Os Heróis nunca morrem!

Os Heróis nunca morrem!
Heroes never die!

sábado, 11 de julho de 2015

OS CARROS PREFERIDOS DE BRUCE LEE

 
Nessa postagem quero falar um pouco sobre uma paixão de Bruce Lee, os carros! Mais precisamente pelas marcas Mercedes Benz e Rolls Royce. Sim, Bruce adorava carros e motos também, talvez influenciado desde criança pelos filmes norte-americanos que assistia na infância em Hong Kong, como também pela influência cultural britânica na ilha no pós guerra. É certo um dos seus modelos prediletos era o Rolls Royce, o mesmo usado tradicionalmente pela família real inglesa para os grandes desfiles públicos.

Bruce Lee (à direita) e seu irmão Peter ainda crianças, em Hong Kong, sentados num Rolls Royce modelo parecido com o Phantom IV, de 1950. Na foto, à direita, um legítimo Rolls Royce Phantom IV da década de 1950.

Para comprovar, foi divulgado nas redes uma foto em que Bruce Lee e seu irmão Peter, ainda meninos, estão sentados em cima do modelo clássico de Rolls Royce, provavelmente um Rolls Royce Phantom IV, de 1950.

O Jovem adolescente Lee Jun Fan (Bruce Lee) encostado num
Chevrolet 1948, em Hong Kong. Ele sempre gostou dos carrões americanos.

O jovem Bruce Lee em meados da década de 1960,
na América, em frente a um modelo Desoto de 1958.

Bruce Lee aprecia uma grande foto de um Rolls Royce conversível.  Na foto à direita vemos 
um modelo Silver Cloud III, 1965, semelhante ao da foto nas mãos de Lee.

Há outra fotografia, que muitos dizem se tratar de uma das últimas imagens de Bruce Lee ainda vivo, em que alguém lhe mostra um poster de um Rolls Royce, modelo parecido ao conversível Silver Shadow, de 1965. Bruce estaria próximo de encomendar um, pois era um grande sonho de consumo para ele e o sucesso de seu último filme, Enter the Dragon (Operação Dragão – 1973), provavelmente lhe daria condições para isso.

Bruce Lee em frente ao seu Mercedes-Benz no final 
de 1972 ou início de 1973.



Bruce Lee posa com o seu Mercedes Benz vermelho conversível.

Estilo era com ele mesmo.

Bruce Lee orgulhoso de seu Mercedes Benz, nos estúdios da
Golden Harvest, por volta de 1972.

Bruce Lee posando encostado na traseira de seu Mercedes Benz, em abril de 1972. Ao fundo,
o Hotel Marco Polo no Ocean Terminal, em Hong Kong

Outras fotos mais conhecidas, mostram Bruce Lee em 1972, exibindo com orgulho seu modelo de Mercedes Benz de cor vermelha, placa AX 6521, fruto de seu árduo trabalho. Em algumas fotos ele aparece com sua Mercedes ao lado de uma de suas atrizes preferidas, Nora Miao, no Ocean Terminal em Hong Kong; em outras ao lado de sua esposa Linda Lee; mas na maioria delas, apenas ele sozinho e sorridente.

Bruce Lee e Linda próximos à garagem onde ficava o Mercedes Benz, na área externa
de sua residência na 41 Cumberland Road, em Kowloon Tong, Hong Kong.


Bruce Lee e seu orgulho, o belíssimo Mercedes Benz modelo 1972, placa de Hong Kong, AX 6521


Bruce Lee e Nora Miao encostados no lendário Mercedes Benz vermelho, no Ocean Terminal,
Hong Kong, por volta de 1972.


Nora Miao tirando uma "casquinha" do Mercedes Benz de Bruce Lee.

Os carros foram de certa forma marcantes na vida de Bruce Lee, não há como esquecer do Black Beauty (Beleza Negra), na verdade um Chrysler Imperial 1966 (modificado pelo especialista Dean Jeffries), o carrão preto de motor V-8 que ele dirigia ao interpretar o personagem Kato na série de TV, O Besouro Verde, na década de 1960. Foram fabricados apenas dois Black Beauty para suprir as filmagens da série O Besouro Verde. O Black Beauty juntamente com o Mercedes Benz vermelho, foram adquiridos e expostos no Imperial Palace  em Las Vegas, California, para o deleite dos fãs mais privilegiados do Pequeno Dragão.

Bruce Lee, como Kato, posando na frente do Black Beauty


O impressionante Beleza Negra (Black Beauty), dirigido por Bruce Lee na série
O Besouro Verde (The Green Hornet)


O modelo (à esquerda) que originou o Black Beauty (à direita): um Chrysler Imperial, 1966.

O engraçado de tudo isso é que, segundo consta, Bruce Lee era um motorista ruim. Isso mesmo, o grande atleta e mestre das artes marciais, não tinha habilidade satisfatória com o volante. Isso veio à tona graças ao seu “amigo linguarudo” Bob Wall, campeão norte-americano de Tang Soo Do (Karate coreano) que interpretou o vilão, O’Hara, em Operação Dragão. 

Segundo Bob Wall, Bruce Lee,  o rei do kung fu, era um péssimo motorista, seria mesmo?

Numa entrevista concedida há alguns anos, Bob Wall teria dito que soube da morte de Bruce Lee, em 20 de julho de 1973, por um telefonema de Linda Lee  no momento em que ele e o produtor Fred Weintraub estavam cuidando da produção de um novo filme de artes marciais. Bob teria ficado chocado e se perguntado como poderia ter ocorrido isso, pois Bruce era tão cheio de energia e vitalidade, parecendo que iria passar dos cem anos com facilidade, pois se cuidava com dietas especiais e estava em grande forma física. Assim, perplexo, a primeira coisa que veio à sua mente era perguntar a Linda se ele teria morrido num acidente de trânsito, pois ele considerava Bruce como o pior motorista do planeta. Segundo ele, Bruce era totalmente disperso enquanto dirigia, sua mente vagava a vários quilômetros por hora, sempre pensando em novas idéias para seus filmes ou em inovações práticas para as artes marciais e, é claro, ele tentava acompanhar tais pensamentos dirigindo distraidamente sua Mercedes.

Modelo de Mercedes Benz conversível 1972, semelhante ao de Bruce Lee

Pois é, quem diria...verdade ou mentira sobre sua inabilidade para guiar, é certo que Bruce Lee, o “pequeno dragão”, tinha um gosto sofisticado para carros e não os pode desfrutar satisfatoriamente em virtude de sua precoce e misteriosa morte.

Por Eumário J. Teixeira

quarta-feira, 3 de junho de 2015

BRUCE LEE E SUA ROTINA DIÁRIA DE TREINAMENTO - Parte IV


Para concluir a série “Bruce Lee e sua Rotina Diária de Treinamento”, vou tentar descrever aqui o que ele pensava sobre a importância da luta real ou sparring. Bruce Lee defendia com veemência o preparo físico, a força muscular e era famoso por suas proezas físicas, nas demonstrações de quebramentos, flexões com apenas um dedo, poder nos golpes, etc. E embora muitos praticantes de artes marciais, antes ou depois da era Bruce Lee, tivessem conseguido equipara-lo ou até mesmo superá-lo nessas exibições de força física ou muscular, ele sempre dizia: “Lembrem-se, só porque você consegue sair-se muito bem num treino suplementar, não ponha na cabeça que você é um expert. Lembre-se bem que qualquer espécie de treino é somente um meio em direção a uma meta posterior; sparring é o objetivo final, todo treinamento anterior é apenas um meio em direção a ele”.

O "segredo" é fazer da sua arte uma forma livre, viva e contínua de auto-expressão
Bruce afirmava que cada indivíduo deveria ter seu treino técnico individualizado, ou seja, conforme suas aptidões naturais. O praticante deveria procurar se aprimorar nas técnicas com as quais mais naturalmente se adaptasse.  Ele defendia a ideia que o lutador só alcançaria um nível satisfatório para a defesa pessoal, se pudesse encontrar  sua habilidade natural em determinadas técnicas, aproximando-se assim de sua própria realidade e personalidade numa forma autêntica de autoexpressão.


No final da década de 1960 e início dos anos de 1970, Bruce Lee disseminava suas ideias revolucionárias sobre sparring, inspirado no que absorvia do boxe, wrestling, jiu-jitsu, judô e rotinas de outras disciplinas marciais que visavam o contato direto ou corpo-a-corpo. Assim, o estilo livre de sparring com equipamento protetor era prioridade para Bruce Lee, que declarava: “Não há nada melhor do que estilo livre de sparring na prática de qualquer arte combativa. Em sparring, vista proteção adequada e vá em frente com tudo. Então você poderá aprender verdadeiramente o “timing” correto e distância apropriada para desferir chutes e socos.” 

O conceito, treinamento e técnicas do boxe ocidental influenciaram definitivamente a Bruce Lee
na concepção do Jeet Kune Do


“É uma boa ideia treinar com toda a espécie de indivíduos: altos, baixos, rápidos, desajeitados...sim, as vezes companheiros desajeitados podem surpreender um lutador mais capacitado, porque a aparente inaptidão deles funciona como uma espécie  de ‘quebra de ritmo’. Embora o melhor parceiro de sparring é o lutador louco que vem atropelando, arranhando, agarrando, socando, chutando, etc.” - Bruce lee

Bruce Lee assimilou em seu "sistema de luta" os principais golpes do  boxe ocidental, como o gancho e o direto



“Para mim, totalidade é muito importante em sparring. Muitos estilos clamam que podem competir com todos os tipos de escolas marciais que suas estruturas cobrem toda espécie de ataque e também podem revidar em todas as linhas e ângulos possíveis. Se isso fosse verdade, então de onde vêm todos esses diferentes estilos? Ainda, se estão em totalidade, por que alguns usam somente linhas retas, outros linhas circulares, outros apenas chutes e outros ainda querem ser diferentes apenas nos movimentos de mãos?” - Bruce Lee

Bruce Lee interceptando a investida do adversário com o seu famoso chute lateral direto



“Um sistema que adere a apenas um determinado aspecto de combate está delimitado e restringido. Um artista marcial que se exercita, exclusivamente numa forma fixa de combate está perdendo sua liberdade, está em realidade se tornando escravo de um sistema escolhido e acha esse sistema é a realidade. Isso leva ao engano, porque o modo de combate nunca é baseado em escolha pessoal ou em fantasias. Ao contrário, muda constantemente de momento a momento e o então desapontado lutador logo descobre que sua ‘escolhida rotina’  carece de maleabilidade.” - Bruce Lee

Bruce aplicando o chute lateral circular com o peito do pé no rosto do adversário



“Deve haver um ‘ser’ em vez de um ‘fazer’, em treinamento. O indivíduo precisa ser livre. Em vez de complexidades de forma, deve haver simplicidade de expressão. O indivíduo deve estar ‘vivo’ em sparring, desferindo socos e chutes de todos os ângulos e não sendo um mero robô cooperativo. Como a água, deve ser ‘sem forma’ e tomar a forma necessária no momento certo, mudando-a de acordo com a circunstância. Coloque a água numa xícara, ela se moldará à xícara. Tente socá-la ou chutá-la e ela se torna elástica. Agarre-a e ela cederá imediatamente. De fato, escapará conforme for sendo aplicada pressão sobre ela. A verdade é que o ‘nada’ não pode ser confinado e que a substância mais suave não pode ser quebrada!” - Bruce Lee

Bruce Lee interceptando o adversário com um chute frontal no peito

Bruce Lee contra-golpeando com um chute lateral circular nas costelas do adversário
“Ser eficiente no sparring ou na luta real não depende de uma forma correta, clássica ou tradicional. Eficiência é tudo que é positivo e funcione. Praticar formas fantasiosas e adotar posições clássicas, avançar sob uma norma fixa aprendida por repetição substituindo a liberdade do sparring é como tentar armazenar água num saco de papel. Para algo que é estático, fixo, morto, pode haver um caminho ou percurso definitivo, mas não para algo que está em constante movimento e bem vivo.” - Bruce Lee

Bruce Lee, à curta distância, desferindo um chute circular (de fora para dentro) com a parte
lateral interna do pé na cabeça do adversário

Bruce Lee, à média distância, desferindo um chute circular (de dentro para fora) com
a faca do pé na cabeça do adversário
“Na luta real não pode haver percurso exato, pré-definido ou um método inflexível. Mas, em vez disso, um estado de alerta e prontidão, uma condição de estar ciente sem pré-escolha, de um jeito perceptível e maleável. Sparring vive de momento a momento e muda de momento a momento. A ideia do ‘duro’ versus ‘suave’ e do ‘externo’ versus ‘interno’ deixa de ser importante. O yin e o yang são, em verdade duas metades de um todo. Cada metade é igualmente importante e cada uma é interdependente da outra. Se há uma rejeição de uma ou outra, pender-se-á num extremo. Os que aderem ao extremo são conhecidos como fisicamente limitados ou intelectualmente limitados. Mas os primeiros são mais toleráveis, pelo menos em combate eles se esforçam.” - Bruce Lee

Bruce Lee usando técnicas de wrestling num treinamento 
Da parte de um depoimento de Linda Lee, esposa de Bruce Lee, extraído do livro, Bruce Lee: The Man Only I Knew: "No seu tempo, o estilo das artes marciais de Bruce evoluíram tanto que ele teve que dar um nome próprio para seu estilo – Jeet Kune Do. Ele explicou que ‘jeet’ significa ‘parar ou interceptar’; ‘kune’, punho e ‘do’, ‘caminho ou a última realidade’. Bruce explicou: ‘É a direta expressão dos sentimentos de alguém. Com o mínimo de movimentos e energia. Não há mistério. Meus movimentos são simples, diretos e não clássicos.’ Não havia jogos de regras ou formas clássicas no Jeet Kune Do porque eles costumam ser rítmicos. Quando Bruce fazia ‘sparring’ usava ‘ritmos quebrados’, acrescentando: ‘Formas clássicas são tentativas fúteis para aprisionar e fixar os movimentos sempre mutantes em combate e analisá-los e dissecá-los como um cadáver. Mas quando você está em combate real, você não está lutando com um cadáver. Seu adversário é um objeto vivo e em movimento, que não está numa posição fixa, mas fluído e vivo.'


'Trate-o realisticamente. Não como se você fosse um robô em luta.’ De suas próprias observações, ele há muito tempo verificou que a maioria das formas de Kung Fu, Karatê, Taekwondo e outras artes marciais eram baseadas em estilos, que são basicamente incompletos. Cada um tinha suas próprias formas, movimentos e assim por diante e cada praticante ia para a luta acreditando que ele tinha todas as respostas. Por essa razão Bruce recusou chamar ‘Jeet Kune Do’ de ‘estilo’, porque ele sentia que iria limitá-lo. Como resultado, JKD não possuía regras, formas, nem um conjunto de movimentos e técnicas com os quais pudesse opor-se à outras técnicas. Sua própria essência era autoexpressão, que por sua vez demandava grande autoconhecimento. Não era, por isso, um modo de luta que podia ser facilmente ensinado. Muitas dessas constatações surgiram de sua leitura e subsequente compreensão de forças da natureza, enquanto outras foram produto de suas próprias experiências."



Atualmente, Bruce Lee é considerado por muitos como sendo o "pai do M. M. A. (Mix Martial Arts)", graças
às suas ideias revolucionárias sobre o verdadeiro objetivo das artes marciais. A primeira cena de luta do filme Operação Dragão, na qual Lee enfrenta Sammo Hung, ilustra bem essa ideia.  Mas ainda assim, o M. M. A.,  com sua proximidade de luta real, limita o conceito inovador de Bruce Lee de como se expressar naturalmente num combate, pois não passa de uma competição controlada por regras e regulamentos que castram a  livre criação.
Bruce Lee costumava dizer: “Nenhuma natação simulada em terra os preparará para a água. O melhor exercício para a natação é nadar. O melhor exercício para o Jeet Kune Do é a luta real”.

Bruce Lee incentivava seus alunos treinar sparring com material de proteção adequado, para
assim exercerem o pleno contato em total liberdade


Dan Inosanto, um dos primeiros parceiros de Bruce Lee, descreveu assim a prática de JKD: “Os alunos de Bruce praticavam uma espécie de luta de rua, agressiva mas polida. Usavam equipamento de sparring e desferiam-se mutuamente golpes parecidos  com o boxe (ocidental) e com a luta-livre (wrestling) e às vezes até com o boxe tailandês. Praticavam com luvas de 12 ou 16 onças e eram encorajados a bater e a chutar abaixo da cintura, especialmente nas canelas, joelhos e testículos.”



Bruce Lee aplicando um chute lateral circular em Bolo Yeung (Yang Sze)
Para finalizar, mais algumas citações de Bruce Lee sobre a filosofia do JKD, que ele mesmo gostava de considerar como ‘Método Científico de Briga de Rua’: “Ao fazer uma estátua o escultor não adiciona massa ao seu trabalho. Na verdade, ele retira todo o desnecessário até que se revele a verdade, sem obstruções. Assim, ao contrário do ensinamento dos estilos organizados, ser bom em Jeet Kune Do não significa adicionar mais. Significa minimizar. Em outras palavras, excluir o desnecessário. Não é um acréscimo diário e sim um decréscimo diário.”

Bruce Lee "brincando" com Bob Wall no intervalo das filmagens de Enter the Dragon (Operação Dragão - 1973)
“A arte é a expressão real do ser. Quanto mais complexo e restrito for o método, menos oportunidades haverão para a expressão do sentido original de liberdade. Lembrem-se, estão expressando as técnicas e não fazendo as técnicas.  Se alguém os atacar, sua reação não é a técnica nº 1, posição nº 2, seção 4, parágrafo 5. Ao invés disso, mova-se simplesmente – como o som e o eco – sem qualquer deliberação.” - Bruce Lee


Aqui encerro a série sobre o Treinamento Diário de Bruce Lee; quero agradecer a todos que responderam positivamente ao meu trabalho, deixando claro que minha intenção desde o princípio foi o de informar e agregar conhecimento sobre o Pequeno Dragão. A todos os que postaram comentários ou somente acessaram aos posts, meu sincero agradecimento e continuem participando. Muito Obrigado mesmo!

Por Eumário J. Teixeira.

sábado, 2 de maio de 2015

BRUCE LEE E SUA ROTINA DIÁRIA DE TREINAMENTO – Parte III


Dando prosseguimento às postagens anteriores, continuarei descrevendo os métodos de treinamento de Bruce Lee utilizados ainda nos Estados Unidos quando sua prioridade ainda era se desenvolver como artista marcial. Pouco depois ele retornaria para Hong Kong e se tornaria o maior astro dos filmes de artes marciais em todo o mundo. Nessa postagem apresento mais alguns aparelhos tradicionais, como outros específicos criados por Bruce Lee e que foram fabricados ou aperfeiçoados por seu parceiro, James Yimm Lee.

Bruce Lee socando o saco teto-chão 

O saco teto-chão ou saco de velocidade exigia velocidade e reflexos do praticante
O Saco Teto-Chão (Double end bag) conhecido também como o “antigo saco de velocidade” era considerado por Bruce Lee como um dos principais equipamentos para o desenvolvimento da precisão e velocidade. O saco, de forma arredondada, é mantido por um suporte elástico em linha reta até o teto e por uma corda até o chão. O saco fica suspenso geralmente na altura dos ombros do usuário. Tal equipamento força o praticante a desenvolver a rapidez e precisão com as mãos, pois ao atingir o saco de forma correta, o equipamento retorna de forma imprevisível num movimento elástico e violento, o que é bom para aperfeiçoar o tempo correto (timing) para socar de volta, além de desenvolver o jogo de pernas, aprimorar a coordenação, pronta reação e combinação de socos. O saco teto-chão deve ser golpeado de forma direta e reta, como se estivesse mirando o nariz de um adversário.

O lendário Sugar Ray Robinson praticando no saco teto-chão
Bruce preferia esse tipo antigo ao moderno ou de plataforma fixa conhecido como Pera (Speed bag), que funciona apenas para os exercícios rítmicos, não servindo para desenvolver o “timing”, apesar de trabalhar a resistência de mãos e braços na altura do rosto que proporciona ao praticante manter a guarda alta.

A pêra (à esquerda) e o saco teto-chão em detalhe

O campeão invicto dos pesos-pesados dos anos de 1950 , Rocky Marciano,  treinando
como saco de plataforma ou "pera"
Bruce dizia: “Desde que ninguém lute assim, o saco de plataforma (ou Pêra) é somente útil para aguçar os olhos e manter as mãos elevadas. O  tipo antigo, de cordas elásticas, obriga o praticante a atingi-lo direta, viva e diretamente e não a empurrá-lo apenas! Se você não o atingir de maneira correta, o saco não revidará, isto é, não rebaterá contra você. Usando o jogo de pernas, pode-se também golpeá-lo para cima. Outra função importante desse equipamento é que, após desferido o golpe, o saco volta instantaneamente e com enorme velocidade e isso ensina a estar alerta e a recobrar-se rapidamente.”
O saco teto-chão ainda permitia a utilização da combinação punho-cotovelo, ou seja, golpear com o punho e bloquear o “revide” com o cotovelo ou antebraço. Uma observação importante no uso desse equipamento, é que ele não permite golpes de estilo clássico como os socos que partem do quadril, pois ao desferir o primeiro soco (partindo do quadril) o praticante seria atingido no rosto, já que sua mão não seria rápida o suficiente para defender a cabeça do retorno rápido e violento do saco.

Bruce Lee socando as manoplas sob o olhar do pequeno Brandon Lee
Bruce Lee socando as manoplas seguras por Dan Inosanto


O Coxim Redondo para Socos ou manoplas (Punch mitts), era outro equipamento versátil muito utilizado por Bruce Lee. Parecendo com o manguito usados pelos jogadores de baseball (uma espécie de luva acolchoada que usavam para amortecer as bolas lançadas), mas de forma chata, era usado para os mais variados tipos de socos. O treinamento funcionava do seguinte modo: um parceiro colocava o coxim e controlava a altura e a distância enquanto Bruce procurava atingir esse alvo móvel. O parceiro podia retirar o coxim (desviando-o para cima, para baixo ou para os lados) da mira de Bruce assim que percebesse sua intenção de desferir o soco, o que ensinava a Bruce não “telegrafar” os socos, além de procurar aumentar a velocidade e improvisar socos combinados com chutes. O treinamento com o coxim ainda permitia o desenvolvimento da explosão nos golpes, a mira, a coordenação e o distanciamento correto, fazendo com que o golpe chegasse ao alvo com o máximo de precisão e potência.

Manoplas ou coxim redondo, ontem e hoje
A Luva de Focus Acolchoada era uma variante do coxim redondo e tornou-se o protótipo de todas as luvas do mercado vistas até hoje em dia. Era muito usada por Bruce Lee para demonstrar o famoso Soco de 3 Polegadas, quando alguém de muita coragem a segurava firmemente ao peito.

A luva de focus era também usada para testar o soco de um polegada
O Coxim para Estocadas era usado por Bruce Lee para o desenvolvimento da rapidez e potência nos jabs sem ferir os dedos.

O aparador de socos retangular em detalhe
Bruce Lee desferindo um direto de esquerda no aparador de socos retangular


O aparador de socos, de forma retangular, era mais utilizado para desenvolver o poder no soco, as combinações eram efetuadas com potência mas com pouca mobilidade.

A faixa de couro condicionava os dedos para estocadas
A Faixa de Couro presa nas extremidades servia também para o desenvolvimento da velocidade, penetração e técnica correta ao desferir os jabs com as pontas dos dedos (técnica de ataque aos olhos do adversário). O faixa de couro grosso servia também para condicionar os dedos.

A cabeça de boneco cedia com o impacto dos golpes
A Cabeça de Boneco com Molejo (Bouncing Head Dummy) era outro excelente equipamento para desenvolver as estocadas (ou jabs com as pontas dos dedos), pois cedia o suficiente quando era atingido, como também era resistente o suficiente para enrijecer os dedos. Era como uma espécie de “cabeça” que cedia para trás ao receber o jab e depois retornava à posição original. O movimento assemelhava-se ao movimento do pescoço de um adversário que dobrava-se ao ser atingido na cabeça. Tal equipamento era acolchoado e elástico para suportar golpes potentes.

O alvo de papel era o ideal para aperfeiçoar o timing 
Socando o alvo de papel desenvolvia o posicionamento e a precisão

O Alvo de Papel era simplesmente uma folha de papel geralmente com as medidas de 18 x 25 cm, suspensa por uma corrente ou corda na altura do rosto. A ação de golpear a folha ajudava a Bruce Lee desenvolver o movimento de rotação dos quadris para adquirir ímpeto e velocidade na utilização dos braços e pernas, o que acrescentava mais potência aos golpes de forma considerável. Além disso, ajudava no desenvolvimento do equilíbrio do corpo, na fluidez dos movimentos, na coordenação e controle do peso corporal  durante o deslocamento. A folha de papel era usada para desferir  jabs com os dedos, socos em gancho, chutes laterais e em gancho, etc. Era um ótimo treino para o aprimoramento da velocidade, do posicionamento correto do corpo para gerar o máximo de potência e a capacidade de calcular a distância correta para a aplicação exata do poder desferido contra um alvo. Em suma, o treino com o alvo de papel lhe proporcionava uma crescente precisão e explosão para ataque. Bruce declarou certa vez sobre esse treinamento: “A teoria é que se você disser a alguém para desferir com tudo que tem, 100 socos no alvo de papel, a pessoa deferirá 100 socos com tudo o que tiver. Mas não o fará na madeira (modjong), pois depois de 20 socos seus punhos estarão machucados. A razão pela qual treino os alunos a atingirem a folha de papel é diminuir-lhes o temor de atingir algo. Depois, ao praticar na madeira, basta pensar que se trata da folha de papel e fazer do mesmo modo: a coisa se tornará uma reação natural. O praticante conseguirá mais explosividade nos socos e mais penetração (ao treinar com a folha de papel) do que se treinar na madeira.”

Bruce Lee e o almofadão de ar

Bob Baker voando com o almofadão de ar após ser atingindo por Bruce Lee
Cena de O Voo do Dragão (The Way of the Dragon) onde Bruce desfere um potente chute lateral
no dublê que segurava um almofadão de ar


O Almofadão de Ar era usado para desenvolver a distância apropriada e penetração contra um alvo móvel ou estático. Assim, o parceiro de treino poderia recuar ao perceber o disparo do golpe ou permanecer parado segurando o almofadão que absorvia a pancada. Com o alvo estático procurava-se desenvolver o modo correto de desferir o chute e, com o alvo em movimento, procurava-se desenvolver a penetração. Tal treinamento era precioso para ambos parceiros, para quem golpeava e para quem segurava o almofadão. O que chutava aprendia a não telegrafar sua intenção de golpear e, quem recebia o chute, aprendia a antecipar o ataque do parceiro recuando.

Bruce utilizando um escudo pesado nos treinos com Linda Lee
O Escudo Pesado era uma variante do almofadão de ar que servia para o mesmo propósito. Podia ser utilizado como alvo estático ou móvel da mesma forma. A diferença entre os dois equipamentos era que o escudo era uma peça compacta, enquanto o almofadão tinha que ser preenchido com o ar. O escudo pesado não podia absorver totalmente o golpe como o almofadão de ar, obrigando a quem o segurasse mover-se para trás para facilitar o amortecimento da pancada. Mas graças à maior mobilidade proporcionada com o escudo pesado, podia-se desferir o golpe mais potente sem o receio de ferir o parceiro de treino.

O Bloqueador de Chutes desenvolvido por James Lee
O Bloqueador de Chutes (Foot Obstruction and Shin-kick Apparatus) era um equipamento desenvolvido por James Yimm Lee baseado numa concepção de Bruce Lee. O aparelho era utilizado para treinar chutes na altura da canela e bloqueio com os pés. Era uma espécie de perna metálica presa num suporte vertical por três grossas molas.
Na sequência de Bruce lee e sua Rotina Diária de Treinamento tratarei (na parte IV) da importância do treino com sparring e os equipamentos de proteção.

Por Eumário J. Teixeira