Os Heróis nunca morrem!

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Heroes never die!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O JOGO DA MORTE – O PROJETO ORIGINAL E VERDADEIRO DE BRUCE LEE – PARTE I



Bruce Lee foi menosprezado como ator por Hollywood no final dos anos 1960 por ser “demasiadamente” chinês, lhe sendo vetado papéis como protagonista em filmes e ainda lhe sendo negado ou dificultado a realização de projetos pessoais como a série de TV “The Warrior” (que se tornaria “Kung Fu”, em 1973, com David Carradine) e o filme “The Silent Flute” (realizado em 1978 sob o título “Iron Circle”, também com Carradine). Frustado e decepcionado, Bruce Lee decide tentar a sorte em Hong Kong no início de 1971 e logo implaca dois sucessos no cinema asiático, “The Big Boss” (O Dragão Chinês – 1971) e Fists of Fury (A Fúria do Dragão – 1972) pela Golden Harvest do produtor Raymond Chow.

The Silent Flute, um projeto que não vingou mas serviria
de inspiração para The Game of Death.

The Big Boss e Fist of Fury explodiram, principalmente,
 graças à atuação de Bruce Lee.

Suas duas primeiras realizações cinematográficas em Hong Kong, apesar do estrondoso sucesso por toda Ásia, não lhe trouxe apenas dinheiro, reconhecimento,  alegrias e satisfação. Bruce Lee não se entendia perfeitamente com o diretor dos seus dois primeiros filmes, o bonachão, Lo Wei. É certo que as duas películas foram bem sucedidas de uma forma surpreendente, apesar da direção de Lo Wei e da baixa produção, principalmente de O Dragão Chinês. Mas o que o próprio Lo Wei reconheceu e era fato, que Bruce Lee com sua atuação impecável, carismática e explosiva, era o principal responsável pelo sucesso de ambos os filmes. Bruce percebeu o seu valor, dispensou Lo Wei sem muita resistência do produtor Raymond Chow e começou a rascunhar o roteiro de sua próxima obra, “The Way of the Dragon” (O Vôo do Dragão). Desta vez ele próprio coproduziu, dirigiu, escreveu o roteiro, coreografou e, é claro, atuou como protagonista do próprio filme.

Bruce Lee protagonizou, dirigiu e produziu The Way of The Dragon.
O sucesso do filme lhe encorajou a elaborar projetos mais audaciosos.

O sucesso de público de O Voo do Dragão lhe deu segurança e perspectiva para a realização de projetos mais ambiciosos, com coreografias mais sofisticadas e roteiros com conteúdo mais profundo e filosófico. Fundando sua própria produtora, a Concord Productions, em parceria com Raymond Chow, ele pensou em fazer uma continuação de o Vôo do Dragão, como era de praxe do cinema mundial na época, como a sequência dos filmes de bang bang spaghetti, dois grandes sucessos de Clint Eastwood, “Por um Punhado de Dólares” e “Por um Punhado de Dólares a Mais”. Sem contar que o roteiro filosófico de The Silent Flute,  ignorado inicialmente por Hollywood, ainda não havia lhe saído da cabeça. Assim lhe veio à mente uma adaptação do mesmo roteiro com modificações que geraram a ideia de “The Game of Death” (O Jogo da Morte).

Bruce Lee no set de The Game of Death rascunhando novas idéias.

O roteiro de O Jogo da Morte combinava seus pensamentos sobre filosofia, a exposição dos pontos negativos e positivos dos principais estilos de arte marcial conhecidos e o conceito do Jeet Kune Do (Caminho do Punho Interceptador), um estilo de luta desenvolvido por ele que não tinha formas pré-estabelecidas e que se adaptava de acordo com as situações de uma forma incessante e criativa.

O diretor assistente, Ricky Chik, sugeriu à Bruce que mudasse o título
do filme para The Game of Death (O Jogo da Morte).

Vale lembrar que o título original para o terceiro filme de Bruce Lee seria inicialmente, “Yellow Faced Tiger”, mas graças à uma discussão com Lo Wei que reivindicou a autoria do título, Bruce abriu mão do mesmo e aceitou a sugestão de seu diretor assistente Ricky Chik, mudando para “The Game of Death”.

Lo Wei dirigiu Yellow Faced Tiger, com Chuck Norris como vilão, um
ano depois da morte de Bruce Lee.

Um filme com o título com “Yellow Faced Tiger” foi realizado por Lo Wei, tendo como protagonista o desconhecido Don Wong e Chuck Norris como vilão. Este filme, feito em 1974 (após a morte de Bruce Lee), ironicamente teve três títulos diferentes, inclusive deram mais publicidade ao papel de Chuck Norris (Slaughter) do que a do próprio protagonista, numa estratégia de marketing para atraírem mais bilheteria. Um dos títulos alternativos era “Slaughter in San Francisco”.

The Game of Death seria um "espelho" da filosofia do Jeet Kune Do
 e do próprio Bruce Lee.

Retornando ao O Jogo da Morte, no final de 1972, após o lançamento de O Voo do Dragão, Bruce Lee já estava se voltando totalmente para o que seria a sua maior realização pessoal no cinema. O filme seria um espelho de seu próprio eu e resumiria num roteiro filosófico recheado de ação, todo o seu conceito sobre a difícil arte de se expressar honestamente no combate e em todas as áreas da vida. O roteiro de The Game of Death começava a tomar forma.

Desenho de Bruce Lee para um cenário de The Game of Death.


Desenho de Bruce Lee sobre a idéia do pagode e seus guardiões, que ainda não
estavam totalmente definidos. A inspiração veio de um templo budista
do parque nacional na Coréia do Sul.

O Pagode Budista Bruce Lee não estava com suas ideias definidas para o roteiro de The Game of Death (O Jogo Da Morte) em meados de 1973. Ele ainda tinha muitas dúvidas sobre alguns personagens, sobre os atores que atuariam, o roteiro, cenários e, sobretudo, sobre a mensagem filosófica que tinha em mente e que lhe importava, em muito, transmitir ao seu público. Um dos principais impasses era sobre o pagode budista a ser invadido pela equipe de seu personagem, Hai Tien.  Teria cinco andares e um sótão (como o tesouro) ou teria um andar térreo mais cinco andares? O tesouro estaria no quinto andar ou no sótão do quinto andar? Essas dúvidas não foram esclarecidas porque ele teve que interromper o projeto para filmar Enter the Dragon (Operação Dragão) e quando acabou as filmagens, não teve tempo hábil para finalizar o roteiro de The Game of Death. O pagode coreano no parque que inspirou Bruce Lee tem cinco pavimentos, o térreo mais quatro andares e, provavelmente, não há espaço para um sótão no quarto e último andar. Mas isso não quer dizer que este pagode coreano seria o modelo adequado para o script do filme.

Minha concepção do que seria o esquema final para o pagode com sua área
externa, o andar térreo e mais cinco pavimentos com seus respectivos guardiões
que deveriam ser abatidos pela equipe invasora de Hai Tien (Bruce Lee).

O esquema que mostro nesta postagem pode não ser o definitivo, mas seria o mais provável, ou seja, o pagode teria a área externa guardada por 10 karatecas; o andar térreo guardada pelo mestre de Taekwondo e chutes; o primeiro andar guardado pelo mestre de Wing Chun e Praying Mantis Kung Fu; o segundo andar pelo mestre de Eskrima Filipina e Armas Brancas; o terceiro andar pelo mestre de Hapkidô; o quarto andar pelo mestre do estilo desconhecido; e o quinto e último andar, a sala do tesouro. E mais uma dúvida crucial, o que seria este tesouro? Essa revelação seria o mais impactante no final do filme. E Bruce Lee estava com indeciso sobre essa revelação, pois talvez temesse que sua mensagem final não fosse entendida ou bem aceita.  Ao meu ver, se ele pudesse assim ter finalizado, seria simplesmente genial. Acompanhem então a sequência dessa postagem para descobrir o que Bruce Lee poderia ter filmado para The Game of Death.


"...então a câmara se fecha em um monte de árvores, enquanto os sons de um forte vendaval
enchem a tela. Há uma árvore enorme no centro da tela e ela está toda coberta de neve espessa.
De repente, ouve-se um sinistro estalo e um grande galho se quebra e cai no chão."
"...a câmara se move até enquadrar um bambu que se curva ao vento, mas não tomba."

A mensagem do filme – Bruce Lee já tinha uma ideia sobre a abertura do filme The Game of Death e confidenciou a um repórter em agosto de 1972:
“Atualmente estou trabalhando em um roteiro para o meu próximo filme. Eu ainda não decidi o título, mas o que eu quero é mostrar a necessidade de se adaptar às circunstâncias. A incapacidade de se adaptar traz a destruição. Eu já tenho a cena em minha mente. Quando o filme se inicia, o público vê uma grande extensão de neve. Então a câmara se fecha em um monte de árvores, enquanto os sons de um forte vendaval enchem a tela. Há uma árvore enorme no centro da tela e ela está toda coberta de neve espessa. De repente, ouve-se um sinistro estalo e um grande galho se quebra e cai no chão. O galho não foi forte o bastante para resistir ao peso da neve e se partiu. Então, a câmera se move até enquadrar um bambu que se curva ao vento, mas não tomba. Por conseguir se adaptar ao meio ambiente, o bambu não se quebra.”

Bruce com o produtor Sy Weintraub que veio lhe convidar para filmar
Enter the Dragon pela Warner Bros. Raymond Chow era uma
figura sempre presente no set de The Game of Death.

Bruce em plena atividade no set de The Game of  Death.

O Roteiro Original – Bruce Lee é Hai Tien, um ex-campeão de artes marciais invicto e atualmente aposentado. Hai Tien está embarcando no voo para uma turnê turística pela Ásia com sua irmã e seu irmão mais novo.
No avião, Hai Tien é reconhecido por um fã que o questiona sobre as circunstâncias  de sua última luta contra um japonês em que ele (Tien) abandona a disputa bem próximo de chegar às finais. Nesse momento, as lembranças vêm à mente de Hai Tien que se lembraria do ocorrido durante o torneio. Seu estilo peculiar, selvagem e implacável de lutar, entraria em contraste com a forma  surpreendente e serena com que desistiu da luta naquela ocasião.
O irmão mais novo de Hai Tien toma as dores do irmão mais velho, questionando ao fã se ele estaria acusando à Tien de ter se acovardado.

O fã de Hai Tien lhe pede um autógrafo no aeroporto de Seul.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

A discussão iniciada é interrompida com o anúncio vindo da cabine do comissário de bordo que ocorreria uma breve escala em Seul, na Coréia do Sul. No aeroporto, Hai Tien e o fã amigavelmente concordam em continuar a conversa no próximo voo.
Hai Tien e seus irmãos passam a explorar o aeroporto enquanto esperam o horário da próxima decolagem. O irmão de Tien pede para beber algum refrigerante e sua irmã se afasta com ele enquanto Hai Tien os espera pacientemente.


Hai Tien recebe um telefonema misterioso no aeroporto de Seul e
descobre que seus irmãos foram sequestrados.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
 
Depois de um tempo sem retornarem, Hai Tien é chamado para atender uma ligação num telefone público. Uma voz misteriosa lhe informa que seus irmãos foram sequestrados e que ele deve seguir as ordens, se quiser vê-los novamente.
Hai Tien é obrigado a entrar num carro e seguir com três homens desconhecidos vestidos com ternos escuros.

Hai Tien é obrigado a seguir de carro com os sequestradores para a mansão do chefão.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


O carro com Hai Tien  e os sequestradores chegam à uma mansão.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

Logo o carro com Tien e os homens desconhecidos chegam a uma grande e luxuosa propriedade, onde rapidamente adentram. Lá, Tien fica aliviado ao perceber que seus irmãos estão sãos e salvos. Sua irmã percebeu que algo está errado, mas o seu irmão menor está distraído com alguns brinquedos. Eles acreditam estar sob os cuidados de um tio distante e não conhecido.

Hai Tien se tranquiliza ao encontrar seus dois irmãos sãos e salvos na mansão do chefão.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
 
Hai Tien observa que na sala há outros cinco homens misteriosos mais afastados. Um deles se mostra mais arrogante e falante que os demais. Este questiona sobre o estilo de roupa de Hai Tien e se ele realmente era o homem certo.

Hai Tien é apresentado aos outros cinco membros da equipe que
invadiriam o pagode que escondia o valioso e misterioso tesouro. 
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


Um homem velho e de aparência sinistra adentra à sala e confirma que sim. E antes de explicar a razão daquela reunião, Hai Tien diz que gostaria de estar com seus irmãos em particular, e ao serem dirigidos para um quarto, pede que um chá caseiro fosse servido aos dois, para a insatisfação dos demais que o esperavam na sala. Neste ínterim, no quarto, Tien confirma que seus irmãos não sabem nada sobre o que está acontecendo. Tien, em seguida, retorna à sala para a reunião.
O velho e, supostamente, chefão do grupo, agora já impaciente, adverte a Tien que não seria bom que ele passasse mais tempo com os irmãos, pois eles poderiam desconfiar da razão daquele encontro e teriam que ser eliminados. A seguir, o chefão apresenta Tien aos outros convocados para o “trabalho” a ser feito, que ainda não tinha sido revelado.
Eram cinco homens que junto a Tien formariam uma equipe de lutadores especialistas. O primeiro, era um lutador prático, insensível e calculista, tipíco mercenário que faz qualquer coisa por dinheiro.
O segundo, também lutador, mas emotivo, precisaria de uma soma considerável de dinheiro para custear uma intervenção cirúrgica em sua mãe, com grave doença.
O terceiro lutador, mais simplório e ingênuo, é muito forte e adora demonstrar isso. Mas é pouco valorizado pelo chefão e receberá bem abaixo em relação aos demais.
O quarto lutador, era o mais caro dos quatro e o mais orgulhoso e arrogante. Também o atual campeão asiático da artes marciais. Quando Tien estende sua mão para cumprimentá-lo, o lutador o lembra de sua condição de lutador aposentado, antes de lhe revelar que foi ele anunciou o sequestro dos irmãos de Tien ao telefone. Hai Tien então faz uma observação irônica lhe dizendo que ele aparentava ser menos ameaçador do que tentava demonstrar.
O quinto membro, não era lutador, mas um chaveiro arrombador e ladrão; também alcoólatra, mas especialista em abrir quaisquer tipo de fechaduras.
O chefão aborda Hai Tien e revela quanto ele receberia para participar da missão. Tien recusa a proposta, mas o chefão lembra que ele não teria escolha se quisesse que seus irmãos permanecessem vivos. Em seguida, os seis homens especialistas são convocados para se dirigir a uma outra sala onde foram exibidas filmagens do local que teriam que invadir e roubar um tesouro desconhecido, além de discutirem os detalhes da missão. O chefão projeta na tela grande as imagens de um pagode de cinco andares no centro de uma aldeia, localizada numa ilha costeira.

Na sala de projeção, o chefão exibe à equipe invasora as imagens da aldeia e do templo
a ser invadido.


O último e quinto andar do pagode contém um misterioso e valioso tesouro que é ambicionado por muitos, mas ninguém, até aquela data, tinha sido capaz de superar os muitos perigos para chegar até ele.  E para dificultar ainda mais, para que ninguém adentrasse à ilha com armas de fogo, foi instalado detectores de metal por toda a parte e que acionariam os alarmes antes de uma provável aproximação e invasão ao pagode.
Era sabido que cada andar tinha o seu guardião perito em uma determinada arte marcial.
Em frente à entrada do pagode eles teriam que enfrentar uma barreira com 10 karatecas faixas pretas, provavelmente do estilo Shotokan, liderado por um mestre especialista do estilo.
Passando pelos karatecas, eles adentrariam no térreo guardado por um especialista em Taekwondo e mestre em chutes.
No primeiro andar, eles enfrentariam um especialista em Kung Fu, que combinava os estilos Praying Mantis e Wing Chun.
No segundo andar, eles dariam de frente com um especialista em armas brancas e mestre em Eskrima Filipina.
No terceiro andar, teriam que passar por um mestre de Hapkidô.
No quarto andar, eles enfrentariam um mestre misterioso e desconhecido de estilo indefinido, que nunca deixa o templo. Segundo as informações levantadas, este personagem misterioso só se alimenta de carne crua que é deixada à noite em sua sala e que apenas os ossos são devolvidos no dia seguinte.
O chefão menciona que uma equipe anterior haveria invadido o pagode, mas houve apenas um sobrevivente que, por coincidência, tinha sido aluno de Hai Tien. O sobrevivente, chamado Huang, teria utilizado técnicas de chutes ensinado por Tien para alcançar o nível do lutador desconhecido. Entretanto, ao se deparar com o guardião misterioso, Huang teria perdido o auto-controle e entrado num estado traumático catatônico não reversível. Não se sabe o que teria acontecido, mas ele foi poupado ou teria conseguido escapar com vida do pagode. A única coisa que ele consegue falar são as palavras “incrível poder e agilidade”, repetidas vezes. Huang estaria desde então confinado num asilo.


Tien visita seu ex-aluno, Huang, no manicômio mas não é reconhecido por ele.
Huang apenas repetia a frase: "Incrível poder e agilidade".
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

Depois da reunião com o chefão e a equipe à noite, Tien pede autorização para ir visitar seu ex-aluno enlouquecido, no asilo. O chefão permite a saída de Tien, mas o alerta para voltar em seguida para outra reunião ainda pela manhã.


O lutador campeão e arrogante se incomodava com o modo extravagante
de Hai Tien (Bruce Lee) se vestir.

Bem cedo ao sair, Tien se depara com o quarto membro da equipe, o arrogante campeão asiático, que novamente o provoca dizendo que seu modo de vestir é impróprio para uma artista marcial. Tien rebate dizendo que uma artista marcial não pode ser medido pelas roupas ou uniformes que usam, mas sim pela sua real capacidade física e técnica. Em seguida, Tien segue para o asilo.
Uma vez no asilo, Tien é levado à cela acolchoada de Huang. Lá ele constata que seu ex-aluno repete sem cessar a frase “incrível poder e agilidade”, e não reconhece a Hai Tien.


O ex-aluno de Hai Tien participou da equipe invasora anterior que fracassou em sua missão
de resgatar o tesouro do templo. Ele foi o único sobrevivente que enfrentou o guardião
desconhecido do quarto andar, um lutador de "incrível agilidade e poder".

De volta à mansão do chefão, Hai Tien chega atrasado para a outra reunião. O chefão garante a ele que seus irmãos estão bem e que nada sabem sobre a missão. Hai Tien lembra ao chefe que ele é necessário para a equipe e que nada deveria acontecer aos seus irmãos. O chefão confirma que eles estão bem e que Tien pode vê-los quando quiser. Mas a partir daquele momento Tien não poderia mais sair da propriedade, pois eles partiriam em breve.
No dia seguinte a equipe passa a treinar no jardim da propriedade do chefão. Os irmãos de Tien estão presentes, assistindo. A irmã de Tien demonstra estar emocionalmente instável com todo aquele mistério.


A equipe invasora treina no jardim da mansão do chefão. O membro arrogante e atual campeão
asiático tenta liderar a equipe e provoca a Hai Tien.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
 
Durante o intervalo dos treinos é discutido algo sobre o pagamento. Hai conversa com seu irmão menor, pedindo que ele não se esqueça dele. O menino confuso, não entende, e responde que ele o vê todo dia. A irmã de Hai Tien volta a chorar.


Hai Tien pede ao seu pequeno irmão que se lembre dele.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -
 -
O treino recomeça e é questionado se Han Tien estaria tentando controlar a todos os membros da equipe. O campeão asiático instiga o terceiro membro, o simplório lutador, contra Tien. Hai acata o desafio e derrota o forte lutador, facilmente.
Na noite anterior ao ataque, Hai está no quarto de sua irmã, tentando consolá-la. Em seguida ele sai para tomar ar e todos parecem estar confusos com sua aparente atitude despreocupada.

Hai Tien se alimenta tranquilamente na noite anterior à invasão, para
a surpresa de outros membros da equipe.
Imagem do filme O Dragão Chinês - The Big Boss

O primeiro membro, o lutador pratico e mercenário, vê Tien se alimentando de forma despreocupada e se aproxima dele, questionando o seu calmo comportamento. Tien, então, lhe explica o conceito do filme, ou seja, da necessidade de se adaptar às circunstâncias e saber tirar proveito daquela situação desfavorável da melhor forma possível.
Na manhã seguinte, madrugada do ataque invasor ao pagode, um pequeno ônibus de excursão estava à disposição da equipe em frente à mansão do chefão.

Hai Tien se apresenta para partir com a equipe, vestido com um
vistoso macacão de malha amarelo.

Todos os membros lutadores, mais o arrombador saem e esperam por Hai Tien, que finalmente aparece em seu macacão  de malha amarelo com listras pretas. E ouve-se um sonoro “bom dia, pessoal!”, por parte de Tien. A equipe embarcada se dirige para o seu destino, finalmente.
Eles chegam à ilha e se aproximam das imediações do vale onde se situa a aldeia onde estaria localizado o pagode que guardava o ambicionado tesouro. Mas antes teriam que passar por uma ponte suspensa, que seria o primeiro obstáculo para a equipe de Tien. Superado esse obstáculo. Durante a aproximação da aldeia, o quarto e arrogante lutador, tenta tomar o comando da equipe de Tien, instruindo seus companheiros como proceder para atacar os vigias que circundavam espalhados em volta do local. Após todos os vigias serem eliminados ou incapacitados, a equipe de invasores vão em direção à área externa do pagode. 

A equipe invasora está prestes a invadir o templo.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


A equipe de Hai Tien logo enfrentaria os primeiros guardiões do pagode.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -


Bruce Lee com quatro dos atores/lutadores que fariam parte da equipe de 10 karatecas
 que guardariam a área externa do templo a ser invadido.


Ao se aproximarem do pagode, a equipe depara-se com uma equipe de 10 karatecas faixas-pretas do estilo Shotokan e seu mestre e líder, que já os estavam esperando.  A batalha estava apenas começando.


Ao chegarem à área externa do templo, a equipe de Hai Tien se depara com
10 karatecas pronto para interceptá-los.
- Imagem do documentário "Bruce Lee - A Warrior's Journey" de John Little
sobre o roteiro original de O Jogo da Morte -

Em O JOGO DA MORTE – O PROJETO ORIGINAL E VERDADEIRO DE BRUCE LEE – Parte II, a conclusão de O Roteiro Original.

Por Eumário J. Teixeira.

terça-feira, 17 de abril de 2018

OITO LUTAS REAIS DE BRUCE LEE


Mesmo após 44 anos de sua morte, Bruce Lee ainda é muito assunto para quem ama e curte as artes marciais em geral. Os filmes de Kung Fu made in Hong Kong se tornaram febre mundial no início da década de 1970, apesar de já serem bastante populares desde a década de 1950. Mas a origem  do mito de Bruce Lee não seu deu no teatro chinês ou nos filmes “made in” Hong Kong, mas nas ruas.
Antes de conhecer formalmente as artes marciais chinesas, ou precisamente o Wing Chun  do mestre Ip Man, Bruce Lee teve sua iniciação nas chamadas “brigas de rua” (munido, às vezes,  de correntes e até canivetes) promovidas por gangs de adolescentes em Hong Kong, que justificavam as contendas em razão de defenderem seus “territórios” invadidos por gangs rivais ou para simples disputas sem regras (geralmente nos terraços dos prédios) entre praticantes das diversas escolas de Kung Fu existentes na então colônia britânica. 

O Jovem praticante de Wing Chun testava a efetividade de seu estilo
em lutas reais nas ruas e terraços de Hong Kong
Bruce Lee, um jovem adolescente de classe média alta não poderia ter motivos para estar envolvido entre os menos favorecidos rebeldes e ou filhos de membros das máfias de Hong Kong em seus confrontos pelas ruas, mas era assim que acontecia. Mas enquanto era expulso de um colégio e ingressava em outro, Bruce Lee já atuava em produções cinematográficas locais, graças à forte influência e ao bom relacionamento de seu pai, famoso e respeito ator de Ópera Chinesa, Lee Hoi Chuen.
Mas até Bruce ser mandado às pressas para os EUA para exercer sua cidadania norte-americana, onde conheceria uma variedade de artistas marciais profissionais experientes que o levaria a se tornar também respeitado como um artista marcial extremamente habilidoso, ao seu retorno à Hong Kong, para se firmar como um astro internacional de “filmes de Kung Fu”, muita coisa se passou. Sua imagem de herói invencível nas telas se confundia com o Bruce Lee verdadeiro, de tal forma que seus fãs e até mesmos os desafetos pareciam cobrar dele na vida real o mesmo desempenho exibido em seus filmes, ou seja, o ideal da perfeição heroica e infalibilidade que eles mesmos jamais alcançariam em vida.
Mas ele era realmente um lutador nato, um verdadeiro artista marcial e mestre de Kung Fu ou tudo não passava de encenação e um bom marketing? Bruce Lee, já com certo reconhecimento nos EUA na metade da década de 1960, poderia se gabar de ser um lutador altamente letal? Há relatos de confrontos reais que atestem a sua fama construída ao longo de tantos anos?


O Jovem Bruce Lee praticando Chi Sao com o lendário Ip Man
Inicialmente, é bom salientar que Bruce Lee desde a sua fase de “rebelde sem causa” na década de 1950, teria despertado para a necessidade para a luta efetiva e prática nas ruas de Hong Kong. Ele deve ter experimentado e presenciado muitos jovens praticantes de estilos clássicos de Kung Fu sendo surrados em brigas de rua por delinquentes experientes, que lutavam sujo, sem regras, sem escrúpulos e que não tinham nenhum respeito pelo oponente. Isso deve ter lhe causado enorme impacto, ao ponto dele não ficar impressionado com os estilos de Kung Fu muitos vistosos e pouco eficientes para uma luta real, porque ele vivia a realidade do “vale tudo” já naquela época. Sua opção pelo Wing Chun se deu pela praticidade, simplicidade e efetividade, apesar de ainda assim ser um estilo limitado, com todos os outros.
Mas, vem outra questão, mas se ele era tão bom assim, porque ele não tentou a carreira como lutador profissional ou boxer, o que era comum entre alguns atores de filmes de Kung Fu nas décadas de 1970 e 1980, em Hong Kong. Ora, alguns tentaram, mas se torna impossível ter sucesso satisfatório em ambas as atividades ao mesmo tempo. Ou se dedica a uma ou a outra. Sem contar com o retorno financeiro, já que a carreira como ator de cinema sempre compensou muito mais do que a de lutador profissional, e isso vale até hoje, mesmo considerando os altos cachês dos lutadores de M.M.A.
Outro detalhe, Bruce Lee era extremamente criativo. Sua capacidade de criação seria completamente satisfeita somente no cinema. Seus projetos que não vingaram por um motivo ou outro em vida, tais como o racismo, preconceito, discriminação, falta de verba ou mesmo por causa de sua morte precoce, atestaram que sua mente era uma geradora incessante de novas ideias e roteiros criativos sempre baseados em temas marciais com cunho filosófico. 


Projetos de Bruce Lee, como The Warrior e The Silent Flute, inicialmente rejeitados pelos grandes
estúdios de Hollywood, foram às telas anos após a sua morte e bastante modificados da ideia original. 
O ensaio fotográfico feito por Bruce Lee em 1972, nos estúdios de Hong Kong, seria outro projeto 

não realizado, um filme de época sobre um lendário herói da cultura chinesa.
Vale lembrar os projetos de “The Warrior’ (O Guerreiro), que adulterado, se tornou a famigerada série “Kung Fu”, na TV; “The Silent Flute” (A Flauta Silenciosa), que se tornou “Círculo de Ferro’ (Iron Circle) numa versão deturpada do script original; o ensaio fotográfico para  a Shaw Bros em Hong Kong, que se tornaria um filme de época que alguns dizem erroneamente ser “O Dragão de Jade”, baseado num personagem heroico do folclore chinês; e, certamente, o que seria o seu maior triunfo e que não pôde ser concluído da forma que gostaria por ele ter falecido antes, o enigmático filme O Jogo da Morte (The Game of Death) que superaria o sucesso de Operação Dragão (Enter the Dragon), no meu entender.


O Jogo da Morte (The Game of Death) fatalmente superaria Operação Dragão (Enter The Dragon),
pois a obra trataria essencialmente sobre a filosofia e conceito do Jeet Kune Do. Esse projeto
compensaria a frustração da não realização de The Silent Flute (A Flauta Silenciosa).
Mas, infelizmente, Bruce morreria precocemente em julho de 1973 e não pôde finalizar sua obra como queria.
Assim, se ele fosse se dedicar apenas à luta profissional, estaria cerceando sua vasta capacidade de criação e, certamente, apesar de estar figurando entre os melhores de sua categoria de peso, algum dia ele seria vencido pelo avanço da própria idade e pela ação implacável do tempo. Fatalmente, seus projetos para divulgação da filosofia do Jeet Kune Do ficariam para trás, pois ele estaria apenas preocupado em se manter em forma e se preparando para o próximo combate ou disputa de título. Considerando também que numa competição oficial, como o M.M.A., Boxe, ou mesmo no chamado Vale-Tudo, as regras existem e limitam a livre atuação do artista marcial e isso era tudo o que ele combatia.
É fato também que Bruce Lee confidenciava aos mais íntimos que ele tinha um forte pressentimento de que não viveria por muito tempo. Uma de seus principais objetivos era conseguir sua independência financeira como ator e depois continuar no cinema como produtor e diretor de filmes. A carreira na indústria cinematográfica é extensa para quem tem talento, e isso Bruce tinha de sobra. 


Em O Vôo do Dragão (The Way of the Dragon - 1972) Bruce exerceu as funções de
promotor, produtor, diretor, escritor, ator e coreógrafo das lutas.
Ele podia facilmente exercer as funções de ator, coreógrafo, diretor, produtor e promotor de sua própria obra. Sua capacidade intelectual estava muito acima da média dos demais atores do gênero e mesmo de Hollywood. Por que então perder tantas oportunidades se digladiando por dinheiro, tentando provar a cada confronto ele ou o seu “sistema de luta” era o melhor? Para ele isso não fazia sentido e não era de forma alguma muito promissor.
Sobre sua capacidade físicas como lutador? Ora, vários faixas-pretas, lutadores profissionais e campeões de diversos estilos e pesos que treinaram ou fizeram sparring com Lee (de 1,68-1,70 e 58-62 kg) atestaram sua rapidez, intocabilidade, movimentação e poder ao desferir seus golpes com os punhos e pés. Podemos citar Ed Parker (Kempô e Shorin-Ryu Karate), Bob Wall (Tang Soo Doo), Chuck Norris (Tang Soo Doo), Joe Lewis (Shorin-Ryu Karate), Louis Delgado (Shorin-Ryu Karate), Mike Stone (Shorin-Ryu Karate), Jim Kelly (Shorin-Ryu karate), Wally Jay (Small Circle Jiu-Jitsu, Judô, Boxe), Gene LeBell (Judô, Jiu-Jitsu, Wrestling), Hayward Nishioka (Judô), Jhoon Rhee (Taekwondo), Ji Han Jae (fundador do Hapkidô) e Wong In Sik (Hapkidô), só para citar alguns.


Bruce Lee tinha proveitosos relacionamentos com os mais diversos artistas marciais, como 
Gene Lebell, Hayward Nishioka, Chuck Norris, Jhoon Rhee, Ji Han Jae ...

... Ed Parker, Mike Stone, Joe Lewis, Wally Jay, Jim Kelly e Bob Wall, 
lutadores experientes e campeões que o inspiraram e o levaram a desenvolver 
o seu conceito ou estilo próprio conhecido como Jeet Kune Do.
Não posso deixar de citar seus principais e respeitados alunos, Dan Inosanto, Taky Kimura, James Yimm Lee, Jesse Glover, Ted Wong, Daniel Lee, Richard Bustillo, James De Mile, Howard Williams, Bob Baker, Kareen Abdul Jabbar, Herb Jackson, Ed Hart, Jerry Poteet, Bob Bremer, dentre outros. 


Bruce Lee e seus discípulos mais íntimos, como Jesse Glover, Taky Kimura, James Yimm Lee, 
Dan Inosanto, Ted Wong e Daniel Lee, acompanharam toda 
a transição do Wing Chun para o Jun Fan Gung Fu.


James De Mile, Richard Bustillo, Jerry Poteet,  também fizeram parte 
do grupo dos alunos selecionados de Bruce Lee que acompanharam toda 
a transição até chegar ao conceito libertário do Jeet  Kune Do. 
Todos eles testemunharam a capacidade e determinação do Pequeno dragão.
Os seus contemporâneos de juventude transviada não ficam para trás para ao abonarem as qualidades físicas, poderosa força de vontade e a capacidade de rápida assimilação do Pequeno Dragão, como William Cheung, Wong Shun Leung, Hawkins Cheung e Leung Ting, mestres de Wing Chun; e Vince Lacey e Dave Lacey, mestres de Choy Lay Fut.


Da Esquerda para a direita, William Cheung, Wong Shun Leung, 
Hawkins Cheung, Leung Ting e Dave Lacey. Todos colegas da escola Ip Man de Wing Chun, 
com exceção de Dave Lacey, praticante de Choy Lay Fut. Juntos à Bruce Lee, 
vivenciaram os áureos tempos dos combates nas ruas  e terraços em Hong Kong.  

E para finalizar a lista interminável de testemunhas, temos algumas celebridades de Hollywood da década de 1960/70, como os atores Van Williams, Steve McQueen, James Coburn, James Garner, James Franciscus e Dean Martin; os roteiristas e escritores Stirling Silliphant e Joe Hyams; os produtores Fred Weintraub e Roman Polanski, e outros mais que também foram seus alunos particulares.


Os astros de Hollywood, como James Garner, Steve McQueen, James Coburn, Lee Marvin, 
Dean Martin, Van Williams e James Franciscus, se renderam 
ao carisma, energia e habilidades de Bruce Lee...


...até os mestres consagrados do cinema, como Stirling Silliphant, Joe Hyams, 
 Roman Polanski e Fred Weintraub, foram seus discípulos.
Se todos esses acima citados, mentiram ou fantasiaram sobre a real capacidade de Lee com artista marcial, trata-se então do maior embuste mundial já montado para promover a imagem de uma figura pública.
Acho que delonguei demais...vamos ao que interessa. Várias lendas em torno de Bruce Lee surgiram desde a sua morte em 1973 em se tratando das lutas reais que ele teria experimentado antes e depois da fama. A seguir faço um apanhado de oito lutas que teriam ocorrido com testemunhas presentes que confirmaram o fato ou que, em algum caso, deixaram alguma dúvida sobre o que ocorreu realmente na ocasião dos confrontos. A maioria dessas lutas são as mais citadas nas diversas biografias existentes do Pequeno Dragão, considerando também que podem ter ocorrido outras mais.

Oito Lutas Reais de Bruce Lee


Bruce Lee luta para valer e vence o Campeonato Amador de Boxe de Hong Kong, aos 18 anos.
01 – Ano: 1958 – Bruce Lee aos 18 anos participou do Campeonato Amador de Boxe entre doze colégios de Hong Kong. Bruce teria se inscrito dois meses antes da competição e começado às pressas seu treinamento de boxe. A final do campeonato foi entre Bruce Lee, representando o San Francisco Xavier College e o britânico Gary Elms, representando King George V College. Bruce Lee fez uso de técnicas de bloqueio de Wing Chun para travar os ataques com os punhos do atual campeão, Gary Elms e, para o ataque, além dos golpes padrões do boxe, se dispôs dos socos (manivela) diretos em sequência característicos desse estilo peculiar de Kung Fu. Bruce Lee sagrou-se campeão do torneio para o espanto de todos que esperavam mais um título seguido do tri-campeão britânico.


As lutas nos terraços dos prédios de Hong Kong eram habituais entre os jovens praticantes
dos mais variados estilos de Kung Fu. Um combate importante entre Bruce Lee
e um lutador de Choy Lay Fut se deu em 1959.
02 – Ano: 1959 - Bruce Lee tinha sua gang de rua, chamada por eles mesmos de “Tigers of Junction Street”. Ele e sua gang teriam se envolvido em muitas brigas de rua pelos bairros mal afamados de Hong Kong. Mas, segundo algumas fontes, em 29 de abril de 1959, uma dessas lutas aconteceu num terraço de um prédio de apartamentos onde haviam feito uma quadra esportiva. A luta desta vez não era entre líderes de gangs, mas de dois representantes de duas escolas rivais de Kung Fu em Hong Kong,  dos estilos Wing Chun e Choy Lay Fut. O desafio teria partido dos praticantes de Wing Chun. As regras foram acertadas de tal modo que quem fosse empurrado para além da linha branca que delimitava a área de luta, perdia; ou, se fosse nocauteado ou desistisse da luta. O perdedor também poderia ser atirado do terraço. Segundo relatos, Bruce Lee como o representante oficial da escola Wing Chun, estava retirando sua jaqueta para lutar, quando seu oponente praticante de Choy Lay Fut, aproveitou sua distração para lhe atacar com um soco traiçoeiro no olho. Bruce Lee de imediato reagiu de forma furiosa atacando-lhe com uma sequência de socos diretos próprios do estilo Wing Chun, fazendo seu adversário desequilibrar-se com o rosto moído pelos golpes e cair de costas sobre a linha branca. No chão, seu oponente ainda recebeu um par de chutes no olho e na boca, perdendo alguns dentes. Alguns relatos afirmam que o praticante de Choy Lay Fut acabou tendo um braço fraturado. Bruce Lee teria saído apenas com um olho roxo do episódio e teria decidido não jogá-lo de cima do prédio de 5 andares. Os pais do rapaz teriam dado queixa à polícia local. Foi dito também o jovem espancado por Bruce Lee, na verdade, era filho de um membro da máfia Triads. A mãe de Bruce, Grace Lee, foi intimada pela polícia e se viu obrigada a assinar um termo de responsabilidade assegurando a boa conduta de seu filho. Daí a necessidade de Bruce Lee ser praticamente despachado às pressas para os EUA, ainda neste ano, pelo seu pai Lee Hoi Chuen.


Na luta contra o karateca em 1960, Bruce explodiu e partiu para cima do adversário como
um rolo compressor.  Nas fotos, Bruce bloqueia um chute e soco simultâneos de Taky Kimura; na seguinte,
aplica um cruzado em seu outro discípulo Dan Inosanto, numa sequência próxima ao
que aconteceu no desafio em Seattle.
03 – Ano: 1960 – Bruce Lee tinha chegado há alguns meses em San Francisco, na Califórnia, e mudou-se pouco tempo depois para, Seattle, no estado de Washington. Mas já havia feito boas amizades e conseguido seus primeiros discípulos fiéis. Mas, da mesma forma, já estava criando inimizades e desafetos por defender seus pontos de vista em relação a uma possível superioridade das artes marciais chinesas em relação à algumas artes marciais orientais, como o karate japonês, por exemplo. Na verdade Bruce Lee era muito autoconfiante, mas pecava pela sua imaturidade e falta de conhecimento em relação às demais artes marciais existentes impulsionado pela sua vontade de se sobressair à todo custo na América. Numa dessas palestras em que ele costumava dar em teatros ou em locais públicos para eventos diversos, Bruce discursava sobre os estilos internos ou suaves e externos ou duros do Kung Fu.
Enquanto falava, ele foi interrompido e desafiado por um lutador de Karatê e judô de origem japonesa que se sentia ofendido com suas colocações sobre a inferioridade do karate japonês; que na verdade, Bruce Lee praticamente desconhecia, a não ser pelo fato de que sua origem seria do Kung Fu chinês. Depois de ignorar os desafios e provocações em outras ocasiões, inclusive no Thomas Edison College, onde dava prosseguimento aos seus estudos, Bruce irritado, resolveu aceitar o desafio do lutador japonês. O Local da luta seria numa quadra esportiva do YMCA, um ginásio popular. Bruce Lee teria levado Jesse Glover (seu primeiro discípulo nos EUA) e Ed Hart, como suas testemunhas. 


Bruce Lee e suas duas testemunhas que testemunharam o massacre imposto
por Bruce Lee ao karateca, em Seattle.
Os dois oponentes e suas testemunhas foram de ônibus para o ginásio e durante o percurso, o japonês continuava com as provocações, fazendo Bruce ficar ainda mais furioso. Ficou acertado entre as partes que a luta teria três assaltos de 2 minutos. O vencedor seria aquele que derrubasse ou atingisse mais vezes seu oponente, vencendo pelo menos dois dos três assaltos; ou fosse nocauteado; ou desistisse da luta por alguma razão. Segundo Ed Hart, Bruce Lee adotou a postura de combate tradicional de Wing Chun com a perna direita à frente e o punho direito apontando para o nariz do seu adversário. O karateca iniciou sua postura de luta com o zenkutsu-dachi e em seguida para nekoashi-dachi. O japonês tomou a iniciativa de ataque com sua perna esquerda à frente desferindo um rápido chute frontal (mae-geri) em direção aos testículos de Lee, que se defendeu com o antebraço direito varrendo para fora a perna do karateca quase ao mesmo tempo em que seu punho esquerdo alcançava em cheio o nariz de seu oponente, que já tinha lançado em vão um soco com seu punho direito (guiaku-zuki) que foi bloqueado por uma sequência avassaladora de socos diretos aplicados por Bruce Lee, cobrindo a linha central do oponente. O karateca começou a recuar de costas em vão e de encontro à parede à medida em que os socos de Lee encontravam seu rosto. Ao tentar segurar os braços de Bruce Lee, o karateca recebeu um soco duplo no peito e no nariz ao mesmo tempo, sendo lançado ao chão com o rosto desfigurado. 


O karateca teria tentado atingir os testículos de Bruce com um chute frontal baixo, mas foi
bloqueado e sofreu um contra-ataque simultâneo, numa sequência avassaladora
de socos diretos.
De joelhos  ainda recebeu um chute direto no nariz que fez o sangue do karateca jorrar no piso da quadra. A luta teria durado 11 segundos apenas, segundo Ed Hart que era o responsável por cronometrar o tempo dos assaltos. Bruce Lee mais calmo, teria prometido ao karateca e suas testemunhas que o ocorrido ficaria apenas entre eles. Mas, de alguma forma, o resultado da luta vazou.


Wong Jack Man, o jovem praticante de Kung Fu Shaolin do Norte. 
Personagem responsável pelo reavivamento, décadas depois, de toda uma 
polêmica em torno da clássica luta contra Bruce Lee ocorrida em Oakland, 1964.
04 – Ano: 1964 – Bruce Lee seguia com suas palestras em locais públicos na Chinatown de San Francisco e Oakland, agora não só desmerecendo o karate esportivo, mas questionando a também a efetividade das artes marciais ortodoxas chinesas, presas às tradições e fora da realidade das ruas com seus movimentos floreados. Isso chegou aos ouvidos de um mestre chinês de Kung Fu estilo Shaolin do Norte e Tai Chi Chuan, chamado T. Y. Wong, que liderava uma associação de artes marciais chinesas tradicionais em San Francisco. Wong designou um jovem praticante de Shaolin do Norte, chamado Wong Jack Man, chegado recentemente de Hong Kong, para desafiar a Bruce Lee para uma luta, com a prerrogativa de fechar seu Instituto Lee Jun Fan Gung Fu em Oakland, caso Bruce Lee perdesse o desafio. Em 1964, Bruce ensinava basicamente o Wing Chun, mas já acrescido de alguns elementos de outros estilos de Kung Fu, judô, boxe e outros estilos de luta (o Jeet Kune Do viria bem depois). O desafio para a luta foi levado até Lee pelo praticante de Tai Chi Chuan, David Chin. Bruce teria observado a Chin na ocasião, que ele teria lhe entregado a sentença de morte de Wong Jack Man. No dia da luta, estavam presentes, segundo as fontes mais confiáveis, James Yimm Lee (parceiro e discípulo de Bruce) e Linda Lee. Por parte de Wong Jack Man, estavam os praticantes de Tai Chi Chuan, David Chin e William Chen.


Bruce Lee e sua testemunha principal na luta contra Wong Jack Man: 
Seu amigo e parceiro de Oakland, James Yimm Lee. 
Linda Lee, grávida, estaria no local do evento também.
Segundo Linda Lee, Wong já chegou ponderando e tentando acordar com Lee que a luta seria mais uma troca de técnicas, sem golpes no rosto ou abaixo da cintura. Bruce Lee que já estava inflamado, não concordou com a sugestão de Wong Jack Man afirmando que já que o desafio partiu dele, agora ele teria que se sujeitar a uma luta sem regras. Isso teria pego o desconcertado Wong Jack Man de surpresa. Os dois oponentes saudaram-se tradicionalmente, mas Wong Jack Man teria ainda estendido a mão à Bruce, que ignorou e lançou uma estocada de ponta de dedos em direção aos olhos de Wong, que por pouco não conseguiu se desviar, mas acabou com a testa arranhada. Em seguida Bruce Lee partiu para cima com uma sequência de socos diretos característicos do Wing Chun e ainda desferia chutes frontais na altura da virilha de Wong Jack Man, que não tinha espaço para aplicar seus chutes característicos do Shaolin do Norte. Acuado, Wong teria dado as costas e fugido literalmente do confronto, ao mesmo tempo que Bruce Lee o perseguia socando-lhe a nuca. 


A sequência que Bruce Lee teria usado contra Wong Jack Man:
 Estocada de ponta de dedos nos olhos, socos diretos de Wing Chun e pontapés diretos à virilha.
Wong Jack Man acabou tropeçando e caindo. Bruce se debruçou sobre ele com o punho cerrado e perguntou se bastava. Wong Jack Man teria dito que sim. A luta termina aí. Segundo James Yimm Lee (falecido em 1972) e Linda Lee, a luta teria durado 3 minutos. Segundo as versões das testemunhas de Wong Jack Man, quase 30 minutos. De qualquer forma um Bruce Lee extenuado e decepcionado com sua performance, foi declarado o vencedor. Essa luta, em especial, foi devidamente comentada e explorada neste blog.

Bruce Lee em plena forma, na Tailândia, quando das filmagens
de O Dragão Chinês (The Big Boss - 1971).
05 – Ano: 1971 – A “luta” teria ocorrido durante as filmagens no set de O Dragão Chinês (The Big Boss) que teriam se iniciado em julho de 1971. Um grupo de figurantes tailandeses participavam das filmagens e entre eles, segundo a lenda, havia um dublê experiente e campeão de Muay Thai da região, infiltrado. Não se sabe o que aconteceu para ocorrer a disputa, mas poderia ter começado com provocações ou ironias durante as filmagens que também eram geralmente interrompidas por pessoas desavisadas e desatentas atravessando o set de filmagem, desentendimentos entre Lee e o diretor Lo Wei e outros contratempos. Era um  clima tenso em muitas situações, mas havia seus momentos de descontração e relaxamento.


Na série de TV, The Legend of Bruce Lee, Bruce (Danny Chan) enfrenta
o lutador campeão de Muay Thai desafiante (Mark Dacascos).
O que se sabe ou foi presenciado é que Bruce Lee e o campeão tailandês de Muay Thai resolveram fazer “sombra” ou uma troca de golpes sem contato. Só que durante a sessão de sparring, as coisas começaram a esquentar e, de acordo com uma testemunha, que seria o tio de um mestre pioneiro e autoridade de Muay Thai tailandês conhecido nacionalmente como “Woody”, o suposto campeão de boxe tailandês conseguiu acertar alguns chutes laterais com a canela, nas coxas e pernas de Bruce Lee. Segundo ele, quando as coisas pareciam que iam esquentar para valer, foram interrompidos para que Bruce Lee voltasse ao set de filmagem.


Mestre Woody, afirmou que seu tio teria presenciado a luta de Bruce Lee e o
ainda desconhecido lutador campeão de Muay Thai.


A propriedade de mestre Woody serviu de cenário para as filmagens de o Dragão Chinês.
Mestre Woody, que não estava presente na suposta luta, teria cedido a sua propriedade contendo um casarão e um vasto campo gramado que serviu como residência do vilão de “O Dragão Chinês” interpretado pelo coreógrafo e ator, Han Ying-Chieh.


Lo Wei, diretor de O Dragão Chinês e desafeto de Bruce Lee,
 nunca teria mencionado o suposto combate entre ele e o lutador de Muay Thai.
O diretor Lo Wei, que se tornaria em poucos meses um desafeto de Bruce Lee, nunca mencionou o episódio do confronto em entrevistas ou depoimentos. Os extras tailandeses e artistas chineses que contracenaram na época com Bruce Lee, nunca mencionaram tal confronto, por desconhecerem ou por não estarem presentes no dia, se é que de fato aconteceu.
Mas, segundo rumores, o “figurante” campeão de Muay Thai desconhecia Bruce Lee e só queria ganhar um dinheiro em cima da situação (contra o badalado ator e lutador de Kung Fu chinês) apostando que poderia acertá-lo com alguns chutes. Bruce teria mencionado após o breve confronto que ficou surpreso com a técnica e vigor do lutador tailandês, considerando-o um competente  e realmente profissional.


Equipe de dublês tailandeses que participaram das cenas de lutas em O Dragão Chinês.
O desafiante e lutador de Muay Thai estaria entre eles?




Bruce Lee confidenciaria ao amigo e discípulo Daniel Lee sua forte impressão sobre os fortes chutes
com as canelas dados pelos lutadores profissionais de Muay Thai nas coxas de seus adversários.


Bruce Lee teria comentado ao discípulo Daniel (Dan) Lee, algum tempo depois, sobre o estilo de lutar dos boxeadores Thai. Dan afirmou que Bruce não teria mencionado a luta, mas teria enfatizado sobre os chutes característicos do Muay Thai com “aquelas canelas destrutivas”, abaixo da linha da cintura que atingem as coxas do adversário. Bruce explicou a Dan Lee que: “o problema com eles é que eles são o John L. Sullivam com as pernas, quer dizer, vão para cima sem nenhuma sutileza! Eu vi na Tailândia em primeira mão, o campeão dos pesos Bantam (pesos galo, de 53 a 57 kg), ele era um dos dublês...”. “Se eles conseguem entrar e golpear a parte traseira de sua coxa, isso dói e geralmente é o que eles fazem para que o adversário desista da luta!”


Bruce Lee comparou o ímpeto dos lutadores de muay thai ao chutar aos poderosos
e contundentes socos diretos do lendário boxeador John L. Sullivan.
Bruce Lee conclui: “Bem, nem todos eles conseguem isso; você sabe, só se pode fazer isso (chutar com a canela nas coxas) quando seu adversário está parado, mas quando o oponente está em constante movimento isso não é possível.”
Será que essa troca de técnicas entre Bruce e o campeão de Thai boxing realmente aconteceu, ou é mais uma lenda em torno do mito Bruce Lee? De qualquer forma o suposto confronto foi encenado na série de TV, The Legend of Bruce Lee, com Mark Dacascos fazendo o papel do lutador de Muay Thai e Danny Chang como Bruce Lee. Bruce Venceu, mas a luta foi dura...


O ator e boxeador profissional de Hong Kong teria mesmo lutado com Bruce Lee?
06 – Ano: 1971 – Bruce Lee tinha retornado à Hong Kong com sua família para reiniciar a sua carreira cinematográfica e estrelado com sucesso, O Dragão Chinês (The Big Boss). Um ator de filmes de kung fu e de Boxe pesos leves chamado Lau Dai-Chuen, teria emitido um desafio público a Bruce Lee através dos jornais de Hong Kong.  Segundo alguns depoimentos a luta teria sido acertada entre Bruce Lee e Lau Dai-Chuen através do Sr. Dang, um conhecido de Bruce Lee, e que exercia as funções de policial e presidente da Associação de Artes Marciais Chinesas de Hong Kong. O local da luta seria numa casa particular nos Novos Territórios da colônia britânica. 


Bruce Lee teria confirmado a realização da luta por telefone à Daniel Lee. Já Mr, Dang teria
sido o responsável pela realização da luta privativa para um grupo seleto de umas 20 pessoas. 
Conta-se que quase 20 testemunhas estavam presentes e que Bruce Lee havia aceito o desafio por diversão. Frente a frente os dois se posicionaram para a luta. Lau teria tomado a iniciativa usando o boxe que bem conhecia, partindo para cima de Lee com uma combinação de socos. Bruce Lee reagiu ao ataque recuando com a guarda alta de forma natural como um boxer profissional. Lau Dai-Chuen de imediato tentou tirar o equilíbrio de Bruce Lee varrendo suas pernas com um chute circular baixo padrão dos lutadores de muay thai, mas Bruce intercepta sua tentativa com um bloqueio com sua perna direita ao mesmo tempo que a lança com extrema rapidez e potência em chute lateral direto contra o peito de Lau, que cai por terra se contorcendo em dor. Lau provavelmente sofreu traumatismo nas costelas devido ao poder do golpe desferido por Lee. A luta durou alguns poucos segundos. Algumas fontes dizem que Bruce Lee teria custeado o tratamento de Lau Dai-Chuen e os dois teriam se reconciliado depois. Lau teria ficado longe dos campeonatos de boxe e dos filmes de Kung Fu por algum tempo sem dar explicações públicas e se retiraria definitivamente do cinema e das competições, em 1975. Daniel Lee, aluno do Instituto Lee Jun Fan Gung Fu, de Los Angeles, teria sabido da luta pelo próprio Bruce Lee por telefone. 


Lau Dai-Chuen em entrevista anos depois da suposta luta, em entrevista para TV em Hong Kong.
Tony Liu, que participou do filme O Dragão Chinês (The Big Boss) fazendo o papel do filho do “chefão”, chegou a declarar à imprensa que a luta não tinha acontecido. O que teria presenciado, na verdade, foi somente uma provocação de Lau Dai-Chuen a Bruce Lee no  restaurante Hon Gung, em Hong Kong. No Local estavam juntos numa mesa, Bruce Lee, Tony Liu e Lam Ching Ying (dublê de filmes de Kung Fu e amigo de Lee); Lau Dai-Chuen teria desafiado a Bruce Lee abertamente para que todos os presentes pudessem ouvir. Bruce Lee o ignorou, mas Lam Ching Ying tomou as dores e foi até a mesa de Lau propondo a lutar com ele primeiro. Lau não aceitou e teria saído. Bruce Lee teria permanecido impassível. Segundo Tony Liu, teria sido uma tentativa de golpe de marketing de Lau Dai-Chuen tentando alavancar sua carreira em baixa, explorando a fama cada vez mais crescente de Bruce Lee naquele ano de 1971. Segundo Tony Liu, se Bruce Lee se levantasse naquela ocasião, ele certamente chutaria Lau Dai-Chuen escada à baixo.


O desafiante teria pulado os muros da casa de Bruce Lee em Kowloon e o desafiado
abertamente. Bruce indignado e surpreso com a audácia do jovem punk, não lhe deu a mínima chance.
07 – Ano: 1972 - Herb Jackson, um dos discípulos de Bruce Lee em Los Angeles, o visitou em sua casa, na 41 Cumberland road em Kowloon, Hong Kong, no ano de 1972. Com ele estavam Ted Wong (discípulo de Lee) e o mestre de Taekwondo, Jhoon Rhee. 


Ted Wong, mestre Jhoon Rhee e Herb Jackson em visita à Bruce Lee em Kowloon,
pousam no jardim japonês da residência, por ocasião de uma viagem à Hong Kong, em 1972.


Herb Jackson teria ouvido do próprio Bruce Lee, um relato
sobre a invasão de sua casa em Kowloon. Na foto, Jackson está ao

lado do dublê Steve Lambert, Jason Scott Lee e Ted Wong.
Não se sabe se o fato ocorrido foi antes ou depois da visita destes ao lar de Bruce Lee; mas, segundo o relato de Herb Jackson, um homem teria saltado o muro e invadido o jardim japonês que ficava em frente da casa e chamou alto por Bruce Lee, lançando-lhe um desafio. O invasor teria lhe perguntado o quão bom ele seria. Herb Jackson relata que Bruce Lee teria lhe confidenciado que teria ficado surpreso e espantado, pois não conseguia conceber que alguém pudesse invadir sua propriedade apenas para desafiá-lo. Um Bruce Lee furioso teria ido de encontro ao desafiante e o que se seguiu em diante não foi uma luta, pois ao se aproximar do rapaz aplicou-lhe um único e poderoso chute que o levou ao chão sem a menor chance de reação. O desafio terminou aí. Não houve envolvimento da polícia pela invasão do jovem punk e o caso foi abafado.


Bruce Lee cercado por 400 extras de Operação Dragão (Enter the Dragon - 1973), dentre
os quais haviam membros de gangs rivais e alunos de diversas escolas de Kung Fu que volta
e meia provocavam e desafiavam o rei do Kung Fu.



Bruce Lee num raro momento de descontração entre alguns figurantes e dublês no set de Enter the Dragon.
08 – Ano: 1973 – Nos últimos ensaios para as cenas de luta que envolviam uns 400 extras (guardas de Han contra os prisioneiros das catacumbas) no set de filmagem de Operação Dragão, podia se observar que algumas “lutas” se tornavam reais, pois estavam ali entre os figurantes, membros de gangs rivais que vinham uma oportunidade única de aparecerem diante das câmaras surrando seus rivais. Entre eles havia alguns mais corajosos que resolviam desafiar justamente a estrela do filme, Bruce Lee. Segundo Bob Wall, ator e faixa-preta de Tang Soo Doo, o mesmo que encarnou o personagem O’Hara em Operação Dragão (Enter the Dragon), um figurante estava gritando em cima de um paredão coisas do tipo: “Você não é um artista marcial de verdade, é apenas um ator”, ou “Bruce Lee! Aahhh, venha! E Vença-me!”. E bradava também contra o Jeet Kune Do. As provocações se deram durante os intervalos de gravações no set de Operação Dragão. Bruce o ignorou inicialmente, mas querendo dar um basta naquilo para aliviar a forte tensão que já existia no set, pediu para o rapaz descer do muro e mostrar o que ele sabia fazer. 




Esta sequência de fotos seria o registro, para alguns, da luta entre Bruce Lee e o figurante
 desafiante de Operação Dragão.  Não há confirmação oficial, sobre isso, mas também
poderia ser apenas uma simulação ou sparring. O que vocês acham?

Bruce teria perguntado ao rapaz se ele conhecia o Jeet Kune do, ao que o jovem desafiante respondeu sarcasticamente que ele conhecia o suficiente e que não fazia a mínima diferença para ele. Bruce Lee então teria dito que estava então tudo bem e que o rapaz poderia tentar acerta-lhe um chute. Segundo Bob Wall, o desafiante era um bom lutador, forte, de boa estatura e rápido. Mas todas as investidas do rapaz contra Bruce Lee não deram em nada, pois Lee se desviava e saia de seu alcance com facilidade, parecendo ser intocável. De repente, Bruce acha uma brecha em sua guarda e o empurra contra a paredão pressionando com seu joelho direito o tórax do desafiante ao mesmo tempo que imobilizava os braços do figurante com sua mão esquerda. 


Bob Wall teria presenciado a luta e confirmado que apesar da habilidade e força do desafiante,
ele não teria sido páreo para Bruce Lee.
A partir daí, Bruce começou a se divertir e a socar-lhe o rosto com seu punho direito até que ele começou a sangrar levemente pela boca. Bruce ainda lhe dizia: “Vê? Você está em meu poder.” O rapaz ainda relutou antes de se entregar, exausto. Bruce socou-lhe mais algumas vezes no rosto e após liberá-lo Bruce teria ainda teria dito: “Isso é uma lição para você.” E ainda teria lhe dado alguns conselhos sobre como melhorar sua guarda e melhores estratégias de ataque. No final, teriam apertaram-se as mãos e o jovem antes de voltar para cima do muro, teria dito à Bruce Lee: “Você é realmente um mestre em Artes Marciais.”

Esses fatos são os mais divulgados nas biografias e artigos dedicados à Bruce Lee. Se realmente foram totalmente ou parcialmente verídicos, acho que ninguém saberá, ao certo.

Por Eumário J. Teixeira.