandon questionava sobre a verdadeira causa da morte de seu pai, era porque  a história oficial nunca o convenceu e certamente também a Linda que sempre se mostrou conformada com o desfecho da apuração oficial, talvez por instinto de preservação aos filhos e a si própria.
Pouco tempo após tal declaração, Brandon foi vítima fatal do acidente no set de filmagem. Bleecker, talvez motivado pela amargura ou simples ambição pessoal, lançou o livro após se divorciar de Linda que se casou pela terceira vez em 1991, com Bruce Cadwell.
Segundo a própria Linda, Bruce Lee estaria nos últimos meses de sua vida muito inquieto, ansioso,  irritado e dizia ter a sensação de que não viveria por muito tempo. Ele estaria ciente da sua real condição física considerando um mal súbito fatal ou simplesmente temia um atentado contra sua vida?

Fatos curiosos sobre a Morte de Brandon Lee:

A arma, uma magnum 44 que teria sido usado para liquidar Brandon
- Durante uma cena final no qual o personagem de Brandon Lee (Eric Draven) luta contra alguns marginais, ele é atingido pelas costas com um golpe de katana, espada japonesa, que atravessa seu abdomen. Por uma estranha coincidência, a perfuração da espada foi exatamente no ponto exato por onde a bala fatal da magnum 44 entrou.
- A tomada da cena fatídica em que Brandon é baleado mortalmente teve três tomadas. Nas duas primeiras tudo correu bem, mas na terceira tomada, ocorreu o tiro fatal. Ou seja, na troca de munição houve uma falha gravíssima ou foi intencional. Os técnicos responsáveis pelas armas eram Bruce Merlin, Charlene Hamer e Daniel Kuttner, foram inocentados.
- A distancia de Brandon para o ator Michael Massee que efetuou o disparo mortal era de 3,60 metros.
- A cena em que Brandon foi ferido mortalmente poderia ter sido na qual seu personagem chega no apartamento no momento em que  sua noiva estava sendo violentada pelos marginais e é baleado ao tentar defendê-la, ou, na que é mais provável, quando Eric Draven de volta da morte surpreende 'Fun boy' (Michael Massee) no quarto com a namorada e é atingido mortalmente no terceiro tiro.
- Foi divulgado que um figurante possivelmente sino-americano não identificado que estava circulando no set. Ele teria expressado sua obsessão por filmes de artes marciais e um amor por armas de fogo. O desconhecido teria se ofereceu para limpar as armas que seriam utilizadas na cena e disse que veio de Nova York para acompanhar as filmagens de O Corvo. Após o acidente no set ele não foi mais visto nem conseguiram identificá-lo na lista de figurantes.
- As imagens das tomadas que registraram a morte de Brandon foram destruídas graças a um acordo judicial entre Linda Lee e os produtores do filme, os executivos do estúdio e os atores envolvidos na cena.

Fatos curiosos que antecederam a Morte de Bruce Lee:

Chen Zhen (Bruce lee) em A Fúria do Dragão (1972), indignado com a morte suspeita de seu mestre (no retrato ao fundo). Na verdade trata-se do Mestre Huo Yuanjia, que realmente existiu e teria sido envenenado por chineses corrompidos pela força ocupacional japonesa em Xangai, no ano de 1910. E 63 anos depois, Bruce Lee teria sido morto da mesma forma.
- Em 05 de maio de 1973, o produtor da Golden Harvest, Raymond Chow, teria feito uma apólice de seguro de vida em nome de Bruce Lee.
- Em 10 de maio de 1973, Bruce teria a primeira convulsão nos estúdios da Golden Harvest enquanto sincronizava o som de Operação Dragão. Raymond Chow estava presente.
- Rapidamente ele foi levado ao Hospital Batista de Hong Kong onde foi atendido pelo Dr. Langford e pelo Neurologista Dr. Wu.
- Durante seu estado de inconsciência, foi detectado um inchaço no cérebro de Bruce lee e foi prescrito o medicamento Manitol para diminuir o edema.
- Durante sua recuperação Bruce teria admitido que teria mastigado folha de haxixe do Nepal. O que fazia habitualmente há algum tempo. Ele foi aconselhado pelos médicos a parar com tal hábito.
- Em junho de 1973, Bruce fez  exames médicos preventivos em Los Angeles e todos os resultados foram satisfatórios. Segundo os médicos, Dr. Karpland e o neurologista Dr. Reisboard, Bruce tinha a saúde de um jovem de 18 anos, apesar da perda drástica de quase 5 kg de peso. Bruce pesou 57 kg no exame e seu peso normal seria entre 60 a 62 kg.
- Em 10 de julho de 1973, Bruce tem uma séria discussão com o diretor Lo Wei, no escritório da Golden Harvest. Raymond Chow estava presente. Segundo foi registrado pela ocorrência policial, Bruce teria ameaçado Lo Wei com uma faca, mas a tal faca não foi achada.
- Em 20 de julho de 1973, Bruce Lee morre misteriosamente no apartamento de Betty Ting Pei.
Segundo os médicos reponsáveis pela autópsia, Lee foi vítima de um edema cerebral ou inchamento do cérebro causado por uma alergia ao comprimido equagesic lhe oferecido pela atriz. Cogitou-se que o quadro poderia ter sido agravado pelo fato dele ter mastigado e ingerido folhas de canabis (que poderia ser haxixe ou maconha), que foi achado em seu estômago durante a autópsia. A possibilidade foi descartada depois pelo fato de que a porção da erva era desprezível e portanto  não poderia ter lhe  causado nenhum mal.

Fatos Curiosos ocorridos no dia da Morte de Bruce Lee:

Raymond Chow e George Lazenby (ex-007) no velório de Bruce Lee em 1973. Bruce não compareceu ao encontro com os dois naquela fatídica noite de 20 de julho.
- Na sexta feira do dia 20 de julho de 1973, Bruce marcou um compromisso em sua  casa com Raymond Chow as 14:00. Linda, Brandon e Shannon tinham saído. Por incrível que pareça, a casa que só andava cheia e movimentada, estava nesse dia em especial, vazia, apenas com Bruce e Raymond Chow.
- Na agenda dos dois estava marcado um encontro à noite no Miramar Hotel com o ator inglês George Lazenby (ex-007) para acertar sua participação no projeto O Jogo da Morte.
- As 16:00, Bruce teria saído de sua casa com Raymond Chow para irem ao apartamento da Atriz Betty Ting Pei, que também participaria do filme O Jogo da Morte. Por poucos segundos Bruce e Raymond Chow não encontram com Linda que chegava em casa com o casal de filhos.
- As 19:30, durante a reunião no apartamento de Betty Ting Pei (que  muitos diziam ser uma amante de Lee), Bruce queixa-se de dor de cabeça, ingere um comprimido de Equagesic dado por Betty e vai deitar-se no quarto da atriz.
- As 19:40, Raymond Chow saiu para o suposto encontro com George Lazenby no hotel, aguardando que Bruce Lee se recuperasse a tempo para se juntar a eles. Betty Ting Pei permanece com Bruce no apartamento.
- As 21:00, Chow telefona do hotel cobrando a presença de  Bruce e Betty para a reunião com Lazenby. Betty diz que não conseguiu acordar Bruce Lee e pede que Raymond Chow fosse ao apartamento.


Ilustração do quarto de Betty Ting Pei e o posicionamento de Bruce Lee na cama
- As 21:30, Chow chega ao apartamento e encontra Bruce Lee ainda inconsciente na cama de Betty Ting Pei.
- Betty e Chow resolvem chamar o Dr. Eugene Wu, que veio sem demora e tenta sem sucesso reanimar Bruce Lee por 10 minutos.
- Raymond Chow resolve avisar a Linda Lee por telefone para que ela se dirigisse ao Hospital Queen Elizabeth e em seguida chama a ambulância.
- As 22:30, a ambulância trazendo Bruce Lee do apartamento de Betty chega ao hospital (apesar de ter levado 45 minutos para percorrer o trajeto, o normal seria, em média, 14 minutos). Uma equipe de médicos já estava em prontidão. Linda Lee tinha chegado antes da ambulância.
- As 23:30, Raymond Chow anuncia à imprensa a morte de Bruce Lee.
- Raymond Chow teria entrado em contradição em declarar incialmente que Bruce Lee teria passado mal em sua casa, logo depois teria mudado a informação para o apartamento de Betty Ting Pei. 
- O que muito se questionou foi sobre a demora de Betty Ting Pei e mesmo de Raymond Chow para decidirem chamar a ambulância ao perceberem o grave estado de Bruce Lee, da mesma forma que foi feito dois meses atrás quando Bruce desfaleceu na Golden Harvest. A demora do atendimento pode ter sido fatal. Será que foi intencional?

Outros pontos de vista sobre as possíveis causas da morte de Bruce Lee:

Velório de Bruce Lee em Hong Kong
- Alguns polêmicos estudiosos do assunto, como Tom Bleecker, declaravam que Bruce abusou no uso de esteroídes anabolizantes que o levaram à morte, mas na verdade ele teria usado esteróides catabólicos, que são anti-inflamatórios e que já eram acessíveis em lojas autorizadas. Já os esteróides anabolizantes ilegais eram e ainda são usados para desenvolver a musculatura de forma anti-natural e de forma prejudicial à saúde.
 - Outros afirmaram que Bruce teria morrido devido a uma reação alérgica à maconha. Pelo que se sabe nunca ninguém morreu intoxicado por maconha. E a quantidade encontrada em seu estômago era ínfima.
- Outra hipótese seria que Lee teria morrido devido a uma reação alérgica aos componentes do  comprimido Equagesic (325mg de aspirina e 200 mg de tranquilizante) que ingeriu. O Equagesic foi prescrito nos EUA de 1960 a 1997, sem nenhum relato de caso de morte.
- Charles Heung (ex-ator e ex-marido de Betty Ting Pei) e Lo Wei (produtor, morto em 1993) eram membros da Triad e provavelmente estavam envolvidos na morte de Bruce Lee. Lo Wei e Bruce Lee tinham  discussões constantes e Lee teria ameaçado ao produtor chinês em 1973 poucos dias antes de sua polêmica morte. Bruce já estava decidido a retornar para os EUA e criar seu próprio estúdio, o que não teria agradado a todos que faturavam com os filmes made in Hong Kong.
- Betty Ting Pei (ainda solteira) foi uma isca perfeita usada pela Triad para atrair Bruce Lee para a morte.
- De acordo com depoimentos de funcionários do serviço funerário de Kowloon, em Hong Kong, responsáveis pela preparação do corpo para o velório, as mãos e pés de Bruce estavam estranhamente negros e sua têmpora esquerda estava inchada ou lesionada. É óbvio que o edema cerebral causa apenas o inchaço interno, não haveria como provocar um inchaço externo e seu pescoço estava estranhamente dobrado. Eles concluíram que pelos sinais físicos que observaram em seu corpo, que ele provavelmente teria sido envenenado por arsênico e poderia ter sofrido alguma agressão depois de estar inconsciente. 


O corpo de Lee nos procedimentos para o velório, nota-se uma curvatura estranha em seu pescoço.

Os efeitos colaterais do envenenamento pelo arsênico são reconhecidamente fortes dores de cabeça e cólicas abdominais, náuseas, vômitos, convulsões, coma e morte. O óxido de arsênio é um pó branco, sem gosto ou cheiro que pode ser facilmente adicionado à uma refeição ou bebida de uma pessoa sem levantar supeitas. Era conhecido como “pó da herança” porque costumava abreviar de forma muito conveniente a herança de tronos e títulos da nobreza na antiguidade. O arsênio pode se tornar mortal se consumido apenas uma décima parte de 1 grama durante dois meses, sendo que 1 grama de arsênio é veneno suficiente para matar sete pessoas adultas, e 100 mg (uma colher de sopa) mataria uma pessoa em minutos. Por ser branco ou incolor não apresenta assim sinais identificáveis, o que faz esse composto ser tremendamente traiçoeiro e mortífero.

O corpo de Bruce Lee sendo velado em Hong Kong
O veneno arsênico é conhecido pelos chineses há séculos, sendo utilizado por herbalistas tanto para a cura quanto para a  morte, sendo que nos anos de 1970 eram comuns casos de entoxicação por arsênio por contato  ou consumo de águas contaminadas em Hong Kong.
Especulações e teorias conspiratórias? Só o tempo dirá. Espero o dia em que virá à tona toda a verdade, pois como um fã (e não idólatra) há 40 anos do Pequeno Dragão não posso me conformar com sua morte mal explicada, como também não há como deixar de relacionar sua passagem com a morte de seu filho Brandon Lee, morto de um forma tão relapsa e irônica, que me parece que foi totalmente um ato maquiavélico e proposital.


Funeral de Bruce Lee em Seattle: Entre os demais ilustres convidados estavam os atores de Hollywood, Steve McQueen e James Coburn, o mestre introdutor do Taekwondo nos EUA, Jhoon Rhee; e o  campeão lutador de Tang Soo Do e ator  principiante, Chuck Norris.

Túmulos de Bruce e Brandon no Cemitério de Lakeview, na cidade de Seattle, estado de Washington, EUA.
Bruce Lee não era um deus ou um super-homem, mas era uma pessoa especial, revolucionária, inteligente e criativa, pai e esposo amoroso com seus defeitos e virtudes, e com certeza um vencedor que superou suas limitações físicas, preconceitos raciais e barreiras culturais, dando o seu melhor para crescer como um cidadão do mundo a ponto de finalmente merecer o título de “Rei das Artes Marciais”. Brandon seguia seu próprio caminho, tinha personalidade e carisma próprios, considerava sua mãe e sua irmã Shannon, estava próximo de constituir uma família e certamente se tivesse mais tempo, teria obtido um grande sucesso em sua carreira  de ator. Que Deus tenha misericórdia de Bruce e Brandon.


Eumário J. Teixeira