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sábado, 18 de outubro de 2014

O MISTÉRIO NAS MORTES DE BRANDON & BRUCE LEE


Coincidências macabras na vida e na ficção podem ocorrer e assim foi com Bruce Lee, morto em 20 de julho de 1973, aos 32 anos, vítima de edema cerebral ou inchaço do cérebro devido a uma reação alérgica ao componentes do comprimido de Equagesic que tomou no apartamento da atriz chinesa Betty Ting-Pei que, soube-se mais tarde, era membro da máfia chinesa Triad e teria se casado com um dos chefões mafiosos (Charles Heung) com quem, inclusive, teve um filho (dizem, para se manter viva), algum tempo depois da misteriosa morte de Lee.  

Bruce Lee e Betty Ting Pei, um relacionamento amoroso que se tornou mortal?
Betty teria se separado de Heung anos depois e se tornado monja budista. Alguns afirmaram que por saber demais, Betty continuava em risco de morte, tornando-se monja ela assegurou a sua vida, pois mafiosos asiáticos, por superstição, não assassinam religiosos budistas. Algumas fontes sugeriram que Bruce Lee teria sofrido um possível envenenamento por arsênico no estilo antigo das máfias chinesas sem deixar vestígios para posteriores investigações e Betty Ting Pei teria sido usada como isca, estreitando seu relacionamento íntimo com Bruce ao usar seu charme sedutor e inteligência para finalmente atraí-lo para a morte, se assim fosse decidido pela Triad. 

Charles Heung, ex-ator e hoje um conhecido chefe da máfia Triad de Hong Kong, foi casado com Betty Ting Pei
A hipótese de envenamento foi reforçada quando vazaram depoimentos de pessoas que auxiliaram os legistas que fizeram a autópsia do corpo de Bruce Lee, que perceberam suas mãos e pés enegrecidos, uma característica do envenenamento por arsênico, e que a têmpora esquerda estava inchada como se tivesse levado uma forte pancada. Antes do sono mortal no apartamento de Betty Ting Pei, Bruce teria sofrido um colapso meses antes durante uma passagem de som de Enter The Dragon (Operação Dragão – 1973) nos estúdios da Golden Harvest. Raymond Chow estava lá quando Bruce teve convulsões, fez vômito e, quase em coma, foi levado ao hospital rapidamente. Mas se recuperou, fez exames e foi comprovado que estava em perfeita forma física ainda que fosse prescritos medicamentos para reduzir o volume anormal de seu cérebro e algum tranquilizante.
No filme Fists of Fury (A Fúria do Dragão – 1972) dirigido por Lo Wei, o mestre do herói chinês Chen Zhen (Bruce Lee) é assassinado por envenamento por pessoas ligadas à sua escola de artes marciais a mando das autoridades invasoras japonesas. Chen logo desconfia da morte misteriosa do mestre, que tinha boa saúde e se cuidava apesar da idade já avançada. Ao investigar descobre vestígios e pistas que o levam a ter certeza do atentado contra o mestre. Chen se vinga dos usurpadores japoneses e, no final, é convencido pelos companheiros de escola a se entregar às autoridades policiais. No entanto, é assassinado por um grupo de “justiceiros” estrangeiros à bala quando era guiado pela autoridade policial na saída da escola. O filme foi baseado numa história real que aconteceu no início do século XX, mais precisamente em 1910, quando o famoso e imbatível mestre chinês, Huo Yuanjia, morreu misteriosamente no leito de sua cama sob suspeita de ter sido envenenado por agentes japoneses. Um de seus discípulos teria se revoltado contra as autoridades japonesas ocupantes e teria sido morto ou dado como morto.

Final de Fists of Fury onde Chen Zhen é fuzilado ao saltar contra a multidão armada. A cena que foi incluída no Jogo da Morte de 1978, teria inspirado os assassinos de Brandon Lee?
A cena do fuzilamento de Chen Zhen foi usada na montagem (caça-níqueis) de The Game Of Death (O Jogo da Morte – 1978) onde o personagem Billy Lo (Bruce Lee), uma ator famoso de artes marciais em Hong Kong, que era assediado constantemente pela máfia, sofre um atentado no set de filmagem com balas de verdade ao invés de serem de festim. Billy Lo teria recebido um tiro no rosto, mas se recupera, e após uma cirurgia plástica parte para a vingança bem sucedida.

Stick, agachado, espera o momento certo para atirar em Billy Lo no Jogo da Morte (1978)
Billy Lo é atingido no rosto, mas sobrevive para a vingança na ficção


Voltando à realidade, 15 anos depois, mais precisamente em 31 de março de 1993, durante a gravação no set de filmagem do filme The Crow (O Corvo), Brandon Lee foi atingido mortalmente por um tiro no abdomem que perfurou diversos orgãos, causando hemorragia interna e cujo projetíl fraturou sua coluna. Novamente a máfia chinesa estava por trás dessa tragédia? Brandon foi vítima de um tiro certeiro de uma magnum 44, no set de filmagens. A munição da arma usada deveria ser de festim, mas por uma falha inexplicável e certamente suspeita, não houve uma conferência adequada da arma em questão a ser utilizada na cena fatal não só para o personagem, mas também para o próprio Brandon. O ator responsabilizado pelo tiro fatal, Michael Massee, foi inocentado posteriormente e somente acusado de negligência, mas ficou quase um ano afastado da mídia e do cinema, deprimido, reconhecendo que foi indiretamente responsável pela morte de Brandon.

Michael Massee, responsável e ao mesmo tempo vítima na morte de Brandon Lee em 1993
Tal como aconteceu na cena de A Fúria do Dragão (1972) em que Cheng é assassinado e que também foi utilizada para ilustrar o atentado a Billy Lo em O Jogo da Morte (1978), Brandon foi ferido mortalmente numa cena para O Corvo (lançado em 1994) em que seu personagem, Eric Draven, seria abatido a tiros. Uma mescla macabra de ficção e realidade.

Encenação do "acidente" com Brandon Lee no set de O Corvo (1993)
Quando ocorreu o “acidente” com Brandon, as filmagens de O Corvo não haviam sido concluídas totalmente, mas com os recursos modernos de computação, as cenas não filmadas por Brandon foram feitas por um dublê com o rosto de Brandon insertado digitalmente ao seu corpo  graças às técnicas modernas de computação e assim, o filme foi concluído e lançado no ano seguinte.
Já as filmagens originais de O Jogo da Morte foram interrompidas por Bruce Lee para fazer Enter the Dragon (Operação Dragão – 1973), mas foram reiniciadas logo após a conclusão deste. E quando Bruce  volta a filmar as cenas de The Game of Death, não pôde concluí-las, porque lhe sobreveio a morte repentinamente. O filme foi concluído cinco anos depois com sósias, colagens e cenas de outros filmes com imagens de Bruce Lee, inclusive com cenas do seu próprio funeral em Hong Kong. O que  foi de muito mal gosto por parte dos cineastas responsáveis.

Lo Wei, o diretor fanfarrão e membro de Triad (morto em 1996) e que causou muitas dores de cabeça para Bruce lee é suspeito de estar envolvido na morte do Rei das Artes Marciais. 
É sabido que Bruce Lee teve muitas desavenças com o diretor fanfarrão Lo Wei durante as filmagens de The Big Boss (Dragão Chinês – 1971) e Fists Of Fury (A Fúria do Dragão – 1972). A rixa continuou mesmo quando não mais trabalhavam juntos e em certa ocasião quase chegaram às vias de fato, sendo preciso a intervenção da polícia no escritório da Golden Harvest, em Hong Kong. Lo Wei teria até acusado Bruce de ter lhe ameaçado com uma faca. Lo Wei, morto em 1996 aos 77 anos, foi outro membro comprovado da máfia Triad de Hong Kong. O motivo das discussões poderia ter sido as questões técnicas de filmagens, a direção indiferente de Wei, os roteiros mal escritos e as locações sofríveis, como também a cobrança do pagamento do “seguro” ou de “favores” pela máfia, prontamente recusados por Lee. Mas de qualquer forma, o fato é que Lee morreria dias depois dessa discussão.
Bruce Lee após realizar o seu terceiro filme The Way of The Dragon (O Vôo do Dragão – 1972) pela sua recém formada Produtora Concord, em parceria com Raymond Chow, se responsabilizando também pela direção, roteiro, coreografia de lutas e  atuando como ator principal, já estaria pensando em voltar definitivamente para os EUA. Desgastado com a pressão sofrida em Hong Kong, ele queria tocar sozinho seus próprios projetos, na esperança de uma boa recepção de público e crítica para o filme que se tornaria o clássico dos filmes de artes marciais, Enter the Dragon (Operação Dragão – 1973), que lhe traria a consagração internacional. 

Raymond Chow, deu apoio a Bruce Lee na confusão com Lo Wei, mas não ficou satisfeito com o provável retorno de Lee para os EUA, é outro suspeito de estar envolvido na morte do astro do Kung Fu
Entretanto, a possibilidade de perder “a galinha de ovos de ouro” não teria agradado aos produtores chineses (principalmente Chow) e à máfia. Assim juntou-se a ganância de Chow, o rancor de Lo Wei e a vingança da Triad para conspirarem contra a vida de Bruce Lee. Para agravar ainda mais a tensão entre Lee e Raymond Chow, houve uma visita de Bruce Lee à Shaw Brothers em 1973 (pouco antes de sua morte), companhia cinematográfica rival da Golden Harvest e de onde Raymond Chow saiu para formar seu próprio estúdio. Bruce Lee teria acertado um contrato de exclusividade por três meses (para o final de 1973) com a Shaw Brothers de Run Run Shaw (o chefão do cinema de Hong Kong), o mesmo que não teria reconhecido o talento de Bruce Lee assim que ele voltou para Hong Kong em 1971 em busca da sua consolidação com ator. Bruce estava deixando claro que era independente e dono do próprio nariz.


Bruce Lee em visita à Shaw Brothers, em 1973, enquanto ainda filmava Operação Dragão, posa junto aos astros dos "filmes de Shaolin" Chen Kuan-Tai e David Chiang (ao centro) e ao lado do amigo Unicorn. Na foto à direita, Bruce e Unicorn posam em frente à Shaw Brothers.
E no fatídico 20 de julho de 1973, durante o intervalo de um suposto encontro entre Bruce, Raymond Chow, Betty Ting Pei e o ator George Lazenby (ex-007) que seria num restaurante para tratar dos detalhes do filme The Game Of Death (O Jogo da Morte), Bruce se deita com dor de cabeça após tomar um comprimido de equagesic dado por Betty e nunca mais acordou. Diferentemente do primeiro colapso, meses atrás, o atendimento demorou, primeiro Betty chama por Raymond Chow após inúmeras tentativas inúteis de reanimá-lo sozinha, depois  solicita seu médico particular que também não é bem sucedido na reanimação, e quando resolvem chamar a ambulância, descobriu-se provavelmente que era tarde demais. Em depoimento posterior ao acontecimento, Raymond Chow teria declarado que Bruce Lee “sentiu-se mal” no jardim de sua casa, depois se corrigiu  apontando o local para o apartamento de Betty Ting Pei. Qual seria a verdade? Lee foi envenenado e depois de espancado, foi removido do local original? Muitas dúvidas perduram até hoje.
Linda a última a saber, chegou primeiro que o próprio Lee no hospital Queen Elizabeth.
Causa mortis oficial: morte por infortúnio, reação alérgica aos componentes do comprimido que ingeriu que provocou um edema cerebral. Simples assim!

O tumulto gerado em Hong Kong no velório de Bruce Lee em 1973


O corpo de Bruce Lee sendo embarcado para Seattle, nos EUA, para ser sepultado
Na despedida de Hong Kong, após o velório e rumo a cidade de Seattle, nos EUA, para sepultar o corpo de Bruce Lee, Linda Lee (esposa de Bruce), visivelmente chocada e assustada, faz um depoimento conformado sobre a morte inesperada do marido, preservando a si mesma e aos pequenos Brandon e Shannon das especulações polêmicas.

Tom Bleecker, ex-esposo de Linda Lee Cadwell (agora casada pela terceira vez), revela suas teorias polêmicas sobre a vida e morte de Bruce Lee
Foi denunciado por Tom Bleecker, um escritor e roteirista do cinema e TV, conhecido também como o segundo marido de Linda Lee Cadwell entre 1988-1990, através de um livro polêmico (The Life and Death of Bruce Lee) que desagradou muito a Linda e a Shannon, que uma possível razão da morte de Lee seria sua dependência aos esteróides anabolizantes que além de miná-lo fisicamente, o deixavam depressivo, paranóico e agressivo. Linda escreveu em 1975 o livro, Bruce Lee: The Man Only I Knewn, no qual ela conta sua vida ao lado de Lee (do namoro na faculdade até a morte do marido). Esse livro teria sido a base para o roteiro do filme Dragon: The Bruce Lee Story (Dragão – A História de Bruce Lee - 1993) com Jason Scott Lee (que não agradou muito aos fãs no papel de Bruce Lee). Em 1989, com o auxílio de Bleecker, 

Os livros escritos por Linda: Bruce Lee: The Man Only I Knew, de 1975 e The Bruce Lee Story, de 1986, em parceria com o então segundo esposo, Tom Bleecker
Linda escreveu outro livro intitulado The Bruce Lee Story, o mesmo título do filme biográfico que viria a ser feito sobre Bruce Lee. O filme Dragão – A História de Bruce Lee, em outra trágica coincidência, foi lançado em maio de 1993, dois meses depois da morte de Brandon Lee e foi dedicado a ele e a seu pai. 

Dragon, The Bruce Lee Story (Dragão, a História de Bruce Lee - 1993) lançado no mesmo ano em que Brandon Lee morreu. O filme, apesar de bem produzido, não agradou aos fãs e foge um pouco da realidade da vida de Bruce Lee com algumas fantasias contestadas por Tom Bleecker.
Sobre esse filme Bleecker questiona certas passagens (que tiveram o aval de Linda para o filme) como fictícias, como a lesão grave que Lee teve nas costas (na verdade, devido a um exercício mal feito com pesos) que o deixou praticamente imobilizado por seis meses, sendo apresentada no filme como resultado de um golpe traiçoeiro de um mestre chinês num desafio em Seattle nos anos de 1960 (luta que realmente ocorreu contra Wong Jack Man e que Bruce teria vencido sem maiores problemas); a suposta luta que Bruce Lee teve um tailandês nas filmagens de The Big Boss (O Dragão Chinês – 1971), o que não ocorreu; e, pasmem, a causa de sua morte foi apresentada como uma consequência de uma maldição e perseguição de demônios hereditários.

Brandon lee caracterizado como Eric Draven em O Corvo. Sua morte "acidental" cheira a um sarcástico assassinato. Brandon esperava poder investigar a verdade sobre a morte de seu pai após as filmagens.
Outra bomba que Bleecker soltou foi que durante as filmagens de O Corvo, Brandon teria comentado que uma da coisas que mais o pertubavam era o mistério da morte de seu pai,  e que ele (Brandon), após examinar algumas anotações antigas dos arquivos de Bruce Lee, estaria decidido reabrir o caso e fazer uma investigação mais apurada após a concluir as filmagens de O Corvo. Ora, se o próprio Brandon questionava sobre a verdadeira causa da morte de seu pai, era porque  a história oficial nunca o convenceu e certamente também a Linda que sempre se mostrou conformada com o desfecho da apuração oficial, talvez por instinto de preservação aos filhos e a si própria.
Pouco tempo após tal declaração, Brandon foi vítima fatal do acidente no set de filmagem. Bleecker, talvez motivado pela amargura ou simples ambição pessoal, lançou o livro após se divorciar de Linda que se casou pela terceira vez em 1991, com Bruce Cadwell.
Segundo a própria Linda, Bruce Lee estaria nos últimos meses de sua vida muito inquieto, ansioso,  irritado e dizia ter a sensação de que não viveria por muito tempo. Ele estaria ciente da sua real condição física considerando um mal súbito fatal ou simplesmente temia um atentado contra sua vida?

Fatos curiosos sobre a Morte de Brandon Lee:

A arma, uma magnum 44 que teria sido usado para liquidar Brandon
- Durante uma cena final no qual o personagem de Brandon Lee (Eric Draven) luta contra alguns marginais, ele é atingido pelas costas com um golpe de katana, espada japonesa, que atravessa seu abdomen. Por uma estranha coincidência, a perfuração da espada foi exatamente no ponto exato por onde a bala fatal da magnum 44 entrou.
- A tomada da cena fatídica em que Brandon é baleado mortalmente teve três tomadas. Nas duas primeiras tudo correu bem, mas na terceira tomada, ocorreu o tiro fatal. Ou seja, na troca de munição houve uma falha gravíssima ou foi intencional. Os técnicos responsáveis pelas armas eram Bruce Merlin, Charlene Hamer e Daniel Kuttner, foram inocentados.
- A distancia de Brandon para o ator Michael Massee que efetuou o disparo mortal era de 3,60 metros.
- A cena em que Brandon foi ferido mortalmente poderia ter sido na qual seu personagem chega no apartamento no momento em que  sua noiva estava sendo violentada pelos marginais e é baleado ao tentar defendê-la, ou, na que é mais provável, quando Eric Draven de volta da morte surpreende 'Fun boy' (Michael Massee) no quarto com a namorada e é atingido mortalmente no terceiro tiro.
- Foi divulgado que um figurante possivelmente sino-americano não identificado que estava circulando no set. Ele teria expressado sua obsessão por filmes de artes marciais e um amor por armas de fogo. O desconhecido teria se ofereceu para limpar as armas que seriam utilizadas na cena e disse que veio de Nova York para acompanhar as filmagens de O Corvo. Após o acidente no set ele não foi mais visto nem conseguiram identificá-lo na lista de figurantes.
- As imagens das tomadas que registraram a morte de Brandon foram destruídas graças a um acordo judicial entre Linda Lee e os produtores do filme, os executivos do estúdio e os atores envolvidos na cena.

Fatos curiosos que antecederam a Morte de Bruce Lee:

Chen Zhen (Bruce lee) em A Fúria do Dragão (1972), indignado com a morte suspeita de seu mestre (no retrato ao fundo). Na verdade trata-se do Mestre Huo Yuanjia, que realmente existiu e teria sido envenenado por chineses corrompidos pela força ocupacional japonesa em Xangai, no ano de 1910. E 63 anos depois, Bruce Lee teria sido morto da mesma forma.
- Em 05 de maio de 1973, o produtor da Golden Harvest, Raymond Chow, teria feito uma apólice de seguro de vida em nome de Bruce Lee.
- Em 10 de maio de 1973, Bruce teria a primeira convulsão nos estúdios da Golden Harvest enquanto sincronizava o som de Operação Dragão. Raymond Chow estava presente.
- Rapidamente ele foi levado ao Hospital Batista de Hong Kong onde foi atendido pelo Dr. Langford e pelo Neurologista Dr. Wu.
- Durante seu estado de inconsciência, foi detectado um inchaço no cérebro de Bruce lee e foi prescrito o medicamento Manitol para diminuir o edema.
- Durante sua recuperação Bruce teria admitido que teria mastigado folha de haxixe do Nepal. O que fazia habitualmente há algum tempo. Ele foi aconselhado pelos médicos a parar com tal hábito.
- Em junho de 1973, Bruce fez  exames médicos preventivos em Los Angeles e todos os resultados foram satisfatórios. Segundo os médicos, Dr. Karpland e o neurologista Dr. Reisboard, Bruce tinha a saúde de um jovem de 18 anos, apesar da perda drástica de quase 5 kg de peso. Bruce pesou 57 kg no exame e seu peso normal seria entre 60 a 62 kg.
- Em 10 de julho de 1973, Bruce tem uma séria discussão com o diretor Lo Wei, no escritório da Golden Harvest. Raymond Chow estava presente. Segundo foi registrado pela ocorrência policial, Bruce teria ameaçado Lo Wei com uma faca, mas a tal faca não foi achada.
- Em 20 de julho de 1973, Bruce Lee morre misteriosamente no apartamento de Betty Ting Pei.
Segundo os médicos reponsáveis pela autópsia, Lee foi vítima de um edema cerebral ou inchamento do cérebro causado por uma alergia ao comprimido equagesic lhe oferecido pela atriz. Cogitou-se que o quadro poderia ter sido agravado pelo fato dele ter mastigado e ingerido folhas de canabis (que poderia ser haxixe ou maconha), que foi achado em seu estômago durante a autópsia. A possibilidade foi descartada depois pelo fato de que a porção da erva era desprezível e portanto  não poderia ter lhe  causado nenhum mal.

Fatos Curiosos ocorridos no dia da Morte de Bruce Lee:

Raymond Chow e George Lazenby (ex-007) no velório de Bruce Lee em 1973. Bruce não compareceu ao encontro com os dois naquela fatídica noite de 20 de julho.
- Na sexta feira do dia 20 de julho de 1973, Bruce marcou um compromisso em sua  casa com Raymond Chow as 14:00. Linda, Brandon e Shannon tinham saído. Por incrível que pareça, a casa que só andava cheia e movimentada, estava nesse dia em especial, vazia, apenas com Bruce e Raymond Chow.
- Na agenda dos dois estava marcado um encontro à noite no Miramar Hotel com o ator inglês George Lazenby (ex-007) para acertar sua participação no projeto O Jogo da Morte.
- As 16:00, Bruce teria saído de sua casa com Raymond Chow para irem ao apartamento da Atriz Betty Ting Pei, que também participaria do filme O Jogo da Morte. Por poucos segundos Bruce e Raymond Chow não encontram com Linda que chegava em casa com o casal de filhos.
- As 19:30, durante a reunião no apartamento de Betty Ting Pei (que  muitos diziam ser uma amante de Lee), Bruce queixa-se de dor de cabeça, ingere um comprimido de Equagesic dado por Betty e vai deitar-se no quarto da atriz.
- As 19:40, Raymond Chow saiu para o suposto encontro com George Lazenby no hotel, aguardando que Bruce Lee se recuperasse a tempo para se juntar a eles. Betty Ting Pei permanece com Bruce no apartamento.
- As 21:00, Chow telefona do hotel cobrando a presença de  Bruce e Betty para a reunião com Lazenby. Betty diz que não conseguiu acordar Bruce Lee e pede que Raymond Chow fosse ao apartamento.


Ilustração do quarto de Betty Ting Pei e o posicionamento de Bruce Lee na cama
- As 21:30, Chow chega ao apartamento e encontra Bruce Lee ainda inconsciente na cama de Betty Ting Pei.
- Betty e Chow resolvem chamar o Dr. Eugene Wu, que veio sem demora e tenta sem sucesso reanimar Bruce Lee por 10 minutos.
- Raymond Chow resolve avisar a Linda Lee por telefone para que ela se dirigisse ao Hospital Queen Elizabeth e em seguida chama a ambulância.
- As 22:30, a ambulância trazendo Bruce Lee do apartamento de Betty chega ao hospital (apesar de ter levado 45 minutos para percorrer o trajeto, o normal seria, em média, 14 minutos). Uma equipe de médicos já estava em prontidão. Linda Lee tinha chegado antes da ambulância.
- As 23:30, Raymond Chow anuncia à imprensa a morte de Bruce Lee.
- Raymond Chow teria entrado em contradição em declarar incialmente que Bruce Lee teria passado mal em sua casa, logo depois teria mudado a informação para o apartamento de Betty Ting Pei. 
- O que muito se questionou foi sobre a demora de Betty Ting Pei e mesmo de Raymond Chow para decidirem chamar a ambulância ao perceberem o grave estado de Bruce Lee, da mesma forma que foi feito dois meses atrás quando Bruce desfaleceu na Golden Harvest. A demora do atendimento pode ter sido fatal. Será que foi intencional?

Outros pontos de vista sobre as possíveis causas da morte de Bruce Lee:

Velório de Bruce Lee em Hong Kong
- Alguns polêmicos estudiosos do assunto, como Tom Bleecker, declaravam que Bruce abusou no uso de esteroídes anabolizantes que o levaram à morte, mas na verdade ele teria usado esteróides catabólicos, que são anti-inflamatórios e que já eram acessíveis em lojas autorizadas. Já os esteróides anabolizantes ilegais eram e ainda são usados para desenvolver a musculatura de forma anti-natural e de forma prejudicial à saúde.
 - Outros afirmaram que Bruce teria morrido devido a uma reação alérgica à maconha. Pelo que se sabe nunca ninguém morreu intoxicado por maconha. E a quantidade encontrada em seu estômago era ínfima.
- Outra hipótese seria que Lee teria morrido devido a uma reação alérgica aos componentes do  comprimido Equagesic (325mg de aspirina e 200 mg de tranquilizante) que ingeriu. O Equagesic foi prescrito nos EUA de 1960 a 1997, sem nenhum relato de caso de morte.
- Charles Heung (ex-ator e ex-marido de Betty Ting Pei) e Lo Wei (produtor, morto em 1993) eram membros da Triad e provavelmente estavam envolvidos na morte de Bruce Lee. Lo Wei e Bruce Lee tinham  discussões constantes e Lee teria ameaçado ao produtor chinês em 1973 poucos dias antes de sua polêmica morte. Bruce já estava decidido a retornar para os EUA e criar seu próprio estúdio, o que não teria agradado a todos que faturavam com os filmes made in Hong Kong.
- Betty Ting Pei (ainda solteira) foi uma isca perfeita usada pela Triad para atrair Bruce Lee para a morte.
- De acordo com depoimentos de funcionários do serviço funerário de Kowloon, em Hong Kong, responsáveis pela preparação do corpo para o velório, as mãos e pés de Bruce estavam estranhamente negros e sua têmpora esquerda estava inchada ou lesionada. É óbvio que o edema cerebral causa apenas o inchaço interno, não haveria como provocar um inchaço externo e seu pescoço estava estranhamente dobrado. Eles concluíram que pelos sinais físicos que observaram em seu corpo, que ele provavelmente teria sido envenenado por arsênico e poderia ter sofrido alguma agressão depois de estar inconsciente. 


O corpo de Lee nos procedimentos para o velório, nota-se uma curvatura estranha em seu pescoço.

Os efeitos colaterais do envenenamento pelo arsênico são reconhecidamente fortes dores de cabeça e cólicas abdominais, náuseas, vômitos, convulsões, coma e morte. O óxido de arsênio é um pó branco, sem gosto ou cheiro que pode ser facilmente adicionado à uma refeição ou bebida de uma pessoa sem levantar supeitas. Era conhecido como “pó da herança” porque costumava abreviar de forma muito conveniente a herança de tronos e títulos da nobreza na antiguidade. O arsênio pode se tornar mortal se consumido apenas uma décima parte de 1 grama durante dois meses, sendo que 1 grama de arsênio é veneno suficiente para matar sete pessoas adultas, e 100 mg (uma colher de sopa) mataria uma pessoa em minutos. Por ser branco ou incolor não apresenta assim sinais identificáveis, o que faz esse composto ser tremendamente traiçoeiro e mortífero.

O corpo de Bruce Lee sendo velado em Hong Kong
O veneno arsênico é conhecido pelos chineses há séculos, sendo utilizado por herbalistas tanto para a cura quanto para a  morte, sendo que nos anos de 1970 eram comuns casos de entoxicação por arsênio por contato  ou consumo de águas contaminadas em Hong Kong.
Especulações e teorias conspiratórias? Só o tempo dirá. Espero o dia em que virá à tona toda a verdade, pois como um fã (e não idólatra) há 40 anos do Pequeno Dragão não posso me conformar com sua morte mal explicada, como também não há como deixar de relacionar sua passagem com a morte de seu filho Brandon Lee, morto de um forma tão relapsa e irônica, que me parece que foi totalmente um ato maquiavélico e proposital.


Funeral de Bruce Lee em Seattle: Entre os demais ilustres convidados estavam os atores de Hollywood, Steve McQueen e James Coburn, o mestre introdutor do Taekwondo nos EUA, Jhoon Rhee; e o  campeão lutador de Tang Soo Do e ator  principiante, Chuck Norris.

Túmulos de Bruce e Brandon no Cemitério de Lakeview, na cidade de Seattle, estado de Washington, EUA.
Bruce Lee não era um deus ou um super-homem, mas era uma pessoa especial, revolucionária, inteligente e criativa, pai e esposo amoroso com seus defeitos e virtudes, e com certeza um vencedor que superou suas limitações físicas, preconceitos raciais e barreiras culturais, dando o seu melhor para crescer como um cidadão do mundo a ponto de finalmente merecer o título de “Rei das Artes Marciais”. Brandon seguia seu próprio caminho, tinha personalidade e carisma próprios, considerava sua mãe e sua irmã Shannon, estava próximo de constituir uma família e certamente se tivesse mais tempo, teria obtido um grande sucesso em sua carreira  de ator. Que Deus tenha misericórdia de Bruce e Brandon.


Eumário J. Teixeira

domingo, 28 de setembro de 2014

BRANDON BRUCE LEE - O Legítimo Herdeiro do Pequeno Dragão.


Brandon Lee (Brandon Bruce Lee) – Nascido em 1º de janeiro de 1965, na cidade de Oakland, California, EUA, era filho de Bruce Lee e Linda Lee Cadwell. O avô de Brandon, Lee Hoi-Chuen (pai de Bruce), morreu uma semana após o seu nascimento. Desde criança Brandon teve o incentivo do pai para treinar artes marciais. Infelizmente Bruce Lee faleceu em 1973 aos 32 anos (oficialmente, de edema celebral) quando Brandon estava com apenas oito anos de idade. Sob os cuidados do pai Brandon teria tudo para ser um grande artista marcial, verdadeiramente o sucessor do Rei do Kung Fu; mas não foi assim que aconteceu. Brandon cresceu sem a presença física do pai, mas dele o menino tinha muitas recordações, sem contar com os filmes e as histórias que sua mãe e amigos da família partilhavam entre si. 
Bruce e Brandon numa demonstração para a TV em Hong Kong
Surpreendentemente os interesses do jovem Brandon se voltaram mais para o teatro e a arte de interpretar do que precisamente para o Kung Fu, apesar de nunca ter conseguido se livrar do legado que, querendo ou não, Bruce Lee lhe deixou, que era a tendência natural para as artes marciais, embora nunca pretendesse ocupar ou superar o próprio pai. 
Brandon e Bruce
Brandon, aliás, detestava as inevitáveis comparações. O próprio Brandon declarou certa vez que seria impossível surgir outro Bruce Lee, já que para sê-lo alguém teria que passar pelas suas mesmas experiências. Brandon por exemplo teve uma criação totalmente diferente de seu pai, pois foi criando sob cultura e ambientes diferenciados do padrão chinês. Bruce Lee era filho de uma família tradicional de classe média chinesa, seu pai era um tradicional e respeitado ator de teatro e viciado em ópio (o que era comum entre os atores chineses renomados) tinha quatro irmãos e constantemente se envolvia em brigas de rua com deliquentes, gangs e até contra pequenos traficantes nos tempos de adolescente, correndo risco de morte real. Apesar de não lhe faltar nada, constantemente dava trabalho aos pais no que se refere à disciplina. Sua aparência de bom moço enganava a todos, pois sempre estava disposto a uma boa luta. Seus confrontos precoces o levaram desde cedo a questionar sobre as melhores técnicas para se usar efetivamente nas ruas, pois ainda jovem já duvidava de certos estilos de Kung Fu e sua eficácia em confrontos reais. E ele progrediu marcialmente dando a cara à tapa, literalmente. No caso de Brandon, as coisas não aconteceram assim sempre foi protegido e acompanhado pela mãe, familiares e amigos íntimos de Bruce, apesar ter tido alguns problemas de indisciplina na escola devido à cobranças e comparações feitas pelos colegas, e boatos sobre a morte misteriosa de seu pai. Teve apenas uma irmã (Shannon), gostava de motocicletas, música e de teatro, mas as artes marciais nunca estiveram em primeiro plano para ele, apesar de sempre praticar sem alarde. No início dos anos de 1970 a família Lee se viu obrigada a sair dos EUA para Hong Kong quando Bruce foi convidado a fazer a série de filmes que o deixaria famoso, mas após a sua morte prematura, Linda e seus filhos Brandon e Shannon retornam para os EUA. 
Shannon, Linda e Brandon
Na América, após concluir seus estudos regulares aos 18 anos em 1983, o jovem Brandon se matricula com o apoio de Linda na Escola de cinema Emerson College, em Boston, Massachussets, que deixou após um ano e meio para continuar na arte dramática cursando no Lee Straberg Theatre And Film Institute de New York. Mas Brandon retorna aos seus treinos de Kung Fu, mais precisamente o Jeet Kune Do (arte marcial criada por Lee), conciliando com seus trabalhos teatrais. Começa a treinar na academia de Dan Inosanto e Ted Wong interagindo com antigos alunos e amigos de seu pai como Richard Bustillo e Jerry Poteet. Inevitavelmente ele é pressionado por inúmeros convites para filmar e iniciar sua carreira cinematográfica. Em 1986 participou do longa para TV “Kung Fu - The Movie” (baseado na série de TV dos anos de 1970), contracenando com David Carradine; ainda em 1986, aos 21 anos fez “Legacy Of Rage” produzido em Hong Kong, onde contracena num combate com o veterano Bolo Yeung, as lutas com muito realismo foram coreografadas por Tom Blauer, praticante de Full Contact e instrutor do Ecletic Martial Arts Center de Montreal, Canadá; em 1987 participou do que seria um piloto para refilmagem da antiga série de TV “Kung Fu”, intitulada “Kung Fu: The Next Generation”, onde fez o papel de filho do monge rebelde Kwai Chang Caine (interpretado desta vez por David Darlow), personagem central na série original. Em 1990 fez Missão Resgate (Laser Mission) ao lado do consagrado Ernest Borgnine, uma produção australiana sem muita repercussão. Finalmente em 1991 co-estrelou com Dolph Lundgren o filme “Massacre no Bairro Japonês” (Showdown In Little Tokyo), onde roubou a cena, pois Lundgren nunca foi um ator e como artista marcial apesar de ser faixa prêta em Kyokushin Karatê, é totalmente inexpressivo. Brandon por mais que tentasse disfarçar não poderia negar que tinha alguns trejeitos do pai e o filme vale a pena ser visto por isso, de alguma forma ele lembrava Bruce Lee em alguns movimentos que fazia, as lutas foram coreografas por Pat Johnson, norte americano lutador veterano de Tang Soo Doo coreano. No ano seguinte Brandon é o ator principal de “Rajada de Fogo” (Rapid Fire), nesse trabalho ele estava ainda mais solto e usou visivelmente técnicas de Jeet Kune Do, sendo que boa parte das coreografias de luta foi desenvolvida com o auxílio do experiente double e amigo, Jeff Imada. Brandon esteve no Brasil em 1992 para a divulgação e lançamento de “Rapid Fire” . Tudo indicava que ele iria aos poucos se desenvolver como ator e artista marcial. Como Bruce Lee, ele tinha forte personalidade, era politizado, tinha carisma e inteligência, e sabia muito bem o que queria alcançar, era só uma questão de tempo. Então surgiu uma grande oportunidade, um projeto mais ambicioso que daria a Brandon um destaque no mundo do cinema. 
Brandon caracterizado para seu personagem em O Corvo
O filme denominado “O Corvo” (The Crow, de 1993); algum supersticioso não poderia imaginar um título mais apropriado. O personagem principal do filme, Eric Draven (Brandon Lee), é um músico de rock que é assassinado juntamente com sua namorada violentada pelos marginais. Graças ao sobrenatural e a um corvo misterioso, Draven volta da morte para se vingar da gang. As filmagens estavam indo bem com grande atuação de Brandon até que o pior aconteceu. Ele gravava uma cena em que chegava em casa com algumas compras de supermercado num saco e surpreendia a ação dos bandidos. Nesta cena Brandon teria que ser baleado no abdome mortalmente. A sacola de papel que carregava continha uma bolsa de sangue artificial que explodiria simulando o ferimento. O técnico em efeitos especiais (ausente) responsável pela munição de festim usada na arma, inexplicavelmente deixou o seu auxiliar com a responsabilidade de preparar a falsa munição e misteriosamente um projétil de verdade foi deixado no cano da arma que perfurou a sacola e atingiu os orgãos internos de Brandon, chegando a partir sua coluna vertebral causando sua morte por hemorragia interna. O filme que registrou tal cena de horror, foi destruído (dizem...); mas de qualquer forma foi mais uma vez uma morte estúpida, precoce e muito mal esclarecida tal como foi a de seu pai. Brandon faleceu em 31 de março de 1993, na Carolina do Norte, com apenas 28 anos de idade. 
Os túmulos de Bruce e Brandon em Seattle
Como fizeram em O Jogo da Morte (The Game Of Death) com Bruce Lee, o filme foi concluído com a ajuda de sósias, doublês e montagens. No remake de “O Jogo da Morte” (1978), há uma cena em que o personagem Billy Lo (que seria Bruce Lee), um ator de filmes de Kung Fu, é ferido propositalmente nas filmagens de um filme e é dado como morto; foi a profecia de uma tragédia que ocorreria em 1993. A realidade copiou a fantasia, foi mesmo assassinato, uma trágica coincidência, ou maldição? Só Deus pode responder tais questões. O lançamento do filme foi um sucesso de público, e ainda que a trágica morte de Brandon ter sido um chamariz para a promoção de “O Corvo”, ironicamente foi o melhor trabalho dele que prometia ser a mais nova sensação de Hollywood. Brandon nunca pretendeu o trono do pai, mas tinha orgulho de ser seu filho, ele apenas queria conquistar o seu próprio reino em outras esferas.  

Brandon estava noivo de Eliza Hutton e se casariam em 17 de abril de 1993 no México, só que a fatalidade ocorreu duas semanas antes. Ele foi enterrado em Lakeview Cemetery em Seattle ao lado do túmulo do pai. Que Deus tenha misericórdia de Brandon e de Bruce, e abençoe Linda e Shannon.

Link com homenagem a Brandon Lee: 
http://youtu.be/DszDGEFpJ8c

Por Eumário José Teixeira. 

BRUCE LEE - O REI DAS ARTES MARCIAIS NÃO DEIXOU SUCESSORES



O que seria dos filmes de artes marciais sem o surgimento de Bruce Lee? Certamente o gênero não teria tamanha longevidade e sucesso de público. Talvez o que manteve o gênero ainda vivo nas telinhas foi justamente a expectativa do surgimento do sucessor de Bruce Lee, morto em 1973. Mas estamos em 2011, e a meu ver até hoje, ninguém esteve à altura do pequeno dragão. Alguns chegaram perto de ter um reconhecimento semelhante, mas não souberam se manter no topo e se perderam. A maioria dos candidatos à sucessão fizeram mais de uma dezena de filmes e não conseguiram convencer o público ávido por outro ídolo nas artes marciais. Se bem que quem foi fã de Bruce Lee e acompanhou sua curta carreira, jamais iria admitir que alguém pudesse destroná-lo.
Bruce Lee deixou apenas quatro filmes de artes marciais concluídos e um inacabado. Anteriormente aos filmes produzidos em Hong Kong, ele foi protagonista da série de TV norte-americana “O Besouro Verde” (The Green Hornet) no final dos anos de 1960, fazendo o papel de Kato, o ágil e saltitante parceiro do Besouro Verde (Van Williams). Só para comentar, a nova versão para o cinema de “O Besouro Verde” (2011) foi um lástima, aliás Hollywood ultimamente faz questão de destruir os clássicos dos quadrinhos e das telinhas.
Após Bruce Lee ter co-estrelado com sucesso em “O Besouro Verde” e em outra série de TV chamada “Longstreet” (com James Franciscus) e na qual teve ótimas participações apenas nos dois primeiros capítulos, ele foi simplesmente vetado para o principal de “Kung Fu”, uma série para TV famosa e idealizada inicialmente para o próprio Lee, que foi substituído pelo canastrão David Carradine, que além de ser um ator medíocre usaria suas habilidades de ‘dançarino’ para enganar nas cenas de lutas nos episódios com uma discreta ajuda de dublês. Ficou evidente que era um típico caso de discriminação racial por parte dos produtores norte-americanos.
O primeiro filme de Bruce Lee produzido pelos estúdios de Hong Kong foi “O Dragão Chinês” (The Big Boss) de 1971. O filme foi filmado sob condições precárias numa vila na Tailândia. Com uma produção barata, a película só se salva pela performance de Bruce Lee. Sua técnica, explosão e velocidade nos golpes eram inéditos para um público acostumado com um cinema ‘pastelão’ de Kung Fu onde as lutas pareciam intermináveis e sem definição. Foi um enorme sucesso de público em Hong Kong.
O segundo filme, “A Fúria do Dragão” (Fist Of Fury) iniciado em 1971 e concluído em 1972, foi filmado em Hong Kong com uma produção melhor. Bruce (com moral) pôde interferir nas coreografias das lutas e contou com a participação de seu amigo e karateca Bob Baker, que interpretou um famoso lutador russo. Lee demonstra sua perícia com o nunchaku pela primeira vez nas telonas. Foi outro estrondoso sucesso em toda a Ásia. O personagem de Lee está furioso e obcecado para vingar o assassinato de seu mestre, sua fúria é transmitida ao público a cada golpe desferido contra os alunos de academia japonesa.
O terceiro filme, “O Vôo do Dragão” (The Way Of The Dragon) de 1972, Bruce Lee foi o responsável pelo roteiro, direção e coreografia das cenas de luta, além de ser o protogonista. Um dos trunfos do filme foi a participação de dois lutadores de artes marciais campeões dos EUA, Bob Wall e Chuck Norris, assim como da participação do coreano Wang Ing Sik (em coreano Hwang In-Sik), mestre de Tang Soo Doo. Neste filme Bruce protagoniza uma cena clássica utilizando dois nunchakus ao mesmo tempo. O clímax de “O Vôo do Dragão” é sem dúvida o duelo final entre Lee e Chuck Norris no coliseu em Roma, a coreografia da luta é tida como uma das mais belas já feitas no cinema. O filme é temperado com cenas de humor com as quais Bruce queria direcionar diretamente ao público asiático.
O quarto filme seria “O Jogo da Morte” (The Game Of Death), que foi começado a ser filmado ainda em 1972; era um projeto pessoal de Bruce Lee. A idéia central do enredo era demonstrar que todo artista marcial deveria se adaptar às circunstâncias mesmo que muito desfavoráveis. No filme o personagem de Lee teria que invadir um pagode de estilo coreano, e enfrentar em cada pavimento um adversário com um estilo de luta diferente. No esboço original Whang Ing Sik (mestre coreano Tang Soo Doo e de Hapkidô) guardaria o primeiro andar; Taki Kimura (amigo e aluno de Lee) guardaria o 2º andar; Dan Inosanto (mestre das armas brancas filipinas e amigo de Lee) ficaria com o 3º andar; Ji Han Jae (mestre introdutor do Hapkidô nos Eua) estaria no 4º andar; e finalmente o gigante Karren Abdul Jabbar (profissional de basquete e ex-aluno de Lee) seria o último adversário no 5º andar. Ele chegou a deixar gravados alguns ensaios de lutas ainda não definitivos para o filme. Um dos confrontos que chegou às telas foi o que Bruce enfrenta seu parceiro filipino Danny Inosanto, que representava um mestre no nunchaku e bastões duplos. O duelo entre os dois com nunchakus é um clássico do gênero. O outro duelo exibido foi contra mais um amigo de treinamento, Han Jae Ji, mestre de Hapkidô responsável pela divulgação do estilo nos EUA. E para finalizar Lee enfrenta literalmente um grande obstáculo, o gigante Kareen Abdul Jabbar, de mais de 2 metros de altura. Jabbar foi aluno de Bruce Lee em Seattle e era campeão de basquete pelos Lakers nos EUA. A luta foi outra aula de técnica e criatividade de Bruce Lee. Mas Bruce não concluiu as filmagens, foi chamado às pressas para os EUA por Hollywood que acabou por se render ao talento do “pequeno dragão”, eles tinham um projeto mais ambicioso para Bruce Lee. ‘O Jogo da Morte” seria lançado oficialmente em 1978, com montagens absurdas, tais como closes de Lee em filmes anteriores, dublês e sósias de Bruce filmados com enormes óculos escuros encobrindo o rosto, filmagens em ângulos que dificultassem o close dos sósias, e atores que chegaram a contracenar com Bruce em outros trabalhos como Dan Inosanto e Bob Wall. Mas vale a pena ver pelas cenas finais originais com Lee trajando seu lendário macacão amarelo e enfrentado Dan Inosanto, Han Jae Ji e Kareen Abdul Jabbar. Anos mais tarde foi lançado um documentário chamado “A Jornada de um Guerreiro” (Warrior’s Journey) que trata justamente deste projeto inacabado por Bruce Lee, com suas idéias e esboços para o filme, cenas inéditas de ensaios de lutas com outros participantes para “O Jogo da Morte”.
Mas foi “Operação Dragão” (Enter The Dragon) de 1973, que se tornou o quarto e definitivo filme de Bruce Lee. É até hoje considerado o clássico insuperável dos filmes de artes marciais. Bruce Lee era o protagonista mas teve que dividir o estrelato com os norte-americanos John Saxon e Jim Kelly. As cenas de luta foram todas coreografadas por Lee. John Saxon não se comprometeu, teve boa participação dentro de suas limitações como artista marcial; Jim Kelly com sua cabeleira black power, se destacou com seu karate nada ortodoxo, mas certamente graças à supervisão de Lee. No filme Bruce Lee dá uma demonstração jamais vista nas telas de manuseio de armas brancas, nunchaku, bastões filipinos, e bastão longo (bo). Outros participantes ilustres do filme como vilões, foram Bolo Yeung (como Bolo), praticante de Karatê; Sammo Hung (que fez a primeira cena de luta do filme contra Lee), o experiente em filmes de Kung Fu; Shih Kien (como Mr. Han), um ator veterano de Hong Kong e praticante de estilo tradicional de Kung Fu; e novamente Bob Wall (como O’Hara). Operação foi um sucesso sem igual, na Ásia, Europa e EUA, Bruce Lee estava consagrado. Mas Deus não permitiu que ele usufruísse desse sucesso em vida. Pouco antes do lançamento do filme, Lee falecia em 20 de julho de 1973, deixando um público enorme de fãs espalhados no mundo inteiro. Quem poderia imaginar que Bruce Lee era um mero mortal?
Começou-se então a procura do sucessor do Rei do Kung Fu, vários surgiram de todos os cantos, a maioria tentando imitá-lo em vão. Até hoje se tenta achar alguém. É como tentar achar o novo Pelé, o novo Muhammad Ali, o novo Jimi Hendrix, etc. Bruce sempre vai ser a referência para se julgar algum artista marcial.
A seguir alguns candidatos que já tentaram (em vão) tomar o trono do inimitável, invencível, tranqüilo e infalível Bruce Lee.
1 - Jackie Chan (Chan Kong-Sang) – Chinês de Hong Kong e nascido em 1954, Jackie inicialmente se preparou para a carreira artística na Ópera de Pequim, onde desenvolveu seus dotes para acrobacia principalmente. Estudou os estilos de Kung Fu tradicionais como Shaolin do Norte, Punho do Bêbado, Estilo do Macaco e Wing Chun e formas do Wu Shu (Kung Fu) moderno. Começou a trabalhar no cinema como dublê, inclusive em dois filmes de Bruce Lee, “A Fúria do Dragão” e “Operação Dragão”. Após a morte de Bruce Lee chegou a ser apontado como seu provável sucessor, apesar de Jackie sempre desconversar sobre isso dizendo que sua proposta para os filmes de artes marciais era o oposto ao de Lee, já que ele (Jackie) tendia mais para a comédia. E dentre quase duas dezenas de filmes realizados por Jackie Chan, poucos merecem ser lembrados em se tratando de artes marciais, como “O Mestre Invencível” (The Drunken Boxer). Jackie tinha carisma e talento, mas não tinha em seu íntimo o desejo de se aperfeiçoar como lutador, valorizava mais o seu lado acrobata e cômico; ele, a meu ver, pecou por isso. E mesmo após mudar-se para os EUA onde teve todo o aparato de Hollywood a seu favor, não conseguiu realizar nada que causasse impacto no mundo dos filmes de Artes Marciais.
2 - Yazuaki Kurata – Também conhecido como David Kurata, é japonês e nascido em 20 de março de 1946, sendo mestre em Karate (5º dan), Judô (3º dan) e Aikidô (2º dan), um autêntico artista marcial. Estudou a arte de representar na Universidade de Nihon e Escola de Teatro Toei. Seu primeiro trabalho como ator foi em 1960, mas como participante de filmes de artes marciais foi em 1971 em Hong Kong, pela Shaw Brothers. Inicialmente fazia os papéis como vilão (japonês de preferência), e aos poucos estreou como protagonista em outras películas, já que ninguém podia negar sua capacidade técnica como lutador e seu rosto de galã (uma espécie de Alain Delon Japonês). É difícil se lembrar de algum filme de Kurata como protagonista que valha a pena, mas nos que trabalhou como ator coadjuvante representando um expert em artes marciais japonesas ele realmente se destacou; como "The Mad, The Mean, and the Deadly", "A Vingança Final" (Blood Fight) e em “Matar ou morrer” (Fist of Legend) estrelado por Jet Li, que foi um remake de “A fúria do Dragão” de Bruce Lee. Outro filme no qual ele se destacou como um mestre japonês de artes marciais foi no filme “Heróis do Oriente” (Heroes Of The East) que teve como protagonista o ator chinês Gordon Liu. Talvez a formação ortodoxa que obteve no budô japonês prejudicasse à Kurata na sua busca para alcançar o posto vago de Bruce Lee que era dono de uma condição técnica e criativa surpreendentes, como renováveis e independentes de qualquer estilo tradicional.
3 - Sonny Chiba (Sadaho Maeda) – Nascido em 2 de janeiro de 1939 em Fukuoka, no Japão. Talvez a melhor resposta japonesa ao fenômeno Bruce Lee. Seu estilo de lutar nas telas era baseado no Karatê Kyokushin de seu mestre Masutatsu Oyama. Chiba não tinha em seus movimentos a plasticidade e elegância de Bruce lee mas tinha intensidade, fúria e explosão. Ele realmente era adorado pelos fãs japoneses e alcançou o reconhecimento fora do seu país. Ao contrário dos outros pretendentes, ele realizou filmes memoráveis pela Toei Film Studio, vale destacar “Street Fighter” e “O Retorno de Street Fighter” em 1974, e a trilogia que fez sobre a vida e obra de Mas Oyama, “Karate Bullfighter” (O Campeão da Morte); “Karate Bearfighter” em 1975 e “Karate for Life” em 1977. Seus filmes são cult em todo mundo, principalmente para praticantes de Karatê japonês, principalmente do estilo Kyokushin. Além disso Chiba é realmente formado em Karate Kyokushin (4º dan), Ninjitsu (4º dan); Karate Goju-Ryu (2º dan); Judô (2º dan); Kendo (1º dan) e Shorinji Kempo (1º dan). Ele teve uma participação especial no filme “Kill Bill” de Quentin Tarantino, no qual representa um mestre fabricante de katana (espada de samurai). Aliás tanto Bruce Lee como Sonny Chiba foram referências para a formação de cineasta de Tarantino. Creio que Sonny Chiba nunca cobiçou o trono de Lee, pois ele conquistou seu próprio espaço com carisma, garra, talento e personalidade.
4 - Alexander Fu Sheng (Chan Fu-Sheng) – Nascido em Hong Kong no dia 20 de outubro de 1954. Foi um dos maiores ídolos de filmes de Artes Marciais produzidos pela Shaw Brothers de Hong Kong, principalmente os da série de Shaolin. Fu Sheng fazia parte de uma equipe de ouro de atores e artistas marciais inesquecíveis como Chen Kuan-Tai, David Chiang, Ti Lung e Chi Kuan-Chun. Talvez pudesse se rivalizar com Bruce Lee em Hong Kong no que se diz respeito à sua popularidade. Fu Sheng, era jovem, charmoso e carismático e fazia sucesso com as garotas. Curiosamente como Bruce Lee em sua adolescência, Sheng era inquieto, ia mal na escola e participava frequentemente de brigas de rua. Nesse período em que vivia no Hawai com seus pais aprendeu inicialmente Judô e Karatê japoneses. Anos mais tarde de volta à Hong Kong, sua desenvoltura chamou a atenção de um diretor de filmes. Este o levou a treinar Kung Fu tradicional com Lau Kar-Ling por 6 meses e logo Sheng começaria a se destacar dos demais. Seus filmes mais famosos e que o levaram ao estrelado são “Heroes Two” (Dois Heróis de Shaolin), “Shaolin Matial Arts” (Artes Marciais de Shaolin) e “Five Shaolin Masters” (Cinco Mestres de Shaolin) todos de 1974; “Disciples Of Shaolin” (Discípulos de Shaolin) de 1975; “The Shaolin Avengers” (A Vingança de Shaolin) e “Shaolin Temple” (Templo de Shaollin) de 1976. Ironicamente após comprar a casa onde Bruce Lee morou em Kowlon, um bairro de Hong Kong, Fu Sheng é vítima de um acidente numa curva em seu Porsche 911 Targa dirigido por seu irmão. Era 7 de julho de 1983, Sheng tinha apenas 28 anos. Praticamente 10 anos após a morte de Bruce Lee que ocorreu em 20 de julho de 1973. Seus personagens nos filmes eram sempre brincalhões, imaturos e rebeldes, mas tremendamente ágeis e mortais quando provocados.
5 - Sammo Hung (Sammo Hung Kam-Bo) – Nasceu em Hong Kong em 07 de janeiro de 1952, atualmente é além de ator, diretor e produtor de filmes de artes marciais. Sammo é um dos artistas mais populares de Hong Kong devido à sua imensa filmografia. Sammo trabalhou em quase uma centena de filmes como dublê, ator coadjuvante e protagonista, nos quais interpretou vilões e mocinhos atrapalhados, mas bons de briga. Sua agilidade impressiona considerando que sempre ostentou uns quilos à mais, contrastando com os demais concorrentes ao estrelato em Hong Kong. Seu excesso de peso não comprometia sua performance, o que não pode se dizer de Steve Seagal. Mas sua simpatia, carisma e bom humor cativaram seu público fiel. Seus incontáveis filmes infelizmente não merecem ser lembrados, apenas algumas de suas participações como coadjuvante como em “Operação Dragão” no qual enfrenta Bruce Lee na primeira cena de luta do filme, o que o tornou mais conhecido. Participou também da montagem que realizaram com as cenas deixadas por Lee e que culminou no “Jogo da Morte” em 1978. Sammo Hung enfrenta e é derrotado por um lutador profissional representado por Bob Wall. No mesmo ano ele faria uma paródia de “Operação Dragão”, que foi “Operação Dragão Gordo” (Enter The Fat Dragon) de 1978, nada que se pudesse levar à sério, apesar de boas lutas. Conquistou o público norte-americano pouco exigente numa série policial para a TV, no qual faz o papel de um detetive de origem chinesa. Recentemente teve ótima participação em “Yip Man-2” (2010), filme estrelado por Donnie Yen (sobre o mestre de Wing Chun e instrutor de Bruce Lee na adolescência). E se Jackie Chan não levou à sério a conquista do trono vago por Bruce Lee, por que Sammo Hung o Faria?
6 – Jim Kelly (James M. Kelly) – Um legítimo representante do movimento black power nos anos de 1970, pelo menos no visual. Nasceu em Paris, mas não na França, mas no estado de Kentucky nos EUA em 05 de maio de 1946. Cheio da ginga negra tal como Muhammad Ali, adotou o karate japonês, precisamente o estilo Shorin-Ryu, como sua arte marcial preferida e foi campeão internacional em torneio de Karate (pesos-médios) realizado em Long Beach, na Califórnia, em 1971. Ficou conhecido após sua muito boa participação no filme “Operação Dragão” de 1973 com o personagem Mr. Williams. Tem um carisma natural, é elegante e foi muito bem dirigido por Bruce Lee nas cenas de luta. Tanto é que após tentar a sorte como protagonista em “The Black Belt Jones” (O Faixa Prêta Jones) pode-se notar que ele não era aquilo tudo que deixou transparecer em “Operação Dragão”, apesar de Black Belt Jones ser um bom filme de ação e com boas lutas até em slow motion. Jim Kelly até que se saiu bem na sua estréia como o blackman do karate, mas a sua seqüência de filmes caiu assustadoramente principalmente na qualidade e credibilidade nas cenas de combate. O fantasma de Bruce Lee ainda o assustava.
7 – Chuck Norris (Carlos Ray Norris, Jr.) – Nascido em 10 de março de 1940 na cidade de Ryan no estado de Oklahoma. Com seus 1,78m, Chuck treinou até atingir o grau máximo na arte marcial coreana Tang Soo Doo. Chegou a criar um estilo próprio de arte marcial o Chun Kuk Do. Adquiriu certa fama no circuito das artes marciais nos anos de 1960 devido aos seus chutes circulares. Chuck Norris gaba-se de ter “passado” algumas de suas técnicas de chutes para Bruce Lee, se for verdade ele não contava que Bruce o superasse posteriormente na técnica e velocidade ao desferir tais golpes com os pés. Norris adquiriu popularidade internacional ao participar do filme “O Vôo do Dragão” de Lee, onde os dois travam um combate sensacional no coliseu de Roma numa coreografia clássica de mais ou menos 10 minutos. No confronto que foi dirigido pelo próprio Bruce Lee, fica claro a diferença técnica entre os dois. Apesar de Norris ser um campeão consecutivo em torneios de artes marciais (sem contato) nos EUA, sua técnica fica a desejar ao compará-lo com o Pequeno Dragão. Bruce demonstra uma graça e leveza técnicas aliados a uma velocidade incrível ao desferir seus golpes, que deixa Norris pasmado como um amador. Com a morte de Lee, Norris que já tinha alguma experiência como “ator” foi outro que se aventurou a fazer filmes de artes marciais. A culpa foi de Bruce, foi ele quem criou o “monstro”. Os filmes de Norris eram claramente dirigidos ao público americano patriota, geralmente seus personagens eram veteranos de guerra que adentravam sozinhos nas sombrias selvas vietnamitas para salvar prisioneiros de guerra norte-americanos dos terríveis comunas vietcongs, era o nascimento de “Braddock”, uma espécie de Rambo numa embalagem menor. Posso citar como bons filmes de Norris, “Lobo Solitário Mcquade” (Lone Wolf Mcquade) de 1983 e “O Código do Silêncio” (Code Of Silence) de 1985. Um outro personagem de Chuck que fez sucesso por lá foi do “Texas Ranger” chamado Walker que rendeu uma longa série para TV nos anos de 1990, e dá-lhe muitos tiros mesclados com alguns chutes e saltos sensacionais. E apesar de parecer repetitivo às vezes com seu arsenal limitado de golpes, Norris tinha valor para os fãs norte-americanos, apesar de ainda ser um péssimo ator. A meu ver Norris foi um dos maiores “canastrões” dos filmes de artes marciais, sem querer ofender a pessoa, é claro. Mas ainda assim Chuck Norris virou "febre" na internet graças a um site conhecido como “Chuck Norris Facts”, que documenta e divulga fatos e características fictícias sobre o artista marcial, e que começou a circular em 2005. O website já conta com aproximadamente 8.000 verdades sobre Chuck Norris". Aqui no Brasil, uma lista desse site traduzida para o português foi divulgada com o título de "Lista das 100 verdades sobre Chuck Norris" e desde então é atualizada em um website intitulado ‘As verdades sobre Chuck Norris’. A partir disso uma onda fez o nome Chuck Norris se tornar folclore popular em toda mídia mundial com várias “tiradas” sensacionais. Na série do Disney Channel, Wizards of Waverly Place, a personagem Alex diz que não quer trocar de corpo com Justin, pois faz mais flexões do que ele, então Justin diz: "Eu prefiro ser Chuck Norris, que faz mais flexões que você, explode meio mundo e não leva um tapa"; no site de humor Desciclopédia, Chuck Norris é retratado como um deus, ou como uma pessoa capaz de realizar o impossível, um ser imortal, invencível e incrivelmente poderoso. São frequentes as referências ao golpe Roundhouse Kick; ao digitar no Google "Find Chuck Norris" e clicar em ‘Estou com Sorte’ aparece a seguinte frase em vermelho: Google won't search for Chuck Norris because it knows you don't find Chuck Norris, he finds you. (Google não pode procurar por Chuck Norris, porque sabe que você não achará Chuck Norris, ele acha você.). Isso se deve ao fato do Google abrir como primeiro site o http://www.nochucknorris.com/ e mostrar a mensagem como se fosse do site de buscas. Chuck sempre levou seus personagens a sério, mas o público não, assim sendo ele nunca poderia ocupar o trono vago de Bruce Lee. I’m sorry, Chuck!
8 - Jean Claude Van Damme (Jean-Claude Camille François Van Varenberg) - Nascido em 18 de outubro de 1960 em Berchem-Sainte-Agathe, Bruxelas, na Bélgica. Medindo 1,77 m (me parece que é mais baixo), é conhecido em seu país natal como “Os Músculos de Bruxelas” por ter ganhado um campeonato de fisiculturismo por lá, e “El loco” devido ao seus filmes de artes marciais. Aos 11 anos começou a treinar karatê japonês e logo depois passou a praticar balé (eu hein?!) por seis anos. Aos 16 anos, mesmo com, ou devido ao balé, conquistou o European Pro Karate Association (por pontos). Seu estilo (no cinema) é uma combinação de karatê Shotokan, Kickboxing, Muay Thai e Taekwondo. Jean Claude adora exibir em seus filmes sua famosa elasticidade e volta e meia acha um pretexto para fazer aberturas de pernas. Seu golpe mais famoso é um chute em salto com o calcanhar num giro de 180º; e esta facilidade para aplicar tal golpe se deve com certeza à sua experiência com o (arghhh!) balé. Van Damme migrou para os EUA em 1982 para tentar a sorte no cinema e foi figurante em “Braddock”, uma das “obras-primas” de Chuck Norris. Trabalhou também numa pequena produção francesa, “Mônaco Forever” (1984), no qual interpretava um lutador de karatê gay (tudo pela fama!). Em 1985 se destacou como vilão no filme “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”, sob o espectro de Bruce Lee, pois o filme contava a história de um jovem lutador que recebia instruções do espírito de Lee. Jean Claude roubou a cena devido a sua técnica de chutes e elasticidade. Em seguida ele estreou como protagonista em “O Grande Dragão Branco”, que teve a participação, como vilão, de Bolo Yeung, o “Hércules Chinês” (o mesmo que trabalhou com Lee em “Enter The Dragon”). A partir desse filme, que foi uma cópia discreta de “Operação Dragão”, Jean Claude nunca mais parou de filmar. A maioria de sua filmografia é medíocre; enfadonha e repetitiva, marcialmente falando. E ele ainda teimou em acumular as funções de escritor, roteirista, produtor, diretor e coreógrafo das cenas de lutas em muitos de seus filmes. Sua atuação como ator era sofrível, apesar dele transmitir um bom senso de humor. Bruce Lee não era um grande ator mas não comprometia, mas Van Damme e Chuck Norris numa avaliação de ambos como atores...dá empate na canastrice! Jean Claude Van Damme, que realizou duas dezenas de filmes, é fã declarado de Bruce Lee que realizou apenas 4 filmes completos e que inspirou várias gerações de jovens que se tornaram artistas marciais ou mesmo atores do gênero; mas parece-me que Jean Claude não absorveu nada dos ensinamentos do mestre, limitou-se a copiá-lo sofrivelmente. Tanto pior para ele que não conseguiu ocupar o posto vago deixado pela morte prematura do Pequeno Dragão em 1973 aos 32 anos.
9 - Steven Seagal (Steven Frederic Seagal) – Nasceu em 10 de abril de 1952 em Lasing, no estado de Michigan, EUA. Começou a treinar Aikidô no Japão com Harry Ishisaka e conseguiu o 1º dan de faixa prêta sob a supervisão do Mestre Koichi Tohei. Atualmente detém o 7º dan em Aikidô. Poucos ocidentais alcançaram tal façanha. Steven se impôs em pleno Japão com seus mais de 1,90 m de altura em meados da década de 1970 quando de sua formatura. Nessa época ele ainda não ostentava a fanfarrice, a pança e o excesso de gordura de hoje. O que mais chama a atenção em seu estilo de Aikidô é a agressividade, ao contrário da suavidade que se prega nas academias convencionais. Dizem que o próprio fundador da arte marcial japonesa, Morihei Ueshiba, quando jovem era muito impetuoso e com o passar do tempo devido à maturidade e aperfeiçoamento técnico, ele deixou a agressividade de lado e tornou-se mais maleável e praticamente intocável. Creio que como artista marcial Steven Seagal tem seus méritos, mas em relação a sua carreira como ator de filmes de artes marciais, aí é outra estória. Ao meu ver seu melhor filme foi o primeiro, Nico, Acima da Lei (Above The Law) de 1988. Ele está em plena forma (ou magro) demonstra técnicas até então inéditas de Aikidô (bastante agressivo) no cinema e não chega a se comprometer como ator, pois seu papel não exigiu tanto. O filme seguinte, Difícil de Matar (Hard To Kill) de 1990, foi razoável, mas ele começava a se achar o máximo e também começava “a pegar” mais corpo (engordar). A partir daí os próximos filmes começaram a ficar enfadonhos, diálogos filosóficos de cunho existenciais, ambientais, e muita pancada e balas para todo lado; alguns até mais balas do que técnicas de artes marciais. E na proporção em que seus filmes decepcionavam ele engordava cada vez mais. Steven sempre foi um autêntico canastrão como ator, em cenas que teria que demonstrar afetividade, satisfação, surprêsa, apreensão ou ódio, ele tinha a mesma expressão facial, ficava impassível e com os braços cruzados na altura da pança prontos para agarrar, torcer e quebrar a qualquer instante. Nos filmes mais recentes mal consegue chutar frontalmente acima da cintura (a pança não permite) e se a cena assim o exigir, ou seja, chutar acima da cintura ou na cabeça, nada como um dublê à disposição. Steven está em evidência atualmente não pelos seus filmes, mas por supostamente ter treinado os lutadores de MMA brasileiros, Anderson Silva e Lyoto Machida, que por coincidência ou eficiência do treinador (Seagal) ganharam suas lutas aplicando o chute frontal (mae-geri e tobi mae-geri) nos respectivos queixos de seus adversários. Golpe que é bastante usado por Seagal em seus filmes, mas nunca acima da cintura, é claro. Steven Seagal fez mais de duas dezenas de filmes, mas destaco apenas os dois primeiros. E um dos critérios mais importantes para conquistar o trono de Bruce Lee é manter-se sempre em forma, o que infelizmente o nosso herói do Aikidô não conseguiu ao longo desses anos.

10 - Jet Li (Li Liajie) – Nascido em Pequim, China, em 1963. Praticamente tinha a mesma altura de Bruce Lee, 1,67 m (apesar de parecer ser ainda menor e mais franzino). Treina Kung Fu tradicional (Wu Shu) desde os 8 anos de idade. Praticando desde criança, a partir dos 11 anos ganhou 5 vezes o título de campeão nacional chinês de artes marciais (entre 1974 e 1979). Suas conquistas impressionantes levou a República Popular da China a declará-lo um “Tesouro Nacional”. Começou a despertar o interesse do público internacional, em meados da década de 1990, ao interpretar no cinema uma série de filmes sobre o lendário mestre chinês Wong-Fei Hung, herói popular da China. Durante anos, Li encarnou heróis lendários do folclore chinês, do revolucionário que luta contra a dinastia Manchu em "Fong say yuk", ao monge caído em desgraça à procura de redenção em "Tai Chi Master", para o vingador do mestre Huo Yuanjia contra seus assassinos e invasores japoneses em "Fist of Legend", um "remake" de "Fist of Fury" (A Fúria do Dragão), estrelado por Bruce Lee. Apesar de apresentar em seus filmes boas coreografias de luta, a direção e produção geralmente pecavam em abusar de efeitos especiais que fugiam de uma realidade aceitável mesmo para um confronto fictício de artes marciais. Para consolidar seu passaporte para Hollywood, Jet Li participou com boa atuação (como vilão) de “Máquina Mortífera 4” (Lethal Weapon 4) de 1998, com Mel Gibson e Danny Glover. A seguir atuou como protagonista em seu primeiro filme nos EUA, em “Romeu Tem Que Morrer”(Romeu Must Die) de 2000. Vieram outros trabalhos onde Jet Li contracenou com artistas norte-americanos famosos, mas ainda estava faltando algo em seus filmes, apesar da alta produção e efeitos especiais fantásticos que faziam dele uma espécie de ‘herói de kung fu ala Matrix”. Neste ínterim Jet Li recebeu o convite do produtor e diretor Ang Lee para encarnar o papel de Li Mu Bai no fabuloso épico de artes marciais "O Tigre e o Dragão" (Crouching Tiger, Hidden Dragon) de 2000. Li recusou a proposta pois tinha prometido à esposa que não trabalharia durante a gravidez desta. O ator Chow Yun Fat foi o substituto de Li para interpretar o personagem Li Mu Bai, que mesmo não tendo a habilidade de Jet Li nas artes marciais chinesas mas contando com a ajuda de dublês, se saiu bem. Coisas do destino. Jet Li, o “baixinho atrevido”, fez aproximadamente duas dezenas de filmes sofríveis e alguns poucos se salvam, não por seu carisma (ausente ao meu ver), nem por sua capacidade de interpretação (que deixava a desejar), mas por sua real habilidade no Kung Fu. O que na minha humilde opinião salvou sua carreira e acho que ele deveria ter se aposentado com chave de ouro na ocasião, foi a belíssima produção de “O Mestre Das Armas” (Huo Yuan Jia) de 2006, o filme sobre a vida de outro lendário mestre de Kung Fu (que realmente existiu), o invencível Huo Yuan Jia, que supostamente teria sido assassinado por japoneses durante a ocupação da China; neste filme Jet Li atuou muito bem como lutador e ator. Li tentou ocupar o lugar vago de Bruce Lee sem êxito, e convenhamos, se não fosse o surgimento do “pequeno dragão” talvez nem ouvíssemos faltar de Jet Li algum dia. Valeu a tentativa Li.
11 - Tony Jaa (Tatchakorn Yeerun) – Nascido em 05 de fevereiro de 1976 em Isaan, na província de Surin, na Tailândia, seu nome artístico na Tailândia é Jaa Panon Yeerun, mas no ocidente é popularmente conhecido como Tony Jaa, um jovem dublê de filmes de ação com 1,68 m (parece até maior), dedicado praticante de Muay Thai e que posteriormente assumiu também as funções de coreógrafo, diretor e ator. Tony Jaa cresceu na zona rural assistindo filmes de Bruce Lee, Jackie Chan e Jet Li e decidiu que queria fazer o mesmo quando crescesse. Aos quinze anos Jaa foi “adotado” pelo diretor de doublês e filmes de ação Panna Rittkirai que o recomendou frequentar o Colégio de Educação Física Maha Sarakham. Incialmente Jaa treinou Taekwondo, mas não se sabe se treinou formalmente ou se apenas absorveu algumas técnicas como complemento para sua formação como doublê; posteriormente voltou-se para o Muay Thai, mas não se confirmou se apenas recebeu um treinamento formal e tradicional da arte marcial tailandesa ou se realmente chegou a desenvolver uma carreira competitiva. Jaa e Panna se interesseram pelo estilo antigo de Muay Thai, o Muay Boran, e trabalharam juntos por um ano para adaptá-lo às cenas de luta dos filmes em que Tony Jaa atuaria. Na preparação contaram com a colaboração do grão mestre Mark Harris. Seu filme de estréia foi “Ong Bak - Cabeça de Buda” (Ong-Bak:Muay Thai Warrior) de 2003, foi um sucesso, desde Bruce Lee não se tinha visto coreografias de lutas tão reais e empolgantes. Jaa parecia que veio para arrebentar, literalmente falando. Sua fúria e explosão ao partir para cima dos adversários é realmente algo de se admirar, os saltos acrobáticos, os golpes improváveis, o contato real dos lutadores, tudo muito impressionante, Jaa em fúria é uma máquina descontrolada de socar, chutar, dar cotoveladas e joelhadas em salto. O Muay Thai finalmente ganhou seu espaço nas telas tal como o Kung Fu e o Karatê. O seu segundo filme, “O Protetor” (The Protector) de 2005, ele continua surpreendendo e promete cada vez mais. Seu personagem lembra aquele caipira interpretado por Bruce Lee em “O Dragão Chinês” (The Big Boss) que foi filmado na Tailândia, um sujeito ingênuo e tímido até que pisem no seu calo e despertem sua ira. O problema com Jaa e seus filmes é a ênfase que se dá à adoração e ao culto a Buda e aos elefantes (animais sagrados para eles). Seu último projeto ambicioso, “Ong Bak 2” (2008) e sua continuação “Ong Bak 3” (2010), é um filme de época que foi dividido em duas partes, tudo ia bem principalmente com a primeira parte, “Ong Bak 2’, com lutas sensacionais e de tirar o fôlego onde Tony Jaa e os dublês que contracenavam com ele deram um show de agilidade, preparo físico e técnica nos mais variados estilos de artes marciais existentes e com a perícia nas mais diversas armas brancas. Tudo dava entender que a segunda parte seria melhor ainda, o que seria impossível de se acontecer pois o nível de “Ong Bak 2” parecia insuperável. E não aconteceu mesmo...após dois anos de espera a queda de intensidade na continuação (Ong Bak 3) foi evidente, o misticismo tomou conta da película que parecia um mesclado de Dragon Ball e O Exorcista. Foi uma pena, Tony Jaa se perdeu no auge, mas ainda pode se recuperar, ainda é jovem, carismático e tem tudo para se manter o topo dos artistas de filmes de artes marciais. Bruce Lee certamente o teria convidado para contracenar em seus filmes e seria enorme a expectativa para ver os dois se enfrentando. Mas ainda falta alguma coisa para Tony Jaa destronar o pequeno dragão. Reaja Jaa, se Bruce Lee pudesse ter um sucessor, atualmente teria que ser você!
12 - Donnie Yen – Nasceu em 27 de julho de 1963 em Guangdong, na China. Atualmente é considerado a maior estrela dos filmes de artes marciais feitos em Hong Kong. Além de ator, acumula também funções de coreógrafo, diretor e produtor. A mãe de Yen, Bow-Sim Mark, é mestra em escolas de Wu Shu (de linha interna) enquanto seu pai é editor de um jornal. Com dois anos a família de Yen se mudou para Hong Kong e mais tarde quando estava com 11 anos de idade, Donnie mudou-se com os pais para Boston, Massachussets, nos Estados Unidos da América. Sua irmã, Chris Yen, também é artista marcial e atriz. Graças à influência de sua mãe, Yen começou a praticar artes marciais chinesas, como o Tai Chi Chuan, ainda jovem. Com seu interesse e desenvolvimento em alta Yen retorna a Hong Kong e se integra e treina por dois anos na Equipe de Wu Shu de Pequim. Em seguida retorna aos EUA, e de passagem por Hong Kong conhece o coreógrafo de filmes de artes marciais Yuen Woo-Ping. A partir desse encontro começou a entrar no circuito de filmes de artes marciais como dublê. Foi coadjuvante em filmes de Jackie Chan e Jet Li nas décadas de 1980 e 1990. Fez mais de uma dezena de filmes como protagonista sem muita repercussão mundial, apenas em Hong Kong e países asiáticos; até que surgiu um projeto em homenagem ao mestre de Wing Chun Kung Fu, Ip Man, o primeiro e único mestre de Bruce Lee. “Ip Man” - O filme”, de 2008 foi um sucesso internacional com um desempenho convincente e maduro de Donnie Yen, que o impulsionou naturalmente a filmar uma sequência, “Ip Man 2” em 2010, que não decepcionou e manteve o nível e contando ainda com a brilhante participação do veterano Sammo Hung. Ainda em 2010 Yen realizou “Legend Of The Fist:The Return of Chen Zhen” (A Legenda de um punho: O Retorno de Chen Zhen), um tributo a Bruce Lee onde Yen teria dado sequência a história do personagem (Chen Zhen) interpretado por Bruce Lee em “A Fúria do Dragão” (Fist Of Fury, de 1972). Num enredo de época, o personagem Chen usaria até o uniforme de Kato, o parceiro do Besouro Verde (Green Hornet) que foi uma série para o cinema nos anos de 1930, antes da mesmo de Bruce Lee e Van Williams nos anos de 1960. Neste filme Yen usa também como homenagem à Lee, técnicas de Jeet Kune Do. Apesar da rica produção o filme é maçante e confuso, e como nas artes marciais, às vezes a simplicidade é o caminho mais certo e direto para o sucesso. Mas Donnie Yen está sempre atualizado e costuma incorporar em suas sequências de lutas elementos do MMA, incluindo o Wing Chun, Jiu-Jitsu brasileiro, Judô, Karatê, Boxe, Kick-boxing e Wrestling. Yen reconhece que a concepção libertária de Bruce Lee em relação às artes marciais se concretizou no MMA, onde se comprovou que um lutador não pode se limitar apenas a um único estilo, ele tem que ter a mente aberta para absorver tudo de positivo e prático de qualquer arte marcial e adaptar tais técnicas para não ser surpreendido num confronto. Yen tem carisma, capacidade técnica e criatividade para se manter no topo, mas em relação a Bruce Lee ele deve reconhecer que ainda não está apto para reivindicar seu trono e o tempo está passando.

Em resumo, nenhum destes candidatos preencheu todos os requisitos, alguns perderam a oportunidade, outros nem sequer tentaram realmente e os demais ainda tem alguma chance, será?! Como eu vi escrito em um poster antigo de Bruce Lee certa vez: “Os heróis nunca morrem!”, assim, presume-se que ele nunca será sobrepujado.

Por Eumário José Teixeira.