Sobre as descobertas de Bruce Lee em relação às limitações do estilo
Wing Chun, que era uma das bases fortes do JKD, observou Williams: “Quando ele
percebeu que o Wing Chun tinha suas limitações, sendo que o poder (potência)
era uma delas, ele começou a explorar meios que lhe dariam poder, mas
basicamente ele modificou essa arte para que fosse mais adaptável a ele mesmo
como artista marcial. Ele usou o Wing Chun como trampolim para alcançar outras
coisas.” Conclui Howard Williams sobre a ação de interceptação do movimento de
um oponente: “Na verdade, significa que quando um homem se move em sua direção,
ele faz um certo gesto direcionado a você, seja um piscar de olhos, coçar o
próprio nariz ou qualquer movimento. Seja o que for, você intercepta sua
intenção emocional. Você já sabe que ele quer lutar, portanto você não precisa
esperar por mais nada. Se ele fizer algum movimento, você reage. Você
intercepta, destrói, assim como também poderá destruí-lo antes que ele faça qualquer
movimento.”
Williams ainda fala sobre a capacidade de Bruce Lee não “telegrafar”
seus movimentos: “Esse foi um de seus pontos fortes, uma das suas
especialidades. É como se você quase pudesse ler a intenção e o motivo do outro
lutador, embora não possamos ler mentes. Ele tinha movimentos ‘não
telegráficos’ perfeitos que lhe permitiam interceptar sua intenção emocional.” Sobre como conseguir tal habilidade, explica Williams: “A forma é
muito importante, não a forma clássica como no Kung Fu tradicional, mas a forma
como na aplicação adequada da arte. Ser capaz de interceptar e pesquisar o
movimento do corpo, o corpo em movimento, e quando você faz isso, você é capaz
de saber e determinar as coisas que emite ‘sinais’. E assim que o sinal for
dado... bum! Acabou!
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Perguntado se Bruce Lee aprovaria o "JKD" que era ensinado nos anos de 1990, Howard Williams foi direto: “Não, de forma alguma." |
O Ensino do Jeet Kune Do nos
dias atuais – Em meados da década de 1990, pediram a Howard Williams, em
entrevista, uma avaliação sobre do ensino do Jeet Kune Do que era disponível
pelo mundo naquela época, praticamente vinte anos após a morte de Bruce Lee, e
se o JKD ensinado era o mesmo que Bruce Lee ensinou. A resposta foi essa: “Não,
não, não, não! De longe não se parece ou se assemelha com o que Bruce estava
tentando transmitir aos seus alunos da primeira geração. A maior diferença é
que os movimentos são ‘telegrafados’ de forma grosseira, há muitos movimentos
de ‘armadilha’ desnecessários e o jogo com as pernas é ruim. Assim como o tempo
real de luta, não há ‘sparring’. Muitas coisas foram diluídas. É como ter um
bom vinho diluído n’água, faltará o sabor."
Perguntado se Bruce Lee aprovaria o que é ensinado nos anos de 1990,
Howard Williams foi direto: “Não, de forma alguma. Ele não aprovaria isso,
porque não era isso que ele estaria tentando transmitir às pessoas atualmente
ou naquela época também. Na verdade, ele provavelmente ficaria tão perturbado
com toda essa coisa que fecharia tudo!” Acrescenta Williams: “Porque estão ensinando desespero organizado.
Então vocês instrutores, é melhor vocês prestarem atenção no que estão fazendo
(risos...). Os alunos, agora instrutores, devem aos seus alunos (atuais) a
verdade. Essa é, mais uma vez, a principal razão pela qual saí do anonimato,
porque quero ter certeza de que eles tenham, pelo menos, uma escolha
inteligente a fazer entre o que está sendo ensinado e o que é a verdade. Então
eles próprios podem decidir o que desejam.”
Obs.: Essa entrevista de Howard Williams foi concedida em 1990, será
que as coisas melhoraram atualmente, em pleno 2021?
Prossegue, Williams: “Não é como se eu estivesse tentando dominar
alguma coisa. Eu já tenho! Quero dar às pessoas a chance de escolher entre o
que está acontecendo agora e o que Bruce, por seu legado, queria que nós
soubéssemos. E de acordo com ele, todas as coisas surgem antes de tudo de
dentro. Eles agora estão aprendendo coisas que vêm de fora e nem mesmo entendem
quem são. Como você sabe o que está procurando se primeiro não entende quem
você é? Descubra a causa da ignorância dentro de você e a batalha estará
vencida pela metade. Então você tem que estar disposto a aprender, trabalhar
duro e se aplicar para obter as habilidades que Bruce queria que
aprendêssemos.”
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| Imagens de Howard Williams ensinando algumas técnicas de JKD. |
A Transição do Jun Fan
Gung Fu para Jeet Kune Do - Lembrou Williams
que no início, nos primeiros anos em Seattle, Bruce ensinava ‘Wing Chun’. Então
quando ele veio (para Oakland) passou a ensinar o 'Jun Fan Gung Fu’, com
elementos de Wing Chun, boxe e outras artes marciais que se adequavam à nova
proposta. Assim, com o desenvolvimento dessa nova concepção ele mudou o termo
para ‘Jeet Kune Do’, ou Caminho do Punho Interceptador. Segue Williams: “Sim, Jun Fan Gung Fu era na verdade o estilo de
Bruce, ele apenas usou seu nome para ensinar outra forma de Kung Fu. Isso é
tudo. Não é nada de especial, já era feito sob medida para Bruce, mas ele
reconheceu as limitações dessa forma de ensinar e foi mais além.”
Williams acrescenta: “Bem, em 1966, quando entrei na escola, ela
estava em plena transição. Acho que ele (Bruce) entendeu as limitações do que
tinha e teve que dar um passo adiante. E quando o fez, mudou a postura de
combate de Wing Chun para a nova postura de combate de JKD. Então, isso era
mais econômico também. Foi muito mais suave a transição, com mais mobilidade e James
cuidou que isso se encaixasse em nós. Ele (James) nos mostraria a versão
clássica para em seguida nos apresentar a versão revisada, para que pudéssemos
apreciar a diferença entre os dois estilos.”
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Bruce Lee e James Lee em um momento de descontração no final da década de 1960. A transição do Jun Fan Gung Fu para o Jeet Kune Do já havia iniciado.
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Continua, Williams: “Bem, James de repente disse: ‘Bem, pessoal, vamos
mudar agora, então. Ouçam! Bruce desenvolveu algo novo.’ E nós perguntamos: ‘O
que poderia ser isso?’ Olhamos um para o outro e de repente ele nos mostrou
essa nova postura, e todos pensamos que era boxe, sabe. E me lembro que inicialmente
foi classificado como “kick boxing’, mas finalmente foi denominado ‘Jeet Kune
Do’. As primeiras raízes foram implantadas ali mesmo, e com a mudança comecei a
me sentir em casa, porque conhecia um pouco de boxe, pois havia mais mobilidade
agora, armadilhas e outras coisas que foram acrescentadas. Havia ainda alguma
semelhança com o antigo sistema, mas a velocidade e o poder eram agora maiores
do que os anteriores.”
Finaliza Williams: “Não usávamos equipamento de proteção naquela época
(em Oakland). A única forma de nos protegermos, na maioria das vezes, era
apenas a mão sobre o rosto. Estávamos sempre à mercê do nosso oponente o tempo
todo.”
O primeiro contato físico
de Howard Williams com Bruce Lee – Williams: “Foi uma experiência incrível,
realmente foi. Nunca me esqueço da vez em que ele nos mostrou seu mais novo degrau
de desenvolvimento. Eu estava na frente daquele chute, porque eu era chamado
por ele de ‘Robusto’. Mas eu estava na
frente daquele chute e ele disse que iria me chutar. E eu fiquei lá e ele me
disse para tentar sair do caminho assim que percebesse que o chute fosse
desferido. E fiz o melhor que podia para escapar e acredite, era uma situação
desesperadora. No momento em que o chute me alcançou ele parou no meu peito e
eu não pude me mover mais para trás, era tarde demais para sequer pensar em me
mover, ele já estava lá. E eu senti o poder incrível, e passei a ter um
respeito maior por Bruce Lee daquele momento em diante, porque percebi o poder
que vinha daquele chute. E foi realmente uma sensação incrível ver algo assim
em primeira mão, pois estávamos todos ansiosos. A partir daí fiquei determinado
a desenvolver o poder dos meus chutes para ser como os de Bruce Lee.”
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Flagrante de uma festa de aniversário surpresa para James Yimm Lee, em Oakland. |
Ainda sobre Bruce Lee: “Bruce gostava de brincar, ele era um
brincalhão muito prático. Ele tinha um temperamento explosivo também, mas basicamente
quase nunca vinha à tona, a menos que ele sentisse que estava sendo excluído de
algo, ou quando sabia que um aluno tinha algo (a mostrar) e se recusava a se
soltar, relaxar e seguir em frente; então você podia ver um pouco daquela raiva
saindo, mas era principalmente frustação, porque ele queria tanto ver aquela
pessoa ter um preparo de luta decente dentro de si e desenvolvê-lo ...). Já o
vi levantar a voz e o vi descontar nos alunos às vezes, mas nunca o vi ficar
realmente irado para querer socar alguém. Não, nunca vi isso. Acho que tudo
isso pode ter acontecido nos bastidores de seus filmes quando ele teve que
fazer isso para sobreviver, porque existem tantas personalidades diferentes
para lidar, e é muito diferente de ensinar artes marciais a alguém.
Armas Brancas e a Real
Aplicação do JKD - Perguntado se a
utilização de nunchaku, bastões curtos e longos (bo), vistos nos filmes de
Bruce Lee, faziam parte do programa de treinamento do JKD, Williams respondeu:
“Não, não utilizávamos armas, porque Jimmy (James Lee) costumava dizer:
‘Quantas vezes você poderá andar pela rua com varas e facas na mão? Você só irá
usar o que tem disponível para se defender. Você não poderá dizer ‘ei, espere
um minuto! Tenho que ir pegar meu taco, já volto, não se mexa, estou voltando!’
- Não! Você vai dizer: ‘Ok! É assim que as coisas são!’ – Socos, estocadas e
está tudo acabado, tira a faca dele e segue com tua vida. Assim, tivemos que aprender tudo com nossa a
matéria-prima, as mãos e os pés.” Segue Williams: “Bem, vamos colocar da seguinte maneira: eu posso
pegar dois bastões e aplicar JKD com eles e você vai jurar que aquilo foi
‘Kali’ porque os movimentos foram naturais. Mas tudo é apenas uma extensão da
minha mão. Simples assim. Nada de especial, nada para tentar aprender a fazer,
é só pegar as varas e usá-las. Você pergunta como seria possível sem um
treinamento prévio? Simples, o que você faz com as mãos, você pode fazer com
bastões, simples assim.”
A Ausência de Competições no JKD – Explica Howard Williams: “Bem,
em primeiro lugar, a razão de nunca termos dessas coisas foi que James e Bruce
não acreditavam em divulgar a arte e colocar regras e regulamentos restritivos
que regem os lutadores de torneio e lutadores de contato, porque o JKD é
estritamente uma ‘Arte de Luta de Rua’ onde não existem regras aplicáveis. Vale
tudo e a atitude é ‘faça ou morra, mova-se ou você perde’. Você será
desqualificado com essa atitude (num torneio com regras).”
A Razão de nunca se ver Professores
e Alunos com as Habilidades de Bruce Lee – Reponde Williams: “Isso é porque
os professores não têm habilidades como as de Bruce. Você não pode culpar os
alunos. Porque eles vêm às academias para aprender, e quando o professor não
tem (habilidades), os alunos também não terão, e você continua obtendo uma
versão mais diluída da verdade.” Perguntado sobre qual é essa verdade, Williams responde: “Bem, a
verdade em relação ao JKD é que ele está sempre mudando. O fato é: está sempre
mudando, a verdade em JKD está sempre mudando, onde em outras artes é
estilizado, limitado e cristalizado na abordagem ‘isto e aquilo’. Sendo uma
abordagem não natural. É como tentar ensinar um canhoto a ser destro e
vice-versa. Você não pode fazer isso. Ensine a pessoa como lutar de onde ela está.
Descubra a causa da ignorância, isso também é parte da verdade. Antes de poder
ensinar a verdade, você deve entender de onde ela vem em relação a você. Não de
Bruce Lee, não de James Lee, ou qualquer outra pessoa, mas de você. Então, JKD,
quando se trata de verdade, só se aplica a nós mesmos e à descoberta da causa
de sua própria ignorância.”
A Semelhança entre Howard
e Bruce Lee no Modo (quase arrogante) de Ser – Diz, Howard:
“Oh, é confiança, ninguém pode ter mais confiança em você do que você mesmo. Se
você continuar com a atitude derrotista de ‘não posso fazer isso’ ou ‘não consigo’,
para mim ‘não posso’ significa ‘não vou’. Se você treinou para algo por tempo
suficiente, e treina da maneira certa na verdade, então você não terá problemas
em concentrar sua confiança quando se trata de lidar com outras pessoas e outras
suas artes marciais; e os outros também podem ver isso. Não é ser arrogante, é
apenas ser capaz de entender quem você, é ser capaz de vivê-lo. Se alguém me
perguntar o meu nome, não preciso dar de ombros, digo ‘Howard’, com orgulho e
confiança.”
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Jesse Glover, foi o primeiro aluno de Bruce Lee em território americano. Mais precisamente, em Seattle, Bruce ensinou Wing Chun tradicional para os seus primeiros alunos. Glover preferiu não acompanhar a transição para o Jun Fan Gung Fu, posteriormente chamado de JKD. |
O Apelido “Flaspoint” e a Relação com Jesse Glover – Explica, Howard: “Bem esse apelido me foi dado por causa da
minhas habilidades naturais e por passar a meus alunos um treinamento adequado que
lhes ajudariam escapar naturalmente dos problemas que poderiam enfrentar nas
ruas.” Perguntado sobre sua relação com Jesse Glover, o primeiro aluno de Bruce
Lee nos EUA, respondeu Williams: “Bem, não somos bons amigos, mas nos
conhecemos e nos falamos. Ele conhecia meu padrasto e minha mãe. Eu era tão
jovem, o mais jovem de todos, e todo mundo era 10 ,15 ou 20 anos mais velho do
que eu, mas com o passar do tempo, descobrimos que, não importa como Bruce se
desenvolveu, a verdade ainda permanecia a mesma: é poder, velocidade e
franqueza. E o que realmente importa não é tanto o quão forte você é, o quão
rápido você é, mas quem pode chegar lá primeiro, determinará o resultado do combate.
E a velocidade tem o seu lugar no JKD, acredite em mim. Poder! Já vi pessoas
que acertam com uma velocidade estonteante, mas é como jogar um ovo em um
pedra, simplesmente bateu. Nada! Já vi gente que tem a força de um rinoceronte,
mas demorou dez anos para chegar lá, aí o oponente já cortou as fatias e foi
embora (risos...). Portanto você precisa ter uma combinação de ambos para ser
eficaz.” Respondendo se ele e Jesse Glover, apesar de serem de tempos e
períodos diferentes, acharam a mesma ‘verdade’, esclarece Howard: “Porque os
princípios eram os mesmos. Só que a forma de aplicá-los era um pouco diferente.
Princípios e verdade..., você não muda princípios por uma causa. Só porque você
desenvolveu uma maneira diferente de aplicar suas habilidades, não significa
que você mudou seus princípios, que são velocidade e força, golpe e mais
golpe.”
Obs.: - Jesse Glover era afro-americano como Williams e foi o primeiro
aluno de Bruce Lee nos EUA, assim que ele se estabeleceu em Seattle. Entretanto,
após Bruce Lee iniciar a transição do Wing Chun para o Jun Fan Gung Fu e
posteriormente para o Jeet Kune Do, Glover preferiu se manter no ensino
inicial, preservando o que Bruce Lee lhe passou e que era baseado no ensinamento do Wing Chun tradicional, desenvolvendo posteriormente seu próprio caminho com essa base.
O seu Jeito de Ser e Habilidades do próprio Howard Williams – Assim se define o próprio
Williams: “Eu me lembro, às vezes Jimmy costumava nos contar algumas das coisas
que aconteceram no passado, sobre o seu treinamento da ‘Palma de Ferro’ e
porque era inútil, ao invés de apenas tentar desenvolver força, profundidade e
penetração. Agora, não tenho mais calos nas mãos, mas tenho marcas nos nós dos
dedos de onde pratiquei em diferentes superfícies, mas não há mais calosidades.
É apenas descoloração dos nós dos dedos por causa do meu treinamento, você pode
ver. Não é difícil, mas o poder que está por trás disso é difícil (de se
obter). Isso vem de dentro de você e, em seguida, projeta-se para fora, mas
você só obtém de algo o que colocou neles. Eu coloquei muitas horas em
treinamento e ainda estou desenvolvendo também.”
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Sobre sua rapidez, dizia Howard: “São apenas movimentos não telegrafados que possuo." |
Ainda sobre sua rapidez, complementa, Howard: “São apenas movimentos
não telegrafados que possuo. Eu não telegrafo meus movimentos. Eu pessoalmente
sinto que posso desenvolver minha velocidade a ponto de parecer que não estou
me movendo e eles (oponentes) não vão me ver mover muito antes de eu chegar ao
ponto. Me perguntaram se é necessário toda essa velocidade, então eu disse que
não queremos perder tempo. Quanto mais você envelhece, as leis da física vão
contra você, e você tem que se tornar mais sábio, tem que chegar lá mais
rápido, você não pode perder tempo pulando como um coelho ou um boxeador
estiloso. Na minha idade ainda tenho um pouco de poder e velocidade para
desenvolver, mas algumas pessoas acham que sou rápido agora, mas em alguns
meses ou um ano, eles verão algo mais. E eu digo isso de coração, não estou
dizendo algo que apenas me vem à cabeça. A economia de movimentos se torna
muito importante. Você deve se colocar em uma posição em relação ao lutador
onde você estará seguro, mas ele não.
Qualquer coisa que ele fizer, você poderá pegá-lo, mas ele não poderá te
pegar. Você não precisa ficar dançando
como um boxeador estiloso, tentando provar alguma coisa, você não quer ser
outro Muhammad Ali. Não quero imitar nenhuma dessas coisas, isso custa tempo e
movimento, e pode custar sua vida. Ainda estou desenvolvendo e aprimorando
minhas próprias habilidades e posso me tornar mais rápido e poderoso do que sou
agora, mesmo nesta idade. Não há limite para o condicionamento físico, exceto
quando você morre.”
Obs.: Howard Williams estava com 39 anos, quando concedeu essa
entrevista.
A Seriedade na Direção
dos Treinos nos tempos de Bruce e James Lee - Lembrou Howard Williams: “Jimmy fez! James
fez isso com certeza. Bruce, tenho certeza que ele levou seus alunos a sério
também, mas basicamente eles (os alunos) não conseguiam acompanhar o ritmo
verdadeiro do JKD. É por isso que as aulas oscilaram tanto, porque eles não
conseguiam acompanhar o ritmo do treinamento.”
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Bruce Lee efetuando quebramento de tábuas (seguras por James Lee) com seu lendário chute lateral. |
O Chute Lateral de Howard Williams comparado ao de Bruce Lee e o Aparelho de Chutes de 300
libras - Explica Howard que, como se
sabe, evitava utilizar seu chute lateral com a perna direita em exibições, por
ser muito poderoso: “Não era um saco de pancadas ou uma bolsa, era um aparelho
de chute tipo prancha, adaptado com molas de amortecedores de carro e que
pesava 136 quilos. Treinávamos chutando aquela coisa para conseguir perfurar
nossos companheiros de treino. Se você conseguisse um bom chute, esmagaria tudo
que estivesse no caminho. A prancha iria voltar para trás ao ser chutada, se
não fosse um bom chute, ela o chutaria de volta. Faria um pouco de barulho, mas
ela não se moveria. Então foi assim que ele (Bruce) desenvolveu e controlou seu
chute lateral. E ele nos mostrou muitos
exercícios para desenvolvermos nossos chutes. Ele (Bruce) foi capaz de empurrar
aquela prancha e abalar as fundações, assim como eu. Eu e o Bruce.”
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James Lee (perito soldador) foi quem confeccionou a "prancha" de 300 libras para o treinamento do chute lateral. |
E ainda sobre o aparelho desenvolvido por James Lee, completou Howard:
“Bem, Greg (filho de James Lee) costumava mencionar que ouvia seu pai e Bruce
falando sobre mim e o desenvolvimento de minhas habilidades, e especialmente
sobre eu conseguir balançar a mesma máquina de chutes (criada por James) da
mesma forma e com o mesmo poder de Bruce Lee. Um dia estava na presença de
Bruce e ele me chamou de ‘robusto’, por causa da minha habilidade e
tamanho. Ele sentiu que eu tinha algo
com que trabalhar. Ele poderia me moldar e esculpir todas as minhas coisas não
essenciais para me tornar o que sou hoje. E ele e James se saíram muito bem. Eu
tinha 19 para 20 anos.” Perguntado sobre sua velocidade em comparação à de Bruce Lee, responde
Williams: “Bem, de acordo com James, eu era natural no que diz respeito às
minhas habilidades. E eu não tive que trabalhar tanto quanto Bruce Lee, mas não
me comparo com meu Sifu dessa maneira. Ele viu o que eu tinha, pegou e
transformou no que tenho hoje. Não gosto de comparar minha velocidade com a
velocidade dele (Bruce Lee). Não gosto destas coisas, é desrespeito. Eu
respeito meu Sifu. Eles eram meu Sifu. E quando você trabalha duro em algo, é
orgulho e alegria deles ver você desenvolver e até superá-los, pois assim puderam
ver os frutos do seu trabalho, que não foi em vão. Então, se ele estivesse vivo
hoje, provavelmente ficaria muito satisfeito, eu acho, e provavelmente gostaria
de experimentar mais coisas comigo. Então, neste aspecto, eu diria: Minha
velocidade em relação à dele? Quem sabe aonde isso poderia ter me levado? Ainda
não terminei com o desenvolvimento de minha velocidade.”
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| Howard Williams: “JKD é o que é, natural. É só isso. Não é um estilo." |
O Significado do Termo e Filosofia do Jeet Kune Do – Explicou Williams: “Bem, Bruce realmente não
queria chamá-lo (de método, sistema ou caminho) de nada. Vou te dizer porquê:
‘quando você é criança ou adolescente, não sei, há um momento na sua vida que
talvez tenha começado uma briga e você teve que se defender. E aquele cara
estava realmente tentando arrancar sua cabeça. Como você chamaria isso que usou
para se defender? Pense nisso por um segundo. Ok, o tempo acabou. Nada! Você
não pode chamá-lo de nada. Por que? Porque realmente aquilo foi você! Você não
pode chamá-lo além de ‘você mesmo’, a expressão de você próprio. Não é ‘Jeet
Kune Do”, que eu chamo de ‘Caminho do Punho Interceptador’. Na verdade, não é
nome algum. Você pode olhar para uma garrafa de suco de laranja sem nomeá-la,
você pode olhar para qualquer coisa sem nomeá-la, você pode olhar para si mesmo
sem nomear-se. Nomear o que você é? Você é apenas um ser humano, você é um
artista marcial, qualquer coisa que você queira ser. Então, quando se trata de
se defender na rua, você usa o que lhe é natural na hora.” Prossegue, Howard: “JKD é o que é, natural. É só isso. Não é um
estilo. É por isso que muitas pessoas não aderem muito bem a ela (arte), porque
estão procurando por essa gloriosa expressão em forma de flor, e ela não está
lá. É pow! Direto ao ponto. E está tudo acabado.”
A Concepção de um Verdadeiro
Lutador – Assim respondeu Howard Williams: “Em minhas palavras,
um verdadeiro lutador dever primeiro ser fisicamente apto, forte e capaz. Esses
são apenas os atributos externos. Mas existem algumas pessoas que não possuem
essas habilidades físicas, mas têm o coração e a verdadeira maneira de pensar.
Para mim, eles podem ser tão bons, porque todo lutador, todo ser humano tem
algo que pode desenvolver para usar e se defender e poder aumentar sua
habilidade de luta; agora, eu pessoalmente diria que você pode ter todas as
habilidades de luta que deseja.”
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Flagrante de Howard Williams aplicando o "Soco de Uma Polegada" em um aluno. |
O Soco de Uma Polegada – Relata
Williams: “Sim, me foi ensinado e gera muito poder. Na verdade foi feito para
demonstrar a eficácia da posição de guarda (do JKD) de onde teria que recuar.
Na verdade o ‘Soco de uma ou duas polegadas tem muito mais poder do que a
maioria dos socos. Se você tem o verdadeiro poder, comece a 20 cm de distância
e não se preocupe com nada. Mas a verdadeira capacidade de dar o soco de uma
polegada reside na química simples de estar focado. Reunindo todos os elementos
em um e concentrando sobre eles, e quando você o faz, você percebe que tem algo
em você que nunca imaginou ser possível. É uma coisa perigosa ter contato com o
verdadeiro ‘soco de uma ou duas polegadas’. E eu demonstrei isso para várias
pessoas aqui onde estou agora, e elas nunca viram nada parecido. Agora eu me
lembro que para aprender o soco de uma ou duas polegadas, eu tive que praticar,
praticar e praticar. E fiquei tão frustrado que voltei para Bruce e pedi-lhe
para que me mostrasse como era feito. E ele me disse para assistir. E quando
ele fez isso, eu prestei muita atenção, e você pode imaginar a concentração que
tive naquele momento tentando aprender como ele fazia. Ele disse: ‘É isso!’ Esse
era o segredo: Foco! Limpando sua mente de todas as obstruções que existem
nela. Ser capaz de colocar em foco toda a formação que lhe foi ensinada ao
longo dos anos e meses que pôs em prática, e simplesmente fazê-la sem pensar.
Não me dei conta, eu estava lutando para tentar fazer algo que fosse natural.
Esse é todo segredo de todo o legado do ‘Caminho do Punho Interceptador’: fazer
o que é natural. Conheço algumas pessoas que olham para uma arte e dizem: ‘bem,
quanto mais complexo for, melhor deve funcionar’. Não, pelo contrário!”
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| "Bruce Lee era, antes de tudo, um ser humano..." |
Bruce Lee por Howard Williams – “Bruce Lee, como eu conhecia, é o que gostaria de mencionar
brevemente agora. Você sabe, há muitos mitos em cima de muitas coisas que
aconteceram, mas o que é real deve ser mencionado, e isso é que Bruce Lee era,
antes de tudo, um ser humano que se tornou um artista marcial. Qualquer coisa
que ele desenvolveu veio desses dois elementos, o ser humano e o homem. E
muitas pessoas me perguntaram: ‘E os métodos de treinamento de Bruce Lee?’ Bem,
há muitos boxeadores que treinam duro, muitos esquiadores que treinam duro, mas
o que diferencia aqueles que são apenas medíocres dos que se tornam campeões e
seguem para se destacar além do que é necessário deles? É a sua capacidade
física? Não! É outra coisa? Claro! Então o que é? Em primeiro lugar, Bruce estava
preso em um espécime físico. Nascido em San Francisco, foi criado em Hong Kong.
Agora, quando criança, era magro, franzino e não tinha muito o que esperar. Mas
quando ficou mais velho, começou a se preocupar com isso, e se perguntou como se
sairia sem seus amigos quando estivesse sozinho num beco precisando se
defender. Então ele começou a aprender e estudar Wing Chun. Seu pai foi o seu
primeiro professor (de Tai Chi Chuan) e é claro, isso não era o suficiente para
ele. Ele começou a montar os alicerces de um campeão a partir daí, porque não
bastava ter apenas um, ele queria saber de tudo e queria ser bom nisso. Ok,
então ele persistiu e continuou, e eventualmente, aos 18 anos, tornou um homem
que decidiu voltar às suas raízes em San Francisco. Na época era bastante fiel
ao Wing Chun quando se mudou para Seattle. E ele abriu uma pequena escola e
começou a fazer suas coisas lá. E ele percebeu que o Wing Chun era rápido, mas
faltava poder. E essa foi sua primeira descoberta das limitações de sua arte, e
cada limitação importunou Bruce Lee imensamente, mas ele estava determinado a
querer superar essa fraqueza, qualquer fraqueza. Então ele persiste, continua e
se torna louco pelo poder. Então ele consegue ‘turbinar’ o Wing Chun, o Wing
Chun turbinado, e o poder que deveria ter. Então ele pensou que era o máximo,
até que viajou para Hong Kong, e adivinhe o que ele descobriu? Que ele não era
tão bom quanto pensava que era, entende? Os alunos que estavam sob o ensino de
Ip Man também estavam se desenvolvendo e eram capazes de pegá-lo tantas vezes
quanto ele também conseguia, se não mais. Mais uma vez, provando que Bruce era
mortal, humano e falível. Então tudo aquilo o perturbou tanto, mesmo depois de
desenvolver aquele poder, que ele quase desistiu completamente das artes
marciais quando voltou para Seattle. Mas ele pensou sobre isso e começou a
perceber que havia uma limitação com a qual ele não poderia viver, e ele não
poderia simplesmente desistir. Então ele começou a aumentar o calibre e
perseguir a causa de sua ignorância. Foi aí que ele deu o primeiro passo em uma
longa jornada: descobrir quais eram suas fraquezas e limitações e tentar
compensar humanamente isso da melhor maneira possível. Descobrir a verdade não
é fácil, e uma vez que a descubra, dói. Então ser capaz de se sobrepor e se
elevar exige um pouco mais aqui do que a maioria das pessoas está disposta a
oferecer. Apenas ser porque você é bom em pular corda, no saco de pancadas e
tudo isso, não significa nada! É o que está dentro de você, é a essência de
‘você’, o verdadeiro ‘você’ surge então. Você está disposto a fazer o que for
preciso para se tornar um campeão? Em vida, Bruce era! Ele estava determinado a
fazer com que funcionasse e descobrir o que poderia fazer para melhorá-lo.
Então ele começou a modificar, a cultivar e a ler livros e tudo o que havia
sobre lutas e diferentes estilos de combate. Estava nascendo o Jeet Kune Do.
Mas nem mesmo ele sabia disso.

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"Ele era o seu maior amigo e o seu pior inimigo. Ele estava competindo consigo mesmo." - Williams, sobre Bruce Lee. |
E disso veio o conhecimento do que temos hoje, e
isso continuou a crescer. Mas isso não foi o suficiente para ele; ele ainda
tinha o ímpeto de querer ser o melhor, mesmo dentro de suas próprias fileiras.
Ele era o seu maior amigo e o seu pior inimigo. Ele estava competindo consigo mesmo.
Se ele não estava satisfeito com o progresso que tinha feito, então não
descansava até descobrir a causa daquela ignorância e continuava a desenvolver,
e a desenvolver. Quanto mais velho ficava, mais sábio ficava, melhor se tornava
e mais determinado era para obter sucesso. Esses são os atributos que estavam
nele e em todos que ele ensinou ao longo do caminho, naqueles que participaram
da primeira geração do JKD. Tive a sorte de estar lá para ver muito dessa
transição, e estar envolvido em muitas dessas mudanças, e no nascimento de um
novo sistema, uma nova maneira de pensar, uma nova maneira de lutar. E então, a
filosofia que se seguiu, era realmente para não chamá-la de nada, mas uma
expressão de quem você é. Descubra a causa da ignorância, então você descobrirá
quem você é. Quando você descobrir quem você é, poderá aplicá-lo à sua arte.
Excelência gera excelência, sucesso gera sucesso, fracassos geram fracassos.
Mas nada supera o fracasso, exceto uma tentativa, e não importa o que você tem,
quem você é, de qual sistema você vem; você sempre pode aprender algo com o JKD
e aplicá-lo. Veja, o meu trabalho não é pegar você e mudar quem você é. Mas
para o que você tem, e fazê-lo concentrar-se apenas no natural, seja um soco
direto, chute, qualquer coisa. Pegue-o torne-o melhor para você, Isso é o que
Bruce se esforçou para nos dar hoje, o legado que temos hoje. E não está sendo
ensinado, não está sendo transmitido adequadamente; então é aí que eu entro,
para ajudá-lo a descobrir a causa da sua ignorância. Não ser como Bruce Lee,
mas ser como você, ser o melhor que você pode ser; é disso que se trata!”
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Howard Williams - 1950/2012
|
Por Eumário J. Teixeira.